PRESSA?

O Imparcial (e, vá lá, outros jornais ilhéus) de domingo pode ser comprado a partir do fim da tarde de sábado nos retornos das avenidas da capital. No mesmo horário, assinantes também começam a receber em suas residências o jornal de amanhã (ou de hoje?). A “pressa” talvez “explique”:

“A história de Mestre Antônio Vieira, de 88 anos recém-completados no último dia 8, se confunde com a da música do Maranhão.” [o início do primeiro parágrafo do texto, não-assinado, “Mestre até no nome“, na página 15 d’O Imparcial de hoje (18). Ou de ontem?].

“Nascido em São Luís no dia 09 de maio de 1920, a música parece ter nascido com Antônio Vieira.” [início do segundo parágrafo do mesmo texto, grifos nossos].

A segunda é a data correta. A “pressa” talvez “explique”.

JUIZ SUSPENDE SHOW COM BANDA NO ANIVERSÁRIO DE PEDREIRAS

O juiz Douglas de Melo Martins, da comarca de Pedreiras, determinou a suspensão de show, programado para a quarta-feira, 14, em comemoração pelo aniversário da cidade. A principal atração do evento, organizado pela Prefeitura da cidade, seria a banda de forró “Limão com Mel”.

O magistrado acatou medida cautelar do Ministério Público Eleitoral da comarca, assinado pela promotora Maria do Socorro Barros, que acusava o prefeito de Pedreiras, Lenoilson Passos, de abuso de poder político e promoção pessoal. Segundo o juiz, no pedido, a promotora apresentou como provas do crime eleitoral praticado, a gravação de um CD em que a Prefeitura convidava a população para o show e na qual o nome do prefeito é citado várias vezes.

Inicialmente insatisfeitos com a decisão judicial, muitos moradores se dirigiram ao Fórum de Pedreiras para protestar. Numa atitude inesperada, o juiz Douglas Martins desceu do gabinete e explicou a eles quais os motivos que o levaram a conceder a suspensão do show.

Dor e consternação – O juiz argumentou que Pedreiras e cidades circunvizinhas sofrem com as chuvas, que deixaram milhares de desabrigados na região. Os governos federal e estadual continuam enviando recursos para ajudar as vítimas e a população se mobilizou em campanhas de solidariedade.

“O momento não é propício para festas. É uma hora de dor e consternação para milhares de cidadãos. Como é que se vai permitir gastar tanto recurso público num momento desses?”, questionou. Ele acredita que uma festa desse porte poderia até desmotivar os órgãos de governo e cidadãos a continuar a ajuda aos desabrigados. “Iria passar a idéia de que, se a Prefeitura tem recurso para gastar com festa, tem também para ajudar sozinha as vítimas das enchentes”. O cachê da banda “Limão com Mel” é estimado em R$ 40 mil. As justificativas acabaram convencendo os pedreirenses, que aplaudiram a decisão do juiz. Douglas Martins esclareceu que o despacho foi baseado na legislação eleitoral.

[Jornal Pequeno, 16 de maio de 2008, página 12, grifos nossos]

*

Só fui ler hoje esta matéria de ontem, por isso ainda não havia repercutido por aqui. Penso que, independentemente de enchentes, secas, chuvas e sóis, isso deveria acontecer mais vezes aqui no Maranhão, no Brasil.

Pra quê, na terra de João do Vale, este parabéns a você? O maranhense do século XX deve, depois de ter se revirado no túmulo com a possibilidade, descansar aliviado, agora.

NAS NEGRAS

[…]

Será nosso caráter cordial? Não, não. É burrice empresarial. Pra mim é muito claro, porque o público quer ousadia. Tem outro componente que a gente não pode se esquecer: a maior parte das concessões de TV no Brasil, especialmente fora da matriz das emissoras principais, está nas mãos de políticos. Você sai de São Paulo, Rio e Rio Grande do Sul, tudo nas mãos de políticos. Na Bahia, no Maranhão, a TV e o principal jornal estão nas mãos da mesma família há 40 anos. Pra que o cara quer ousadia naquela vida mansa?

