Titane e André Siqueira para êxtase do público

Titane e André Siqueira - foto: Zema Ribeiro
Titane e André Siqueira – foto: Zema Ribeiro

Já faz tempo que os caminhos de Titane e do Maranhão se cruzam, mesmo que a mineira só tenha vindo por aqui neste setembro em que o Festival Por Terra, Arte e Pão e a Feira da Reforma Agrária Manoel da Conceição celebram os 40 anos do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST).

Antes de Titane e André Siqueira subirem ao palco, após o show dos paraenses do grupo Baobá, a potiguar Juliana Linhares, também simpatizante do movimento, que visitava o festival, subiu ao palco para enaltecê-lo e receber uma homenagem. À capela cantou um trecho de “O Rabo do Jumento”, do conterrâneo Elino Julião (1936-2006), e não resistiu aos pedidos do público por “Balanceiro” (Juliana Linhares, Khrystal Glayde, Moyses Tiago e Sami Tarik), de que também cantou um trecho. Uma das atrações do Festival BR-135, ela se apresenta daqui a pouco, às 19h, no Forte Santo Antônio (Ponta d’Areia).

Titane lembrou, por exemplo, do intenso convívio com Papete (1947-2016), em São Paulo, e também o fato de os dois percussionistas de seu primeiro álbum, serem maranhenses: Manoel Pacífico, há décadas radicado em São Paulo, e Erivaldo Gomes (1959-2022).

Muito apropriado, aliás, o convite do movimento para que a artista se apresentasse nesta celebração – acompanhada pelo monumental André Siqueira ao violão, ele um dos músicos que comparecem a “Titane Canta Elomar – Na Estrada das Areias de Ouro” (2018) –, já que sua relação com o movimento também vem de longa data, tendo a artista colaborado com a criação das Escolas de Arte do MST em Minas Gerais. Ela se apresentou descalça, para sentir a energia do chão do lugar.

Ela abriu o show com “Estrela Natal”, do conterrâneo Sérgio Pererê, ao lado do paraibano Chico César, os compositores que ela mais gravou, como ela mesmo revelou. Cantou acompanhando-se tocando caixa. “Cantar pra não morrer de dor”, como diz a letra, com Titane aproveitando para destacar a importância do MST no enfrentamento ao triste estado de coisas que termina com o país sufocado pela fumaça das queimadas espalhadas por toda sua geografia.

Titane passeou por vários ritmos e fases de sua carreira, num show curto, porém, na mesma medida, intenso e emocionante, que seguiu com “Folia de príncipe”, de Chico César.

Pereira da Viola pede “licença pra cantar neste salão” na letra de “Tá No Tombo”: a essa altura do show, Titane e André Siqueira já eram visitas recebidas com alegria e honras. Guardarei para sempre as palavras gentis com que, do palco, se referiu a este jornalista (que não reproduzo aqui para não soar vaidoso, quem estava lá é testemunha), antes de me oferecer “Clariô”, única de Elomar que compareceu ao repertório.

“Templo” (Chico César, Tata Fernandes e Milton de Biasi) antecedeu a inusitada “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim”, (Herbert Vianna), hit de Ivete Sangalo. Pererê voltaria ao set list em “Na fé”, e “Aroeira”, com que o show foi encerrado.

Antes do fim, “Boi da Beira” (Mochel) traduziu ainda melhor a relação com o Maranhão de que falamos no início. Nem Titane, nem André Siqueira, nem o público presente à Praça Deodoro, em frente ao novo Armazém do Campo (Rua de Santaninha, Centro), onde aconteceu a programação querem que demore tanto uma próxima ponte Minas-Maranhão.

Cada presente, em êxtase, leva um pouquinho de Titane (e André Siqueira) consigo, após o show. Ela, já tão maranhense por afinidade, certamente leva mais um pouco de Maranhão na bagagem e no afeto. 

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