[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]
Cantora carioca niteroiense pesquisa e grava lundus, maxixes e polcas – os pais do samba – em agradável e gracioso disco de alto valor histórico.
por Zema Ribeiro*
Nascida em 1944, a carioca niteroiense Tereza Pineschi, bióloga de formação e profissional do canto há vinte anos, estréia graciosamente em disco com “O teu grammophone é bão” [Por do Som/Atração, 2005, R$ 20,00], que leva como subtítulo “A música brasileira entre 1830 e 1910”.
As catorze faixas remontam os primórdios do samba; estão lá os pais do brasileiríssimo gênero: lundu, maxixe e polca, num minucioso trabalho de pesquisa que registra, agora, pérolas inéditas.
O encarte traz as grafias originais da época – vide o “grammophone” do título, entre outras – e respeita as partituras, executadas com maestria por Carlos Almada (flauta e arranjos), Queque Medeiros (bandolim), Jorge Mathias (contrabaixo) Rodrigo Paciello (violão) e a voz de Tereza Pineschi, que concebeu o disco a partir do livro “Feitiço Decente”, de Carlos Sandroni.
O didatismo está presente, mas sem chatices: notas sobre as origens dos gêneros que compõem o disco, imagens de um Rio de Janeiro que já não existe, e pinturas de nomes como Johann Moritz terminam de enfeitar o singelo biscoito.
Há momentos de pura diversão. Bons exemplos são as faixas “Quem é pobre não tem vícios” (“Quem é pobre não tem vícios / deixe-se de namorar / se as moças cantam assim / como pode o pobre amar”, reza a letra) e “Sou batuta…” (Um maxixe bem dançado / o prazer sabe excitar / quem o dança apaixonado / fica logo a palpitar / maxixando bem a geito (sic) co’ uma dama appetitosa (sic) / eu a junto contra o peito / e minh’alma inteira goza…”).
* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

