o maranhão cultural

É indiscutível que o Maranhão é um dos estados culturalmente mais diversos do país. Isso, sob todos os aspectos, e no campo da música não poderia ser diferente. A diversidade rítmica aqui encontrada é algo raro. “Pura” ou híbrida, a música está presente no cotidiano dos maranhenses — é uma de nossas belas maranhensidades.

O Maranhão foi incluído na rota de “Os Caminhos de JK”, onde o genial Arthur Moreira Lima, em seu caminhão-palco-casa-camarim, re-percorre os caminhos trilhados pelo presidente construtor de Brasília. Na terra de João do Vale — outro gênio, nosso — o pianista encontrará o público de 21 cidades, em duas etapas (uma já realizada; a outra, iniciando dia 17, conforme calendário deste folder).

Se no pirão musical maranhense — de farta sustança — cabem bumba-meu-boi, tambor de crioula, lelê, cacuriá, coco, samba, choro, riso e muito mais, o de Arthur Moreira Lima mostra, também, versatilidade. Erudito e popular num só balaio, pois nos ensina [Gilberto Gil,] o ministro-artista: “o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe”.

@

texto nosso, ghost writer, que circula no folder [lá, sem os colchetes,] do projeto “um piano pela estrada”, de arthur moreira lima. ó o calendário de apresentações: bom jesus das selvas (23/8, quinta), buriticupu (24/8, sexta), santa luzia (25/8, sábado), santa inês (26/8, domingo), bacabal (28/8, terça), timon (30/8, quinta), caxias (2/9, domingo), pedreiras (3/9, segunda), coroatá (4/9, terça), codó (5/9, quarta), são luís (8/9, sábado), são josé de ribamar (9/9, domingo), chapadinha (11/9, terça), itapecuru-mirim (12/9, quarta), alcântara (14/9, sexta) e pinheiro (15/9, sábado).

eu acho é graça!

entre os diversos “bicos” que faço, está a revisão do stefem notícias, informativo mensal do sindicato dos ferroviários. abaixo, uma notícia no mínimo curiosa e, em minha modesta opinião, hilária. o cabra nem merece cana, acho. saiu na edição de agosto, que começou a ser distribuída ontem.

*

Funcionário fantasma muda rotina da Vale

É recente o acontecimento em que a segunda maior mineradora do mundo passou por uma situação preocupante e que mostrou a fragilidade do sistema organizacional e de segurança da Vale. Entre os dias 10 e 18 de julho deste ano, o cidadão Diógenes Pereira da Silva, 19 anos, maranhense, solteiro, técnico de segurança, se infiltrou nas dependências da empresa na cidade de Açailândia (MA), intitulando-se engenheiro de segurança do trabalho, usando crachá falso e uma farda da empresa que pertencia ao seu pai, ex-funcionário da Vale.

O jovem Diógenes passou oito dias dando ordens e realizando diversos procedimentos na área da empresa, como viagens de deslocamento, com hospedagem, alimentação e carro por conta da Vale. Ele também teve acesso aos computadores da CVRD e usou a senha de um funcionário que estava viajando e a deixou escrita num pedaço de papel esquecido num dos escritórios.

Este fato inusitado poderia ter tomado dimensões mais sérias, pois o funcionário fantasma assumiu de forma fraudulenta a função de gerenciador de segurança, com amplos poderes, acesso irrestrito às dependências da empresa, inclusive ao almoxarifado e ao CCO (Centro de Controle Operacional), que é o coração da ferrovia. A farsa só foi descoberta no dia 19 de julho, depois que uma funcionária do setor de recursos humanos, em contato com o farsante, desconfiou e solicitou as suas credenciais e verificou que a matrícula dele não existia. Na mesma hora, Diógenes evadiu-se da área da Vale por dentro de um matagal.

O caso foi parar na delegacia de Açailândia, que através de uma guarnição da polícia militar conseguiu prender Diógenes na madrugada do mesmo dia 19, num bairro da periferia da cidade. O farsante, que conseguiu enrolar a todos, foi interrogado e confessou durante o seu depoimento as suas pretensões: “Eu só queria realizar meu sonho de trabalhar na Vale“.

