CRENDICE

Eu não tenho papas na língua
hóstias bentas não me calam
amor é o que me apascenta
crendices vãs nada trazem

Eu não travo meu prazer
como pão, como você
bebo vinho só por gozo
rezo quando Deus me chama
axé, aleluia, namastê
quem disse que não tenho fé?

Buda, Jesus, Meishu Sama
Lutero, Kardec, Maomé
Tanigushi, Umbanda, Candomblé
Santo Daime, Dalai Lama
nada quero que me salve
só o beijo que você me deve

Desdenho da razão pura
sentimento ando à cata
o que ata e não desata
o que não mata e cura
na desmedida exata

Filosofia? More na sua
vá tomar naquela reta
ajoelhar perante Meca

Que me perdoem os ascetas:
setenta vezes sete eu peco
eu não tenho sangue de barata!

*

Um dos poemas inéditos (agora não mais) que Lúcia Santos (poemas e voz. Na foto acima clicada por Geraldo Iensen) apresenta no recital Nu frontal com tarja, acompanhada por Nosly (guitarra), na programação d’O Beco Cultural (penso que só “O Beco” bastaria), produção de Ópera Night que rola amanhã, a partir das 20h, no mesmo bat-local d’A Vida é uma Festa! (em frente à Cia. Circense de Teatro de Bonecos, na Praia Grande).

Haverá uma pá de outras boas atrações, mas – sem desmerecê-las – a minha grande tara é por ver esta Uma gueixa pra Bashô (título de um livro de hai-kais de Lúcia), em recital que trans(it)ará entre o irônico, o erótico e o romântico, todo de poemas inéditos – exceto esse a que tive acesso e tomo a liberdade de publicar aqui.

A programação completa d’O Beco (‘bora apostar como é esse o nome que vai pegar?) você vê aqui.

8 respostas para “CRENDICE”

  1. Lúcia de São Luiz e de todos os Santos, também de Santo Ângelo, São Paulo, sua poesia navega por várias marés naus e correntes e aporta em Porto Alegre, Porto Seguro ou o que mais vier. Grande abraço e luz nas correrias!

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