LÁGRIMAS POR FAUSTINA


[A Mona Lisa da Praia Grande. Foto: Muriel Lima. A mão que segura o gravador é do blogueiro. Entrevistávamos a personagem para um trabalho da Faculdade de Jornalismo, em equipe que se completava com Andrezza Cerveira. A data que aparece no canto superior direito da foto está errada: a imagem é de 2004 ou 2005, a memória não ajuda]

Eu tenho uma pá de coisas boas sobre o que escrever. Infelizmente, preciso escrever sobre as ruins também. E foi péssimo ter recebido, ainda há pouco, do amigo Gutemberg Bogéa, a triste notícia de que Faustina tinha subido. Fui pego de surpresa e escrevo ainda completamente tomado de emoção. A Praia Grande ganha uma lacuna. A Praia Grande fica vazia.

Há coisas que ninguém nunca conseguirá explicar. A morte, certamente uma delas. E ela chega de repente e leva sem consultar, sem um simples “posso?”. Já era. Nem me venham com “meus pêsames”, “meus sentimentos”… não adianta.

Natural de Alcântara, Faustina Matilde Pereira era resistente comerciante do Centro Histórico ludovicense, onde se confundia, ela própria, com a paisagem. Sentada em uma cadeira no batente do casarão na esquina da Rua do Giz com o Beco da Alfândega, defronte à praça que os boêmios informalmente rebatizaram com seu nome, é essa a imagem que dela quero guardar, junto com seu sorriso.

Cumprimentá-la era como pedir a bênção a uma mãe, profana religião, Faustina era uma deusa. Ou uma Mona Lisa, como cantou Cesar Teixeira em Mona Lisa da Praia Grande, música ainda não registrada em disco. Na Faustina (certos espaços ganham o nome do dono e pronto!) o autor de Flor do Mal realizou um “lava-bruxas”, um dia após o lançamento de seu Shopping Brazil, em agosto de 2004 (com o casarão em reforma e cercado por um tapume, nos espremíamos na outra calçada do Beco, bebendo cerveja tirada de caixa de isopor). Pop(ular), apareceu em videoclipe de Zeca Baleiro: Faustina não precisava de salão de beleza.

Gestos que já lhe garantiriam imortalidade. Mas Faustina não morre, vira azulejo, como decreta Joãozinho Ribeiro, outro poeta-devoto. Nós-todos, santos-sacanas, órfãos de luto e de tantas lutas. Viva, Faustina! Faustina, viva! Faustina, imortal! Faustina, Patrimônio Cultural!

URGENTE!

Comprei a Caros Amigos de maio e, apesar da recomendação de urgência de Tom Zé, ela ficou ali, vacilando entre uma Trip e uma Piauí e outras que eu ia deixando pra depois, tanta coisa por fazer, sempre. Eis que numa pausa entre uma coisa e outra, li, dum tapa, a entrevista com o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, densa e mágica, como o pessoal da revista mesmo cunhou, certeiramente.

No site da revista você pode ler uns trechinhos. Aqui, selecionei outro, que a vontade é de transcrever para cá a entrevista na íntegra. Não deixem de conferir, nem de multiplicar. E urgentemente, como nos recomenda o gênio de Irará.

*

[…]

VINÍCIUS SOUTO Como o pessoal de fora enxerga sua experiência no Brasil? O pessoal está atônito. Quando apresentei o projeto de Natal em Davos, na Suiça, em janeiro, foi curioso. Estava do lado de colunistas, um deles famoso aqui, ouvindo gente falar do Brasil o tempo inteiro, ia no computador na manhã seguinte, abria nos jornais de São Paulo e ninguém falava nada. Vi um economista argentino falar bem do Brasil. Chorando, emocionado, “é um exemplo, é um país que está dando um show”. No dia seguinte, não tinha uma palavra. No meu dia, vou falar sobre um projeto educacional, mostrei: “A ciência não é só para ser feita em universidade, ficar em prédio fechado, é para se abrir para o mundo.” Tinha acabado de sair uma carta que assinei com o presidente, primeira vez que um presidente de qualquer país assinou um editorial na Scientific American.

