[no primeira classe de ontem, jp turismo, jornal pequeno. a ilustração do texto, já publicada neste blogue anteriormente, tá aqui]
Música para os olhos, poesia para os ouvidos (e vice-versa)
Unindo poesia e música, em “Música”, seu novo livro-disco, Celso Borges amplia as possibilidades iniciadas há seis anos com “XXI”.
por Zema Ribeiro*
Em 2000, o poeta e jornalista maranhense (radicado em São Paulo) Celso Borges celebrou o casamento de poesia e música em “XXI – poemas de Celso Borges”, onde poetas maranhenses e músicos davam uma roupagem além-papel à sua obra, relendo parte do que ele havia publicado até ali, em livros hoje raros, desde a década de oitenta, século vinte.
Seis anos depois, é hora de Celso Borges lançar o livro-disco “Música” [Editora Medusa, 2006, R$ 30,00], numa proposta ainda mais universal: mais de cinqüenta artistas – entre poetas e músicos – participam do disco. Estão lá Ademir Assunção, Ceumar, Chico César, Eduardo Júlio, Fernando Abreu, Josias Sobrinho, Kléber Albuquerque, Vitor Ramil e Zeca Baleiro, entre outros. Um furo no meio lembra, no livro, um compact disc (de vinil), garantindo um visual saudosista à bela e atualíssima obra do maranhense.
“Música: atrito entre canto e fala. Cantar o poema. Ler a melodia na página do livro. Ouvir o poema sem a página do livro. Música: outra melodia outra poesia. O cantor poeta. O poeta cantor. Música: cd pra ser lido livro pra ser ouvido livre lábaro que ostento estrelado”, explica Celso em “Música – um quase prefácio”, embora sua obra não seja o vazio de bienais que carecem de explicação.
O recado é certeiro: “Ora, direi: chega de Bilacs em pleno século XXI. Chega de vírgulas ridículas, de “aspas com caspas”. De prosa com prazo de vencimento”, escreve/ultima, feroz em “Manifesto 2”, para a voz do poeta Ricardo Corona. Há espaços para a paixão, a ironia, críticas à Ilha que tanto ama e da qual sente saudades, casos de “São Luís segundo movimento” e “Devoluto”, este, um fado de Sérgio Natureza e Kléber Albuquerque em homenagem ao autor de “Música 290”, poema cuja trilha do dj (também maranhense) Otávio Rodrigues enumera mais de duzentas e cinqüenta citações que remetem à palavra-título do livro-disco.
“Tua beleza derrama pelo ladrão”, declama/canta Celso Borges em “Maria”. Assim é o disco-livro, no todo, poema, música, poemúsica, projeto gráfico de Cláudio Lima, também maranhense, também músico. Obra-prima, este “Música”, a obra, objeto de desejo por sua beleza, não será confinada às estantes/prateleiras. Impossível passar insensível por este novo, dissonante e afinado grito de Celso Borges.
SERVIÇO, EM TEMPO – Dia 19/10 (quinta-feira), às 19h, na Escola de Música Lilah Lisboa, Celso Borges lança “Música” em São Luís. Num grande recital informal, uma reunião de amigos, com a participação de vários poetas e músicos. O acontecimento terá entrada franca, e na ocasião o livro estará sendo vendido e autografado pelo autor.
* correspondente para o Maranhão do site Overmundo