O sonho frustrado do jovem Diógenes também serviu para mostrar o quanto os trabalhadores da Vale estão expostos a insegurança, e que a visão da empresa de exigir sempre produção em primeiro lugar, como se todos fossem máquinas de fabricar lucros a qualquer custo, pode gerar prejuízos incalculáveis e tragédias com vítimas fatais, como já vem acontecendo através dos acidentes de trabalho.

quem matou flávio pereira?

a assembléia legislativa do estado do maranhão aprovou, na sessão da última quarta-feira (15), requerimento da deputada helena heluy (pt) pedindo o envio de condolências à família do ex-professor da ufma, flávio pereira da silva, que faleceu por complicações decorrentes de um tiro que levou após uma briga de trânsito. antes de torcer o bico e dizer “condolências?, só isso?” ou coisas que o valham, leia aqui o texto completo.

*

em sua coluna quinzenal no jornal pequeno, a professora arleth borges (do departamento de sociologia e antropologia da ufma) republica, na íntegra, a carta-denúncia que leva o título “vidas interrompidas. até quando fecharemos os olhos?”, que este blogue já publicou e que foi entregue à secretaria de segurança cidadã dia 15/8.

*

o mesmo jornal pequeno, no espaço do leitor do suplemento jp turismo, publicou o texto que batiza este post, que republicamos integralmente, abaixo.

*

Quem matou Flávio Pereira?

Hermes da Fonseca*

Inevitavelmente, toda vez que, na cultura brasileira contemporânea, se questiona “quem matou…”, é revirado o húmus de uma memória forjada/formatada pela cultura de massas e surge límpida uma questão que há quase 20 anos (em 1989) pôs o país, em uma noite de sexta-feira, diante das telas da Globo (86% dos televisores ligados estavam sintonizados na emissora, reza a lenda), intrigado pela “relevantíssima” questão – “Quem matou Odete Roitman?” Aliás, interessa lembrar que Odete Roitman era uma empresária rica e manipuladora (portanto, “legítima” representante da maioria da população brasileira!), que a telenovela se chamava “Vale Tudo”, que a música de abertura era “Brasil” de Cazuza e que a última cena da novela mostrou um corrupto gerente de empresa fugindo do Brasil e dando uma “banana” para o país. A locução “quem matou…” é chave imediata para essa simbologia que ficou atravessada no imaginário dos brasileiros.

A pergunta proposta como título deste texto não pode, óbvio, passar ao largo desse graveto midiático no imaginário dos brasileiros; ao contrário, mexe em seu saudosismo vazio para mostrar uma diferença radical nesse “quem matou…”: Flávio Pereira, ao contrário de Odete Roitman, era brasileiro de carne e osso, simples trabalhador (arquiteto do saber), existente em São Luís do Maranhão, que numa manhã qualquer, transitando com seu carro, foi parado por um tiro de revólver (após um desentendimento no trânsito), ficando prostrado no asfalto, enquanto fugia o homem que lhe atirou. Flávio então passou uma semana num hospital de parcos recursos e morreu na madrugada de 7 de agosto.

Embora fosse mestre em sociologia pela Universidade Federal do Maranhão, até poucos anos atrás Flávio Pereira sobrevivia do trabalho braçal, como a maioria esmagadora dos brasileiros e maranhenses. O ensino constituiu seu passaporte para o trabalho intelectual e o ingresso em uma “elite”, ainda que sem luxos. Numa realidade de absoluta concentração de renda como a do Maranhão, qualquer pessoa que tenha concluído um curso superior e tenha um salário maior que cinco salários mínimos, inevitavelmente, pertence uma reduzida “elite”. Embora Flávio tivesse um carro (São Luís do Maranhão tem uma das maiores frotas automobilísticas do país) – como tantos maranhenses atormentados por parcelas têm –, embora pertencesse a uma “elite”, continuava a ser um trabalhador que passava o dia todo em salas de aula, haurindo trinta e poucos reais por hora efetivamente trabalhada, sujeito a uma carga de trabalho além da recomendada, exposto a alto nível de perturbação psíquica, etc. Ainda que pertencente a uma “elite”, permanecera trabalhador sub-valorizado, embora fosse outro o seu trabalho e suas ferramentas.

A morte de Flávio Pereira não é, para os que o conheceram, que o admiravam e amavam, um acontecimento corriqueiro e banal; mas, para a população em geral é apenas mais um dos casos de “violência urbana” que se estampam no jornal ou se exibem na televisão, mais um dos casos de “autor desconhecido” que fomentam o discurso da impunidade, do aumento e endurecimento das penas, da criminalização de condutas… do “cansei” atualmente alardeado. Mas, por mais que apontemos a falência do sistema penal, seu caráter seletivo (restrito a determinados grupos sociais) e sua (i)lógica de reprodução da violência, é inevitável cobrar a responsabilização do autor do disparo que matou Flávio Pereira. Cobrar essa responsabilização, contudo, não deixa de ser a reafirmação desse modelo social fundado no indivíduo (a responsabilidade penal é individual) e no individualismo (cuja expressão mais evidente, no caso exposto, é o automóvel, que passa a ser concebido por seu possuidor como uma extensão do seu próprio corpo e da sua “honra”); não deixa de ser uma reafirmação do sistema penal e da crença da sua legitimidade. Mas, em contrapartida, não cobrar responsabilização alguma é o mesmo que admitir que fatos como este não fazem diferença alguma, que podem passar incólumes, que “vale tudo” e qualquer pessoa pode estabelecer sua própria lei; daí uma faceta coletiva da cobrança da responsabilização, quando sua reivindicação passa a representar solidariedade.

