Músico maranhense, Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas

O cantor e compositor Tião Carvalho está internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, acometido de malária. O quadro do artista ainda inspira cuidados, mas ele já deixou a UTI.

Segundo Cacau Amaral, percussionista que acompanhou o músico na banda Mafuá, Tião Carvalho estava em Maputo, Moçambique, onde fez shows e ministrou oficinas de danças populares brasileiras entre o fim de setembro e início de outubro.

Maranhense de Cururupu, Tião Carvalho vive em São Paulo há cerca de 30 anos. Na capital paulista é responsável pela difusão da cultura popular maranhense no Morro do Querosene, o que lhe rendeu o título de cidadão paulistano, honraria concedida pela Câmara de Vereadores. Gravou com os grupos Mafuá e Boi de Cupuaçu, além de discos solo, o mais recente Tião canta João (2006), em que interpreta a obra do conterrâneo João do Vale. É autor de Nós, sucesso de Cássia Eller.

Laborarte: raízes de um ideal

CESAR TEIXEIRA

1974: Josias Sobrinho e Cesar Teixeira faziam uma dupla de violeiros em encenação de “Marémemória”, espetáculo multimídia (antes de a palavra existir) baseado no livro-poema de José Chagas

Fundado oficialmente em 11 de outubro de 1972, o Laborarte completa 40 anos, mas a história da sua criação começa bem antes. A ideia original de formar um coletivo de arte integrada – reunindo teatro, música, dança, artes plásticas, fotografia etc – partiu do Movimento Antroponáutica (1969-1972), até então estruturado em cima da poesia.

Houve uma primeira convocação geral dos artistas de São Luís, em 1970, sem discriminação de tendências estéticas ou ideologia política. Foi um erro. A reunião ocorrida no prédio do Liceu, num domingo, acabou em verdadeiro tumulto, com os antroponautas subindo nas carteiras de uma sala de aula e discutindo entre si.

Uma nova convocação foi realizada em meados de 1972, tendo sido convidados grupos já constituídos e afinados com a proposta, entre eles o Teatro de Férias do Maranhão (TEFEMA), dirigido por Tácito Borralho, e o Grupo Chamató de Danças Populares, sob o comando de Regina Telles. Em uma reunião noturna nas escadarias da Biblioteca Pública (Praça Deodoro) foi decidida a programação cultural para lançar o movimento.

A manifestação seria realizada no auditório daquela biblioteca, cujas escadarias seriam ocupadas por uma exposição de artes plásticas. No auditório haveria performances com teatro, dança e música, culminando com o lançamento do livro Às mãos do dia, do poeta Raimundo Fontenele, que deveria fazer um ácido discurso-manifesto no final das apresentações.

Entre os convidados estaria o Secretário de Educação, Prof. Luiz Rego, que, conforme planejado, deveria ficar sentado num vaso sanitário. No coquetel, em vez de vinho ou guaraná, seriam oferecidos aos presentes penicos de leite e caranguejos vivos. Sem falar que em cada lance de escada que dava acesso ao auditório haveria um boneco de pano enforcado, ali representando o próprio artista marginalizado por um governo conservador.

Nada disso aconteceu, pois a Polícia Federal soube da mirabolante programação e mandou vários agentes para o local.

Houve exposição, teatro, dança e apresentação musical com a participação de Chico Maranhão e Sérgio Habibe, além do lançamento do livro. Mas o discurso ficou preso na garganta do poeta, que teve de prestar depoimento à PF, sendo liberado após intervenção da escritora Arlete Nogueira, então diretora do Departamento de Cultura do Estado.

Contudo, o movimento foi em frente, tendo sido escolhido o nome Laborarte (Laboratório de Expressões Artísticas) quando o grupo já estava instalado no prédio da Rua Jansen Müller, 42, contando ainda com a participação de alguns atores do Grupo Armação, criado por Borralho quando era seminarista em Recife.

A proposta de uma linguagem artística integrada, com identidade própria e respeitando as raízes culturais, portanto, já existia antes e se consolidaria na convergência para o Laborarte, instituído em 11 de outubro de 1972, uma quarta-feira, ocasião em que foi lançado o folheto de poesia mimeografado Os ossos do hospício, de minha autoria.

Naquele lugar se deu uma verdadeira alquimia que ajudou a quebrar alguns tabus e influenciar positivamente as artes no Maranhão. Não só a música ali produzida, mas sobretudo o teatro, apoiado nos estudos de Grotowsky, Artaud, Suassuna, Boal, Stanislavsky e Brecht. Sem esquecer de rezar nas cartilhas de Eduardo Garrido, Bibi Geraldino e Cecílio Sá, teatrólogos de verve popular.

