A professoramiga Carolina Libério postou um vídeo no youtube e teceu alguns comentários em sua conta no facebook sobre a pressão que antigos moradores do novo trecho da avenida Litorânea estão recebendo para abandonar suas casas.
“Segundo a administração pública, a área é de preservação ambiental e por isto eles não poderiam morar ali”, pontua Libério, que questiona algumas contradições do discurso oficial: “se ali é área de preservação ambiental, porque a prefeitura derrubou a duna e construiu uma avenida? Por que ali é área de preservação ambiental e 200 metros depois não é mais? O que muda? O que a prefeitura e a federação esperam fazer com a área quando ela for desocupada?”
Moradora da área há décadas, Flor de Maria responde a última pergunta, apontando interesses privados e especulação imobiliária como sendo os principais motivos para a não permanência dos antigos moradores no que muito em breve se tornará mais um “point” para gente “bonita”, “de fora” e “cheia da grana”.
À denúncia artística de Carolina Libério é preciso que se somem mais vozes indignadas. Progresso não precisa ser sinônimo de violação de direitos.
IV Baile do Parangolé festeja 34 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). A festa, gratuita, acontece sábado (9), no Porto da Gabi (Aterro do Bacanga)
Fundada em 12 de fevereiro de 1979, em meio às lutas contra a ditadura militar então vigente no país e pela anistia, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) completa 34 anos na próxima terça-feira de carnaval.
Uma coincidência que não se encerra no calendário. O carnaval é, por excelência, a festa da fantasia. Temporada de puro êxtase em que as pessoas se desligam do mundo real, se esquecem dos problemas cotidianos e caem na folia, “pra tudo se acabar na quarta-feira”, como determinaria o poeta.
Esta fantasia já foi cantada em verso e prosa e poupo os poucos mas fieis leitores de outros exemplos. A luta por direitos humanos é constante e não conhece folga ou férias. Carnaval é cultura e cultura é direito humano fundamental, devendo assim ser entendido e garantido, sem restringir-se apenas à festa e sem dissociar-se de outros direitos.
Batizado pelo coco de Cesar Teixeira, sócio da SMDH e seu ex-assessor de comunicação, o Baile do Parangolé, hoje já cravado nos calendários cultural e carnavalesco de nossa ilha capital, tem sido um espaço/momento de celebração e reencontros entre militantes de direitos humanos, amigos e familiares. Embora nunca tenha se fechado, este ano abre-se ainda mais, já que não haverá venda de camisas e/ou cobrança de ingressos, graças ao apoio da Fundação Municipal de Cultura (Func) e do Porto da Gabi.
O autor do Parangolé é homenageado no traço de Djalma Lúcio, que, especialmente para a ocasião, desenhou o jornalista e compositor, autor de vasto repertório carnavalesco – sambas, frevos, marchas e outros gêneros do período, algumas de suas músicas certamente comparecendo ao vesperal.
O baile terá como atrações Chico Nô e a Turma do Vandico e certamente contará com canjas de artistas militantes que se revezarão entre plateia e palco. A escolha do band leader não se dá ao acaso: é também uma forma de reconhecer seu compromisso com as lutas dos movimentos sociais maranhenses.
Não sei se chamo Igor de Sousa de amigo-irmão ou de filho. Ambos os parentescos caem bem: já o tinha visto umas poucas vezes, em geral por conta de nossa atuação em organizações de direitos humanos no Maranhão, e em meados do ano passado DP, como o chamo carinhosamente, veio estagiar na Cáritas Brasileira Regional Maranhão, onde além de trabalharmos, conversávamos muito sobre música, literatura, cinema e artes em geral, sempre um aprendendo com o outro.
Deixei a Cáritas semana passada e ele permanece por lá, onde espero que tenha vida longa, pois reconheço neste estudante de Ciências Sociais um belo quadro para as lutas, não só naquela entidade.
