“Avisos” em portas de banheiros, num bar, ontem, na Praia Grande.
EM BOAS COMPANHIAS

Aqui, Mayara com Beatles, Itamar Assumpção, Police, Alceu Valença, Quinteto Violado, Sá Grama, Smiths, Cure, Lenine, Mundo Livre S/A, Trio Nordestino, Os Ostras, Comadre Florzinha, Blues Etílicos, Zé Ramalho, Guinga, Ná Ozzetti, Lobão e mais uma pá de gente boa.

E aqui, Mayara, mascote do Clube do Choro Recebe, com o nada menos que genial violonista João Pedro Borges.
BILHETE PREGADO NA PORTA DA GELADEIRA
HOJE
A mídia, provavelmente, só vai se ligar que hoje é dia do motorista e fazer matérias sobre o assunto, certamente apelando para essa baboseira da lei seca.
O MST realiza ato público celebrando o Dia do Trabalhador Rural, hoje, a partir das 16h, na Praça Deodoro. Participação da Banda Filhos de Jah e artistas convidados. Maiores informações: mstma@veloxmail.com.br
AGORA VAI!
O REI DE HAVANA
Para mim, Franz Kafka e Julio Cortázar são os dois maiores escritores do mundo. Além deles, comparo minha condição de escritor censurado em meu país com a de Fiódor Dostoiévski de Crime e Castigo. Ele escreveu esse romance sob a dominação do czar e vivendo no subúrbio de Moscou. Mesmo assim, em vez de fazer um panfleto político, criou uma novela policial, como eu, que em vez de fazer os personagens sofrerem, os boto para trepar.
O escritor cubano Pedro Juan Gutierrez, em entrevista a Ferdinando Martins, na Revista da Cultura. Leia a íntegra aqui.
CAROS AMIGOS,
meu telefone celular (9112-1959) está com um “pequeno” problema: quando abro o aparelho (de flip, eu acho que é assim que se escreve) para atender a uma ligação, o visor pisca uma ou duas vezes e, quase sempre, a ligação cai. Peço que, caso aconteça quando algum/a amigo/a ligar, tente novamente ou ligue para o 8843-0183, outro celular que também atendo. Espero resolver o problema em breve.
Obrigado!
AOS AMIGOS DO RIO
POESIANIMAÇÃO
Em terreno imaginário, quem diria ver letrinhas assim tão juntinhas rimando com dor, flor e lápis de cor. O tempo apressado das horas que a gente não entende. Em cabeça de poeta, criança deveria ter as chaves da porta da frente. Porque lá dentro, vejam só pequenos (e crescidos) leitores, lá na cabeça dos poetas tudo é diferente. Tem explicação dando cambalhota e verdade alugando fantasia.
O Eduardo Rodrigues, que é o dono dessa cabeça cheia de surpresas coloridas, resolveu, um dia, escrever o livro “30 poemas para ler e 20 para escrever” (Editora Alaúde). E alguns deles (e outros novos) viraram poemas animados, desses que descobrem que podem dançar e correr. Para isso chamou o Diogo Pace, que de tanto fazer arte, acabou mesmo ganhando a vida com isso. Adulto é um bicho esquisito. E bacana.
Juntos, eles prepararam cinco novas animações que você pode ver logo mais abaixo. O resultado é a simplicidade brincando com as palavras e as coisas. Todo o tempo. As pequenas ações do dia-a-dia tornam-se matéria-prima para esses clipes–poemas produzidos para a TV Rá Tim Bum e TV Cultura: mídias da modernidade carregadas de delicadezas, provando que a poesia e o universo infanto-juvenil devem, sim, falar a mesma língua. Porque, acreditem, algumas pétalas podem brotar do chão.
*
Gabriela Kimura, escritora, mulher do meu amigo Paulo Stocker, escreveu o texto acima para apresentar cinco poemas animados de Eduardo Rodrigues, que faz o Tulípio com o Stocker. Diogo Pace animou os delicados hai-kais que você lê aqui.