O trabalho do Laborarte rendeu o prêmio de Melhor Plasticidade no Festival Nacional de Teatro Jovem, em Niterói (1972), com Espectrofúria, e o Troféu MEC/ Mambembe, no Rio de Janeiro (1978), com O cavaleiro do destino. Enfim, a entidade fez o dever de casa, e o que começou numa sala de aula vazia acabou virando uma escola.

Infelizmente, não posso relatar mais detalhes da história, porque fui expulso do Laborarte no início de 1975 e não vi de perto o que aconteceria depois. Mesmo assim, ainda contribuí indiretamente escrevendo o Testamento de Judas, impresso em forma de cordel (antes era mimeografado), entre 1990 e 2005, o que provocaria a fúria de muitos “herdeiros”.

[Viajando a trabalho, não cheguei a ir ao Laborarte dia 11, quando estavam previstas diversas atividades pelos festejos de suas quatro décadas; deixo com os poucos mas fieis leitores a memória e a pena afiadas de um de seus fundadores]

Boi de Catirina: Ligiana nO Ouvido Vivo

Desde 10 de setembro passado a distribuidora Tratore está disponibilizando uma faixa por dia da coletânea que tem a capa acima, que terá lançamento e venda física.

Nomes bastante interessantes da cena independente brasileira estão no disco, entre os quais Carlos Careqa, Rhaissa Bittar, Rogério Skylab, Stela Campos e Ilana Volcov.

A faixa de hoje, disponibilizada no Facebook da Tratore, é Boi de Catirina, regravação de Ligiana para a música de Ronaldo Mota, já gravada pelo autor e, antes, por Papete, no antológico Bandeira de aço (1978).

Este blogue recomenda com entusiasmo sua audição e download.

Errata

Anunciei aqui o show que Leo Capiba, o elegante e sorridente sambista cuja foto abre este post, fará nesta quinta-feira, 27 de setembro, no Barulhinho Bom, Lagoa. A produção alertou-me de alguns erros na imagem que colei para ilustrar o citado anúncio, passados despercebidos pela pressa (de um eu mesmo havia alertado a produção, que o corrigiu imediatamente).

Samba de bamba é o nome do show, cuja data correta é a acima (e não 27 de outubro, como mostrava a arte). No mais não retiro uma vírgula sobre o talento e o carisma de Leo Capiba.

O serviço: Samba de bamba, show de Leo Capiba > Bar Barulhinho Bom (Rua do Maçarico, Lagoa da Jansen) > Quinta-feira (27 de setembro), a partir das 21h. > Entrada: R$ 15,00 > Realização: Satchmo Produções > Maiores informações: (98) 9618-6643 e/ou 8716-3850.

Ótima pedida!

Faz tempo que não vejouço Leo Capiba, cearense do Crato há tempos radicado no Maranhão, cujo sobrenome artístico pegou emprestado do mestre do frevo. Como bem lembrou e lamentou a leitoramigatenta Natália Macedo, no Facebook, onde antes compartilhei a imagem abaixo, saudades do Chico Canhoto (o bar e seu proprietário), saudades do Clube do Choro Recebe, onde vez por outra era possível verouvir Capiba em ação.

Quem ou/viu lembra: são nada menos que antológicas suas interpretações para Espelho (Paulo César Pinheiro/ João Nogueira), Orora analfabeta (Gordurinha/ Nascimento Gomes) e Chiclete com banana (Almira Castilho/ Gordurinha), para citar apenas três das sempre pedidas pelo público, a última com direito a pegada samba-rock e uma gingadança ímpar.

Leo Capiba é ainda exímio pandeirista. Se o seu pandeiro não se faz presente em todas as músicas, o sorriso sim: largo e sincero, a traduzir a alegria de estar no palco. Pra quem tem saudades ou quer conhecer a dica é Bamba de samba, show que ele apresenta esta quinta no Barulhinho Bom (Lagoa da Jansen, detalhes na imagem abaixo). Não faltarão pandeiro, dança, voz, sorriso e boa música.

Eu nem sei quantas vezes reencarnei esse ano*

Faça como eu que vou como estou porque só o que pode acontecer/ é os “pingo” da chuva me molhar (Os “pingo” da chuva, 1974)

Depois de um bem sucedido tributo ao capixaba Sérgio Sampaio, apresentado por duas vezes em São Luís, a cantora Tássia Campos volta aos palcos, desta vez para homenagear Os Novos Baianos. Tanto o primeiro quanto a trupe musical de Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes e Baby à época Consuelo são marcas fundamentais na formação musical de Tássia, cuja estreia em disco deve acontecer em breve.