Com nossas meninas temos também bebido um bocado, descobrindo e redescobrindo botecos, bares, calçadas, shows, churrasquinhos e nossa cozinha, onde ele sempre pede para ouvir Celso Borges, Itamar Assumpção, Jards Macalé, Miles Davis e Ferreira Gullar, entre outros. Pedidos raros e atendidos na medida do possível, a depender do clima da farra e do resto da galera que porventura nos acompanhe.
O apelido “depê” vem de um endereço de e-mail que ele ainda hoje usa, embora já disponha de um e-mail “sério”, “adulto”, feito, aquele, quando ele tinha mais ou menos a metade da idade que tem hoje, 22 bem vividos e estudados: desajustado underline punk arroba hotmail ponto com.
Mas comecei a falar dele e quase me perco por conta de um texto seu que recebi hoje. Queria minha ajuda na edição e para fazer repercutir o assunto. Já saiu no site da Cáritas/MA, mas roubo-o ao “blogue cachorro”, como ele carinhosamente chama este espaço, especialistas que estamos em reeditar velhas gírias, este blogue que divide a honra de sua leituratenta apenas com o Socialista Morena. “Quando encontrar a Cynara [Menezes] novamente, diga-lhe que só leio dois blogues: o teu e o dela”, pediu-me certa vez. Quando encontrá-la novamente ela já saberá.
Sobre o texto abaixo, DP demonstra uma sincera indignação: “como é que um cara desse pode ser ofensivo? Ele é menor que eu”, revela. “O cara tá com mais de 30 boletins de ocorrências nas mãos e não acontece nada! É por isso que eu estudo, para ver se consigo ajudar esse povo”. Qual professor Raimundo para Ptolomeu, penso: “eu queria ter um filho assim”.
“A GENTE NÃO SABE O QUE TÁ ACONTECENDO”
Vítima de prisão irregular e ameaçado de despejo, José da Cruz Monteiro, liderança quilombola, concedeu entrevista coletiva na manhã de hoje (4), na sede da CPT-MA
TEXTO E FOTO: IGOR DE SOUSA*
Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje (4), na sede regional da Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA),foi exposto que dois policiais militares encarceraram de forma ilegal o líder quilombola José da Cruz Monteiro (51), da comunidade de Salgado, área que se encontra em processo de titulação via Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no município de Pirapemas/MA. A prisão ocorreu devido à morte de um caprino que invadiu a sua roça. José da Cruz já havia feito vários boletins de ocorrência na delegacia local para providenciar soluções sobre a invasão dos animais à sua propriedade, não obtendo qualquer resultado por parte da polícia.
Em 31 de janeiro, após abater o animal que estava em sua pequena plantação, foi à delegacia comunicar o feito e solicitar a retirada do mesmo. Porém, após relatar o fato, foi preso pelos policiais que ali estavam de serviço. A prisão foi feita sem qualquer flagrante, sem qualquer mandado de prisão. Ao ser preso, o líder quilombola recusou-se a receber algemas, sendo jogado à força em uma cela, havendo incitação por parte dos policiais para que os presos espancassem o referido senhor. Após horas sem comer nada, passando o dia apenas com o gole de café que havia tomado em casa, foi transferido para a delegacia de Itapecuru-Mirim. Lá foi comunicado ao advogado Diogo Cabral, assessor jurídico da CPT-MA, que a situação de José da Cruz Monteiro era de depoente, configurando completa arbitrariedade aos fatos ocorridos em Pirapemas. Durante o período em que esteve preso, José da Cruz teve sua casa invadida e vasculhada por policiais. Ele relatou ainda que sua casa e a de seu cunhado estão ameaçadas de demolição por Ivanilson Pontes Araújo, proprietário da área.
