Grande atraso em pagamento de cachê revolta violonista

Turíbio Santos tocou em São Luís em setembro do ano passado, por ocasião das comemorações de aniversário da cidade

Durante as comemorações de 401 anos de São Luís vi dois belíssimos concertos na Praça Maria Aragão: o da pianista Eudóxia de Barros e o dos violonistas João Pedro Borges e Turíbio Santos, maranhenses que se configuram em dois dos maiores nomes do instrumento não apenas no Brasil.

As apresentações aconteceram 7 de setembro de 2013, ocasião em que cometi a fotosca que ilustra este post. O prefeito Edvaldo Holanda Jr. esteve na plateia. Seis meses depois o internacionalmente reconhecido Turíbio Santos ainda não recebeu o cachê devido. O músico afirma ter trocado outros compromissos por uma visita à Ilha, para rever os amigos e outra vez tocar na cidade em que tudo começou. A equipe da Chorografia do Maranhão, os irmãos Almeida Santos, Ricarte e Rivanio, e este que vos perturba, aproveitou a ocasião e entrevistou-o para a série, na casa de João Pedro Borges, em que ele se hospedou.

O atraso no pagamento é “a maior falta de respeito que já fizeram comigo em 50 anos de profissão”, afirma Turíbio Santos em e-mail enviado ao blogue. “No aniversário de São Luís e no ano em que comemoro 70 anos o desgosto só faz se multiplicar”, continua.

Também por e-mail, João Pedro Borges, o Sinhô, que dividiu discos importantes com Turíbio Santos, declarou-se “completamente indignado diante desta negligência inaceitável com este artista maranhense, dos principais do Brasil e do mundo, de quem tenho a sorte de ser discípulo e amigo”.

Procurada pelo blogue a Fundação Municipal de Cultura (Func) informou que o pagamento será autorizado hoje (16) para a Fundação Sousândrade, e que a dívida com Turíbio Santos será quitada na próxima semana.

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Update (às 12h24min de 17/4/2014):

Fundação Municipal de Cultura – Comunicado
 
A Fundação Municipal de Cultura (Func), órgão vinculado à Prefeitura de São Luís, comunica a todos que, até o dia 23 de abril, todos os artistas que prestaram serviços para o evento Aniversário da Cidade, em setembro de 2013, terão o pagamento efetuado por meio da Fundação Sousândrade.

Avisamos ainda que o repasse do pagamento foi autorizado no dia 15 de abril, após a sinalização da Secretaria Municipal da Fazenda (SEMFAZ), e que cada artista será notificado pessoalmente sobre a confirmação do pagamento.

São Luís, 17 de abril de 2014.

Saudade de Pixixita (Ou: Um abraço em Nelsinho)

Contrariando o compositor baiano, Pixixita subiu há algum tempo para uma estrela colorida, brilhante. De lá, certamente continua cumprindo a missão que tinha cá na terra: legar às pessoas o amor pela música.

O saudoso José Carlos Martins, dono do apelido, com sua cara e jeito “de índio”, deixou uma legião de fãs e amigos. Seguidores, nestes tempos de redes sociais.

O homem é uma lenda. Quase todo mundo que tem algo a ver com música em São Luís conta alguma história envolvendo Pixixita. Ou foi seu aluno. Ou tomou uma com ele. Ou tirou um retrato, bonito como o preto e branco em que ele aparece com o também já saudoso Nelson Brito.

Durante muito tempo, aliás, pensei que meu amigo Nelsinho, muito provavelmente pelo sobrenome, fosse filho de Nelson Brito. Entre tantos afazeres, este herdeiro do espírito agregador de Pixixita tem por missão manter vivo o legado do pai: sua memória, o amor pela música, simpatia e o “um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar”, para citarmos outro compositor. Graças a estes, a missão de Nelsinho torna-se até fácil.

Seu pai não cheguei a conhecer, mas admiro-o já há algum tempo. Com o filho, este simpático professor de capoeira, já tomei umas tantas cervejas nesta vida e tanto mais pretendo fazê-lo.