Casada com o contrabaixista João Paulo, com quem tem um filho, Felipe, ela divide os amores entre eles e a música. O marido toca na banda que a acompanhará em Tássia Campos F. C. – Sorrir e cantar como Novos Baianos, longo título do show que pega emprestado os títulos do disco de 1973 dOs Novos Baianos [Novos Baianos F. C.] e de sua faixa de abertura [Sorrir e cantar como Bahia]. A formação se completa com Edinho Bastos (guitarra), Jesiel Bives (teclado), João Neto (flauta) e Joel Monteiro (bateria). No palco, a cantora contará ainda com as participações especiais de Alexander Carvalho (ex-Daphne), Djalma Lúcio (ex-Catarina Mina), Lena Machado e Yuri Brito. A abertura fica por conta da sempre competente, pesquisada e animada discotecagem do DJ Franklin, parceiro da cantora já de outras empreitadas.

Com um time desses não deve ser à toa que Tássia carrega o sobrenome Campos: predestinada, como em outros shows/partidas, deve receber muitos aplausos da plateia/torcida a cada música/drible. É gol!

Tássia Campos F. C. – Sorrir e cantar como Novos Baianos acontece nesta quinta-feira (20), às 23h, no Odeon Sabor e Arte (Rua da Palma, 217, Praia Grande). Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser adquiridos no local. Sobre o show e o futuro, a cantora conversou com este blogue.

ENTREVISTA: TÁSSIA CAMPOS
A ZEMA RIBEIRO

ZEMA RIBEIRO – Para começar com um trocadilho futebolístico, que seleção a plateia pode esperar, em termos de repertório?

TÁSSIA CAMPOS – O repertório faz um passeio pelas minhas predileções na discografia dOs Novos Baianos. O show ‘tá todo feliz, cheio de boas mensagens. Rearranjamos algumas coisas, também tem momentos onde apenas alguns instrumentos tocam…

A banda que vai te acompanhar não tem violão ou cavaquinho na formação, instrumentos fundamentais na musicalidade dOs Novos Baianos. Não é um pouco “arriscoso” recriá-los sem os dois instrumentos ou faz parte do processo de, digamos, desconstrução que pretendes levar ao palco? Todos os meus shows têm um padrão fiel à proposta estética do meu trabalho. Confesso que se eu incorporasse cavaquinho, violão e pandeiro no show deixaria de ser eu. Quando tu me perguntou sobre o set list eu esqueci de dizer que a escolha, além de delicada, se tornava mais difícil, pois eu tinha que escolher algo que funcionasse com o formato que tenho. O show vai ser mais elétrico mesmo. E como te disse: os rearranjos fazem isso pela música. Recriá-las, dar uma cara nova, mas sem que ela perca a essência é o desafio do intérprete. Conto com João e Edinho pra pensarem junto comigo e definirmos os motes. Eles são sensíveis e como nossa linguagem é parecida eles incorporam e executam com maestria. O risco a gente sempre corre, mas também a gente se adapta e faz as coisas com os recursos que temos. Quem for ao show pode esperar um show feito com carinho e cuidado.

Os Novos Baianos significaram um sopro de frescor na música brasileira, sobretudo pela fusão de rock e choro que impregna seus principais discos, sobretudo Acabou Chorare (1972), que completa 40 anos. O que o show trará dessa fusão? E o que há de novidades em meio aos rearranjos? Sempre trouxe comigo o que tem de subjetivo no trabalho dOs Novos Baianos e embora não tenha vivido esse tempo, os discos foram importantes, pois reafirmavam meus ideais de liberdade, a minha queda pela contracultura e, claro, pelo Tropicalismo. No show, as tentativas em rearranjar as melodias “empenadas” de Moraes Moreira, resultaram em algo menos “empenado”. A gente deu uma limpada e sofisticada na sonoridade, por que os trabalhos dos caras, quando não são apenas arranjos de violão, as músicas contêm muita informação… Essa limpada serve pra imprimir minha identidade nas canções, o que é algo que busco sempre quando interpreto um trabalho. Tenho uma predileção pela simplicidade, mas sem perder a sofisticação musical. É uma encrenca, mas rolou naturalmente.

