intercontinental! quem diria! era só o que faltava!!!

recorro ao sempre mestre e gênio itamar assumpção para batizar este post. um texto meu atravessou o oceano. é…

conheci daniel cariello pessoalmente há uns anos, no rio de janeiro. apesar do contato pouco, trocávamos e-mails com certa freqüência. ele, atualmente morando em paris, edita uma revista chamada brazuca (cuja versão impressa é distribuída gratuitamente na frança) e convidou-me a participar da edição de março, especial turismo.

a idéia: uma rota de 10 mil quilômetros, de foz do iguaçu a manaus, passando por são luís do maranhão e outras cidades brasileiras.

a carga de trabalho e atribuições mil quase me deixam de fora: era dia de mandar o texto e eu queria/precisava de mais prazo. “mas não deixe de fazer, pois não temos plano b”, cariello me escreveu, meio preocupado. terminado este novo prazo, nada de texto pronto. ganhei mais 48h e um pouco de aporrinhação para a cabeça do editor depois, consegui.

e as fotos? aos 47 do segundo tempo a queridamiga micaela socorreu-me, mandando fotos feitas por ela e pelo marido, que ficaram uma beleza, ilustrando meu texto em francês (dado o tamanho, a edição de março da brazuca não é bilíngüe).

meu texto foi cortado, resumido. sem problemas. abaixo a versão original de “contradictions insulaires“, que mandei para a revista. como ficou, você vê no site da brazuca, onde é possível também baixar a versão pdf da revista.

@

contradições ilhéus

por zema ribeiro [1]

“sobre os jardins da cidade/ urino pus. me extravio/ na rua da estrela, escorrego/ no beco do precipício./ me lavo no ribeirão./ mijo na fonte do bispo./ na rua do sol me cego,/ na rua da paz me revolto/ na do comércio me nego/ mas na das hortas floresço;/ na dos prazeres soluço/ na da palma me conheço/ na do alecrim me perfumo/ na da saúde adoeço/ na do desterro me encontro/ na da alegria me perco/ na rua do carmo berro/ na rua direita erro/ e na da aurora adormeço” [2]

como no poema de ferreira gullar, um de seus filhos ilustres, são luís do maranhão é uma cidade cheia de contradições. uma cidade que traz em si uma necessidade de reinvenção constante, principalmente por parte de seus filhos que conhecem “o estrangeiro”. caso de celso borges, em são paulo há 19 anos: “a são luís que eu deixei, não existe mais. eu pude inventar outra cidade, vivê-la de outra forma, de longe. redescobri muita coisa, nova poeticamente, da cidade nesses anos. sua geografia, a percepção da claridade, a beleza física, o vento, a chuva.” [3]


[o esvoaçar das saias das coreiras. foto: micaela neiva moreira]

outrora atenas brasileira, apelidos como ilha rebelde, ilha do amor e jamaica brasileira – há controvérsias – re-batizam a são luís do bumba-meu-boi e do tambor de crioula, manifestação cultural que ano passado foi tombada como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo instituto do patrimônio histórico e artístico nacional (iphan), e este ano estampará mais de 2 milhões de selos da empresa brasileira de correios e telégrafos. prestes a completar 400 anos, o debate que ora se descortina gira em torno da questão: são luís do maranhão: jamaica, atenas ou apenas brasileira?


[vista aérea da feira da praia grande. foto: gabriel jauregui]

multicolorida, são luís é terra de várias tribos: dos clubes de reggae ao clube do choro, da fauna de a vida é uma festa! aos “hippies de boutique” que passeiam em shoppings climatizados e nunca perceberam a delícia de um peixe frito ou um assado de panela na feira da praia grande. de bêbados varando madrugadas na praça joão lisboa, a mesma da igreja do carmo, cuja ponteira [4] sérgio habibe viu de longe, enquanto se afastava de barco, quiçá rumo à alcântara. da confusão do estacionamento do largo de são joão, onde josias sobrinho rasgou a calça do liceu maranhense ao driblar o bonde – ou despistar o trocador, dá no mesmo – e cair ralando o joelho numa parede [5]. da igreja do desterro onde chico maranhão gravou seu antológico lances de agora [6], profano e sacro em mesmo altar.