Cobrar responsabilização exige que se identifique alguém; daí a pertinência de se mexer no lodo midiático do “quem matou…” para criar um lugar comum que permita sensibilizar as pessoas para a reflexão sobre a responsabilização do atirador. A morte desse trabalhador não é apenas uma morte isolada, na terra-de-ninguém de uma avenida qualquer, num amanhã qualquer: é sintoma do autoritarismo que atravessa nossa formação social de margem a margem. A morte de Flávio Pereira é a morte de um entre tantos brasileiros jovens, trabalhadores, cheios de sonhos (e da malfadada esperança latino-americana), e expressa a crua banalização da vida, quando o desfecho para uma discussão de trânsito passa a ser um tiro de revólver que atravessa o peito, rompe a coluna vertebral, e é seguido por uma fuga que atesta o ápice do individualismo, o colocar-se acima de toda a experiência social.

Agora, quando morre mais uma pessoa, simbolicamente um professor, é, como afirma o antigo provérbio africano, como se uma biblioteca inteira se incendiasse; todo um mundo de experiências, libretos abertos e inconclusos, que apenas permanece como estilhaços nas várias lembranças descontínuas dos que com Flávio Pereira conviveram como alunos, como amigos, como parentes ou mesmo como simples conhecidos. Pedir a responsabilização do autor do disparo e clamar por “justiça” deve ser muito mais uma atitude pedagógica, um chamamento à reflexão sobre nossas práticas cotidianas, do que uma ânsia repressiva, sedenta de vingança. Mas, antes e durante o grito por responsabilização (e, quiçá, assim seja todas as vezes que se anunciar uma morte provocada, brutal), uma questão, com carne e osso, revolverá o cadáver simbólico de Odete Roitman e virá à tona: Quem matou Flávio Pereira?

*Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Membro do Núcleo de Estudos de Direito Alternativo da UNESP (Campus de Franca/SP).

doizavisos

um para amanhã,

maiores detalhes pelo e-mail negokaapor@yahoo.com.br;

e outro para depois de amanhã,


com maiores informações pelo e-mail polidapedra@gmail.com

aos amigos de/em brasília…

aos amigos que me lêem de brasília/df: o amigo nelson oliveira faz show de lançamento do cd linguagens, hoje, e maiores informações no cartaz acima.

de mortes

andei sumido por uns dias. quarta-feira passada, no meio do expediente, recebi um telefonema dando conta de que meu avô tinha falecido. fui à rosário para velório e enterro (e volto lá amanhã para a missa de 7º. dia) e não foi fácil ver, dentro de um caixão, o homem que, faz nem tanto tempo assim, me levava de bicicleta ao jardim de infância, na mesma rosário que eu agora visitava por este motivo nada agradável.

desde seu último derrame, em 1992, antonio viana, meu avô materno, vivia com o lado esquerdo do corpo paralisado. lúcido, tinha excelente memória e seguia sua vida, que diariamente começava com o rádio ligado às 5h da manhã nalguma emissora am em programas de esportes e notícias, velha mania. de uns dias ao óbito, teve maiores dificuldades para se alimentar, se comunicar e chegou a não reconhecer pessoas próximas (uma filha, inclusive) em 8 de agosto, quando subiu, às vésperas de completar 48 anos de casado.

certamente, mortes sempre serão inexplicáveis e sempre serão grande perda e dor, mesmo quando a visita da “velha da foice” já é aguardada e/ou sentida (mas não desejada). talvez esses avisos (como seu último derrame) sirvam (talvez, repito) para tornar menor o sofrimento de parentes e amigos.

o que sinto (e maria lindoso, minha vó, sua viúva, seus filhos, netos e demais parentes e amigos) com a morte de vovô, possivelmente é sofrimento menor que o que sentem, por exemplo, as famílias de flávio pereira da silva e gerô, vítimas da violência, infelizmente banalizada.

colo, abaixo, texto de flávio reis publicado no estado do maranhão (opinião, 4) de hoje sobre o assassinato de seu xará flávio pereira. e mais abaixo, a carta-denúncia (que assino embaixo) que será entregue à secretaria de segurança cidadã. copie, repasse, endosse!