MYLTON SEVERIANO Quem? O Lula? É. Não saiu em lugar nenhum. Estava na capa da maior revista de ciência do mundo, o presidente, o ministro da Educação, se comprometendo a levar o currículo de educação científica infanto-juvenil desenvolvido em Natal para 1 milhão de crianças brasileiras. Mostrei as crianças montando robô, usando telescópio, medindo lua de Júpiter.

MYLTON SEVERIANO Lá em Natal? Em Macaíba, na periferia de Natal. Foi um choque. Mas só fora daqui saiu nos jornais, saiu na Scientific American, na Science, na Nature, nas grandes revistas do mundo.

ROBERTO MANERA Qual é a parte da grande imprensa nisso? Ah, omissão. Cheguei à conclusão que hoje no Brasil é difícil falar bem do Brasil. Existe uma cultura de se confundir o país com quem está no governo. E a gente não pode contar boas notícias. É uma coisa meio assustadora, não consigo entender.

MYLTON SEVERIANO Porque o presidente não é doutor? Pode ser. Mas acho que o buraco é mais embaixo: não podia dar certo. O governo dele tinha de ser o pior da história do Brasil. E se você analisar os fatos friamente e objetivamente, não é. Se você passar duas semanas no interior do Rio Grande do Norte, da Paraíba, é outro Brasil. A gente respira aquele país que, quando eu era criança, me diziam que nunca seria possível se fazer. [Nesse momento Nicolelis chora] E é chocante, você só consegue falar sobre isso fora daqui. O Brasil, de certa maneira, carrega hoje a responsabilidade de ser uma das poucas boas esperanças do mundo. De preservar seu ambiente, construir um país honesto, que cresça não à custa de outro, mas à custa do seu próprio trabalho, um país que tem uma democracia explodindo, não? Eu coloquei na minha porta na Universidade de Duke: 95 milhões de votos contatos em quatro horas. Qualquer semelhança é pura coincidência. Eu me tornei mais brasileiro vivendo fora daqui. E acho inconcebível que nossas crianças cresçam sem apreciar a diferença entre patriotismo barato e verdadeiro amor pelo Brasil. Têm direito ao acesso à informação legítima, honesta e limpa. Para saber que país é, quais são os problemas, mas quais são as maravilhas do Brasil… [chora novamente]. Tem duas piadas que me deixam possesso. Uma é quando alguém fala, aqui, que “isto é coisa de primeiro mundo”. Que primeiro mundo? E a segunda é que “Deus criou esse maravilhoso país, mas deixa ver o povinho que vou pôr lá”. É o ranço do coronelismo. É inserir no genoma nacional o complexo de inferioridade. O Santos Dumont não pensou que não era do primeiro mundo quando voou, não pensou no “povinho”, ele foi e fez. E acho que o que nós não sabemos é que existem milhões de outros Brasis que estão se fazendo lá em Resende, em Lages, no Seridó, no sertão da Paraíba, em Soares, em lugares que a gente nem considera como parte da gente. E aqui nós não apreciamos isso.

[…]

DOIS E-MAILS

Anteontem colei cá no blogue um bate-papo de msn. Hoje colo dois e-mails.

O primeiro, do amigo Glauco Porto Barreto, recomendando a este blogueiro e a Gildomar o show da Mônica Salmaso:

From: glauco barreto glauco.barreto@gmail.com
Date: 2008/6/5
Subject: Monica Salmaso e Pau Brasil – Notas sobre Show
To: Zema Ribeiro zemaribeiro@gmail.com
Cc: “gildomar@bnb.gov.br” gildomar@bnb.gov.br

Amigos Zema e Gildomar,

Se vocês confiam no gosto musical desse amigo que lhes escreve agora, não percam, por nada que não seja absolutamente inadiável ou substituível, o show de Monica Salmaso com o grupo Pau Brasil, que deve ocorrer em São Luís amanhã e depois (Teatro Arthur Azevedo, 20h), segundo o site daquela divina cantora: http://www.monicasalmaso.mus.br/new/Paginas/frameset%20agenda.html

Ontem assisti à edição desse espetáculo no Teatro Nacional, em Brasília, e ainda estou em estado de graça. Genial! Cada um dos músicos é, individualmente, referência nacional em seu instrumento (exceto, talvez, o baterista, que também é maravilhoso). E a generosidade é a marca de seu conjunto, numa integração perfeita entre músicos sensíveis e extremamente talentosos, em que cada um silencia, vez por outra, prol dos demais, e ninguém parece ter a preocupação de sobressair. Por isso, desde 1986 tenho no Pau Brasil modelo de grupo instrumental.