O que se percebe pela recorrência dos fatos, seja no que tange à quantidade de boletins de ocorrência registrados pelo senhor José da Cruz Monteiro, sem qualquer providência por parte da polícia, seja pelo envenenamento de animais e água potável na comunidade Salgado, ocorrido em 2011 e sem resposta até o presente momento, é uma total complacência do governo do estado do Maranhão quanto à situação de violência e conflito no campo referente às comunidades quilombolas e camponesas. Há violência cotidiana contra essas comunidades, havendo inclusive a existência de grupos armados no interior do estado. Quanto aos órgãos responsáveis pela titulação, há lentidão e descaso. Hoje o Incra conta com mais de 300 processos aguardando titulação, contando com um quadro ínfimo de funcionários para os referidos trabalhos. A própria comunidade de Salgado é um exemplo notável dessa morosidade: já titulada certificada pela Fundação Cultural Palmares (FCP), a área aguarda titulação pelo Incra. O processo está parado desde 2000.
Outro dado alarmante é tratamento dado pelas autoridades estaduais. No ano passado, a delegada geral agrária foi categórica ao afirmar que no Maranhão não há conflitos no campo, havendo apenas conflitos entre vizinhos. Será?
Somente no último semestre do ano passado foram vitimadas quatro pessoas: duas lideranças sindicais e dois indígenas.
E assim segue a vida real de trabalhadores rurais na terra do faz de conta do governo Roseana Sarney.
Ameaçado de despejo, José da Cruz Monteiro (C), entre outro morador de Salgado e o advogado Diogo Cabral (D)
ENTREVISTA: JOSÉ DA CRUZ MONTEIRO
Qual a situação da sua comunidade? Lá, a nossa situação nós não aguenta, é muita escravidão. Muita injustiça. Ele [Ivanilson Pontes] coloca os vizinho [a reportagem optou por manter a transcrição da entrevista o mais próximo possível da fala de Monteiro] da gente contra a gente para matar o que é nosso. Ele coloca a própria polícia de Pirapemas contra a gente.
De quem o senhor fala? Quem persegue vocês? São três irmãos que vivem nos perseguindo. Eles são filhos de Moisés Sotero Araújo. Ele se diz proprietário das terras lá em Pirapemas. Quem afronta a gente lá é o Ivanilson Pontes Araújo.
Há situação de conflito na sua comunidade? Existem ameaças de morte? Ameaças às pessoas da comunidade? Como ocorrem? As ameaças que acontecem lá são com nossas criações e com a gente. Ele ameaça nós de morte e mata nossas criações para não ter o que comer. Ele mata e manda os outros matar, manda os capangas.
E a polícia? O que faz? A polícia sempre protege ele [o proprietário]. A gente se queixa e a polícia só protege o proprietário. Ela [a polícia] é bandida, só protege o proprietário. Diz que não pode fazer nada porque tem outras autoridades no conflito.
Como aconteceu a sua prisão? Eu fui preso pelo delegado de Pirapemas, pelo doutor Ricardo porque eu queria terminar de assinar o boletim de ocorrência. Nessa hora ele disse que eu estava preso, que eu era um bandido. Me pegaram, me jogaram para um bandido numa cela. Nesse dia eu passei o dia com um gole de café. Eu vinha registrando boletim de ocorrência, era a quarta vez que os bode entrava na minha roça. Na quarta vez eu matei. O dono não tira, eu tive que matar. Eu fui preso em Pirapemas e fui levado para Itapecuru para ser preso lá. Eu matei o bode para pesar a carne e vender para esperar o Ivanilson para ele pagar o meu prejuízo. Mas ele já tinha dado a carne do bode para a polícia. Eu saí jurado de lá, prometeram derrubar minha casa e a do meu cunhado hoje. Disseram que vão derrubar a do meu cunhado e depois a minha. A gente não sabe o que tá acontecendo, tá marcado pras 10 horas. Disseram que em dois dias vão me tirar de lá, de um jeito ou de outro.
*IGOR DE SOUSA é estudante de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), estagiário da Cáritas Brasileira Regional Maranhão e membro do jornal Vias de Fato.