@

Licença para matar

por Flávio Reis*

O ensaísta alemão Enzensberger cunhou o termo “guerra civil molecular” para caracterizar a situação de violência múltipla que se espalha nos centros urbanos. Em qualquer lugar e sob qualquer pretexto ela se manifesta. Pode ser fruto da ação de bandos ou de um indivíduo; de assaltantes, mas também de policiais; originar-se de uma intenção prévia ou resultar de uma reação desmedida. O motivo pouco importa, muitas vezes são coisas supérfluas, caprichos. Em todos os casos, entretanto, seu rastro é de destruição, medo e morte. O cotidiano das cidades vai se amoldando aos sinais desta nova guerra, sem exércitos e sem fronteira. Diante dela os governos pouco ou nada têm conseguido, ao contrário, suas truculentas, ineficazes e corruptas polícias têm contribuído enormemente para expandi-la.

As cenas foram nos cercando em pouco tempo. Primeiro eram as notícias algo distantes que se repetem indefinidamente nos meios de comunicação, depois as que nos chegavam através dos amigos e conhecidos, as que são ouvidas nos ônibus ou em qualquer lugar da cidade, até um dia sermos atingidos em cheio. Certa vez fiquei impressionado com a notícia de uma menina alvejada próximo a uma estação de metrô, caída sem movimentos e utilizando o celular para dizer “Mãe, levei um tiro”. Tempos depois, estava em um carro com amigos passando pela avenida Ferreira Gullar, por volta das 19h, e numa tentativa de assalto frustrada levamos um tiro e uma pedrada. Somente por pura sorte ninguém se feriu. No banco de trás uma criança de apenas dois anos perguntava espantada “Mãe, o que aconteceu?”. No último 31 de julho me veria diante de algo ainda mais brutal e infame. Um amigo muito próximo, xará, Flávio Pereira da Silva, ex-professor de sociologia da UFMA, onde fez graduação e mestrado, e atualmente professor do Ceuma, estava ao telefone e dizia num choro desesperado: “Flávio, avisa que eu levei um tiro e estou no Socorrão II”. Motivo? Briga de trânsito. Uma camionete L 200, de cor bem distinta, algo como azul metálico, modelo antigo, é conduzida por alguém que se acha com licença para matar.

Apressado e arrogante, a figura ainda incógnita não teve paciência numa situação comum no movimentado retorno da Forquilha, buzinou insistentemente e depois avançou o carro, batendo na traseira do Celta novo, comprado em meio a tanta dificuldade. Recebido com insultos, Flávio reagiu, mas terminou sendo covardemente atingido por um disparo efetuado de dentro da L 200. Era uma pistola com grande poder destrutivo, geralmente utilizada por policiais, sacada de um coldre sob a axila, acobertado pelo paletó. A caracterização leva imediatamente a pensar em alguém que trabalha na área de segurança – delegado, oficial, agente federal, os tipos são vários. A poucos metros, um trailler da PM, que mais parece peça de decoração, onde dois policiais com uma viatura assistem a tudo sem se mover, não tomam nenhuma providência, não buscam contato, nada, para deter o atirador em fuga. A bala que o atingiu, de tipo especial, entrou pelo ombro, bateu numa costela e desceu para se alojar na coluna, mas em seu trajeto perfurou o pulmão e fragmentos alcançaram uma vértebra, causando imediata paraplegia. A placa repassada pelos policiais militares é fria ou foi anotada errada.

Segundo a ironia amargurada de um amigo comum, enquanto a viatura “escoltava” o Celta rumo ao hospital, dirigido pelo transeunte que prestou socorro e onde Flávio se encontrava, colocado sentado na poltrona do carona, o motorista da L 200 escapava tranqüilamente do flagrante. Os policiais não tiveram sequer cuidado com a vítima, que perdeu os movimentos nos membros inferiores assim que levou o tiro e necessitava de cuidados na remoção. Agiram sempre da forma mais anti-profissional possível. A tragédia se completaria uma semana depois, quando complicações agravadas pela péssima estrutura médico-hospitalar do Aliança, para onde havia sido transferido ainda no dia da ocorrência, levaram à sua morte.