Como sábado agora, quando os companheiros de tribo do saudoso pajé reúnem-se para mais uma festa ao redor das fogueiras acesas nos corações em nome do amor à música e à vida.

O novo Delito de André Morais

Demorei a descobrir o trabalho do ator, cantor e compositor André Morais. Somente recentemente ouvi Bruta flor (2010, disponível para download no site do artista), seu disco de estreia, cuja epígrafe são os versos “cada manhã que nasce/ me nasce/ uma rosa na face”, de Paulo Leminski.

É um álbum bonito, cheio de parcerias e participações especiais: Âmago, faixa que novamente cita Leminski e tem violão e arranjo de Nonato Luiz, é parceria dele com Marco Antonio Guimarães (inventor do Uakti); Lua-me, parceria com Carlos Lyra, tem piano de André Mermahri; Pequenas epifanias, parceria dele com Ceumar tem participação da mineira (voz e kalimba); Leve, parceria com Milton Dornellas, cita Emily Dickinson e também tem violão e arranjo de Nonato Luiz; Canção meretriz, em parceria com Ná Ozzetti, conta com participação dela; as vozes de Tetê Espíndola cantam a Ave Maria de Bach e Gonnoud; Seio é parceria dele com Chico César; Mônica Salmaso canta O canto do cisne negro, que mistura Villa-Lobos e Baudelaire; De corpo aberto, parceria com Sueli Costa, tem seu piano; e Toninho Ferragutti assina sanfona e arranjo em Desprimavera, parceria com Edu Krieger.

Em resumo, qualquer ouvinte de música brasileira tem aí seus motivos para querer ouvir e ter o disco. Uma boa notícia é que ele já está preparando o segundo e soltou aperitivo: Delito, parceria dele com Lucina.

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Agradeço a dica ao amigo Glauco Barreto, ávido fã número zero de Ceumar (com quem fui ao mais recente show da mineira em Brasília).

Com programa fraco, Globo quer continuar ditando moda no mundo da música pop(ular)

A bancada do Superstar. Foto: João Miguel Jr./ Rede Globo/ Divulgação

A TV Globo estreou ontem (6) mais um programa caça-talentos. Apresentado por Fernanda Lima – que não convenceu –, Superstar oferece à banda vencedora um prêmio que inclui um carro exclusivo, 500 mil reais em dinheiro e um contrato com a gravadora Som Livre, que lança gente como Roberto Carlos e as trilhas das novelas da emissora.

Exibido após o Fantástico, o programa é parecido com o recém-exibido The Voice, por que não basta copiar, tem que manter os nomes estrangeiros. Dá até pra dizer que este Superstar é um The Voice de bandas. Na bancada, os futuros padrinhos das bandas classificadas, Ivete Sangalo, Fábio Jr. e Dinho Ouro Preto, além do público, através de um aplicativo, ajudam a definir quem passa às próximas fases.

O do meio, ao menos na estreia do programa, era o mais equilibrado. A baiana era a “deslumbrada”, dançando e vibrando e apertando rapidamente o sim azul a qualquer coisa que aparecesse; o Capital Inicial, sempre iniciando suas frases com um ridículo “velho”, apertava o não vermelho a qualquer coisa que destoasse de algo mais próximo do rock, uma espécie de preconceito de gênero – musical.

Bandas diversas, de estilos idem, se apresentaram ontem, entre repertório autoral e covers. Nada fora do comum, nada digno de nota, eu diria. Podem até me pedir a paciência que eu finjo ter, que era o primeiro programa e blá blá blá. Não creio. Não acredito no formato. Dali pode até sair a nova sensação das paradas de sucesso, a nova febre musical do momento, mas nunca um Roberto Carlos, para citarmos novamente um eterno campeão de vendas. Talvez a emissora atinja seu objetivo: dá a uns desconhecidos a chance de gravar um disco com grande tiragem, alguma fama e a volta ao ostracismo. Difícil fugir deste esquema, não se iludam. Ou talvez eu seja ranzinza demais, vontade (ou esperança) de ver algo diferente e inteligente na tevê aberta (é possível!).