Teu disco de estreia, hoje em fase de gravação, trará uma música de Moraes Moreira, da fase pós-Novos Baianos, elogiada pelo próprio. O que significou pra ti gravá-la e receber este elogio empolgado do autor? Ela entra no show? A música se chama Nesse mar, nessa ilha [a sexta faixa de Moraes Moreira, de 1975, primeiro disco solo dele]. Conheci através de um amigo que disse que queria ouvir a canção na minha voz. Achei de uma delicadeza e poesia tão profunda que decidi gravar. Então conheci o Edu Krieger, um sambista da nova geração carioca. A gente cantou junto e ele se interessou pelo meu trabalho. Daí ele sugeriu uma parceria e eu fiquei de pensar em algo… Quando eu ouvi a gravação do Moraes Moreira, pensei logo no sete cordas do Edu e quando ele veio aqui em São Luis novamente, gravamos a música. Ensaiamos no hotel em que ele ‘tava hospedado e o Edu disse: ‘vamo’ gravar com o axé do compositor? Então ele ligou pro Moraes Moreira e conversamos ali por uns 15 minutos. Ele me perguntou sobre a música e disse: “canta pra eu lembrar?” [risos]. Ele nem se lembrava da música, mas ficou contente com minha escolha e disse que só deixava eu gravar com uma condição: que depois mostrasse pra ele, porque ele ficou curioso. Geralmente os cantores e cantoras que gravam Moraes Moreira gravam as mais conhecidas e essa é praticamente inédita. Depois de gravar, fizemos uma pré e eu mandei, sem mix nem nada. Receber o elogio dele foi emocionante, até por que não foi um elogio vazio. Ele me apontou critérios, prestou atenção em como me apropriei da canção, talvez seja a sensação que tenho sentido de ilha mesmo. Ela não entra no show de quinta, porque ainda quero deixá-la inédita.

Um show com o repertório inteiramente dedicado aOs Novos Baianos é o segundo tributo que tu presta em pouco tempo. Antes, o escolhido foi Sérgio Sampaio, dito “maldito”, pouco conhecido, embora fundamental na formação musical de muitos artistas contemporâneos importantes. Os Novos Baianos são mais festejados, conhecidos, populares, apesar de passados 40 anos do lançamento de seu mais festejado, conhecido e popular disco. O nome do show, aliás, é chupado do título de um disco deles, Novos Baianos F. C., e da primeira música desse disco, Sorrir e cantar como Bahia. Pela fuga da obviedade de que tu já falou, o que a plateia pode esperar, em termos de seleção de repertório? Foi fácil selecionar? Tu escolheste sozinha o set list? Como se deu esse processo? Eu decidi esse ano prestar homenagens a compositores que foram importantes pra feitura da minha fisionomia artística. Sérgio Sampaio é essencial, pois é o cara com que me identifico no que ele quer dizer, a poesia é rica e tem um efeito forte pr’aquilo que acredito na arte, que é a fusão de qualidade e sentimento. O Sérgio Sampaio, embora lado b, fazia melodias, arranjos bonitos, linhas melódicas que fugiam da obviedade e claro, as letras com muitas verdades. Sempre me preocupo com a mensagem das canções. Embora diferentes um do outro, Sérgio Sampaio e os Novos Baianos têm em comum essa fuga dos clichês, essa observação da vida por outros ângulos, um recorte da realidade otimista. Eu venho tentando ser otimista. É uma questão de saúde pra mim acreditar no que canto. Se até meus gritos em silêncio me deixam rouca, que eu grite em alto e bom som o que acredito através das canções, já que vou ficar rouca de qualquer jeito. O título Tássia Campos F. C. foi uma brincadeira, roubando a capa do disco mesmo… [risos] e o subtítulo Sorrir e cantar como Novos Baianos é alusão a Sorrir e cantar como Bahia, uma das minhas músicas preferidas daquele LP. Decidir a set list é sempre delicado, principalmente de compositores com obra vasta e atemporal, como é o caso dos outros compositores que já homenageei. Em meus shows sempre convido participações, colegas de profissão ou mesmo quem eu ache que executaria a canção a contento. Penso sempre em nomes inusitados que geralmente não estão associados ao estilo desenvolvido por mim e pra isso tenho que pensar em músicas que casem com a proposta do show e que eu imagino o artista que vai cantar comigo. É muito mais subjetivo do que prático. É intuitivo e sempre deu certo.

Uma aura mística perpassa toda a história dOs Novos Baianos, a vida em comunidade, o uso de drogas, o encontro com João Gilberto, que lhes apresentou o Brasil Pandeiro de Assis Valente… Você fala em subjetividade e intuição e alia isso ao domínio das técnicas musicais, unindo o saber cantar ao bom gosto. Se é que é possível calcular, quanto cada coisa é importante para você e, na sua opinião, para os artistas da música, em geral? Éguas!!! Os Novos Baianos viveram uma utopia que deu certo por um tempo determinado. Quando vi o [documentário Filhos de João – O] Admirável Mundo Novo Baiano [dirigido por Henrique Dantas], o Tom Zé, em seu depoimento disse que Os Novos Baianos realizaram uma tarefa nunca antes vista, não sei se exatamente nessas palavras, mas foi este o sentido, e eu concordo. Quando te falei em contracultura é exatamente isso da utopia. Deram um upgrade no estilo de vida underground, alternativo. Creio que “libertário” é a palavra. Fazer música libertária e é bem aí que fico fascinada. Pois eles viveram isso como verdade e deu certo. E quanto ao uso de drogas não sei avaliar bem, pois não acredito que as drogas tenham comprometido a qualidade musical deles. Pro meu trabalho e pro que busco pra ele tem sido superpossível aliar intuição e ainda assim manter uma qualidade técnica. No tempo em que artistas “moderninhos” lançam cds audíveis mas fazem um som ao vivo completamente comprometido, quanto à execução de seus trabalhos, seja por falta de experiência, cancha ou estudo mesmo, prefiro me manter à margem disso, procurando ser o melhor que posso ao vivo. Acredito muito que o palco é o solo sagrado do artista e lá ele tem que procurar ser profissional. Por isso, chamo músicos profissionais pra fazerem os shows comigo, a gente se encontrou e todos estamos comprometidos com o trabalho. A banda é como a roupa que me veste e, claro, se ‘tou com uma boa banda ‘tou bem vestida e as coisas acontecem com mais segurança. É meu compromisso com a canção. Não dá pra matar música alheia. Ou faço um show direito, ensaiado, bem tocado e redondo ou não saio de casa. E meu amor pela música é como o amor que sinto pelo meu filho, é imaculado. Mesmo com toda dedicação em fazer um trabalho tecnicamente aceitável, audível e que satisfaça minhas aspirações, o amor prevalece e creio que é isso que me faz buscar o fazer bem feito sempre. Ainda estou engatinhando, mas daqui a um tempo já vai dar pra caminhar.