Pensei escrever a todos os amigos de gosto mais apurado para a música o seguinte: espero que vocês ainda possam assistir a muitos bons shows, mas, se tiverem que escolher apenas um e optarem por ver Mônica Salmaso com o grupo Pau Brasil, terão feito excelente escolha!

É essa minha mais sincera impressão.

Um grande abraço!

Glauco Porto

*

O outro, de Ricarte, encaminhando-me a recomendação do blogueiro Bruno Batista, para uma entrevista que este havia feito com Léo do Bar:

From: Ricarte Almeida Santos ricochoro@hotmail.com
Date: 2008/6/5
Subject: FW: entrevista com o léo
To: “ribeiro, zema” zemaribeiro@gmail.com, “do Choro Recebe, Clube” clubedochorodomaranhao@gmail.com

olha aí zema, blog do bruno, com uma excelente entrevista com léo do bar.

blz, boa novidade.

falou. e o teu conjunto novo? o conjuntivite?

ricarte, engraçadinho não?

Date: Wed, 4 Jun 2008 09:40:50 -0700
From: br_batista@yahoo.com.br
Subject: entrevista com o léo
To: ricochoro@hotmail.com

Salve, Ricarte! Tô te mandando o link do meu blog com a entrevista que fiz com o Léo. Rolou até um videozinho. Viajei pra Teresina no dia seguinte àquele que vc me ligou e ainda não pude passar lá pra pegar o Cd. Devo fazer isso hoje e o Choro Pungado vai ser assunto do blog logo, logo, pode contar.

Abraço grande, meu irmão!!

http://oimparcial.site.br.com/blogs/bruno/

MOVIOLA

A jornalista Elis Galvão, com quem havia feito contato quando do lançamento de O Dia Mastroianni, do João Paulo Cuenca, me mandou um link, via msn, como quem não queria nada. Pedia que eu desse uma olhada na Revista Moviola, para onde ela havia entrevistado o moço, autor também do aclamadíssimo Corpo Presente.

Entre a conjuntivite, textos por revisar, textos por escrever e outras coisas, resolvi dar uma pausinha e seguir a recomendação da moça. Valeu a pena! Li, em várias tacadas, entre intervalos das coisas que me deixavam os olhos mais vermelhos ainda (ontem à noite eu andava de óculos escuros, tentando minimizar os riscos para os que estavam comigo), a entrevista com o Cuenca, partindo dela para uma com o Galera e daí a um texto sobre o Hunter S. Thompson (figura que me será útil na mono).

Apesar do nome — Elis me ensinou que moviola é um aparelho antigo para se ver fotogramas de uma película cinematográfica –, a revista não é especializada em cinema.

Merece destaque aqui, um outro texto dela na Moviola: Antonia de Thuin, neta de Odylo Costa, filho, está com um livro prontinho, de cartas do avô, ilustre maranhense que batiza Centro de Criatividade na Praia Grande. No corpo da matéria é possível ler, por exemplo, o manuscrito de uma carta que lhe foi enviada por João Cabral de Melo Neto, em 1966. O tipo de “trivialidades” que me interessam. Alguma editora aí/aqui se interessa?

Certamente há mais por descobrir entre os rolos da publicação virtual. Escarafuncharei com a devida atenção e recomendo aos poucos mas fiéis leitores deste blogue fazer o mesmo.

*

Caso algum destes mesmos poucos mas fiéis leitores não tiver, por acaso, acreditado no que escrevi sobre Fhátima Santos, posts abaixo, pode tirar a prova aqui.