Uma coisa, a meu ver, ficou provada: o público que assistiu ao programa ontem é bem mais criterioso que o trio de sua bancada.

Liberdade abriu suas asas para ouvir o canto de seus filhos

[Sobre Filhos da Liberdade, ato-show apresentado ontem (31/3) em memória dos 50 anos do golpe militar]

Foto: Lauro Vasconcelos/ Ascom/ Func
Foto: Lauro Vasconcelos/ Ascom/ Func

Não lembro quem disse certa vez que caso o Rio de Janeiro fosse completamente destruído por uma tragédia, seria possível reconstruí-lo a partir da audição da obra de Noel Rosa.

A afirmação ilustra a riqueza de nossa música, sempre tão pródiga em registrar nossa história, nossos grandes compositores verdadeiros cronistas do cotidiano.

Com a ditadura militar não poderia ter sido diferente. E além de tudo o que nos vem à cabeça quando ouvimos a expressão, sempre cabem também algumas canções.

O show Filhos da Liberdade, realizado ontem (31/3) em frente ao Memorial Maria Aragão, na praça homônima, com Cesar Teixeira, Flávia Bittencourt, Josias Sobrinho, Lena Machado e Rosa Reis, trouxe ao público presente um bom punhado de canções de protesto.

Uma luxuosa banda acompanhou-lhes: Fleming Bastos (bateria), Leandro (percussão), Jayr Torres (violão), Carlos Raqueth (contrabaixo) e Rui Mário (teclado e sanfona).

O espetáculo foi precedido do cerimonial de Ricarte Almeida Santos (sociólogo e radialista, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão) e de depoimentos de Francisco Gonçalves (presidente da Fundação Municipal de Cultura), Dom Xavier Gilles (bispo emérito de Viana), Bira do Pindaré (deputado estadual), Eurico Fernandes (ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do Maranhão) e deste que vos fala (presidente da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos), além de imagens do acervo de Murilo Santos, retratando o período e figuras emblemáticas de resistência à ditadura militar brasileira, como Manoel da Conceição e Maria Aragão.

O repertório na íntegra e na ordem em que foi apresentado: Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada pelo quinteto; Engenho de Flores e Três potes, ambas de Josias Sobrinho, interpretadas pelo próprio; Viola enluarada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) e Flor do mal (Cesar Teixeira), por Flávia Bittencourt; Milhões de uns (Joãozinho Ribeiro) e A voz do povo (João do Vale e Luiz Vieira), por Lena Machado, com participação especial de Luiz Jr. (violão sete cordas); Carcará (João do Vale e José Cândido) e Gaiola (Joãozinho Ribeiro e Escrete), por Rosa Reis; Oração latina (Cesar Teixeira), cantada por todos, inclusive pelo público, de pé e marcando nas palmas; Samba pra Dedê, composta em homenagem a Maria Aragão, de Cesar Teixeira, por ele mesmo. O apoteótico final tornou a juntar a todos e todas no palco para uma sequência triunfal: Apesar de você (Chico Buarque), Vai passar (Chico Buarque e Francis Hime) e Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré).

Frase repetida por quase todos os depoentes, mestre de cerimônias e artistas, que acabou por virar slogan da noite, traduzindo a necessidade do compromisso coletivo pelo aprimoramento e fortalecimento da democracia – retroceder jamais: a luta continua!

Marcelo Sandmann em três tempos

1)

Além de meio para a criação, na passagem dos anos 70 para os 80, a música popular se afigura a Leminski como estratégia clara de inserção de sua produção num contexto mais amplo. Em outra  carta a [Régis] Bonvicino, sem data, mas ao que tudo indica do ano de 1979, o escritor comenta recentes encontros com [Gilberto] Gil e Caetano [Veloso], e o desejo deste último de gravar a canção Verdura (efetivamente gravada no LP Outras palavras, de 1981), para grande satisfação do poeta. E conclui: “minha passagem para a MPB está para se completar: operação mass-mídia”. (LEMINSKI e BONVICINO, 1999, p. 156).