[…]

Nessa onda do atrito do real com o ficcional, o jornalismo virou uma coisa novelizada, né? Pega esse caso Isabella, por exemplo, a grande comoção nacional… Mas não é privilégio brasileiro. Essa comoção diante de um ato violento é porque a gente fica tentando entender a morte. A gente tenta adiar a morte, com silicone, photoshop [risos]… No mundo limpinho não pode morrer, vai ficar um cheiro ruim… E é uma luta inglória [risos]. A gente vive de uma maneira blindada, usa camisinha pra sair de casa, mas não está protegido nunca. A vida que vale a pena ser vivida é a vida com riscos. Se sua vida não tiver alguma ousadia, não tem a menor chance de você ser feliz. Recebo milhões de e-mails de estudantes que me procuram para saber como ter uma vida sem risco: já querem um estágio para fazer algo que vai dar certo, dar uma aposentadoria legal, um plano de saúde e o décimo quinto salário…

Já com 16 anos? Respondo: você quer o quê? Um plano pra ser infeliz? Pra ser traído pela sua mulher quando ficar rico? É uma loucura! Já estraguei muitas carreiras de mauricinhos [risos], porque não adianta: é evidente que você vai ser infeliz se colocar como meta ficar rico. Coisa que aliás é muito fácil – você pode ser traficante, gigolô, deputado federal ou vereador ou, enfim, se você resolver… Sem desmerecer os parlamentares nem os traficantes [risos]… Agora, o que há de divertido nisso?

[…]

Você é procurado pelos jovens para falar sobre vocação? Muito! “Tas, entendo tudo isso que você fala no seu blog, gosto do programa, mas estou aqui em Tocantins, meu velho, como vou fazer isso aí?” Aí você tem que falar pra essa molecada que a vida é igual a uma cebola: você arranca uma casca e depois outra. Eu descobri que deveria fazer o CQC lá em Ituverava, quando me juntei a certo tipo de amigos… Aqueles amigos me levaram a outra coisa, que me levou pra outra. Tem gente que quer dar saltos triplos: “Você não pode me apresentar alguém na Bandeirantes ou no UOL?”. Não é assim. Sua vida vai mudar de acordo com a pessoa que está sentada em sua frente ou ao seu lado, sua namorada, seu amigo, alguém que você esbarra na rua, não é um telefonema pra Nova York que vai ajudar. Você tem de estar ligado no presente – coisa que a gente não consegue. O mundo hoje nos impede de viver o presente, a gente está sempre muito acelerado.

[…]

*

Trechos da entrevista de Marcelo Tas a Ronaldo Bressane nas Páginas Negras da Trip de maio, já nas bancas, que pode ser lida aqui.

A BESTA FERA

[colando o e-mail que recebi da Gisele Vasconcelos. A legenda da foto é minha, risos. Vou lá amanhã]


Ethel Aragão: Maria interpreta Maria

TEATRO

A BESTA FERA – biografia Cênica de Maria Aragão. Aos domingos. Dias 18 e 25 de maio, às 20h no Auditório do Memorial Maria Aragão. Solo com Maria Ethel. Direção: Gisele Vasconcelos. Produção: Cia. de Produção e Grupo Xama Teatro. Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia).

RELEASE

O espetáculo A Besta Fera é uma peça teatral, que trata da vida da maranhense Maria José Camargo Aragão (1910-1991), a conhecida Maria Aragão. Sua história de pobreza extrema em busca da superação da fome, do preconceito, da agressão e na perseguição do sonho de libertar a humanidade. Através da conquista de uma profissão, a medicina, Maria Aragão entrega-se, apaixonadamente, às causas sociais, lutando por uma sociedade justa e igualitária. Desse modo, torna-se uma revolucionária, ícone do humanismo. Esta montagem, solo da atriz Maria Ethel, cuja performance cênica arrebata a emoção e faz pensar, mostra Maria Aragão como símbolo de luta e lição de vida. O texto da peça foi escrito a partir de depoimentos históricos de Maria Aragão e de fatos reais de sua vida.