PARTE QUE SE DESCARTE

zema diz:
tu não me ama mais
– Mariana diz:
quê?
– Mariana diz:
haha
zema diz:
já sacou, né?
– Mariana diz:
saquei o quê?!
zema diz:
o porquê disto
– Mariana diz:
não saquei haha
zema diz:
blogue novo e nem avisa, pow
zema diz:
já re-linkei
zema diz:
e já vou avisar a turma
– Mariana diz:
eu ACABEI de fazer hehe, eu ia mandar
– Mariana diz:
aliás, eu entrei no seu hoje haah
zema diz:
tá! eu acredito
zema diz:
ahah
– Mariana diz:
vou te linkar
– Mariana diz:
entrei no seu pelo do marcelino freire
zema diz:
figuraça. bebemos juntos uma vez, aqui em são luís. minha raiva: ‘tava sem minha máquina fotográfica…
– Mariana diz:
ahh ele deve ser superlegal
– Mariana diz:
ele é foda, cara, escreve bem pra burro
zema diz:
demais, demais
zema diz:
é sim, superlegal…
– Mariana diz:
=)
zema diz:
vou avisar a turma, pois
zema diz:
e vê se não some
zema diz:
nem para de escrever
– Mariana diz:
pararei nao!
zema diz:
vou ficar no calo
– Mariana diz:
haha beleza
zema diz:
vou entender isso como uma promessa
zema diz:
e promessa é dívida
– Mariana diz:
haha ok
zema diz:
nem me demoro hoje. uma conjuntivite me tirou de aula, trabalho, o escambau.
zema diz:
até o aniversário dum amigo tive que faltar.
zema diz:
só vou avisar a turma de teu retorno e me vou
zema diz:
abração!
zema diz:
e bem vinda de volta
– Mariana diz:
obrigadaa! =))
– Mariana diz:
bjs

*

Bati o papo acima com a amiga Mariana Bradford, há pouco, via msn. Um viva!, ela voltou a blogar. Estudante de comunicação carioca, é figura que tem o que dizer. Vida longa ao novo link aí ao lado.

*

O amigo de que falo, que aniversaria hoje (3), é Salim. parabéns, amigo! Vida longa a você também, e perdoe a falta. O motivo ‘tá exposto aí no papo. Te devo uma cerva! (Ê, seu porra!, as cópias ‘tão prontas). Abração!

DUAS ESTRÉIAS

Que, de certa forma, noticio aqui tardiamente. Nunca é tarde, nunca é tarde, repito, como a querer convencer-me.

1. Lena Machado no MySpace. Grata revelação da música brasileira, em vias de gravar seu segundo disco, a maranhense mostra o que anda aprontando. Se, depois do MySpace, você quiser mais, é só aparecer sábado no Chico Canhoto e vê-la/ouvi-la, ao vivo, entre os canjeiros.

2. O Ombro Amigo, Consultório Sentimental, blogue no site da Revista Trip. Nina Lemos e o sempre impagável Xico Sá recebem as queixas de dores, dúvidas e outros males (e mares) de amores, reprocessam e dão conselhos sérios aos que os procuram por lá. Acesse e, se for o caso, escreva.

ESTRANHÍSSIMA COINCIDÊNCIA

Via msn, o jornalista Rogério Tomaz Jr. me avisa, de Brasília/DF, que João Pedro Stédile está dando uma entrevista na TV Band. Instantes depois (pouco depois de 23h30min, horário de início do Canal Livre), quando o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra diz algo sobre a hidrelétrica de Estreito/MA, a emissora sai do ar, de forma estranha. Não conformado com a tela azul, ligo para a TV Maranhense, retransmissora da Band aqui, e falo com um funcionário da portaria, que me diz algo sobre “problemas técnicos no sistema”. Pergunto a previsão para a volta ao ar, e ele me diz que “daqui a algumas horas”. Isso me cheira a sabotagem, censura ou algo parecido. É, no mínimo, uma estranha coincidência.

[Novidades sobre o caso na caixa de comentários, abaixo. Quem tiver contribuições, escreva lá, por favor]

ONTEM


A presença (de palco) de Fhátima Santos.