De fato, a partir do início dos anos 80, o escritor verá canções suas, só e em parceria, gravadas por nomes de maior ou menor projeção na música popular brasileira, como o já citado Caetano Veloso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Blindagem, A Cor do Som, Itamar Assumpção, Guilherme Arantes, MPB-4, Ângela Maria, entre outros. Nos mesmos anos 80, sua poesia começa a circular de modo mais amplo, agora sob a chancela da Editora Brasiliense, que publica Caprichos e relaxos (1983), Distraídos Venceremos (1987) e o póstumo La vie en close (1991). Assim, por um lado, a maior presença de material seu no rádio, no show e no disco alicerça sua visibilidade como escritor; e, em contrapartida, seu crescente prestígio como poeta, tradutor e crítico chama a atenção para essa sua outra faceta criativa, numa espécie de círculo que se retroalimenta.

[De seu artigo “Na cadeia de sons da vida”: literatura e música popular na obra de Paulo Leminski, no volume A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski, Imprensa Oficial, Curitiba/PR, 2010, 272 p., organizado por ele]

2)

Acompanhado da Zirigdansk, dizendo seu poema Simpathy for the devil, de seu Criptógrafo amador:

3)

Hoje à noite, às 19h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, com a palestra “Conquistar um império extinto: vida e poesia de Paulo Leminski, de graça e aberta ao público.

O convite é feio, mas verouvir Sandmann vale a pena

O fôlego musical de Zé da Velha e Silvério Pontes

[sobre o show da dupla, ontem (19), no Clube do Choro de Brasília, em companhia dos amigos Glauco Barreto, Ricarte Almeida Santos, Nelson Oliveira e Paulo Sá ]

Visivelmente mais magro após uma cirurgia, o trompetista Silvério Pontes não deixa nada a dever. Esbanjou boa forma e saúde musical ontem (19) no palco do Clube do Choro, em Brasília/DF.

Ao lado do trombonista Zé da Velha, com quem forma uma dupla – “a menor big band do mundo” – há 28 anos, desfilou um repertório vibrante de choro, acompanhados do quarteto Choro Livre, grupo anfitrião da capital federal, um dos tantos formados no bandolim projetado por Oscar Niemeyer que serve de sede ao Clube do Choro brasiliense.

Abro parênteses: impossível não adentrar o recinto, entre bar e teatro, adornado por um painel com temas chorístico-musicais, o fundo de palco evocando o homenageado do ano, o pianista acriano João Donato, e perguntar quando São Luís, outra importante praça do mais brasileiro dos gêneros musicais, terá uma sede algo parecida. Fecho parênteses.

Foi com música de João Donato que Zé da Velha e Silvério Pontes abriram o show: uma execução primorosa de A rã (letrada por Caetano Veloso). Clássicos do choro, como Cheguei (Pixinguinha), Pedacinhos do céu (Waldir Azevedo), Carioquinha (Waldir Azevedo), misturaram-se a temas menos conhecidos, como Casa nova (Pedroca) e Maxixe da família (Silvério Pontes).

Ainda houve espaço para piadas, entre as declarações da dupla pelo prazer de voltar à cidade em que ainda tocam hoje (20) e amanhã (21), às 21h (ingressos à venda no local, R$ 20,00). “Já são 28 anos tocando juntos, já é Zé da Velha e Seu Velho Pontes”, brincou o trompetista.

Com seus cabelos prateados e timidez característica, além do fôlego para soprar seu trombone, Zé da Velha ainda cantou Ai, que saudades da Amélia (Mário Lago/ Ataulfo Alves), para deleite da plateia.

Para semana que vem a produção do Clube do Choro anunciou apresentações do bandolinista baiano Armandinho Macedo, “depois do turbilhão do carnaval”. Inspirado nos acontecimentos chorísticos em Brasília/DF, Ricarte Almeida Santos, que estava na plateia, estuda a possibilidade de o Clube do Choro do Maranhão tornar às suas atividades musicais em breve.

