por Joãozinho Ribeiro*
[nem preciso dizer que este blogue concorda com as sábias palavras de joãozinho, preciso?]
Em tempo: do poeta cubano Pablo Milanez, fruto da abençoada parceria com o compositor Chico Buarque, tomo emprestado os atualíssimos versos:
“A história é um carro alegre
cheio de um povo contente
que atropela indiferente
todo aquele que a negue”.
Talvez a lição das urnas, versada na vontade popular, precise mais do que nunca ser traduzida para os políticos que permanecem alheios ao idioma falado em todo o Brasil, pelas bocas, pelos becos, pelos bares … pelos campos e cidades, por milhões de homens e mulheres, mergulhados em seus difusos trabalhos e nos seus ofícios de viver.
VOTO 13 E VOTO 12: LULA, PRESIDENTE; JACKSON, GOVERNADOR.
Esta é a coligação que o povo maranhense consagrou nas urnas, no 1º turno das eleições de 2006, e que não vai acabar no dia 29 de outubro próximo; este é o recado que o povo maranhense está dando aos candidatos. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça; quem tiver bom senso para obedecer, que o faça. E vote!
JACKSON, GOVERNADOR; LULA, PRESIDENTE.
É esta a mensagem extraída das urnas, manifestada pela línguagem sábia e silenciosa do povo. Mensagem de esperança que palpita em milhares de corações maranhenses, que permitiu a consagradora votação do candidato Lula em nosso Estado, e impôs uma vergonhosa derrota à candidata da oligarquia no 1º turno, desmoralizando os institutos de pesquisa contratados pelo Sistema Mirante com o objetivo imoral de substituir a vontade popular.
A esta vontade popular é que se coliga a minha responsabilidade de artista e de cidadão, que ainda sonha com o reencantamento do mundo e com a libertação do seu Estado. Esta legítima coligação, que não brota de conchavos políticos, nem de conveniências partidárias, é que me impede de jogar a minha história e a de milhares de companheiros e companheiras na lata do lixo da política.
Não podemos perder o rumo, nem a rima, assim como não os perdemos quando assinamos a ficha de fundação do Partido dos Trabalhadores; quando integramos o Comitê Brasileiro pela Anistia aos Presos e Exilados Políticos; quando reconstruímos a gloriosa União Nacional dos Estudantes; quando dirigimos o maior movimento popular desta Ilha dos últimos tempos, que foi a Greve da Meia-Passagem; quando desfraldamos a bandeira das Diretas Já, ocupando as ruas e as praças deste imenso País, conduzindo o bonde da História para a estação da democracia; quando contribuímos com a fundação da Central Única dos Trabalhadores, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, do Comitê de Defesa da Ilha, do Fórum Municipal de Cultura; quando, junto com muitos camaradas da vida e da arte, enfrentamos o latifúndio e a ira dos coronéis fazendeiros, empunhando a bandeira da Reforma Agrária e fazendo cultura nos assentamentos do MST.
LULA, PRESIDENTE, JACKSON, GOVERNADOR!
No 1º turno, já foi a minha escolha e o meu voto. Infelizmente, face às amarras da legislação eleitoral e a alguns resquícios de disciplina partidária, fui discreto na votação, impedido de declarar publicamente a minha vontade eleitoral.
Agora, não posso, não devo, não quero e nem serei indiferente; muito menos me deixarei atropelar pelo bonde da História. Pelo contrário, quero ser um carro alegre e fazer, como na canção, parte da imensa carreata, cheia de um povo contente, que derrotará a candidata da oligarquia – Roseana Sarney Murad – no próximo dia 29 de outubro. A esta coligação me coloco inteiramente à disposição, nem tentem, nem intentem para outra me convidar. Quem quiser coligar com judas e caifazes que o façam. A minha intenção e gesto apontam somente para este rumo da vida e da história. Às favas, todas as disposições em contrário.
Para finalizar, ficamos com os desafiantes versos do nosso poeta e compositor Josias Sobrinho, interpretados pela rebelada voz do parceiro Zeca Baleiro:
“É hora espichar a bandeira
pendão florido de toda cor …
se é fogo de palha, arreda!“.
* poeta, compositor e professor universitário, é autor de “Paisagem Feita de Tempo” (ed. do autor, 2006)