Na sucessão de casos em que vamos afundando, o medo se impõe como marca do cotidiano. Não importa mais se é dia ou noite, local aberto ou fechado, nas calçadas ou nos veículos, qualquer um se acha no direito de constranger, fazer o que quiser e resolver tudo à bala. O assassinato como forma de prevalecimento da vontade. A arma servindo de diferencial básico na relação social. O covarde que atirou em Flávio comunga dessa convicção, a de ser o infrator, criar a situação de conflito e resolvê-la com a eliminação do oponente. Ao apontar a pistola do alto da camionete, ele teve a opção de atirar ou não, e o fez friamente. Deve estar acostumado a matar. No caos que se aprofunda na segurança pública do estado, este é mais um caso explosivo, onde um possível agente da segurança torna-se agente da guerra. Pode ser apenas suposição. Mas esta é uma pergunta que a Secretaria de Segurança precisa responder rapidamente: Quem matou o professor Flávio Pereira?

*Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA

@

Carta denúncia

Vidas interrompidas. Até quando fecharemos os olhos?

Flávio Pereira da Silva, 37 anos, antropólogo, era professor de Sociologia do UNICEUMA. No início da graduação do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão trabalhou como operário da Alumar. Depois, dedicou-se apenas aos estudos, sendo bolsista de Iniciação Científica e envolvendo-se, precocemente, com as atividades de pesquisa. Já formado, foi professor substituto na UFMA mais de uma vez. Foi aluno do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais e participou de pesquisas e de trabalhos aplicados junto aos remanescentes de quilombos e às quebradeiras de coco babaçu do Maranhão.

Era um profissinal íntegro e sério, colocando seu conhecimento a serviço das instituições que atuam no combate à violência e em prol dos direitos humanos. Mas lamentavelmente no dia 1º de agosto teve sua trajetória interrompida e tornou-se mais uma vítima da violência no país.

Naquele dia, Flávio saiu de sua casa rumo à UFMA, aproximadamente às 8 horas da manhã. Parou em um semáforo, nas proximidades do Retorno da Forquilha. O motorista de uma L200 azul metálico buzinou forte, reclamando passagem, ainda que o sinal estivesse vermelho e obrigasse Flávio e parar o seu Corsa. No semáforo seguinte a cena se repetiu. Desta feita, o motorista da L200 bateu propositalmente na traseira do Corsa de Flávio, momento em que este saiu do seu carro e ambos discutiram. O motorista da L200, um homem que usava paletó, já de dentro de seu automóvel, sacou de um coldre uma pistola e atingiu Flávio no ombro direito. O projétil perfurou o pulmão e fez uma curva, penetrando na medula. Flávio sofreu no hospital durante sete dias, correu risco de ficar paraplégico, vindo a falecer na madrugada do dia 7 de agosto.

O incidente ocorreu em frente ao quiosque da Polícia Militar, no retorno da Forquilha. Os policiais assistiram a tudo, sem tomar nenhuma providência para prender o assassino em flagrante, o que poderia ter sido feito, já que o trânsito estava lento e testemunhas dão conta de que a L200 saiu normalmente pela avenida Jerônimo de Albuquerque, após o ocorrido. Os policiais socorreram Flávio, levando-o ao Socorrão, mas nada fizeram para tentar, de alguma forma, interceptar o carro e prender o atirador em flagrante.

Diante da violência que originou esta tragédia, nós, professores do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais e do Departamento de Sociologia e Antropologia, professores do UNICEUMA e demais signatários desta, vimos de público denunciar mais este ato de violência. Exigimos providências das autoridades responsáveis pela segurança pública deste Estado no sentido de investigar o caso, identificar o motorista da L 200, para que ele possa responder pelo crime praticado, evitando dessa forma mais um ato de impunidade que vem estimulando práticas violentas como essas.

Denunciamos a omissão da Polícia Militar que poderia ter sido mais competente, não apenas socorrendo a vítima, como também procedendo a diligências para capturar o motorista foragido. Omissões desse gênero só incentivam aqueles que se sentem com licença para matar. Qualquer um de nós poderia ser a vítima desse caso e é inadmissível que as autoridades fechem os olhos e banalizem atos como esses que a cada dia interrompem vidas inocentes.