Ceumar Solo encanta em seu reencontro com público brasiliense

[Sobre show que Ceumar apresentou ontem, em Brasília/DF, no Teatro da Caixa, pelo projeto Solo Música, da Caixa Cultural. Com agradecimentos e abraços ao casal amigo Glauco e Maira]

Em alguns momentos do show Ceumar dispensou o microfone

Ceumar subiu ao palco ontem (17) cantando à capela Oração do anjo (parceria dela com Mathilda Kóvak) e só foi amplificada pelo microfone da metade da música em diante. Já bastava para o êxtase da plateia do Teatro da Caixa, em Brasília/DF.

Comunhão é uma palavra que traduz a relação da cantora mineira radicada na Holanda com seu público. Ceumar não é cantora de multidões, embora lote teatros pelo país, quando passa por aqui. Ela confessou a saudade, assoou o nariz, ensinou o público a bater palmas (para acompanhá-la no coco Gírias do Norte, de Jacinto Silva e Onildo Almeida, que gravou em seu disco de estreia) e anunciou para agosto o lançamento de seu novo disco. “Já está quase pronto, mas não quero a concorrência da Fifa”, disse sorrindo.

O repertório do show de ontem passeou por músicas de todos os seus discos: O seu olhar (Arnaldo Antunes/ Paulo Tatit), Avesso (Ceumar/ Alice Ruiz), Outra era (Fagner/ Zeca Baleiro), Maravia (Dilu Mello/ Jairo José), Gira de meninos (Ceumar/ Sérgio Pererê), São Genésio (Gero Camilo/ Tata Fernandes), Pecadinhos (Zeca Baleiro), Boi de Haxixe (Zeca Baleiro), Achou! (Dante Ozzetti/ Luiz Tatit), Maldito costume (Sinhô), Óia pro céu (José Fernandes/ Luiz Gonzaga), Parede meia (Kléber Albuquerque), Maracatubarão (Ceumar), Rãzinha blues (Lony Rosa) e Onde qué (Sérgio Pererê), entre muitas outras em quase duas horas de um belo espetáculo.

Ao compositor piauiense Climério, que estava na plateia, ela dedicou sua interpretação de Flora, parceria dele com Ednardo e Dominguinhos. “É uma música linda, que eu já cantei há algum tempo. Nunca gravei. Está chegando a hora”, prometeu. À Dindinha (Zeca Baleiro), faixa que batizou seu primeiro disco, emendou a morna Sodade de Cesária Évora: “foi a música que inspirou Zeca a fazer Dindinha“, revelou, “tenho feito essa junção nos shows”.

Eram só ela e seu violão. Às vezes apenas ela, sua voz. E precisávamos de mais?

Sutileza no Dia da Poesia

Hoje, Dia da Poesia, o Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), volta a ter em seu palco um importante acontecimento da música pop produzida no Maranhão.

Trata-se de Sutileza, título que faz jus ao show, que reúne no mesmo palco Marcos Lamy (ex-Nova Bossa) e Israel Costa (ex-Haudiok). Wilka Sales assina a produção, ela responsável por devolver Claudio Lima ao palco (no mesmo teatro) recentemente.

O repertório do show será um passeio por suas obras – os meninos são novos mas já têm estrada: o repertório do CD Eu tô é tu, do primeiro, o EP Suave Dança, do segundo, além de inéditas e surpresas.

Música na bandeja, um presente aos poucos mas fiéis leitores

Salomé, minha dor, linda parceria de Fernando Abreu e Marcos Magah, magistralmente interpretada por Claudio Lima, em show que ele fez mês passado no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

Por que hoje é aniversário do primeiro, mas feito aqueles comerciais piegas, neste blogue quem ganha o presente é você!