Etapa São Luís encerra-se hoje; programação ainda percorrerá outras capitais até 20 de dezembro
Atendendo a pedidos do público, Cena Aberta reapresenta fragmentos de Negro Cosme em movimento na programação de hoje
Acontecem hoje as últimas quatro sessões da 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em São Luís. A entrada é gratuita e o seu palco é o Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), especialmente adaptado com bastante qualidade para a ocasião.
“Fazemos um balanço positivo de mais uma edição da Mostra, já consolidada como um dos mais importantes acontecimentos cinematográficos do Brasil. É a terceira vez que o evento acontece em São Luís e este ano optamos por fazer em uma sala maior, o que já garantiu, desde ontem (29) um novo recorde de público”, avaliou o cineasta Francisco Colombo, produtor local do evento.
Atendendo a pedidos, o grupo Cena Aberta reapresentará fragmentos do experimento teatral Negro Cosme em movimento, de Igor Nascimento, bastante aplaudido na última quarta-feira (28).
Confira a seguir a programação para o dia de hoje (para informações sobre sinopses, fichas técnicas e classificação indicativa, clique nos títulos).
13h > Uma, Duas Semanas (Fernanda Teixeira, Brasil, 17 min., 2012, ficção) > A Demora (Rodrigo Plá, Uruguai/ França/ México, 84 min., 2012, ficção)
Cena de “Negro Cosme em movimento”
15h > Reapresentação de fragmentos do experimento teatral Negro Cosme em movimento, do grupo Cena Aberta > Cachoeira (Sérgio Andrade, Brasil, 14 min., 2010, ficção)
O cineasta Eduardo Coutinho é o homenageado da Mostra (Foto: Vavá Ribeiro/ Folha)
As duas primeiras sessões de hoje, às 13h e às 15h, são de audiodescrição, ou seja, voltadas preferencialmente para pessoas com deficiência visual, mas não restritas; são gratuitas e abertas, como todas as outras sessões da Mostra, a quaisquer interessados. Para informações sobre fichas técnicas, sinopses e classificação indicativa, como de praxe, cliquem nos títulos.
Para informações sobre ficha técnica, sinopse e classificação indicativa, clique sobre os títulos.
Lembrete: hoje, no intervalo entre a sessão das 17h e 19h, haverá apresentação do experimento teatral Negro Cosme em movimento, do grupo Cena Aberta.
A 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul acontece no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Toda a programação é gratuita. Recomenda-se chegar entre meia hora e 15 minutos antes das sessões para a retirada dos ingressos na bilheteria.
13h > Virou o Jogo: A História das Pintadas (Marcelo Villanova, Brasil, 15 min., 2012, documentário). > Chocó (Johnny Hendrix Hinestroza, Colômbia, 80 min., 2012, ficção; o trailer do filme, abaixo, está em espanhol, mas todas as exibições da mostra têm legendas, para garantir o acesso de pessoas com deficiência auditiva às sessões).
15h > O Garoto que Mente (Marité Ugás, Venezuela, 99 min., 2011, ficção).
Para ler as sinopses, fichas técnicas e classificações indicativas, clique nos títulos dos filmes.
Toda a programação da Mostra é gratuita e acontece no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro). Recomenda-se chegar entre meia hora e 15 minutos antes de cada sessão para a retirada dos ingressos na bilheteria.
A programação da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em São Luís vai além das sessões de exibição dos 40 filmes que a compõem. A abertura, domingo passado (25), contou com a apresentação do Coral do Presídio Feminino. Nesta quarta-feira (28), o grupo teatral Cena Aberta apresentará fragmentos do experimento Negro Cosme em Movimento.
Cena de “Negro Cosme em movimento”
A apresentação se dará no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy), que abriga a Mostra, no intervalo entre o fim da sessão das 17h e o início da sessão das 19h e qual toda a sua programação será gratuita. No mesmo dia, na sequência, o grupo se apresenta na abertura do seminário Reinvenção da Política: Contribuições da Educação, no jardim interno da entrada principal do Centro de Ciências Humanas da UFMA.
