Ela se atrasou, mas ele já nem reclamava, acostumado. Quando chegou, ele olhava pelo vidro, de dentro da agência, absorto. Pensava em não-sei-o-quê. “O que foi, menino?”, ela perguntou, entre maternal e preocupada, se é que aqui estas palavras não são sinônimos e este texto redundante. Estava emocionado, era a verdade. Apesar do “menino” no tratamento que ela lhe dispensou, antes de ele levar a boca até sua bochecha e dar-lhe um beijo terno, era agora um adulto e estava bastante feliz com aquilo. Pensou imediatamente na canção do Roberto e resolveu não cantarolar, sabendo que ela o detestava. “Olha, você tem todas as coisas…”, ficou só no pensamento.
Passaram pela porta giratória com um detector de metais fajuto – ele não conseguia não acreditar que aquilo não fosse movido por puro preconceito. Era mágica: crianças entravam por um lado e saíam adultos do outro. E vice-versa. Saíram da “ante-sala” dos caixas eletrônicos. Subiram as escadas e entre uma dúvida e outra e um funcionário e outro, foram até bem atendidos. E rápido.
Ora crianças, ora adultos. Às vezes em dúvida, de repente ambas as coisas. Estava aberta a conta corrente para o débito das prestações do apartamento, comprado por um programa “imóvel na planta”. “A cabeça cheia de problemas”, calou-se de novo. O adulto tornara-se novamente um menino, transpirava felicidade. Certamente, preocupações percorriam-lhes os juízos. Mas a alegria e a felicidade eram maiores, se é que estas palavras também não têm os mesmos significados e o texto torne-se ainda pior, embora traduza os mais belos dos sentimentos. Aquele era o primeiro dia do resto de suas vidas, que queriam juntas para sempre.

Que lindo…deve ser de uma emoçao única mesmo…boa sorte
certamente é, bruna. obrigado! abração!
Lindo Zema….contradições existenciais. Muito massa.
obrigado, fernanda. só não sei é se há contradições, risos. abraços!