O que o público pode esperar de Tássia Campos a curto, médio e longo prazo? Esse ano tem sido bom, produtivo. Fiz pelo menos um show por mês desde março. É gratificante poder construir um público e me sentir responsável por ele. As coisas têm acontecido de forma natural e todos os trabalhos que fiz este ano têm servido pra amadurecer e embora eu tenha convites pra fazer shows fora daqui ainda não sentia que o trabalho estava pronto. Mas agora está. Acredito ser importante as coisas acontecerem a seu tempo. Como já tenho interiormente bem definido o que quero, agora é a hora de olhar pra frente. Depois do show do dia 20, ainda tenho apresentações no projeto BR-135, capitaneado por Alê Muniz e Luciana Simões, no Ceprama. Esse show vai ter um formato estranho, pois não pude levar a banda completa. Fiz um novo show pra ocasião, um repertório bem bacana, pra funcionar só com guitarra semiacústica e baixo. E tenho também show na 7ª. Mostra Sesc Guajajara de Artes e é com essa apresentação que já inicio os trabalhos do disco que tá saindo, um show inédito e que pretendo trabalhar por todo 2013, aqui e em outras cidades. O que o público pode esperar de mim? Uma artista mais madura, com uma sonoridade mais firme e coesa. Embora tenha 26 anos apenas, não me considero uma moderninha, eu gosto das coisas bem feitas. Acho que isso é sinal do meu respeito pelo público e o comprometimento em estar levando às pessoas muito mais que diversão. Claro que me divirto estando no palco, mas a música é a minha vida e eu levo tudo isso muito a sério. O que o público pode esperar é alguém que não tá brincando de música. E a médio prazo é viajar mais, ir mostrar meu trabalho em outras cidades. Começaremos por Brasília, depois a gente vai descendo. Em dezembro começam as correrias pra uma turnê de bolso. Pretendo começar a escrever um blog pra falar de cada cidade. Lembrando que esses shows estão em negociação e são de caráter independente. Não tenho financiamento de editais, nem de bancos, nem de empresas. Claro que não fecho as portas pra isso, mas por enquanto vou na raça mesmo, a convite de casas de shows. As expectativas pra este ano e pro próximo são as melhores e conto com o apoio do público, dos blogueiros e dos amigos pra continuar a caminhada numa cadeia produtiva e fortalecer o tecido cultural, levando a música feita aqui pra troar nos ouvidos do país todo! Tenho muito receio de que a sensação insular de São Luis não me deixe sentir o sopro dos ventos do continente. Acho que todo artista tem que subir em outros palcos. Além de talento e coragem o artista, na minha opinião, tem que ser de qualquer lugar. Estou otimista com o futuro! Quero viver dignamente fazendo o que amo.

*o título é surrupiado da carta de Galvão (Joãozinho Trepidação) a Augusto e Aroldo (sic) de Campos, no disco de 1973. O P. S. diz assim: “Eu tinha vontade de mandar tudo isso pra João Gilberto por nada.

O “príncipe do samba” subiu

“Descendo o morro” (1958)…

Em 1958 quando o Brasil inventava a Bossa Nova, Roberto Silva estava Descendo o morro, disco de capa e conteúdo bonitos, que mereceria um segundo volume, idem, no ano seguinte.

… e seu volume dois, do ano seguinte.