Documentário conta a história do Suvaco de Cristo

Domingo (9) no Curta! revi, por acaso, 20 anos de Suvaco (com U mesmo!), documentário que conta a história do bloco carnavalesco carioca Suvaco de Cristo. O filme entrevista diversos personagens que fizeram a história da irreverente agremiação, entre ritmistas, diretores, puxadores, foliões e compositores. Estes últimos merecem destaque. Integraram sua ala nomes como Bráulio Tavares, Chacal, Jards Macalé e Lenine – este quarteto fantástico ajuda a contar a história –, entre outros.

Os sambas tinham irreverência, bom humor, deboche, escracho, fazendo alusão ao Cristo Redentor (Divinas axilas deve ser a música com mais autores – são 20 – registrada por estas plagas) e/ou com um pé na história, sempre falando sobre algo em voga no período. Assim são lembrados sambas sobre a Constituição Federal de 1988 (“o bigodão cagou na Constituição”), latas de maconha que chegaram em latas à orla após serem jogadas no mar por uma tripulação, a cassação do presidente Fernando Collor, a ECO 92 (“ECO no ar/ de norte a sul”, com cacófato proposital) e até mesmo as confusões com a cúria carioca: integrantes do Suvaco de Cristo chegaram a ser presos pela polícia militar, acionada pela igreja católica, que achava ofensivo o nome da agremiação.

O filme é de 2006, quando o Suvaco completou 20 anos. Um bloco que começou com 20 ou 30 amigos chegou ao pico de arrastar 50 mil às ruas do Rio de Janeiro, o que levou a diversas dissidências também apontadas no documentário. 20 anos de Suvaco revisa um importante capítulo do carnaval e da cultura brasileiros.

Teatro, cinema e música para festejar os 20 anos do Colégio São Marcos

[release]

Teatro João do Vale sediará comemoração. Noite contará com apresentação do show Festejos, de Alexandra Nicolas

Fundado em 1994 o Colégio São Marcos completa, na próxima sexta-feira (14), 20 anos de atividades. A comemoração acontecerá sábado (15), às 19h, no Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande).

A noite incluirá a encenação da peça Papo Furado, baseada em um roteiro de uma cartilha do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e Administrativa, com que os alunos do 3º. ano venceram, ano passado, a Mostra Científico-Cultural da escola. Será exibido também o documentário curta-metragem São Marcos: 20 anos de educação com excelência, de Paulo Malheiros, que reconstrói a história do colégio através de depoimentos de ex-diretores, professores e alunos. Por fim, os convidados terão ainda a oportunidade de assistir ao espetáculo musical Festejos, de Alexandra Nicolas, cantora vencedora do prêmio Universidade FM 2013 na categoria Revelação.

São Marcos – Tendo como mantenedora a Cooperativa Educacional do Maranhão (Cooped), o Colégio São Marcos funciona ao lado da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), próximo à praia de São Marcos, tendo iniciado suas atividades para atender à clientela bancária, logo expandindo suas atividades.

O São Marcos tem hoje mais de 200 alunos, da educação infantil e ensinos fundamental e médio; entre professores, técnicos e direção, são mais de 60 profissionais.

“Precisamos festejar a data, e nada melhor que fazê-lo valorizando os estudantes que estão na escola, os que passaram por lá e o que nossa cultura tem de melhor a oferecer. Há algum tempo já nutríamos a vontade de realizar alguma atividade com a participação desta talentosa artista. Chegada a hora de comemorar nossos 20 anos nem pensamos duas vezes”, afirmou José Ribamar Tocantins, um dos membros da direção do Colégio, fazendo referência ao cardápio cultural que será oferecido aos convidados por ocasião das comemorações de 20 anos de atividades do São Marcos.

“É uma imensa honra poder cantar para esta plateia, uma alegria enorme participar de uma comemoração que, através da cultura, celebra a educação”, declarou a cantora Alexandra Nicolas, cujo show Festejos será apresentado na ocasião.