FICHA TÉCNICA

ATRIZ: Maria Ethel
DIREÇÃO: Gisele Vasconcelos
TEXTO (org.): Gisele Vasconcelos e Maria Ethel
DIREÇÃO MUSICAL: Cesar Teixeira
ILUMINAÇÃO: Wagner Heineck
CENOGRAFIA: Ruber
SONOPLASTIA: Renata Figueiredo
FIGURINO E MAQUIAGEM: Marcelo Nascimento
FOTOS: Paulo Socha

MAIS PUNGAS

(OU: MYSPUNGAS)

A turma do Choro Pungado já subiu mais três músicas no Myspace (no caso, o space deles). Agora, portanto, é possível ouvir (na ordem) as seis faixas do primeiro cd-demo deles (João Neto, flautas; Luiz Cláudio, percussão; Luiz Jr., violões de seis e sete cordas e viola caipira; Robertinho Chinês, bandolim e cavaquinho; e Rui Mário, sanfona), cuja capa abre e ilustra este post e pelo que a turma agradece imensamente à Fábrika, que operou milagres, entre a pressa e o bom gosto.

A fusão de choro com ritmos da cultura popular do Maranhão é o ponto forte do trabalho. É incrível ouvir, às vezes na mesma música, choro, lelê, divino, tambor de mina, tribo de índio… É de arrepiar, por exemplo, o Medley Nazareth Severino — como está batizado, no Myspace da turma, por conta do limite de caracteres e restrições outras — o pot-pourri de Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth) e Espinha de Bacalhau (Severino Araújo).

É tanto para dizer que já nem sei mais o que escrever. O grande lance é ouvir mesmo. E tirar suas próprias conclusões. É hora de se arrepiar!

WADO

Não, pessoal. Não confundam com o cantor que mamãe gosta, o Wando. Estou falando do Wado, catarinense de nascença, ora na ponte entre Sampa, Rio e Alagoas, esta sua segunda terra, adotiva, onde está já há mais de vinte anos.

Topo com ele no msn e comento com um primo que está morando conosco de que nos encontramos uma vez no Rio, eu e o artista etc. E corro ao monte de cds para pegar o Cinema Auditivo, que não lembro em que milagre comprei aqui mesmo em São Luís, há uns bons anos, provavelmente influenciado por alguma nota do Bressane na Trip. O moleque me apressa: quer ver um filme, outro. Três músicas, negocio. Começo com Cenas de um filme inglês (Paulo Ró e Totonho):

faço questão de te ter aqui
apesar de não me quereres mais
meu coração de jasmim avulso
tá embrulhado pra você no cais

chocolate em minha xícara
no caminho dos teus lábios
o navio anunciando
que estamos separados
se algum dia você volta
minha casa não terá cerveja
beberemos do sorriso
que não está nesta mesa.

Corro ao site do cabra, que faz show dia 25 em São Paulo, ele que se divide entre a carreira solo e o Fino Coletivo (tem uma música deles lá no muxtape), cuja linda estréia merece texto meu, nunca é tarde.

Lá (no site) estão disponíveis todos os discos-solo de Wado. Promessa é dívida: depois escrevo sobre o mais novo, Terceiro mundo festivo, que pode ser baixado, grátis, aqui, ou comprado aqui.

HOJE

Dia da(o) Assistente Social. Parabéns a toda(o)s, na data em que se encerra mais um Encontro Estadual da categoria, com sucesso. Bom beber com algumas(ns), algumas, ontem.

*

6 anos d’A Vida é uma Festa!

K7 MOFADO

Achar aquela fita k7 onde você gravou aquela música. Passar e/ou voltar até deixar no ponto certo de tocar só aquela canção, que as outras não interessam.

Chegar ao Bar do Léo e pedir aquela música rara que ele não tem em cd. Se estiverem em um dia bom (sim: você e o nosso querido Leonildo, ele, o Léo do Bar), lá vai ele, headphones, procurar a tal canção (vá lá: uma vez pedi Motivo, com Fagner, e ele fez isso).

No fundo, não sei ainda para que serve o Muxtape, que eu descobri via Galera. Na onda, acabei fazendo um. Não sei o porquê destas e não daquelas músicas. Preguiça de procurar os outros emepetrês? Talvez. Mas eu gosto de tudo o que está ali. E depois posso trocar. Assim, vocês vão conhecendo um pouco mais de mim, musicalmente. Talvez seja essa a utilidade desse k7 virtual.

Quer(em) saber? Ouça(m)!

MICROONDA

Fonte de recompensa. Aconteceu ontem na sede da Fundação Municipal de Cultura, a solenidade de entrega de premiação aos vencedores da folia de 2008. É a tal história demorou, mas finalmente saiu. Alguns grupos ainda não receberam a grana, por falta de pendências fiscais. Pode!!!