Não lembro o crédito da foto, se meu ou de Venas (como chamamos Vinícius, que ontem voltou a cortar os cabelos), e, vá lá, a imagem não ‘tá lá essas coca-colas, essas brastemps, mas a cantora Fhátima Santos (alagoana radicada no Ceará) arrebentou ontem, em mais uma edição do Projeto Clube do Choro Recebe. O genial João Pedro Borges era um dos muitos que elogiavam-lhe a voz e a presença de palco.

No clique, Fhátima aparece com o acompanhamento de Serrinha de Almeida (flauta), Léo Capiba (pandeiro), Luiz Cláudio (percussão) e Francisco Solano (violão sete cordas), o que me faz pensar que a foto é de Venas mesmo, já que eu (acho que) não teria cortado da imagem o pianista Tito Freitas, amazonense que acompanhava a cantora nas três apresentações que ela fez por São Luís — do Chico Canhoto, ontem, ela ainda seguiu para o Dom Calamar.

Aliás, o Clube do Choro Recebe manteve os níveis, qualita e quantitativo, já que ontem tinha várias concorrências: show de Rosa Reis no Circo, de uma carioca cujo nome me foge à memória no Armazém (ela “seqüestrou” parte da formação do Choro Pungado: João Neto [flauta] e Robertinho Chinês [bandolim e cavaquinho] deixaram a apresentação para tocar com a cantora da Lapa, após canja dela no Canhoto), de Djalma Chaves e uns italianos no Arthur Azevedo (que “seqüestrou” Rui Mário [sanfona], outro pedaço do Pungado), além (mamãe, por exemplo, não foi por isso) do capítulo final de Duas Caras, novela global.

Posto ao som de Homenageando amigos, disco independente de Fhátima Santos que comprei fiado (valeu, Ivo, segura!), após uma interrupção na audição do Chorinhos e Chorões por conta de uma falta de energia elétrica onde moro. A “luz” voltou a tempo de eu ouvir Ricarte Almeida Santos tirar as palavras de minha boca e dizer algo como: “Não dá para entender como o Ceará tem uma cantora assim, uma voz dessa, e nós, aqui, só ouvirmos falar daquelas bandinhas medíocres de forrós de chulos repertórios”.

[No meio do post a energia elétrica faltou novamente. Menos mal, o blogger salvou o que eu já tinha digitado.]

HOJE

Desfalcado de Luiz Jr., que viajou com Chiquinho França e será substituído por Jayr Torres, o Choro Pungado faz sua primeira apresentação desde que formado. No Overmundo você sabe mais sobre a recepção que o grupo fará à cantora Fhátima Santos (alagoana radicada no Ceará) e ao pianista amazonense Tito Freitas, logo mais, no Restaurante Chico Canhoto. Certamente, nas canjas, Lena Machado irá cantar. Músicas gravadas por ela e do grupo anfitrião da noite, vocês ouvem em seus MySpaces (ô troço que soa mal!: seus MySpaces…), clicando nos links deste post.

POR CAUSA DE UM SHOW DE CHICO CÉSAR MATOU OS DOIS HORÁRIOS DE AULA*

O Quinteto da Paraíba virou sexteto e com a estrela principal da noite, Chico César, vimos e ouvimos sete – conta de mentiroso, é o que se diz no Nordeste – homens quebrando as linhas tênues que se impõem entre música “erudita” e a música “popular”. Ouvimos simplesmente música. Mas não música simples.

Sem caneta e bloquinho à mão – tenho procurado relaxar fora de ambientes de trabalho – não anotei nomes da metade do sexteto (e para não ser deselegante com a outra metade, não cito quem lembro “de cabeça”), agora com percuteria (lembro da piada, mas se não for o próprio Chico contando, não tem graça), modificado desde o disco que dá nome ao show: De uns tempos pra cá, música belíssima que ofereci ao casal amigo, ao lado, Andréia e Salim, que dividiu mais este agradável momento conosco, a quem meio que auto-ofereci Por que você não vem morar comigo?, brega que eu já tinha dedicado a Graziela numa coletânea que gravei por ocasião de algum aniversário de namoro.