O work in progress faz parte do projeto Caras Pretas em Movimento, cujas experimentações continuarão pelos próximos dois anos. A pesquisa aborda questões afrodescendentes, com foco nas estações da Balaiada.
“A proposta da encenação é penetrar nas camadas obscuras da história e levantar hipóteses sobre a veracidade da historiografia oficial que não dá conta do fato como todo, e muitas vezes deixa em aberto ou esconde outras possibilidades de interpretar a nossa história (do Maranhão e do Brasil) . A manipulação da memória coletiva faz parte da estratégia do poder, que mantém a opinião pública na unilateralidade da reflexão, direcionado o foco para os heróis que na verdade massacraram os ideais de liberdade e justiça de nosso povo”, afirma o ator Wagner Heineck, da Cena Aberta.
Já já, a partir das 13h, continua a programação (gratuita) da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que na capital maranhense é apresentada no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). A sessão de abertura, ontem, mais que lotou o espaço. Recomenda-se chegar meia hora antes das sessões para a retirada dos ingressos na bilheteria. Confira a programação de hoje (26).
13h
Olho de Boi (Diego Lisboa, Brasil, 19 min., 2011, ficção). Junca, um menino que vive na periferia de Salvador, ganha um par de sapatos sem cadarços de presente. Ele quer ir à escola com os sapatos, mas precisa enfrentar seu pai, os meninos mais velhos da rua e sua própria fé. | Direito da Criança e do Adolescente | Diversidade Religiosa
Funeral à Cigana (Fernando Honesko, Brasil, 15 min, 2012, ficção) Após a morte do pai, líder cigano deve transportar o corpo à sua cidade natal para atender o desejo de sua mãe. Mas ele enfrenta várias dificuldades para viver suas tradições plenamente. | Direito das Populações Tradicionais
Carne e Osso (Caio Cavechini/ Carlos Juliano Barros, Brasil, 52 min., 2011, documentário) Reportagem que denuncia as duríssimas condições de trabalho nos abatedouros e frigoríficos brasileiros, com jornadas cada vez mais estafantes, penosas e perigosas. A exigência de um rendimento crescente nas linhas de produção penaliza os trabalhadores, que desenvolvem doenças e muitos deles acabam incapacitados para exercer qualquer tipo de tarefa. | Direito ao Trabalho Decente| Combate ao Trabalho Escravo.
Classificação indicativa da sessão: 12 anos
15h
O Fio da Memória (Eduardo Coutinho, Brasil, 115 min., 1991, documentário) Grande mosaico sobre a experiência negra no Brasil, centrado na figura do artista popular Gabriel Joaquim dos Santos, filho de ex-escravos, trabalhador das salinas de São Pedro da Aldeia (RJ). Seus diários, presentes no filme como uma voz narrativa, permitem compreender alguns impasses da inserção do negro na sociedade brasileira após a libertação dos escravos. | Igualdade Racial.
Classificação Indicativa: livre
17h
Elvis & Madona (Marcelo Lattiffe, Brasil, 105 min., 2010, ficção) Madona é uma travesti que ganha a vida como cabeleireira num salão em Copacabana. Depois de anos de luta para realizar um show em homenagem ao Teatro Rebolado, Madona tem seu dinheiro roubado pelo amante. Enquanto pensa em uma estratégia para conseguir resgatar a quantia roubada, Madona conhece Elvis, entregadora de pizza que sonha em ser fotógrafa de jornal. Elvis e Madona se apaixonam, apesar dos obstáculos colocados pelo ex-amante. | Cidadania LGBT | Diversidade Sexual
Classificação Indicativa: 12 anos
19h
Marighella (Isa Grinspum Ferraz, Brasil, 100 min., 2012, documentário) Maior nome da militância de esquerda no Brasil dos anos 1960, Carlos Marighella participou dos principais acontecimentos políticos do país entre 1930 e 1969. Dirigido por sua sobrinha, o documentário é uma construção histórica e afetiva sobre este homem que era considerado o maior inimigo da ditadura militar e foi líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor de Manual do Guerrilheiro Urbano, publicado mundialmente em diversos idiomas. | Combate à Tortura | Direito à Memória e à Verdade.