a ilha contraditória, que insiste, burra, em repetir à exaustão a pobreza de versos de forrós de plástico vindos de outros cantos, abriga ainda o bar do léo, reduto dos amantes de boa música. mecânica, que “não fazemos música ao vivo” e “é proibido dançar” são placas visíveis no emaranhado [7] de fotografias, objetos antigos e discos, muitos discos, que enfeitam aquele pedaço do hortomercado do vinhais. não é para menos: é invejável o acervo de leonildo peixoto, o léo do bar, para os íntimos.

pão maligno com miolo de rosas [8], a bela-feia são luís merece todo nosso amor-ódio. caminhar como um damião [9], por sobre paralelepípedos, ao lado de azulejos, cumprimentando-lhes, como quem chora-ri por nada. ser confundido com um louco, e do alto de sua lucidez, declamar versos como os de cesar teixeira, também tradutores de toda esta contradição: “as ladeiras sobem/ e descem/ como estreitas línguas/ de répteis/ engolindo bêbados/ e prostitutas/ na noite de luto/ sem lua.// sob os telhados/ de escamas/ as ladeiras se arrastam/ há séculos/ enxugando o suor/ da história/ como se menstruassem/ pedras.// embaixo/ o vômito das estrelas,/ em cima/ o cocô do bispo,/ mas tudo/ as ladeiras ponderam./ de manhã/ cospem pivetes.// descansam/ no largo do desterro/ e de joelhos/ entram na igreja,/ afinal,/ não é fácil ser ladeira/ sem pecar/ ao mesmo tempo.” [10]

@

box (dicas)

bar e restaurante chico canhoto – consagrado como o mais novo espaço cultural da cidade, tem realizado, sempre aos sábados, animadas rodas com chorões da jovem e velha guardas da música instrumental maranhense, além de promover intercâmbios musicais com estados vizinhos. lá, também, é servida a melhor picanha da ilha. no residencial são domingos (cohama).

igreja do desterro – com uma torre só, a mais antiga igreja edificada em são luís. seu largo já serviu de palco para diversos projetos de música e teatro, a exemplo do hoje adormecido serenata dos amores. o desterro é um dos três bairros que compõem o centro histórico de são luís, entre praia grande e portinho.

a vida é uma festa! – idealizado pelo poeta zémaria medeiros, o movimento musical semanal acontece ininterruptamente desde maio de 2002, sempre às quintas-feiras. atualmente é realizado na cia. circense de teatro de bonecos (praia grande), depois de ter sido sediado no saudoso bar de seu adalberto. congrega uma fauna exótica e irreverente de poetas, músicos, atores, malabares, mímicos, dançarinos e outros. gratuito.

@

notas

[1] zema ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com. colabora também com o overmundo e cronópios, além de diversos jornais ludovicenses.
[2] gullar, ferreira. poema sujo. in: toda poesia. são paulo: civilização basileira, 1980.
[3] ribeiro, zema. entrevista. celso borges em vários mo(vi)mentos.
[4] a música “ponteira”, de sérgio habibe, traz versos como “vou ver de longe a ponteira/ da igreja do carmo”.
[5] depoimento do compositor josias sobrinho a zema ribeiro.
[6] o disco foi gravado na sacristia da igreja do desterro, em junho de 1978, por marcos pereira, que também registrou outros importantes nomes da música brasileira, a exemplo de cartola, canhoto da paraíba e arthur moreira lima.
[7] “emaranhado” é o título do mais recente disco de chico saldanha (2007).
[8] “pão maligno com miolo de rosas” é o título do penúltimo livro do poeta ludovicense nauro machado (2006).
[9] protagonista de “os tambores de são luís”, o clássico absoluto de josué montello; em mais de 400 páginas, damião percorre parte de são luís, a pé, em uma noite/madrugada para ver o nascimento do trineto.
[10] teixeira, cesar. patrimônio cultural profano. in: clesi. poesia de bolso. circuito de literatura. ipatinga (mg): clube de escritores de ipatinga, v. 2, 2003. disponível em http://www.guesaerrante.com.br/2005/11/29/Pagina133.htm

esse cabra é foda!

assim se referiu a bruno torturra nogueira, certa vez, xico sá, em bate-papo via msn com este que vos perturba em pleno sábado de aleluia.

eu repito: esse cabra é foda! há tempos sem visitar fudeus (as postagens não eram mais tão freqüentes e eu passava adiante), dei uma espiadinha hoje, e descubro que btn tá de blogue novo, via trip, deporter (link já trocado ao lado), inaugurado diretamente da suíça, onde o moço está em busca de entrevistar albert hoffman, “descobridor” do lsd, hoje com 102 anos.

vai rolar um fórum mundial de psicodelia e mais não digo e mais você descobre .

gracinha

uso o jargão de hebe camargo para batizar este post, simplesmente por preferir acreditar que não passa de gracinha a ação movida por jornalistas da revista (?) veja contra luis nassif. seria cômico se não fosse trágico, meus caros.