Serviço:
O quê/ quem: 20 anos do Colégio São Marcos. Encenação da peça Papo Furado, por alunos da escola; exibição do documentário curta-metragem São Marcos: 20 anos de educação com excelência, de Paulo Malheiros; e apresentação do espetáculo musical Festejos, de Alexandra Nicolas.
Quando: dia 15 de março (sábado), às 19h.
Onde: Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande).
Quanto: grátis. Para convidados.
Maiores informações: (98) 8257-7472.

Cinema na feira

Num dos habitats naturais da homenageada, a Feira da Praia Grande, haverá exibição, amanhã (26), às 19h, do doc Xiri meu: eu não dou, de Tairo Lisboa sobre Patativa, compositora cujo disco de estreia deve ser lançado este ano.

Na sequência será exibido Ruas, de Nayra Albuquerque e o cine-feirinha termina com dicotecagem da Maré de Som e Rádio Casarão.

De graça, ótima pedida! Digam aí: tirando suas casas, onde é que vocês podem pegar um cineminha tomando cerveja gelada ou uma temperada com aroeira?

A boa música apontando em todas as direções

Já se vão mais de 10 anos da primeira vez que ouvi Claudio Lima. Foi na Rádio Universidade FM, sua gravação de Ray ban em arranjo blues, o choro que seu autor, Cesar Teixeira, só viria a gravar depois.

Era seu disco de estreia, de 2001, batizado com o nome do cantor, uma das melhores vozes de nossa música. Passeava por clássicos da música popular produzida no Maranhão e fora dele, além de standard de jazz. Estavam lá compositores como Antonio Vieira, Chico Buarque, Gilberto Gil e Josias Sobrinho, entre outros.

De outra música de Cesar Teixeira, Bis, Claudio Lima tirou o título de seu segundo disco: Cada mesa é um palco, lançado em 2006, dividido com o pianista baiano radicado nos Estados Unidos Rubens Salles. Neste apareciam, recriados, que Claudio Lima nunca simplesmente regrava algo, Luiz Gonzaga, Tom Zé, Herivelto Martins e Bruno Batista.

Deste último, com quem já dividiu o palco em Hein?, ele toma emprestado a Rosa dos ventos, música com que venceram um festival de música popular em São Luís, ano passado, para dar nome ao show que apresenta hoje (21), às 20h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).

No repertório músicas de seus dois primeiros discos, além de inéditas de, entre outros, Bruno Batista e Marcos Magah. Oportunidade rara, como o talento do protagonista, de conferir o que ele anda preparando para o próximo disco. Já é hora!

#partiusp

“Beligerante” talvez seja a melhor palavra para defini-lo, e ele mesmo usa-a para cumprimentar-nos em esbarrões pelas esquinas da vida. O estado permanente de alerta, a infinda guerra, sobretudo contra a mediocridade e o chorume – lixo que mistura chororô e queixume – de quem se acostumou a esperar.

Marcos Magah seguiu à risca a máxima de um ex-revolucionário e soube fazer a hora. De outro nordestino sacou que “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”, seja lá onde fique aqui, qualquer hora seja agora.

Depois de um tempo sumido do cenário musical, dedicando-se a outras estivas, Marcos Magah ressurgiu avassaladoramente em fins de 2012, descoberto pelo “patrão” Bruno Azevêdo, o homem por trás da Pitomba, que a propósito, detesta a alcunha que o editado por seu selo lhe deu.

Do punk, cuja cena ajudara a consolidar nos idos anos 1980 em São Luís, ressurgiu, fênix punk-rock-bregadélica. Lançou Z de vingança [Pitomba, 2012], lotou shows de música autoral em plena capital maranhense. Anunciou os próximos passos, incluindo fechar uma trilogia.

Agora anuncia partida para São Paulo. “Todo dia trabalhadores nordestinos vão para São Paulo em busca de trabalho. Sou só mais um pedreiro”, disse, entre a galhofa e a sinceridade, nas redes sociais (por isto este blogue de hábitos antigos rendeu-se ao modismo das hashtags no título do post).

O show de despedida, com participações especiais de Fernando Abreu e Tássia Campos, é hoje à noite no Barulhinho Bom. Eles vão. E você?