“O desejo não acaba nunca, né? E teu problema é desejar que você tenha saúde física e espiritual, o que é complicado, pra poder fazer mais uns anos de cinema, o que é cada vez mais complicado.
Eu imagino que daqui a pouco, se eu tiver vivo, e as coisas se passam de repente, eu vou fazer documentário num palco em cadeira de rodas, aí eu vou ter que chamar os atores, então eu me vejo terminando feliz até de poder fazer um filme nem que seja em um estúdio de teatro chamando as pessoas, e fazer um filme de conversas, mesmo que seja em cadeira de rodas. Eu espero demorar pra chegar lá, mas pelo menos estarei trabalhando.
Agora crítica, não existe isso, cada filme é um filme, não tem filme da minha vida, e vai se somando um ao outro, eu fiz o Cabra [marcado pra morrer, 1984; o filme integra a programação da Mostra] porque tinha que fazer, passei quinze anos sem fazer nada e depois fiz Santo forte [1999; idem] e pude recomeçar uma carreira que tava jogada fora. E aí cada filme é igual e diferente do outro, sempre. Eu quero apenas fazer mais filmes, enquanto puder, do jeito que eu gosto de fazer, com uma certa liberdade, não de orçamento, mas pelo menos de escolher, de decisão final sobre um filme. E daí, quando somar tudo, alguém vai dizer o que presta e o que não presta, isso fica pra história. Mas pra mim, outras experiências fazendo o mesmo filme, que não é nunca o mesmo filme.”
Eduardo Coutinho em entrevista a Alcimeire Piana e Daniele Nantes, publicada em 2005 na revista Intermídias. A entrevista está coletada no volume da coleção Encontros [Azougue, 2009] dedicado ao documentarista, homenageado da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, cuja etapa São Luís tem início hoje, às 19h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).
PROGRAMAÇÃO (DE HOJE)
19h > Sessão de abertura: O cadeado(Leon Sampaio, Brasil, 12 min., 2012, ficção) > A galinha que burlou o sistema(Quico Meirelles, Brasil, 15 min., 2012, documentário/ficção) > Menino do cinco(Marcelo Matos de Oliveira/ Wallace Nogueira, Brasil, 20 min., 2012, ficção) > A fábrica (Aly Muritiba, Brasil, 16 min., 2011, ficção). A sessão tem classificação indicativa de 12 anos.
Veja o trailer de A fábrica:
O blogue voltará a noticiar a etapa São Luís da Mostra. Todas as sessões são gratuitas e serão divulgadas aqui. Na de hoje recomenda-se chegar um pouco mais cedo: por ordem de chegada e respeitando o limite da sala (265 lugares mais três espaços reservados para cadeirantes) haverá distribuição de kits (sacola, camisa, catálogo, bloco, lápis, caneta). A sessão de abertura contará ainda com apresentação do Coral do Presídio Feminino.
Nos últimos dias tenho visto fortemente uma campanha grotesca, sobretudo no facebook, em defesa da redução da maioridade penal e, em tom debochado, perguntas sobre onde estariam os defensores de direitos humanos, que supostamente não aparecem quando as vítimas de homicídios são policiais.
A redução da maioridade penal não é a solução para a violência, nem mesmo para minimizá-la. Começar a condenar severamente adolescentes aos 16 anos despertará, sem tardar, daqui a alguns anos, a vontade de reduzi-la, a maioridade penal, para 14, 12, 10 anos e assim sucessivamente. Em breve, cagar nas fraldas seria crime, passível de punição do bebê.