“série de nassif é campanha criminosa”, diz defesa de jornalistas da veja. carla soares martin escreve no portal comunique-se sobre o caso. pergunto: não é crime, por vezes (quase sempre?), o jornalismo (?) praticado pela revista (?) veja?

trecho das ações diz que “o jornalista, no seu sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto como um confessor, verdadeiro como um justo”; não que haja aí alguma mentira, mas a veja usar um texto desses contra nassif é, no mínimo, contradição. a defesa dos jornalistas (?) acusa ainda nassif de exercer “abuso no exercício da liberdade de informar”. que diabé isso?

saiba mais sobre o caso clicando nos links espalhados ao longo do post.

perguntar não ofende

tucanos lançam jornal em imperatriz. título de nota publicada dia 17/3 no blogue de marcos franco leva-me a perguntar: quantos embrulha-peixes surgirão em são luís até outubro? desses, quantos durarão além-campanha, somando-se ao já grande número de impressos ilhéus?

oração para uma segunda-feira santa

a semana santa começou. com são pedro mandando água. ele, responsável por minha não-ida ao canhoto, sábado. ‘tava arrumado, pronto para sair, água desabou. literalmente. segunda-feira santa, mais chuva. e o povo rezando para não ter expediente na quinta. e minha memória estranha (ou a falta dela) sem lembrar como foi ano passado, como são todos os anos. mais que nunca, vale a máxima: em feriado de santo, até ateu comemora. ossos doendo, preguiça e cansaço se somando, numa matemática maluca, de resultado inesperado. eu me lembro de itamar assumpção, cantando com tom zé, “é tanta água despencando lá do céu, meu deus do céu, meu deus do céu, o que é que ‘tá acontecendo?, é são pedro que ficou pinel, com raiva de são paulo? é primavera, só que só fica chovendo”. chove em são luís, no maranhão. o dia começa triste. meu inferno particular. um telefonema matutino, só pra desejar bom dia, se não tem o poder de fazer parar de chover, pra eu não molhar meu chinelo e a barra da calça, me põe um sorriso no rosto e, de repente, já estou no paraíso, que para ficar completo, me lembro de rita lee: “agora só falta você”.

angelicalanche


[reprodução capa]

“salta um rilke shake/ com amor & ovomaltine/ […]/ eu peço um rilke shake/ e como um toasted blake”, pediu ele à garçonete, no misto de lanchonete e livraria. depois que farmácias começaram a vender coca-cola, e isso não era tão recente, o comércio de modo geral havia começado a inovar. ali mesmo, naquele salão onde entrou há pouco, era possível ver um velhinho segurando um ás de colete, prestes a anunciar sua vitória em mais uma rodada de um jogo de baralho (literário), sem cartas marcadas. isso mesmo: lanchonete, livraria e salão de jogos. já era o tempo em que “os velhos jogavam damas na praça, professores de tudo que é dor” [léo jaime].

o jovem começou, enquanto encarava seu lanche: “dentadura perfeita, ouve-me bem:/ não chegarás a lugar algum./ são tomates e cebolas que nos sustentam,/ e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita./ ah, sim, shakespeare é muito bom,/ mas e beterrabas, chicória e agrião?/ e arroz, couve e feijão?/ dentinhos lindos, o boi que comes/ ontem pastava no campo. e te queixaste/ que a carne estava dura demais./ dura demais é a vida, dentadura perfeita./ mas come, come tudo que puderes,/ e esquece este papo,/ e me enfia os talheres”.