Nestes dois discos estão gravações antológicas de sucessos obrigatórios em qualquer roda de samba ou discografia de música brasileira: no primeiro Juracy (Antônio Almeida/ Ciro de Sousa), Pisei num despacho (Elpídio Viana/ Geraldo Pereira), Ai, que saudade da Amélia (Ataulfo Alves/ Mário Lago), Falsa baiana (Geraldo Pereira) e A voz do morro (Zé Ketti), entre outras; no segundo Se acaso você chegasse (Felisberto Martins/ Lupicínio Rodrigues), Você está sumindo (Geraldo Pereira/ Jorge de Castro), Escurinho (Geraldo Pereira), Rugas (Ary Monteiro/ Augusto Garcez/ Nelson Cavaquinho) e, entre outras, Maria Tereza (Altamiro Carrilho). Verdadeiras antologias do samba popular brasileiro.

Este par de discos e uma vida inteira dedicada ao gênero valeram-lhe o epíteto de “príncipe do samba”. Assim foi reconhecido e por estas e outras merece todas as homenagens: Roberto Silva faleceu aos 92 anos, na madrugada de ontem. O cantor lutava há seis meses contra um câncer na próstata e quarta-feira passada foi vitimado por um AVC. Lúcido, pediu para voltar para casa, onde morreu na companhia de familiares.

Faleceu na ativa, tendo ido reencontrar-se com esta turma boa que gravou. Um dia desceu o morro, ontem subiu ao céu: o panteão dos que carregam a bandeira do samba, ilustres ou anônimos, com ou sem títulos de nobreza.

Politicar

Defeito 3: Politicar.

Terceira faixa de Com defeito de fabricação (1998), de Tom Zé.

Presentinho à nossa classe politicanalha pelos controversos 400 anos da Ilha. Engraçado que a justaposição “politicanalha” soa quase como “política na Ilha”.

Passem óleo de peroba em suas caras de pau e enfiem bem sabem onde suas falsas promessas.

“A carapuça assenta na cabeça de quem usa”, sempre ouvi minha sábia avó dizer.

Maranhão 70

O discreto aniversário de 70 anos de Chico Maranhão, “um ser criador”.

ZEMA RIBEIRO

O compositor durante show no Clube do Choro Recebe (Restaurante Chico Canhoto) em 27/10/2007

Como era de se esperar, não houve estardalhaço midiático pelos 70 anos de Chico Maranhão, compositor tão importante quanto Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Paulinho da Viola, outros ilustres setentões da senhora dona Música Popular Brasileira. Nem os meios de comunicação de Pindorama nem os timbira deram qualquer atenção à efeméride.

“Para mim é uma data como outra qualquer”, me diz o compositor ao telefone, em 17 de agosto passado. A afirmação não demonstra arrogância, mas simplicidade e desapego. Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho, “nome usado unicamente para guardas de trânsito e delegados, com os quais ele não permitia a intimidade de seu verdadeiro nome – Maranhão”, como afirmou Marcus Pereira na contracapa de Lances de Agora (1978), há pouco mais de um ano descobriu um erro em seu registro de nascimento. “Nasci 17 e no registro consta que nasci 18; agora eu comemoro as duas datas”, diz. Avesso a comemorações, no entanto, o autor de Ponto de Fuga passou as datas em casa, lendo Liberdade, de Jonathan Franzen.

Puro acaso (ou descaso?), 17 de agosto foi a data em que o Governo do Estado do Maranhão anunciou a programação cultural oficial do aniversário dos controversos 400 anos de São Luís, em que figuras como Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Zezé di Camargo & Luciano desfilarão pela fétida Lagoa da Jansen, os shows sob produção da Marafolia, com as cifras mantidas em sigilo, em mais uma sangria nos cofres públicos. Como outros artistas de igual quilate domiciliados na Ilha, Chico Maranhão ficou de fora.

“Quando eu tava em São Paulo [estudando Arquitetura e já envolvido com música, participando dos grandes festivais promovidos por emissoras de televisão, na década de 1960] e resolvi vir embora, muita gente me desaconselhou. Eu vim, sabendo para onde estava vindo. Sou feliz aqui, apesar de ver a cidade crescendo desordenadamente, de saber que daqui a algum tempo acontecerá aqui o que já aconteceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador: você não poder mais sair de casa ou por que não há espaço para seu carro ou por que você pode ser assaltado em qualquer esquina”, conta Chico, que revela estar com um disco praticamente pronto. “Estou esperando passar esse período de campanha eleitoral, em que os estúdios ficam todos ocupados para finalizar”.

Maranhão (1974)…

A obra musical de Chico Maranhão tem uma qualidade extraordinária e ao menos três discos seus são fundamentais em qualquer discografia de música brasileira que se preze: Maranhão (1974), do mais que clássico frevo Gabriela, defendido em 1967 pelo MPB-4 em um festival da TV Record, Lances de Agora(1978), de repertório impecável/irretocável, gravado em quatro dias naquele ano, em plena sacristia da Igreja do Desterro, na capital maranhense, e Fonte Nova (1980), da contundente A Vida de Seu Raimundo, em que Maranhão recria, a sua maneira, a barra pesada da ditadura militar brasileira (1964-85) e o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, nos porões do DOI-CODI.