São Luís, 12 de agosto de 2007

Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFMA

@

as missas de sétimo dia: a de flávio pereira da silva é hoje, às 17h30min, na igreja da sé (são luís/ma); a de antonio viana, amanhã, às 19h, na igreja da matriz (rosário/ma).

toca raul!

o título deste post é dos gritos mais chatos de se ouvir em barzinho(s). e é dos mais ouvidos, principalmente em apresentações de wilson zara, dada sua semelhança com o músico baiano.

aos raulmaníacos, anualmente zara oferece seu tributo a raul seixas, cuja edição 2007 acontece dia 21 (terça-feira), às 21h, no circo cultural da cidade (aterro do bacanga, ao lado do terminal de integração da praia grande).

os ingressos já estão à venda em diversos pontos da ilha e podem ser comprados antecipadamente (até o dia 20/8/2007) por r$ 5,00 (na hora e no local: r$ 10,00).

*

[pausa: abaixo, a lista dos locais de venda de ingressos]

gil som eletrônica
rua da paz, 417, centro, 3231-6080

poeme-se
rua joão gualberto, 52, praia grande, 3232-4068

barraca do henrique
avenida litorânea, calhau, 3233-6308

landruá
avenida litorânea, calhau, 3233-6781

banca do calhau
avenida dos holandeses, barramar, 3248-6671

zenite material de construção
avenida contorno norte, 57, cohatrac iii, 3238-1050

m&m music eletrônica
avenida joão pessoa, 192a, joão paulo, 3243-7354

[fim da pausa]

*

o primeiro que comentar aí, leva, sem sorteio, um par de ingressos para o show.

parada

rita ribeiro não vem mais (será “substituída” por tereza canto), e eu não vou à 4ª. parada da diversidade sexual, que acontece amanhã, na avenida litorânea (concentração às 14h).

dj à distância, com o que tinha em casa (jana mandou-me duas músicas por msn), fiz, a pedidos, uma trilha para a festa (que não sei se será usada): gravei uma cópia do disco banquete de mendigos (gracias, jô) e diversas outras músicas, que separei em três blocos: “protesto”, nacional e internacional. o resultado, cheio de ausências injustificáveis (fora o fato de eu não ter as músicas em casa, nada explica mesmo), presenças idem (aqui, o gosto pessoal talvez explique), falhas, enfim, e totalmente criticável, é o que se pode ler abaixo (música, intérprete):

pra não dizer que não falei das flores, geraldo vandré
apesar de você, chico buarque
oração latina, cláudio pinheiro e gabriel melônio
eu quero é botar meu bloco na rua, sérgio sampaio

(i can’t get no) satisfaction/a rainha da noite, cássia eller e edson cordeiro
maior abandonado, barão vermelho
eu sou neguinha?, caetano veloso
malandragem, cássia eller
bárbara, ângela roro
1965 (duas tribos), legião urbana
vá morar com o diabo, cássia eller
“vamo” comer, caetano veloso e luiz melodia
vida fácil, cazuza
fogueira, ângela roro
ai ai ai, vanessa da mata
meninos e meninas, legião urbana
preconceito, cazuza
totalmente demais, caetano veloso
não me deixe só [remix], vanessa da mata
paula e bebeto, milton nascimento
totalmente demais, hanoi hanoi
homens, manu chao
todo amor que houver nessa vida, caetano veloso

take on me, a-ha
light my fire, the doors
this charming man, the smiths
wild world, cat stevens
touchy, a-ha
ask, the smiths
i will survive, cake
lovefool, the cardigans
every little thing she does is magic, the police
perhaps, perhaps, perhaps, cake
the boy with the thorn in his side, the smiths
every breath you take, the police
panic, the smiths
goodbye stranger, supertramp

on tour

um dia, na aula de cine-vídeo, colombo passou um pedaço desse filme aqui. depois, na aula de política mundial contemporânea, paulo rios passou este mesmo filme completo. poucos dias depois, lendo o blogue do jotabê medeiros, descobri este texto e escrevi este post. bom, relendo o que escrevi, à época, vi que as coisas não se deram exatamente nessa ordem. detalhes…

ontem, na music play, com os já famosos 60% de desconto, comprei por apenas r$ 11,96, este ao vivo do yann tiersen. é lindo!

19, 20 e 21

(ou: contagem progressiva)

@

tudo hoje, sexta-feira, 27 de julho de 2007, na ilha.

@

19h: beto nicácio lança a revista em quadrinhos “a lenda da carruagem de ana jansen“, na galeria do sesc deodoro. abaixo, a capa, para que os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue tenham uma (mínima) idéia do que é o (sempre) ótimo trabalho do beto.

o projeto foi um dos selecionados na mais recente edição do programa bnb de cultura.