Os que defendem a redução da maioridade penal são, em geral, contra a política de cotas; é mais fácil punir quem também é vítima que atacar as reais causas do problema. Entupir celas de presídios com jovens a partir de 16 anos faria o sistema penitenciário cumprir ainda menos sua função primordial: a de ressocializar quem passa (e sobrevive) por ali.
Quem defende a redução da maioridade penal também é, em geral, a favor da pena de morte. Ora, já não é o que está acontecendo? Só não aos moldes de filmes americanos, onde se aplicam o fuzilamento, a cadeira elétrica, a eutanásia. Ou, em épocas mais distantes, o enforcamento ou a guilhotina. Em praça pública, de preferência, para aumentar a audiência e servir de exemplo a outros “bandidos”, “marginais”, “vagabundos”, que seriam, hoje em dia, digamos, os usuários de crack com seus olhares vidrados, em qualquer retorno ou semáforo.
Em suma, reduzir a maioridade penal não é solução para nada. Por outro lado, o discursinho fajuto de que “os direitos humanos só defendem bandidos” é pra lá de surrado. Repetido à exaustão por uma mídia que compactua com a opinião de que se deva reduzir a maioridade penal ou instituir a pena de morte no Brasil, agora é copiado indiscriminadamente por quem nem sabe que “os direitos humanos” não são uma entidade abstrata. O que são os direitos humanos? São os direitos de pessoas como este que vos escreve, vocês que me leem, moradores de rua, doutores, padres, policiais “que estão contribuindo com a sua parte para o nosso belo quadro social”.
O que muita gente esquece é que moradores de rua, mendigos e mesmo os ditos bandidos também são gente. Igualzinho a quem preconceituosamente torce o nariz e acha que matar quem dorme debaixo do viaduto é solução. Que acha normal a polícia acordar quem dorme no frio, ao relento, a base de cutucões de cassetetes, chutes de coturno, balas (de borracha ou não) e spray de pimenta.
Sabem por que “os direitos humanos”, no caso, as entidades de defesa dos direitos humanos, aprendam, ó preconceituosos!, aparecem quando um jovem negro é assassinado? Por que em geral as circunstâncias são “misteriosas”, o crime é cometido de forma covarde e brutal e o defunto acabará virando mera estatística, às vezes nem isso. Por ele apenas a família, quando muito, às vezes sem a (in)formação necessária para reivindicar seus direitos, seja a reparação (a vida de um filho, tirada, nunca será recuperada) e/ou a punição do(s) agente(s) responsável(is). Policiais por outro lado têm suas associações, sindicatos, o apoio da mídia, sobretudo a que empunha cassetetes em programas sensacionalistas baratos (apesar dos caríssimos patrocínios), além do corporativismo e da impunidade vigentes.
Uma imagem vale mais que mil palavras. Disse até aqui pouco mais que a metade disso, embora não tenha dito tudo. Resumindo, deixo-lhes o sempre genial Carlos Latuff, que traduz perfeitamente toda a hipocrisia vigente, do sistema, da mídia e dos alienadinhos do facebook.
E por convicção costumo acreditar sempre na possibilidade de mudança das pessoas. Mudança para melhor, é claro!
Como qualquer ser humano comum e imperfeito, reles mortal, também tenho meus dias de acreditar na lei de Murphy, aquela que diz que nada está tão ruim que não possa piorar.
É, sempre pode.
É assim com a blogosfera do Maranhão. Sobretudo o setor que se convencionou chamar “blogosfera suja” ou, no dizer de Márcio Jerry, “boblogosfera”, a blogosfera dos bobos – que de bobos têm nada, são muito é espertos. Embora esperteza não seja, claro, sinônimo de inteligência. Nem de honestidade.
