Os verdadeiros laranjas

Hoje, no trajeto de casa até o trabalho, a bordo de meu um ponto zero popularíssimo comprado em suaves (e infinitas) prestações, vi dois ônibus atrapalhando o trânsito. Leitores mais apressados podem me pedir que conte uma novidade. Mas não eram ônibus comuns, digo, não de linhas, estes que os candidatos, desde o primeiro turno, vêm prometendo modernizar, renovar a frota. Eram ônibus, como os da frota que cotidianamente serve (?) a cidade, velhos, caindo aos pedaços. Carregavam carregadores de bandeiras e aqui não importa de que candidato, já que, também neste aspecto, ambas as candidaturas, neste segundo turno, em São Luís, são iguais. Um dos ônibus parou antes de um retorno, do lado do canteiro central e um grupo saltou para o meio da pista, dando a volta por trás do coletivo, pelo asfalto, até alcançar a calçada. Outro, próximo de um semáforo, parou do lado correto, mas os bandeiristas correram desesperadamente para atravessar a rua até o canteiro central, já de bandeiras em punho. Em seus subempregos, os carregadores de bandeiras certamente não têm plano de saúde ou seguro de vida. O que, aliás, pouco importa aos patrões. Carregadores de bandeiras são como laranjas. Não no sentido em que a fruta passou a ser reconhecida no cenário político, a metáfora mais próxima da origem vegetal: passada a eleição, o suco-suor dos carregadores de bandeiras lavando as ruas sob o sol a pino, restará o bagaço, a ressaca, a angústia, talvez o arrependimento, talvez algum atrasado por cobrar dos agora ex-patrões.

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