Por demais asséptico, o ambiente do Centro de Convenções Governador Pedro Neiva de Santana, climatizado até, não permitia cervejas e fiquei imaginando como seria tomar umas com Chico César, ele de humor sutil e refinado no palco, contando causos, cantando e recitando versos de seu Cantáteis – Cantos elegíacos de amozade, longo poema lançado em livro (e depois em disco, com o próprio declamando) mais ou menos na mesma época do disco que batiza o show do Projeto MPB Petrobrás, ontem (27) aberto pelo maranhense Daffé.

O repertório variou entre músicas de De uns tempos pra cá, de seus discos anteriores e do próximo – já à venda no sudeste do país: “A semente é aqui no Nordeste, mas o fruto é lá”, disse o compositor criticando a dinâmica mercadológica. Em Outono aqui (sua versão para Autumn leaves, de Joseph Kosma, Jaques Prevert e Johnny Mercer), ele jogou o chapéu no chão, feito flor ou folha que cai, como manda a estação. Em Mama África – música que seria novamente cantada no bis, de pé, por todas as almas que lotavam o espaço – girou o pé por sobre o chapéu, feito um pedalante Robinho. Em Mulher eu sei, fez ouvir o coro: “Agora só os rapazes”. Depois de Pensar em você, contou a história de mais uma música feita para – e não gravada por – Roberto Carlos. “Mas uma grande cantora daqui, chamada Rita Ribeiro, gravou e fiquei muito contente”, confessou. Sozinho ao violão, desfilou ainda, entre outras, Onde estará o meu amor?, já gravada por Maria Bethânia. Sem se importar com a ausência de uma sanfona ou pandeiro, ainda mandou forrós, cocos e passeou pelos repertórios de Djavan e dos Gonzagas, Luiz e Carlos, sim, o da versão brega em português de Diana (versão de Fred Jorge para a música de Paul Anka). Quase ao final, mandou Pelado, do a ser lançado em breve Francisco Forró y Frevo, música que tira uma onda com freqüentadores de micaretas e “usuários” de abadás em geral.

No bis, Filme triste (versão de Romeu Nunes para música de John D. Lourdermilk) – clássico jovem-guardesco gravado por Chico César nalgum tributo ao “movimento” que tornou conhecido o “rei” – e Odeio rodeio, parceria sua com Rita Lee. A depender da letra da primeira faixa de seu Compacto e Simples, o paraibano nunca irá à Paraibano/MA.

[*Por causa de um ingresso de um festival matou roqueira de 15 anos é título de uma das faixas de De uns tempos pra cá. O blogueiro faltou aula ontem para ver o show]

PQP

O I Encontro de Pontos de Cultura do Maranhão – será realizado no auditório do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, em São Luís, na próxima sexta-feira, dia 28 de setembro. Tem como objetivo fortalecer, avaliar e proporcionar trocas de experiências com todos os Pontos de Cultura da região.

*

Passei mais de meia semana sem ler jornais, “férias” “forçadas” que me dei. Perdi quase nada, creio. Acima, com grifos do próprio jornal, nota na página 4 d’O Debate de domingo/segunda-feira, 25/26 de maio de 2008. A data a que eles se referem é, por incrível que pareça, 28 de setembro do ano passado. Sobre este encontro, como anuncio aqui, escrevi aqui à época.

*

CQC

Finalmente ontem consegui assistir o programa do Marcelo Tas e companhia. É, atualmente, um dos melhores programas da, sim, ela existe, tv aberta brasileira. Segundas, às 22h, na Band.

*

Manchetes do Jornal Extra

da mesma data d’O Debate acima, grifos nossos:

Capa: Bandido estupra e mata doméstica com 12 facadas. População revoltada linchou e matou o miserável.

Página 7 (TV e Serviços): Júlia Paes fecha saboaria e entra no ramo de derrubar madeira.

*

Preciso passar mais tempo sem ler jornais. Não sei se necessariamente vendo mais tv…

TRÊS VEZES NAZARETH

Ernesto Nazareth é um dos mais geniais compositores brasileiros em todos os tempos. Aos caros leitores deste blogue, três momentos de sua obra:

Aqui, em trilha sonora de desenho da Disney, com o clássico Apanhei-te cavaquinho.