@

20h: lúcia santos autografa “uma gueixa para bashô“, durante a programação do aniversário de 34 anos do museu histórico e artístico do maranhão (mham). abaixo, em itálico, dois dos hai-kais do livro, dividido em quatro estações, as do ano:

em tua mão destra
meu violino só
vira orquestra

*

uma trepada em vão
melhor que nada
pior que a solidão

@

21h: uma linda quase mulher, com a trupe da companhia deixa de bobagem, no teatro arthur azevedo. sessões também amanhã (no mesmo horário) e domingo (às 19h). ingressos entre r$ 15 e 25.

mulheres de a a z

essa saiu no tribuna do nordeste, hoje.

@

Harém literário

Escritor paulista homenageia mulheres em livro de estréia. Obra será lançada hoje em São Luís.

por Zema Ribeiro*
Especial para o Tribuna do Nordeste


[o escritor paulista otto augusto sievert lança “mulheres de a a z”, hoje, na livraria poeme-se. foto: divulgação]

Apesar de “Mulheres de A a Z” [Viveiros de Castro/7Letras, 2007, 125 páginas, R$ 12,00] desnudar-se (quiçá como uma das personagens do livro) logo no título, não pensem que não é necessário lê-lo. Sim, são 26 mulheres, de a a z, longe de uma agendinha – do autor, no caso – de quantas “eu já comi”.

Otto Augusto Sievert estréia aos 51 anos e trilha a contramão do que se vê por aí: não é precoce e, antes de interessar-se por literatura (mesmo enquanto leitor), gostava mesmo era de matemática. O paulista é funcionário da usina hidrelétrica Henry Borden – lá, mais um contato com as letras: é ele quem edita o informativo semanal da empresa.

A bem escrita estréia se dá com um tema bastante difícil: os universos femininos, melhor falar no plural. Fábulas sem moral, que é melhor ter nenhuma que ter as falsas.

São 26 contos que podem seguir a ordem alfabética proposta no livro ou podem ser lidos ao acaso. A emoção é garantida, faça o que o leitor fizer – a não ser que não faça/leia. Cartas, e-mails, a mulher independente que quer transar sem compromisso, a filha única que vai casar, um bebê que se comunica com o mundo mesmo antes de nascer, a que termina o relacionamento por que este é perfeito demais, a que começou a bater no marido, a que goza no ônibus, esfregando-se em um homem, dama do lotação às avessas; de Ana a Zélia, passando por Cristina, Gabriela, Júlia, Paula, Sara e Xênia; mulheres, emoções.

Nesta quinta-feira, 26 (coincidência ou não), Otto Augusto Sievert lança “Mulheres de A a Z” em São Luís. A noite de autógrafos acontece na Livraria Poeme-se (Rua do Sol, 451, Centro), às 19h. Sobre o trabalho, Zema Ribeiro conversou com o escritor. Confira abaixo.


[“mulheres de a a z”. foto: reprodução]

Entrevista: Otto Augusto Sievert

Zema Ribeiro – As pessoas ainda têm uma imagem de escritores que vivem para a literatura, enfurnados, criando grandes obras, ao contrário do que acontece quase sempre, na verdade. Como é conciliar o trabalho em uma usina hidrelétrica com o ofício de escritor?

Otto Augusto Sievert – É, realmente, escrever é solitário e muitas vezes angustiante. Quanto a conciliar o meu trabalho com a criação do livro não foi tão simples, justamente por serem atividades bem diversas. Mas quando a gente se propõe a fazer algo, tudo o que chega é lucro. Então eu ia tirando histórias de tudo o que acontecia. O dia a dia, em qualquer setor, te fornece muito assunto. Poso até dizer que, em algumas circunstâncias, eu trabalhar na Usina colaborou bastante para a criação da obra.

ZR – “Mulheres de A a Z” é teu primeiro livro e traz contos bem humorados. Quais as tuas intenções ao escrevê-los?

OAS – A intenção inicial sempre foi fazer uma homenagem às mulheres. A questão do bom humor é simples: as mulheres com que convivo têm grande presença de espírito. E o humor com que elas encaram as situações do cotidiano foram uma das fontes de inspiração para eu escrever o livro.

ZR – O livro não é uma listinha de “mulheres que já comi” ou algo parecido, mesmo sendo ficção. Em nenhum momento houve certo receio de uma confusão com o título?

OAS – Na verdade, o título dá esta sensação mesmo, de fazer parecer que é uma lista de mulheres “comidas” [risos], o que não é verdade, diga-se de passagem. Ele foi concebido junto com a formatação do livro. Nasceu antes dos contos, até. Posso dizer que o título orientou a formatação. No meio do percurso eu cheguei até a pensar em outro nome. Mas o que vingou mesmo foi o [Mulheres de] A a Z. E se já houve confusão? Com certeza, houve. Uma amiga minha, muito íntima, recusou-se a lê-lo. De ciúmes, pode? [risos]

ZR – Qual a tua relação com a Ilha de São Luís, onde agora lanças “Mulheres de A a Z”?

