pequeno poema do grande nicolas behr

há um ano estive em brasília participando de um treinamento para desenvolver uma pesquisa sobre corregedorias e ouvidorias de polícia, fruto de parceria entre a secretaria nacional de segurança pública (senasp) e o movimento nacional de direitos humanos (mndh); por conta disso, fiz um estágio de seis meses na sociedade maranhense de direitos humanos (smdh), “braço” do mndh, responsável pela pesquisa no maranhão.

coincidência ou não, recebi hoje, por e-mail, do amigo glauco barreto, paraibano radicado na capital federal, um “pequeno poema do grande nicolas behr“. no e-mail, glauco, que há um ano organizou uma “roda de violão” na cobertura de seu ap, recebendo este que vos escreve, destaca que o poeta é letrista da música “nossa senhora do cerrado“, do grupo liga-tripa, gravada como “travessia do eixão” em disco da legião urbana lançado após o falecimento de renato russo. na ocasião, glauco diz ainda que tomou conhecimento do poema num dos cinco livros com que foi presenteado o amigo comum, jornalista e músico mineiro nelson luiz de oliveira, também radicado na “bras-ilha“, como diria o também amigo e também jornalista rogério tomaz jr., hoje em brasília, mas que roda mais que “juízo de doido”. a propósito, por ocasião de minha viagem, é que conheci pessoalmente glauco e nelson, com quem já trocava palavras e sons na infovia. gracias, ! (rojão eu já conhecia de quando fomos contemporâneos no banco do nordeste).

em resposta ao e-mail de glauco, nelson afirma ter sido presenteado por nicolas, por ter lhe prestado homenagem com o poema abaixo, de sua autoria:

suspiro de brasiliense

deus do céu
como é bom sonhar.
um pé de pequi
na beira do mar.

o poema de nicolas behr é este:

l2 noves fora w3 [1980]

naquela noite
suzana estava
mais w3
do que nunca
toda eixosa
cheia de l2

suzana,
vai ser superquadra
assim lá na minha cama.

[tá no livro “vinde a mim as palavrinhas“, coletânea lançada pela lge editora, de brasília, ano passado; quem fez a foto (em 8/6/2005), na musical center, foi o rojão; comigo aparece a também amiga e também paraibana, yanna nóbrega, além de um cliente não-identificado]

satisfação(ões)

modestamente, sei que há leitores que vêm ao blogue para ver o que ando “aprontando” na imprensa, já que tudo o que publico lá é pendurado aqui também. ao carinho desses leitores, devo uma satisfação quando isso não acontece. pois vamos lá!

o colunão não circulou ontem e chegará às bancas e assinantes, amanhã, terça-feira. seu editor, o jornalista walter rodrigues, adoeceu. pode parecer mera desculpa, mas não é: o colunão, dada a independência, falta de grana e motivos outros, tem uma equipe reduzidíssima (além do próprio editor, o jornalista ed wilson araújo e este blogueiro, que em contribuições ainda pequenas, tem produzido um texto semanal para a página de cultura e, iniciou recentemente a agenda cultural do semanário). então: amanhã, posto aqui o texto dessa semana.

o diário da manhã circulou. mas não sei por que, minha coluna (diário cultural), não. entreguei o texto (uma resenha fora-de-época sobre o “braseiro“, disco de estréia de roberta sá) em disquete, na sede do jornal, dentro do prazo (antes do meio-dia de sábado). enviei e-mail ao diário e estou aguardando resposta, o que não aconteceu até agora. com esse texto lá, nada produzi para amanhã, esperando a publicação do de domingo. sendo publicado ou não no diário, posto ele aqui, amanhã.

e enquanto tudo isso (não) acontecia no domingo, ó qui, ó!

até!

o almanaque jp turismo de maio já está (há muito tempo!) nas bancas

ainda lembro o dia (ou melhor, a noite) em que gutemberg bogéa, em alguma festa no bagdad café (praia grande) me deu um exemplar do primeiro número do almanaque jp turismo. na contracapa da publicação, manuscrita, a pergunta (manuscrita a pergunta, não a publicação): “zema, você gostaria de escrever na revista?”; de pronto, aceitei. faria uma coluna de meia página. começamos a pensar o nome. lembro de sugerir “etilírica paisagem”, entre outros. reza a lenda (ao menos é o que conta gutemberg) que houve uma eleição e “quintal poético” foi o nome vencedor. um nome interessante, já que meu texto sai, sempre, numa das páginas finais da publicação. a edição de maio já está nas bancas; ainda não vi/li, mas meu texto é o que segue abaixo.sobre ele, guto já comentou: “ô, broxada linda!”

