TRIBUNA CULTURAL
por Zema Ribeiro*
A SERESTA ENQUANTO GRANDE MÚSICA
Em Serestando, João Macacão devolve à seresta o status de grande música.
[Serestando. Capa. Reprodução]
Um dos grandes clássicos de Nelson Gonçalves, A volta do boêmio (Adelino Moreira) é título certeiro para a abertura de um disco. Ainda mais em se tratando de um disco de João Macacão, Serestando [2009, Pôr do Som].
Mas de onde volta o intérprete?, alguns poderão perguntar. Se muita gente nunca ouviu falar de João Nicolau de Almeida, nome de batismo do sete cordas que não toca no disco – apesar da pose da capa – é reflexo da pouca importância geralmente dada ao “regional” que acompanha fulano de tal. Ele agora deixa a “cozinha” e assume a frente.
João Macacão acompanhou por mais de vinte anos o seresteiro Silvio Caldas e já tocou com nomes como Orlando Silva, Altamiro Carrilho e Paulo Vanzolini, entre outros. Para não corrermos o mesmo risco, saquem quem o cerca em Serestando: Milton Mori (violão, bandolim, cavaquinho, violão tenor), Zé Barbeiro (violão sete cordas), Anelis Assumpção (coro), Simone Julian (flauta) e Tiquinho (trombone), apenas para citar alguns.
O disco devolve à seresta o status de grande música, mais próxima ao samba e ao choro e mais distante do brega de teclados que, ao menos aqui no Maranhão, também recebe essa denominação. A seleção de repertório é primorosa: entre outros clássicos da música brasileira estão lá Me deixe em paz (Ayrton Amorim/ Monsueto Menezes), Gosto que me enrosco (Sinhô), Ela me beijou (Herivelton Martins/ Arthur Costa), outro clássico de Nelson Gonçalves, Meu caro amigo (Chico Buarque) e Conceição (Jair Amorim/ Dunga), o maior clássico de Cauby Peixoto.
*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
[Tribuna do Nordeste, hoje]