enquanto fartava-se com seu lanche (refeição?) naquela manhã de ressaca e fome conseqüente, corria os olhos por lombadas e deparou-se com um anúncio fixado em uma das paredes: “família vende tudo/ um avô com muito uso/ um limoeiro/ um cachorro cego de um olho/ família vende tudo/ por bem pouco dinheiro/ um sofá de três lugares/ três molduras circulares/ família vende tudo/ um pai engravatado/ depois desempregado/ e uma mãe cada vez mais gorda/ do seu lado/ família vende tudo/ um número de telefone/ tantas vezes cortado/ um carrinho de supermercado/ família vende tudo/ uma empregada batista/ uma prima surrealista/ uma ascendência italiana & golpista/ família vende tudo/ trinta carcaças de peru (do natal)/ e a fitinha que amarraram no pé do júnior/ no hospital/ família vende tudo/ as crianças se formaram/ o pai faliu/ deve grana para o banco do brasil/ vai ser uma grande desova/ a casa era do avô/ mas o avô tá com o pé na cova/ família vende tudo/ então já viu/ no fim dá quinhentos contos/ pra cada um/ o júnior vai reformar a piscina/ o pai vai abrir um negócio escuso/ e pagar a vila alpina/ pro seu pai com muito uso/ família vende tudo/ preços abaixo do mercado”.

anotou o site da editora contido no anúncio – http://www.cosacnaify.com.br/ – e mandou buscar o livro da angélica freitas, lançado há um ano (março, 2007), para comemorar o dia da poesia, ontem (14).

*

este não é um post autobiográfico. os itálicos acima são (trechos de) poemas de rilke shake, estréia em livro da poeta gaúcha.

você é um “cu-de-boi”?


[reprodução pôster]

Guiado pelas lembranças de quando era criança e o pai levou-lhe ao cinema para ver um filme de Mazzaropi, Quinzinho (Mateus Nachtergaele) deseja fazer o mesmo com Neco (Vinícius Miranda), seu filho. Assim, sai da casa tranqüila, do cotidiano pacato da roça onde mora, no interior de Minas Gerais, acompanhado de sua mulher, Zulmira (Gorete Milagres), a quem ele carinhosamente chama de Zuri, e do burro Policarpo. Enfrentam uma verdadeira aventura, como peregrinos devotados em romaria: chuva, comida por quilo, gozações de vendedores e o completo desprezo de donos de cinema, que pouco se lixam para os desejos de Quinzinho. Ou que pouco se importam com a qualidade daquilo que exibem em suas salas, enxergando apenas cifras. Ficção? Não.

“O cinema virou igreja evangélica. Não dava lucro, vivia vazio. A igreja só vive cheia, o povo paga para entrar”, afirma um personagem – fictício? –, enquanto Quinzinho avança rumo a mais uma “cidade grande” procurando realizar o sonho de mostrar Mazzaropi ao menino.

São fortes cenas como a execução de Mané Charreteiro num acampamento do MST – ficção? – e o reencontro de Quinzinho e Neco, após um desencontro provocado pela truculência de policiais no citado acampamento. “Tapete Vermelho[Comédia, 100 minutos, Brasil, 2006. Direção: Luiz Alberto Pereira], o filme, é belo e engraçado – mas não engraçadinho – o tempo todo. Nachtergaele em mais um show de interpretação apropria-se dos trejeitos do ídolo, seja para cantar [Renato Teixeira assina a música do filme], seja no andar, mas não faz de si mera caricatura ou cópia de Mazzaropi. Saga de fã em busca de ídolo pouco provável de ser vista hoje em dia, tempos de cada vez mais efemeridade nas “artes”, o próprio filme indo na contramão disso.

Quem ainda não viu, é um “cu-de-boi”, apenas para citar um xingamento que aprendi vendo Quinzinho bradar contra aqueles que não queriam ver seu sonho realizado.

você é um "cu-de-boi"?


[reprodução pôster]

Guiado pelas lembranças de quando era criança e o pai levou-lhe ao cinema para ver um filme de Mazzaropi, Quinzinho (Mateus Nachtergaele) deseja fazer o mesmo com Neco (Vinícius Miranda), seu filho. Assim, sai da casa tranqüila, do cotidiano pacato da roça onde mora, no interior de Minas Gerais, acompanhado de sua mulher, Zulmira (Gorete Milagres), a quem ele carinhosamente chama de Zuri, e do burro Policarpo. Enfrentam uma verdadeira aventura, como peregrinos devotados em romaria: chuva, comida por quilo, gozações de vendedores e o completo desprezo de donos de cinema, que pouco se lixam para os desejos de Quinzinho. Ou que pouco se importam com a qualidade daquilo que exibem em suas salas, enxergando apenas cifras. Ficção? Não.

