“Bom te ver”, de Francisco Colombo, integrou mostra retrospectiva durante a 30ª. edição do Festival Guarnicê de Cine-Vídeo, encerrada domingo passado.
por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

[ana rodrigues em cena de “bom te ver”; ao fundo, uma de suas telas retrata um fofão e uma casinha da roça, personagem e elemento típicos do carnaval maranhense. foto: reprodução filme – divulgação]
“Bom te ver” [2005], título tirado de uma saudação comumente utilizada pela atriz, traz uma despudorada Ana Rodrigues, pintora, artista e “louca”, não necessariamente nessa ordem.
Acrescento-lhe o último epíteto, entre aspas, por ser assim a personagem reconhecida por parcela daqueles que lhe esbarram em becos, ladeiras e esquinas ludovicenses.
Sim, a artista mostrada ali, em cores vibrantes, como é ela própria, nasceu na capital maranhense. Entre sua voz, auto-considerada sexy, suas gargalhadas e músicas que relembram uma boemia que talvez tenha ficado só na saudade – como um grande amor do passado, de que nos faz íntimos e cúmplices – Ana Rodrigues nos diverte, enquanto isso for sinônimo do contágio pela alegria e felicidade.
A Turma do Quinto, um dos maiores patrimônios culturais do boêmio bairro da Madre Deus, encravado na região central de São Luís, venceu mais um carnaval. Ana Rodrigues nos lê um poema. Pulsa ali, emoção, vibração. As cores vivas de uma Ana Rodrigues que nos faz crer que apesar da falta de trabalho – ela mesma (sobre)vive de bicos e da venda bissexta de uma ou outra tela – vale muito a pena viver.
Sua porção atriz – Ana Rodrigues é muitas – nos conta de peripécias entre testes para filmes pornô e participações em filmes, peças e novelas. Os closes – bastante e bem usados ao longo do diálogo travado com o telespectador – desnudam-na, criando um clima de total intimidade. É como se já a conhecêssemos há tempos e fôssemos cúmplices de cada história contada.
Aos 62 anos, Ana Rodrigues diz ainda “sentir o sangue pulsar nas veias”, traduzindo nisso alguma esperança, num cenário onde é famoso quem não necessariamente o merece. Em “Bom te ver”, Ana Rodrigues faz nosso sangue pulsar nas veias. De emoção. Na tela ou nas ruas, ninguém passa im(p)une por essa mulher.
Um breve bate-papo com Francisco Colombo
A mostra retrospectiva procurou mostrar ao público da 30ª. edição do Festival Guarnicê de Cine-Vídeo o que de melhor rolou nas mais recentes edições do festival. “Bom te ver”, do maranhense Francisco Colombo é o perfil de uma atriz também maranhense. Colombo foi o único maranhense selecionado na categoria audiovisual da mais recente edição do Programa BNB de Cultura e gravará seu novo curta no segundo semestre. Enquanto isso, ele divide o tempo entre as atividades na Assessoria de Comunicação do Ministério Público Estadual e o ofício de professor universitário na Universidade Federal do Maranhão e Faculdade São Luís. Sobre “Bom te ver”, a reportagem de A Tarde conversou rapidamente com o cineasta.

[o cineasta durante a entrevista. foto: zema ribeiro]
A Tarde – Qual a tua principal idéia ao fazer “Bom te ver”?
Francisco Colombo – Era fazer um filme sobre a pessoa, a atriz Ana Rodrigues mesmo. Uma pessoa curiosa, cheia de vida e histórias, experiências interessantes para contar. Ela também estava muito ansiosa por isso. Queria compartilhar tudo o que viveu.
A Tarde – Há a idéia de fazer documentários-perfis com outras “personalidades” maranhenses?
Colombo – Há sim. Mas tenho uma maneira muito peculiar de pensar personalidades. Não tem nada a ver com o critério que os meios de comunicação têm para elegê-las.
A Tarde – Entendendo que o filme fica entre os destaques das últimas edições do festival, como foi revê-lo dentro de uma retrospectiva do Guarnicê?
Colombo – Para mim foi muito interessante. E a maneira como as pessoas o viram… Ver o filme em projeção 35 mm é sempre diferente… (ZR)
[jornal a tarde, 20/6/2007]

Muito bom Zema… adorei a matéria e também de saber mais do filme. Espero que Colombo faça logo o próximo documentário-perfil.>beijos e boas férias.
obrigado, kelly! também estou ansioso. boas férias! abraço!
Valeu compamheiro, o texto está muito bem escrito e contempla tudo o que realmente o filme quiz passar. A entrevista com Colombo também ficou muito boa e deixou um sabor de quero mais. Parabéns meu caro
obrigado, nielsen. que bom que você gostou. um abraço!