TAMBORES DE LUTO

[A imagem de Mestre Felipe estampa painel gigante quando do tombamento do tambor de crioula como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN, 18/6/2007. Foto: Zema Ribeiro]
Tambores são corações. E como tal podem sofrer uma parada cardíaca. O silêncio fazendo mais barulho que a soma de grande, meião e crivador. Ainda bem que o silêncio não tem cor e as saias das coreiras continuam mais bonitas que ele. O silêncio é triste. Tirando o sono dos recém-nascidos, o silêncio é triste. “Na Vila de São Vicente, o rádio fala toda hora”. Tem hora que o rádio sai do ar.
Uma parelha parada aqui no canto, enfeitando a sala de estar de minha alma. Eu, que já tinha motivos de sobra para estar triste. Órfão, solteiro e gripado no final de semana, ninguém merece. Mas como reza a lei de Murphy: nada está tão ruim que não possa piorar. E o jornal me entra pela janela, agourento.
A foto só mostra o rosto, a indefectível e inseparável boina por sobre a cabeça. Penso no seu corpo encurvado, soma da idade – tinha 84 anos – e lesão por esforço repetitivo, explico: de tanto amarrar o tambor grande na cintura, por entre as pernas, pendia para frente.
A velha da foice, insaciável, já nos deu um bocado de notícia ruim este ano. E não está satisfeita: desta vez levou Mestre Felipe, um dos grandes gênios de nossa cultura popular. Ele ainda viu o tambor de crioula – eram quase sinônimos – ser reconhecido patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN. Ele ainda recebeu flores em vida, como queria/cantava outro mestre, o Prêmio Orilaxé de Cultura Popular. Mas ainda era cedo.
Mestre Felipe faleceu ontem (18), por volta de 20h30min, vítima de parada cardíaca e insuficiência renal; estava internado há quinze dias. Seu corpo será sepultado amanhã (20) em sua São Vicente de Férrer natal, pedido que deixou. “Na Vila de São Vicente, o rádio fala toda hora”. Tem hora que traz péssimas notícias.
GOOGLADA IRRESPONSÁVEL
Eu pensei que São Luís tivesse a exclusividade de contaminar peixes com merda. Explico: antes de embrulhar peixes em feiras, jornais trazem merda na mancha gráfica.
Eu estava enganado. Vejam isso.
Aí eu fui no Google. Digitei “daniel dantas” (em minúsculas e sem aspas) e encontrei esta imagem, logo na primeira referência aos homônimos. Quem é homônimo de quem?
Ah, ‘tá… então ‘tá explicado…
HOJE É SEXTA!

[reprodução arte Convite. Escultura: Wilson Bozó]
Ei, você aí que tanto reclama que São Luís é parada, provinciana, que não tem nada pra se fazer e não sei o que que tem mais. Ó, mais uma para o seu leque de opções, hoje (entre as tantas que já pendurei aqui, ao longo da semana): shows de Cesar Teixeira e Josias Sobrinho no Largo do Teatro Itapicuraíba, no Anjo da Guarda, dentro das comemorações do aniversário de 33 anos do Grupo GRITA, grátis, sobre o que você lê mais aqui.
SE SUICIDOU-SE A SI MESMO
MAIS SEXTA
(OU: QUANDO UMA NOTA VIRA UM POST)
Não chego a chorar, mas casamento é coisa que sempre me emociona. Sábado passado fui no do amigo Anderson, que casava com Suely. Ele, na genealogia básica para o entendimento do leitor deste blogue, vem a ser irmão de Andréia, que namora Salim e por aí segue a quadrilha drummondiana, no caso, com finais (mais no caso ainda, inícios) mais felizes.
Entre cervejas, salgados, comida (ou vocês queriam ler buffet aqui?), bom papo e tudo o mais que rola num jantar de casamento, fiz umas fotos para consumo do casal e de seus familiares. E para um dia mostrarem ao guri (bruguelinho, como Anderson chamou em emocionante discurso antes de cortar o bolo), já encomendado à cegonha.