Fênix

por Zema Ribeiro

Uma broxada. Como poderia ter acontecido? Logo ele? Amava a mulher até demais; não, não era esse o problema. Idade não era, era até jovem. Ao menos para broxar, pensava. Não fumava. Seria o álcool? Decidiu reduzir o consumo, drástica e imediatamente. Melhor não arriscar. Mais uma experiência para contar. Na mesa do bar. Quem é que nunca broxou?, perguntava-se. Tinha certeza de que a maioria dos amigos mentia. “Pois eu já”, diria, com um sorriso que deixaria os colegas de copo na dúvida. Mas isso não poderia virar um hábito. Não para ele. Pensou bastante no assunto e dispôs-se a começar a fazer exercícios físicos. Mas tudo isso era muito chato. E começar agora, quando toda hora é chuva? Saco! Pensou. E desistiu dos exercícios físicos, antes mesmo de começá-los. Vai ver estava mesmo era estressado, com alguns problemas no trabalho, pouco dinheiro no bolso e muitas – e altas – contas para pagar.

A esposa andava zangada. Mal falava com ele. Ao menos não jogava piadinhas, ele se consolava. E o que fazer? Já estava há alguns dias sem sexo, merecido castigo dado pela senhora. Filmes pornôs nunca o excitaram, nem quando era adolescente. “Oh!, amor, não faz isso comigo…”, choramingava pelos cantos. E ela provocava: vestia-se de forma excitante e não desistia da “greve”. Não tinham filhos. Pensou, e pensou. Manuais do tipo “‘n’ maneiras de enlouquecer uma mulher na cama” também não o apeteciam. “Pura bobagem, tipo auto-ajuda”, pensava.

O que fazer? “Benzinho, pensei que…” “Não!”, ela cortava logo, antes mesmo de saber qual seria a proposta. Isso o deixava ainda mais nervoso. E triste. Quando estava sozinho, no apartamento, que se tornava tão grande quando ela saía para trabalhar, acariciava sua fotografia, sobre a estante da sala, ainda dos tempos em que namoravam. Passava assim, muito tempo, estava de férias. Livros, discos, filmes, nada o consolava.

Traído, tinha certeza que não era. “Tu pensas mesmo nisso?”, ela perguntou, feição zangada. “Sinceramente, não… vem cá!”. Envolveu-a num longo beijo, de início a contragosto, transaram e dormiram ali mesmo, no sofá da sala. Sonhou e riu. Mesmo com todos os muitos e grandes problemas, já não havia, para ele, problema nenhum.

o primeiro diário cultural de junho

completei, dia 20 de maio, seis meses de diário cultural, com raras interrupções. o de hoje segue abaixo, quatro notinhas ligeiras; a última, sobre assunto já tratado aqui: blogues que disponibilizam música na rede [quem quiser ler a matéria da folha, pode pedir por e-mail a este blogueiro]. aos interessados: na caixa de comentários do tópico ilegal, imoral ou engorda?, há mais um endereço, e novidades que eu for descobrindo, vou postando por lá. até!

Rapidinhas

Literatura, música e teatro. Opções para todos os gostos dos leitores do Diário Cultural. Confira!

Lançamento

O poeta Bioque Mesito, que edita o blogue Central da Poesia, convida para o lançamento do livro “Argos da Matéria”, de Geane Lima Fiddan. A noite de autógrafos acontece nesta sexta-feira, 2 de junho, às 19h, na Casa do Maranhão (Praia Grande). Maiores informações no endereço acima.

Armazém de sons

O Armazém da Estrela varia a programação musical de hoje até sábado, sempre às 22h: Ruber (hoje), Sérgio Habibe (amanhã) e o saxofonista Pedro Duarte (sábado) farão as noites da casa. No domingo, a partir das 16h, é a vez do Samba de Mesa do Grupo Espinha de Bacalhau. Nas quartas-feiras, a programação fixa da noite apresenta um forró pé-de-serra, também às 22h. Maiores informações e reservas pelo telefone (98) 3231-7431.

TAA, 189

O Teatro Arthur Azevedo completa hoje 189 anos. Aqui, os parabéns da coluna ao espaço. Em comemoração, será apresentado, hoje (às 20h) e amanhã (às 16h), o Balé Dom Quixote, que tem direção de Olinda Saul, com a participação de bailarinos locais e convidados. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados com antecedência na portaria do teatro. Maiores informações pelo telefone (98) 3219-9900.

Marisa Monte e Chico Buarque vs piratas

Após longo hiato, Marisa Monte colocou recentemente dois discos novos no mercado: um, “pop”, “Infinito Particular”, outro, de sambas, “Universo Ao Meu Redor”. Os trabalhos possuem um dispositivo que impede os usuários de baixar as faixas para seu computador ou para mp3 players, para uso próprio; a alegação da “indústria fonográfica”: o combate à pirataria. Não adiantou. Matéria do jornal Folha de São Paulo de segunda-feira passada, dia 29, dava conta: “Blogs colocam na rede raridades da música brasileira”. Na verdade, não são só raridades: é possível baixar os discos novos de MM e Chico Buarque, apenas para ficar em exemplos de trabalhos que chegaram caros ao mercado (os dois primeiros custam, em média, R$ 39,99 em lojas de São Luís; o terceiro, R$ 36,99). É clicar e baixar. Os endereços: http://aisporecords.zip.net, http://aisporecords2.zip.net, http://aisporecords.opus666.com, http://brnuggets.blogspot.com, http://saravaclub.blogspot.com, http://vinilvelho.blogspot.com, http://musicadobem.blogspot.com e http://mercadodepulgas.blogspot.com