[Transcrição, sem tirar nem por vírgula, ponto ou exclamação, de nota publicada na coluna Microondas (por Joel Jacintho), página 6 do Jornal Pequeno de hoje]

A PUNGA NO CHORO

Se você, por um motivo ou outro, não ouviu o Chorinhos e Chorões de domingo (11), dia das mães, uma chance mais, mas não a última: o Choro Pungado disponibilizou (para audição e/ou download) três faixas do primeiro demo no Myspace do grupo. São elas: Vim de lá (João Neto) Choro pro Guinga (Luiz Jr.) e uma releitura para As “perigosa” (Josias Sobrinho). Ouviu? Diz aí o que ‘cê achou…

choro pungado

[eu e ricarte fizemos o texto abaixo para o encarte do cd-demo do grupo choro pungado. amanhã no chorinhos e chorões, o embaixador apresenta as cinco faixas do registro. em breve, o quinteto deverá estar no myspace. mais detalhes dou depois]

Nasceu, já traz em si a carga da mistura, a influência dos genes. Assim aconteceu com o choro, fusão de Europa, África e Brasil, para a construção do mais brasileiro de todos os gêneros musicais. Embora o choro seja, além de um gênero, uma maneira de tocar.

Da fusão do choro – ou da maneira “chorona” de tocar – com os ritmos da cultura popular maranhense, inegavelmente das mais ricas do país, nasce o Choro Pungado, cujo nome já traduz suas intenções e feitos. A “punga” é a umbigada, saudação que, no tambor de crioula, representa um convite para que se adentre a roda.

João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas e viola), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona) dão o ponto certo do tempero algo inclassificável que da soma de ingredientes surge uma nova receita, difícil de enquadrar neste ou naquele rótulo.

A partir das movimentações do Projeto Clube do Choro Recebe, que além de apresentações musicais semanais tem provocado diálogos, fusões e o surgimento de novos grupos, novos instrumentistas, aparece este Choro Pungado, cuja tradução sonora é a herança ancestral de diversos nomes de nossa música – que não cabem ser citados apenas para não corrermos o risco de esquecer alguém, são tantos –, que já traziam suas obras impregnadas da verve chorística, aliando tradição e modernidade, sem que um se sobreponha ou silencie ao outro.

Universal sem sair do terreiro, em doses na medida, inspirando as notas sóbrias, certeiras, bêbadas de sentimento, embriagadas de emoção. O tambor mais bem tocado do mundo está dentro do seu próprio peito, embora careça de inspiração. Choro Pungado, impregnado de tudo, da beleza de tudo, a música do mundo.

Ricarte Almeida Santos e Zema Ribeiro

“jornalismo” psicografado

o colunista social bo korsak faleceu na última terça-feira (6). o jornal extra, na edição de ontem (8), prestou-lhe homenagem em página inteira. na edição de hoje (9) do mesmo jornal, a coluna bk style, do falecido, foi publicada normalmente.

"jornalismo" psicografado

o colunista social bo korsak faleceu na última terça-feira (6). o jornal extra, na edição de ontem (8), prestou-lhe homenagem em página inteira. na edição de hoje (9) do mesmo jornal, a coluna bk style, do falecido, foi publicada normalmente.

stocker de quatro, ops, em quatro…

uma notícia assim, excelente, ótima: o meu amigo paulo stocker está desenhando em quatro revistas: caros amigos, sexy (facilmente encontráveis em bancas do país inteiro, ludovicenses inclusive), cidade b (de botecos, de porto alegre/rs) e madalena (da vila homônima, em são paulo/sp). mais vocês descobrem no blogue do moço.

9 de maio

eu quero te cobrir de beijos
cada poro
cada pelo.
do solado do pé
até o último fio de cabelo
cada dobra,
joelhos, cotovelos,
nada sobra,
nada escapa.
meu escape
onde em fuga,
o dia inteiro
quero permanecer
inteiro.

de teu ob
faço sachê
de chá,
de vinho.
viro vampiro
nos dias vermelhos.
pra te ver, ligeiro,
não paro no sinal vermelho.
e se o olho arde,
te ver é meu colírio.

delírio
me arde
em febre.
quebranto.
espanto
mau-olhado
com fita vermelha
amarrada no braço:
sou teu neném.