… Lances de Agora (1978)…

A trilogia é tão fundamental quanto rara: lançados pela Discos Marcus Pereira, os discos estão esgotados há tempos e confinados ao vinil. Curiosamente nunca foram relançados em cd, como os trabalhos de Canhoto da Paraíba, Cartola, Donga, Doroty Marques, Papete e Paulo Vanzolini, para citar apenas alguns poucos nomes produzidos e lançados pelo publicitário, que após mais de 100 discos em pouco mais de 10 anos, acabaria se suicidando, acossado por dívidas.

… e Fonte Nova (1980): a trilogia fundamental de Chico Maranhão

A estreia fonográfica de Chico Maranhão data de 1969. À época, seu nome artístico era apenas Maranhão e ele dividiu um disco brinde com Renato Teixeira, um lado para composições de cada um. Do seu já constava Cirano (que apareceria novamente em Maranhão e Lances de Agora), para a qual Marcus Pereira já nos chamava a atenção à qualidade literária desta obra-prima. “Este disco merece um seminário para debate e penitência”, cravou certeiro o publicitário na contracapa de Lances de Agora. Bem poderia estar se referindo à obra de Maranhão como um todo.

Formado em Arquitetura pela FAU/USP, na turma abandonada por Chico Buarque, a formação acadêmica de Maranhão, também Mestre em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, certamente influencia sua obra musical, onde não se desperdiça nem se coloca à toa uma vírgula ou nota musical, em que beleza e qualidade são a medida exata de sua criação. “Na verdade, sou um criador, não me coloco nem como arquiteto nem como músico, sou um homem criador, o que eu faço eu vou fazer com criatividade, com qualidade”, confessou-me em uma entrevista há sete anos.

A obra de Chico Maranhão merece ser mais e mais conhecida e cantada – para além do período junino em que muitas vezes suas Pastorinha e Quadrilha (parceria com Josias Sobrinho, Ronald Pinheiro, Sérgio Habibe e Zé Pereira Godão), entre outras, são cantadas a plenos pulmões por multidões que às vezes sequer sabem quem é seu autor.

A reedição de seus discos em formato digital faria justiça à sua obra infelizmente ainda pouco conhecida, apesar de registros nas vozes de Célia Maria (Meu Samba Choro), Cristina Buarque (Ponto de Fuga), Diana Pequeno (Diverdade), Doroty Marques (Arreuni), Flávia Bittencourt (Ponto de Fuga e Vassourinha Meaçaba), MPB-4 (Descampado Verde e Gabriela) e Papete (Quadrilha), entre outros.

As palavras de Marcus Pereira, em que pese o número hoje menor de lojas de discos, continuam atualíssimas. A contracapa agora é de Fonte Nova: “‘Lances de Agora’, o mais surpreendente e belo disco jamais ouvido pelos que a ele tiveram acesso, nesta selva do mercado brasileiro onde, em 95% das lojas, encontram-se apenas 100 títulos de 20.000 possíveis. Esses 100 discos privilegiados todo mundo sabe quais são. Este ‘Fonte Nova’ é um passo além de ‘Lances de Agora’. Quem duvidar, que ouça os dois. Mas os seus discos são de um nível poético e musical que, no meu entender, não encontra paralelo na música brasileira”.

[Vias de Fato, agosto/2012]

Música: substantivo feminino

Cantoras do Brasil, série que estreou hoje no Canal Brasil, é agradável de verouvir. No primeiro programa Tulipa Ruiz interpretou canções eternizadas na voz de Dalva de Oliveira.

É um programa curto: duas músicas apenas. E aí reside seu maior pecado: por que não logo um show inteiro, hora e meia de boa música?

Gravado em preto e branco nos estúdios YB, o mesmo em que, por exemplo, Zeca Baleiro gravou parte de O coração do homem bomba, exatamente a parte em p&b do dvd.

As cores, ou a falta delas, garantiram ao programa de hoje um ar de coisa antiga, certo saudosismo, a memória afetiva de que fala ligeiramente Tulipa ao comentar uma das faixas que escolheu para inaugurar a série. O comentário é breve e não aborrece o telespectador com qualquer tentativa de aula, explicações, notas de rodapé ou coisas que o valham. É uma pausinha entre música e outra, jogo rápido.