Mas como eu ia dizendo, as coisas sempre podem piorar. Senão, vejamos. Mal saídos de um processo eleitoral para a escolha do prefeito municipal, onde a boblogosfera atuou bastante – quantidade não é, aqui, sinônimo de qualidade –, embora não de forma decisiva, a cidade agora está às voltas com as eleições para a Seccional Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil.
Sim, a cidade. Não digo que o processo eleitoral da OAB/MA em curso deva ou devesse interessar apenas a advogados. Mas daí à boblogosfera entrar da maneira mais desqualificada impossível no debate é um pouco demais.
Há pouco mais de seis meses assassinaram o jornalista Décio Sá, inegavelmente um representante da boblogosfera. Qual este blogueiro, o advogado Luís Antônio Câmara Pedrosa, também blogueiro, limpo e independente, pronunciou-se sobre o crime. E na condição de Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA buscou cumprir seu papel: contribuir para a elucidação do crime e para a punição dos culpados. Não teceu, no entanto, falsas loas ao blogueiro assassinado, de cuja postura discordava, posicionamento que já havia deixado claro, inclusive ao próprio, em vida.
Caso não lembrem, a Assembleia Legislativa não recebeu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, presidida por Domingos Dutra (PT-MA). Pedrosa e sua CDH-OAB/MA fizeram-no. Como de praxe, a boblogosfera procurou desvirtuar os fatos, distorcê-los a seu bel prazer e de acordo com suas conveniências e interesses. Chegaram a pedir até que o advogado blogueiro fosse afastado de suas funções classistas, acusando-o, pasmem!, de racismo. Vejam só, Pedrosa, uma das maiores “autoridades” brasileiras em se tratando de direitos de comunidades negras.
Como quis, à época, interferir na atual gestão da OAB/MA, destituindo-o da presidência da CDH-OAB/MA, a boblogosfera agora quer, por força de suas conveniências e interesses pecuniários escusos, interferir na formação da chapa com que Mário Macieira concorrerá à reeleição para a presidência da OAB/MA.
Querem dizer que houve retrocesso da entidade e particularmente daquela comissão na defesa dos Direitos Humanos, querem transformar Pedrosa em “persona non grata”, querem qualquer negócio para interferir nos resultados das urnas em que os advogados decidirão os rumos da entidade que lhes representa.
A boblogosfera que agora ressente-se de uma infundada por que inexistente omissão da OAB/MA em relação a temas de Direitos Humanos é a mesma para quem comumente Direitos Humanos é apenas o apelido de um cassetete, empunhado em riste, com dizeres do tipo “ó aqui pra bandido, marginal, vagabundo!…”
À boblogosfera faltou apenas pedir o voto ao candidato da oposição, o que não lhes seria demais, dada a cara de pau e empáfia, embora talvez este serviço custe mais caro e possa vir a ser feito num momento futuro, oportunamente. Eu, fosse advogado e votasse no pleito em questão, se não tivesse nenhum outro bom motivo para reeleger Mário Macieira, o faria apenas apostando que certamente sua Comissão de Direitos Humanos continuaria atuante e combativa, com Pedrosa ou quem vier a substituí-lo na função.
Parece que a campanha está apenas começando.
Nada está tão ruim que não possa piorar, repito. A gente morre e não vê de tudo, diz o dito, mas é capaz de a gente ainda vir um dia a ler boblogueiros querendo interferir em eleições para síndicos de condomínios.
O Café com Direitos Humanos, realização do Escritório Brasília da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, lembrará o aniversário do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, completado no último 25 de outubro. Detalhes na página da SMDH.
O cineasta Eduardo Coutinho é o homenageado da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cuja etapa ludovicense acontece entre os dias 25 e 30 de novembro, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Os documentários Santo forte, Cabra marcado para morrer e O fio da memória, de Coutinho, integram a programação, completamente gratuita, que circula por todas as capitais brasileiras. Em São Luís a produção local é de Francisco Colombo. Agende-se: programação completa para a ilha.