Aqui, interpretado por Yamandu Costa. Brejeiro no filme Brasileirinho (Mika Kaurismäki)

E aqui, apresentado pelo genial Tom Jobim, o genial Radamés Gnattali executa a sensacional Odeon.

AS COISAS ACONTECENDO POR AÍ

(Ou: Da série Bloco de Notas)

*

Ocuparte

A partir da realização do IV Fórum Municipal de Cultura de Imperatriz (MA), a turma daquela cidade está incendiando o setor cultural. É claro que há quem ache graça em instalações com penicos cheios de merda, “oh!, que maravilha! isso é arte!”. Mas é melhor tornar um espaço, uma biblioteca, que havia virado mero depósito de merda, em um espaço de uso público (como deveria ser sempre e nunca ter deixado de ser). A turma do Movimento Ocuparte fez isso: ocupou a sede da antiga biblioteca de Imperatriz e está fazendo arte. Todo o apoio deste blogue ao que a turma vem aprontando. Saiba mais clicando aqui.

Clube do Chico

Do Choro falarei mais abaixo, é Clube do Chico mesmo. Show de Marconi Rezende no Clube do Jipe, hoje, a partir das 22h. Eu havia ficado de fazer um trabalho de divulgação melhor, ajudar o cabra que, apesar de ser conhecido por essa faceta, é bem mais que um cover do autor de A Rita. Uma viagem a trabalho, de última hora, embolou aqui o meio de campo. Mas ‘tá dado o recado. O Clube do Jipe fica na Rua do Peixe Pedra, s/nº., Calhau (próximo à Igreja Católica). O couvert custa R$ 7,00 e no local serão vendidas camisas por R$ 15,00. Maiores informações: (98) 8822-6206, 8822-2001.

Recital

Também hoje, às 19h, com entrada franca, no Auditório da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa, acontece Recital de Violão com o professor Victor Castro. Participações especiais de Ricciere Zorzal (professor da UFMA) e Marcelo Moreira (Diretor da EMEM). O repertório da apresentação será variado, “de Bach a Bellinatti”, afirma o músico português radicado em São Luís.

Milla e(m) Bom Tom

Milla Camões e o Quinteto Bom Tom aproveitam a véspera de feriado para fazer um show hoje (21), às 20h, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama, palco do, vocês já sabem, Projeto Clube do Choro Recebe). O repertório transitará entre a mpb de Milla e temas instrumentais do Bom Tom, entre o jazz, a bossa-nova e o choro. O couvert custa R$ 5,00. Maiores informações: (98) 3252-1219.

O samba e a canção

É o nome do show que o cantor Celso Brandão apresenta, acompanhado do Regional Samba Choro e da Orquestra de Câmara da Escola de Música do Maranhão, dia 22, às 20h, no Teatro Arthur Azevedo. Participações especiais de Mundinha Araújo e dOs Foliões. Os ingressos custam R$ 10,00 e a renda do show será destinada à Casa Sonho de Criança e Associação do Lesado Medular (ALM).

Clube do Choro Recebe

Sábado, completando 33 edições, com o grupo Chorando Calado (Tiago Souza: saxofone e clarinete; João Eudes: violão; Wendell Cosme: cavaquinho; e Paulinho Sabujá: pandeiro) recebendo o cantor e compositor Beto Pereira. Para mais, clique aqui.

Dente de ouro

Título de um de seus maiores clássicos e de seu mais recente disco (CPC-Umes, 2005), Dente de ouro é o show que Josias Sobrinho e banda apresentam no sábado (24), no Teatro João do Vale, às 21h. Os ingressos custam R$ 15,00 e serão vendidos somente no local. A produção é de Ópera Night.

MPB Petrobrás

De uns tempos para cá. O cantor e compositor Chico César acompanhado pelo Quinteto da Paraíba apresentam o show do excelente disco homônimo. Dia 27 (terça-feira), às 20h. No Centro de Convenções Governador Pedro Neiva de Santana. Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia). Show de abertura: Daffé.

Inveja


Divulgação. Clique sobre para ampliar.

No caso, a minha, dos que forem ver/ouvir a grandessíssima Ceumar neste tão importante e certamente bonito momento.