Impossível simplesmente Tulipa reler Dalva de Oliveira. É sua leitura particular. Moderniza-a sem desconstruí-la, sem descaracterizá-la. O clima “afastem as navalhas” é mantido no tango Fim de comédia (Ataulfo Alves), a segunda da noite. “Que será/ da luz difusa do abajur lilás/ se nunca mais vier a iluminar/ outras noites iguais?”, atire a primeira pedra quem nunca assobiou a primeira, Que será? (Marino Pinto e Mário Rossi). Esta ganha ares de forró, demonstrando a devoção de Tulipa pela homenageada e sua versatilidade.

Do forró ao tango passeia também a magistral sanfona de Daniel Grajew, destaque da Tulipa band. Nas próximas quintas-feiras, sempre às 18h45min desfilarão ainda, entre parênteses as homenageadas, Lulina (Ademilde Fonseca e Miriam Batucada), Tiê (Celly Campelo), Roberta Sá (Carmem Miranda), Nina Becker (Dolores Duran), Mariana Aydar (Clara Nunes), Gaby Amarantos (Clementina de Jesus), Camila Pitanga (Maysa), Lurdez da Luz (Nara Leão), Mallu Magalhães (Elizeth Cardoso), Luísa Maita (Elis Regina), Andreia Dias (Aracy de Almeida) e Blubell (Sylvia Telles), não sei se nessa ordem.

Portanto, se os queridos e queridas leitores e leitoras têm preferência por uma ou outra entre as que homenageiam e as homenageadas, a dica é não perder nenhum programa. Cantoras do Brasil começou com os dois pés, que só o direito da superstição é pouco! Aliás, dois pés, não: dois olhos, dois ouvidos e um coração.

São Luís, 400 anos

(PEQUENO HINO COMPULSÓRIO)

CESAR TEIXEIRA

 

A cidade está em festa,
400 anos de amor.
É amor que nem presta
e uma fome indigesta,
já tomamos Sonrisal e não passou.

São Luís hoje é a glória
da hipocrisia universal.
As muambas da História
e o lixão da memória,
tudo é Patrimônio Cultural.

Cidade dos Azulejos,
espelho do Além Tejo ou de Paris,
Athenas Brasileira do Calvário.
Feliz aniversário, São Luís!

Cidade dos Azulejos,
favelas, sabiás e bem-te-vis,
República do Conto do Vigário.
Feliz aniversário, São Luís!

&

A letra desta marcha chamou-me a atenção no show Shopping Brazil, que Cesar Teixeira apresentou no último 3 de agosto, no Trapiche. Ao lado de São Luís do Maranhão: Corpo e Alma, livro recém lançado pela professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix, são, até aqui, as melhores homenagens recebidas pela capital maranhense.

Uma nova do novo de Gildomar Marinho

Músico maranhense radicado em Fortaleza/CE, o compositor Gildomar Marinho está em estúdio gravando seu terceiro disco, Tocantes.

O sucessor de Pedra de Cantaria (2010) e Olho de Boi (2009) traz duas parcerias nossas: Perdão de cônjuge (a seis mãos com Lena Machado) e a faixa-título.

Tocantes será lançado ainda em 2012. Assista um vídeo com Livre (Gildomar Marinho), uma das faixas do disco:

A rainha Rosa Reis

Rosa Reis é rainha. Negra da música de todas as cores. O título de seu mais novo disco, Brincos, entrega o som que a moça faz: música para pendurar nos ouvidos.

Rosa Reis é Maranhão, a beleza e a pluralidade de nossa música, um passeio por nossa diversidade rítmica, muita coisa só se vê e ouve por aqui.

“Minha terra tem tambor de crioula, a tua não tem”, dizia, orgulhoso de nossa terra, o saudoso Antonio Vieira. Tem tambor de crioula, tem bumba meu boi, tem lelê, tem cacuriá, tem samba, tem choro, tem baião. Depois do passeio gastronômico, vamos ao passeio musical.

Ao mesmo tempo em que Rosa Reis é guia, é também o prato principal no menu da música, que temos o prazer de servir agora. Apreciem sem moderação. Com vocês, Rosa Reis!

&

Textinho que escrevi, às pressas, minutos antes de degustar a cerveja gelada e a deliciosa comida preparada para a comunidade e membros das Cáritas do Nordeste, enquanto esperava o show em que Rosa Reis aprontou tudo o que anunciei, para deleite dos presentes.

As Cáritas visitavam o Vinhais Velho para conhecer uma experiência de resistência, programação que integrou o Encontro Inter-regional Nordeste da Cáritas Brasileira, realizado em São Luís entre os últimos dias 15 e 17 de agosto (a visita e o show de Rosa Reis aconteceram dia 16).

A cantora Lena Machado, com quem trabalho no Secretariado Regional da Cáritas no Maranhão, a quem dei o texto para uma primeira lida após terminá-lo, gostou tanto que se dispôs a lê-lo no palco, apresentando Rosa Reis. Ela guardou o manuscrito e eu resolvi publicar aqui.

Viva Vinhais Velho!