O natural, em qualquer lugar (e ocasião) onde estejamos bebendo, é este blogueiro ficar aporrinhando Salim. Minha namorada costuma contar a história de um careca amigo do pai dela, que de tanto ser aporrinhado (biscas na cabeça, entre outros “carinhos”, como os que faço em nosso personagem), um dia se vingou: desengatou o carro e o empurrou até uma rua próxima, onde meu sogro não via o veículo. Após muita procura, e já quase decidido a ligar para a polícia, o susto foi explicado e a aporrinhação continuou comendo solta.
Depois de paulinhos-da-viola, marisa-montes e outros discos que levei, Salim resolveu lembrar-se de seus tempos de dj e botou pra rodar um disco com aqueles clássicos de pista que eu nunca sei o nome nem quem canta (vá lá, um I will survive aqui, um It’s raining men acolá, além das coisas do Bee Gees d’Os embalos de sábado à noite), revelando os john-travoltas ali presentes (eles sempre estão presentes quando esse som rola). Uma música emendava na outra e eu mandava, minuto a minuto, um “Dj Salim”, carregando nas últimas sílabas, imitando a voz de djs de radiolas de reggae ou vocalistas de grupos de forró, que chateiam festas a noite inteira anunciando o “dj fulano de tal” ou “a radiola não sei das quantas” ou o “caralho de asas do forró”.
Depois, botei outra alcunha em Milas (o nome de Salim ao contrário) e anunciava para ele e quem mais estava na mesa: “dj Careca!” E nos fotografávamos fazendo caras e bocas e caretas e… epa!… e o papo continuava, divertido.
A semana em que já anunciei várias coisas para amanhã (aqui e no Rio, vide posts abaixo) começou e Salim me ligou: “dá um toque na galera que sou o dj convidado de uma festa sexta-feira [dia 18, amanhã, galera!] na Flamingo (Rio Poty Hotel) e vou botar uns sons good-times, anos 70 e 80. 23h“.
Fiz uma notinha e encaminhei aos amigos, imprensa e mais uma pá de e-mails. Então, o blá-blá-blá todo aí em cima, é só para avisá-los disso. Detalhes: 9969-6984.
TIÃO CHORÃO
[Tião incorporará João e outras facetas, sábado]
[…]
O capitalismo, principalmente quando se trata da relação da música, da arte, ele sai destruindo com muita força, com muita arrogância, é isso que eu sinto, quando tratamos do lado musical, social, cultural. É algo pesado. Por exemplo: é muito comum, esse ano eu não sei, mas eu já observei muitas vezes, por exemplo, em Cururupu, um [grupo de bumba-meu-]boi tradicional fazendo a festa dele, e ao lado, uma “radiola” de reggae com o som altíssimo. E o pessoal do boi cantando, fazendo um som sem microfone e a “vitrola” ali do lado. E as pessoas já não têm mais sensibilidade de pensar “ah!, hoje é dia de São Pedro, dia de São João, dia de São Marçal, dia de Santo Antonio…”, uma festa religiosa que as pessoas têm ali. Se não quisermos entrar no contexto religioso, poderíamos pensar que ainda assim, há ali uma manifestação cultural que deve ser respeitada.
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Cantar João do Vale já é uma denúncia social. É uma coisa muito comum do brasileiro e do nordestino que tende a se perder também com a globalização. O pai Francisco, ele é isso aí, o quê que é o pai Francisco? É uma tragédia, né? É o cara que pega toda essa coisa trágica e traz alegria, brinca com a perda do filho, trapaceia daqui, trapaceia dali e faz a gente rir, mas no fundo o cara tá perdendo um filho.
[…]
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Sobre capitalismo x arte/cultura e João do Vale, trechos de entrevista que fiz com Tião Carvalho em setembro de 2006. Você lê a íntegra no Overmundo e um bonus track neste modesto blogue. Recebido pelo Urubu Malandro [Antonio Vieira (percussão), Arlindo Carvalho (percussão), Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco e Osmar do Trombone], o cantor e compositor, autor de Nós [já gravada por nomes como Ná Ozzetti e Cássia Eller] é o convidado da 41ª. edição do Projeto Clube do Choro Recebe, este sábado.







