Inferno dantesco de Rubens Costa se passa nos calores infernais de Piauí e Maranhão.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura
Uma rede de corrupção, prostituição e escândalos outros envolvendo figurões da política, judiciário, imprensa e empresariado local. Paixões arrebatadoras, traições, conflitos em excesso. Ingredientes perfeitos para uma novela das oito, certo? Ou você acha que aqui a ficção se tornou realidade e/ou vice-versa, e/ou, ainda, se confunde com ela?
Estes são, na verdade, os ingredientes de “Dante no inferno” [Garamond, 2007, 120 páginas, R$ 26,00], romance do piauiense Rubens Costa, que se passa… no Piauí. E no Maranhão.
Enquanto o pai de Dante morre no hospital, o anti-herói protagonista – que leva esse nome por conta da vontade do moribundo em homenagear os filhos com os nomes de grandes poetas: Dante, seu irmão Virgílio – se ocupa entre os excessos com álcool, o excessivo calor teresinense, a amante (obviamente, mulher de um amigo seu), a ex-mulher, a filha adolescente (que acaba, de certa forma, vitimada por aquilo que Dante combate) e a luta aguerrida, com pouquíssimos parceiros, contra uma rede de prostituição em expansão no submundo da capital piauiense.
O erotismo – com classe, não o barato – passeia pelas páginas de “Dante no inferno” e apressadinhos e/ou desavisados podem confundir o livro, logo de cara, com outra coisa que não um romance policial genuinamente brasileiro, nordestino. Capítulos curtos, como um bom folhetim. Uma surpresa a cada página e a vontade de ser herói também e acompanhar cada passo de Dante, personagem muito em falta na vida real; na contramão, abundam corruptos e corruptores e, retirando-se o herói do romance, sabemos que esta história se repete sempre, e não só no Nordeste.
Que residam apenas na ficção infernos dantescos como esse. Ou que infernos dantescos assim tenham, na vida real, como na ficção, finais felizes para quem merece a felicidade. E que os merecedores de culpa tenham as devidas e cabíveis punições.
[para rir e/ou chorar, a gosto do freguês: no jornal a tarde de hoje, o texto acima saiu com o título “dante no inverno entre o piauí e o maranhão”; abaixo, outro textinho da edição de hoje]
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[nelson rodrigues, o grande homenageado da flip 2007. foto: arquivo tv cultura]
FLIP chega à 4ª. edição
Festa Literária Internacional de Parati movimenta a histórica cidade carioca entre os dias 4 e 8 de julho.
Entre os dias 4 e 8 de julho acontece na histórica cidade de Parati, no Rio de Janeiro, a Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), que este ano homenageia o gênio (de) Nelson Rodrigues.
Diversos nomes da literatura – e artes, em geral – brasileira e estrangeira estarão presentes em debates, palestras, mesas-redondas e oficinas, durante os dias de programação: o cantor e compositor Lobão (que recentemente lançou seu “Acústico MTV”), o historiador e jornalista Paulo César de Araújo (que recentemente teve seu livro “Roberto Carlos em detalhes” tirado de circulação por controversa decisão da justiça brasileira), o moçambicano Mia Couto (Prêmio da União Latina de Literaturas Românticas em 2007), o dramaturgo Mário Bortolotto (que sempre agita a cena teatral paulista e não só) e Paulo Lins (cujo “Cidade de Deus” [1997] inspirou o filme homônimo), entre outros.
A programação completa da FLIP pode ser conferida no site http://www.flip.org.br/ (ZR)