“O cinema virou igreja evangélica. Não dava lucro, vivia vazio. A igreja só vive cheia, o povo paga para entrar”, afirma um personagem – fictício? –, enquanto Quinzinho avança rumo a mais uma “cidade grande” procurando realizar o sonho de mostrar Mazzaropi ao menino.

São fortes cenas como a execução de Mané Charreteiro num acampamento do MST – ficção? – e o reencontro de Quinzinho e Neco, após um desencontro provocado pela truculência de policiais no citado acampamento. “Tapete Vermelho[Comédia, 100 minutos, Brasil, 2006. Direção: Luiz Alberto Pereira], o filme, é belo e engraçado – mas não engraçadinho – o tempo todo. Nachtergaele em mais um show de interpretação apropria-se dos trejeitos do ídolo, seja para cantar [Renato Teixeira assina a música do filme], seja no andar, mas não faz de si mera caricatura ou cópia de Mazzaropi. Saga de fã em busca de ídolo pouco provável de ser vista hoje em dia, tempos de cada vez mais efemeridade nas “artes”, o próprio filme indo na contramão disso.

Quem ainda não viu, é um “cu-de-boi”, apenas para citar um xingamento que aprendi vendo Quinzinho bradar contra aqueles que não queriam ver seu sonho realizado.

sangue

a queridamiga luciana brandão, jornalista, está com a mãe internada, carecendo de sangue. já doei. quem puder doar também (qualquer tipo de sangue), deve se dirigir à hemomar (rua 5 de janeiro, s/nº, jordoa), dando o nome de maria de lourdes frazão brandão, hospital são domingos, quarto 222. contatos com luciana, para maiores informações e/ou entrega dos créditos de sangue, pelo telefone (98) 3227-3644. fineza multiplicar esta mensagem. obrigado!

um convite do professor

tenho andado meio sem tempo para postar. mas, também, quando não se tem o que dizer, o melhor é calar. quando pintam as coisas, vou dizendo. dias corridos, fodidos, doidos, doídos. penduro abaixo o convite do professor wilson marques para o lançamento de seu novo livro. e mais não digo. ao menos não por enquanto. em breve, espero normalizar a atenção dada a este importante espaço (importante ao menos para mim).

nome sagrado

mesa de bar, acalorada discussão sobre meu texto em homenagem às mulheres (posts abaixo). houve quem achasse lindo, houve quem (me) achasse machista ou um mero reprodutor de estereótipos. no fundo, eu não sei de nada. quem sabia era nelson cavaquinho. e cristina buarque, que lhe cantava, com o próprio ao violão, aquele violão doido e doído. e lindo.

às mulheres, mais esta homenagem.

*

nome sagrado
(josé ribeiro/ josé alcides/ nelson cavaquinho)

o nome de mulher é tão sagrado
mulher é nome pra ser respeitado
a cobra não morde uma mulher gestante
por que respeita seu estado interessante

minha mãe também tem nome de mulher
tenho que defender
eu choro quando vejo ela sofrer

deus, nosso senhor, devia castigar
o infeliz que faz uma mulher chorar

inventando gero

desde que ouvi “esteio” e surpreendi-me com, entre outras coisas, as composições de gero camilo (por exemplo, “calendário“, interpretada por ana leite, irmã de zé modesto), passei a indagar-me (e já se vai um tempinho aí) sobre quando poderíamos ouvir gero em disco e/ou onde ouvir mais coisas suas.

ano passado participei do mecenato pós-modernoso, nome carinhoso que o próprio zé inventou para uma compra antecipada, por alguns amigos, que lhe garantiria algum recurso para tocar (literalmente) o segundo disco. “xiló” saiu e é belíssimo (isso de “íssimo” não é exagero!), sob todos os aspectos: musical, plástico.

na boa: quando, em alguns e-mails trocados, modesto (literalmente modesto, meus caros) me dizia que o trabalho ‘tava ficando “bonitinho”, ele só podia estar brincando. na verdade, ao abrir o disco, deparei-me com algo tão bonito, lindo de chorar. arrepiei-me com toda aquela belezura e meu nome em último lugar (ordem alfabética) na lista de agradecimentos. eu é que agradeço, zé! abraço!