OAS – Comecei a escrever o livro logo depois de conhecer a minha namorada, a Maristela, que é daqui. A nossa convivência me fez conhecer muitos maranhenses que moram em São Paulo. E como o livro traz fragmentos de observações que faço das mulheres ao meu redor, com certeza tem muito de Maranhão no livro. O conto “Gabriela”, por exemplo, foi uma homenagem ao [jornalista e poeta maranhense radicado em São Paulo] Celso Borges e a Andréa Oliveira [esposa de Celso, responsável pela edição do livro], que na época estava grávida de Clarisse. Um dia eu fui a uma festa na casa deles e os dois passavam uma energia tão boa com aquela gravidez que fiquei imaginando se a criança, mesmo antes de nascer, já não estava curtindo os pais. E muitas situações do livro foram inspiradas por outras maranhenses paulistas. Tem mais: Andréa fez a edição e Cláudio Lima [designer e cantor maranhense] fez a capa. Portanto é um livro quase maranhense [risos].

ZR – Outros lançamentos já aconteceram, em outras cidades? Vão acontecer?

OAS – O livro já foi lançado em minha cidade, Cubatão, e no centro de São Paulo, na Rua Augusta. Ocorre que eu perdi a minha mãe em julho do ano passado, tive que assumir o inventário, e toda aquela burocracia. Isso me absorveu bastante. Pra complicar, em novembro eu fiz uma operação na perna, para trocar a prótese, sou meio biônico. Isso fez com que eu parasse um pouco com a promoção do livro. Mas agora estou voltando, muito provavelmente vou lançá-lo em Curitiba antes do fim do ano.

ZR – 26 mulheres, frutos da tua imaginação, compõem a paisagem do primeiro trabalho. Quais os teus projetos futuros? Tendo começado tarde, já pegou gosto pela coisa?

OAS – Eu sempre gostei de ler bastante, e isso me fez cometer a ousadia de escrever e publicar um livro. Olha, depois de a gente sentir este prazer, este é um caminho sem retorno. É maravilhoso, tenho vivido emoções que nem imaginava que existissem. O próximo projeto terá o nome de “Contos do dia primeiro”. É a primeira vez que falo sobre isso. E vai ser sobre mulheres, com certeza. Já o tenho idealizado. Quem sabe eu não venha lançá-lo aqui no Maranhão, também?

*Zema Ribeiro escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

Serviço

O quê: Noite de autógrafos de “Mulheres de A a Z“.
Quem: o escritor paulista Otto Augusto Sievert.
Quando: hoje, às 19h.
Onde: Livraria Poeme-se (Rua do Sol, 451, Centro).
Quanto: Entrada franca. O livro custa R$ 12,00.

hoje e amanhã

hoje

as bandas jungle surfers e pedra polida se apresentam no chez moi (praça da faustina, praia grande), às 20h.

*

amanhã

*

nota: todo mundo já deve estar sabendo, mas… a apresentação das bandas negoka’apor e clãnordestino, prevista para a quinta-feira (26), na faustina, foi cancelada por motivo de força maior. novidades, avisamos por aqui.

canções para o domingo e a semana inteira


[pedro venâncio (guitarra e voz), eduardo monteiro, o duduca (contrabaixo e vocal) e andré grolli (bateria e vocal): a tal pedra polida]

então, hoje é domingo, cê não tá fazendo nada, perdido, navegando na internet, sem saber pra onde ir, hein?

aproveite o dia de hoje para descansar, que a semana será atribulada: shows da jungle surfers, pedra polida (foto), negoka’apor, clãnordestino, ii temporada de uma linda quase mulher, lançamentos dos livros de lúcia santos (uma gueixa pra bashô) e otto augusto sievert (mulheres de a a z), enfim, não será por falta de programação que você vai ficar aí zanzando entre o msn, o orkut e o e-mail, fazendo biquinho e dizendo que “não acontece nada nesta ilha”.

sobre toda essa programação aí, e mais um pouco, este blogue avisará durante a semana. fiquem ligados!

mas enquanto a semana não chega, de verdade, vale visitar o mais novo link da coluna à direita: pedra polida. lá é possível ouvir quatro canções da banda, muito boa, por sinal, a banda, muito boas, as canções. e você pode ouvir enquanto zanza entre o orkut, o msn, o e-mail…