além de tudo isso, nos e-mails, sempre lhe perguntava sobre “o disco de gero camilo”. “‘tá fazendo, ‘tá saindo”, eram suas respostas, sempre.

bom, “xiló” merece outro post e, dada a importância e beleza deste disco, eu preferiria que fosse a reprodução de um texto meu publicado em algum veículo de comunicação, ilhéu ou não, mais lido que este blogue, vamos ver o que acontece, alguém aí se interessa, caros editores? por enquanto, resumo dizendo que lá pude ouvir, de novo e mais, outras coisas de gero. (isso de chamar as coisas de coisas é um viva a são moacir santos).

além de, noutros discos, ouvir coisas como “astrolábios” (com o precioso rubi em preciosíssima, deixem-me redundar, interpretação, em seu “infinito portátil”), “prenda minha” e “são genésio” (com ceumar, sem adjetivos, apenas para evitarmos novas redundâncias e exageros, em seu “sempreviva!”).

e como diria um jargão publicitário dos tempos de minha infância, o tempo passa, o tempo voa, e eis que numa recente edição impressa da cartacapital, deparo-me com este texto, do sempre ótimo pedro alexandre sanches.

então o disco havia saído. “canções de invento“. são google me ajudou e, não tão facilmente assim, caí no myspace do ator. ah, vocês até aqui não sabiam quem é gero camilo? ó ele aí, ó!:


[a foto é da olga vlahou e eu pesquei no site da cartacapital]

bom, finalmente havia achado e-mail e telefone [(11) 3641 6471] de sua produção e estou aqui, esperando os dados bancários para proceder a compra.

mulheres

Ontem foi aniversário da Bruna Beber. E do Zara. Dia 8 é o de mamãe. E é Dia Internacional das Mulheres. Feriado. Sábado. Hoje, no trabalho, fizeram uma festinha para as mulheres. E a Cristina Leite pediu para eu escrever um texto que as homenageasse. Deixei para a última hora, como sempre. E cometi o ligeiro, abaixo. Mulheres, vocês merecem. Mais. Em especial, você, mulher que eu amo. Beijão!

*

ÀS MULHERES, POR SEU DIA, POR TODOS OS DIAS

Leio nos jornais, diariamente, notícias que trazem mulheres vítimas de violência. Os algozes, na maioria das vezes, dividem com elas o mesmo teto. O há muito esquecido dito de que “em mulher não se bate nem com pétala de flor” parece hoje só valer para comerciais. Falando em comerciais, é ridícula a exposição de mulheres “beldades” em propagandas de cerveja. Primeiro, o consumo de álcool não é exclusividade masculina; segundo, nós, homens, não gostaríamos de ver propagandas com homens semi-nus direcionadas às nossas mulheres.

“Por trás de todo grande homem, há sempre uma grande mulher”. Este, outro dito que parece esquecido, infelizmente. Eu, que o corrigiria, permitam-me: “por trás de todo homem, há sempre uma grande mulher”. Sim, tanto faz o homem, grande ou pequeno, é preciso rever nossos conceitos e admirar as mulheres – a começar por nossas mães –, por tudo o que elas têm de melhor: as olheiras, por noites de sono perdidas acalentando-nos ou tratando de nossas piores dores; os cabelos brancos, em grande parte adquiridos por preocupações às vezes desnecessárias que lhes propiciamos; as varizes, por tanto tempo em pé, cozinhando, lavando, passando.

É preciso respeitar as mulheres. Silêncio na hora da novela, paciência enquanto co-pilotos, lealdade e fidelidade, características que não deviam ser exclusivamente femininas. É preciso tornar os homens mais femininos: experimentar as tarefas domésticas mantendo a elegância e a calma, uma tensão pré-menstrual e a própria menstruação agüentando nossas aporrinhações e, perdão do trocadilho, encheções de saco.

Nem seria necessário um oito de março, um dia internacional: todo dia é dia da mulher, das mulheres. Todo dia é dia de devotarmos nossos amores em seus variados graus: amor de filho, de marido, de pai, de irmão, de amigo, de colega de trabalho.

Já que existe, uma data especial, façamos dela um marco importante e celebremos juntos, homens e mulheres, o dia delas. E, amor, me perdoe a pressa, mas na correria acabei não te comprando um presente, me perdoa? Só sendo mulher para entender e aceitar uma desculpa esfarrapada como esta.