gabriela, 40 anos

atendemos ao pedido que o leitor cesar cordaro fez aqui. abaixo, a letra de gabriela, frevo de chico maranhão gravado por ele no disco batizado pela música em 1974; antes, em 1967, o mpb-4 defendia gabriela no iii festival de música popular brasileira da tv record, há 40 anos, pois. pergunta que não quer calar, nunca: quando é que a obra de chico maranhão chegará ao cd?

peguei a letra abaixo ouvindo o disco; qualquer erro, será fruto de defeitos de minha audição.

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gabriela
(chico maranhão)

atravessei o mar
a remo e a vela
fiz guerra e em terra
montei a cavalo
e em pelo de sela
cruzei as florestas, montanhas e serras
a lua sorria, eu sorri com ela
quando corria, eu corria dela
pulei cancelas, pulei quintais
deixei donzelas e tudo mais
quantas janelas ficaram atrás
só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

joaninha ficou chorando
dizendo meu bem não vá
com medo acabou ficando
pois não quis acreditar
que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela
que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

dançando meu frevo quente
na roda que vai a frente
chamando a toda gente
o padre, o juiz, o incompetente
os outros civis junto com o tenente
o mal e o bem, qualquer um eu descrevo
daçando o frevo contigo também
lá-iá-lá-iá
daçando o frevo contigo também
lá-iá-lá-iá

que eu vinha só pra te ver gabriela
só pra te ver gabriela

do bispo

gisele brasil achou o clipe em questão (vocês lerão, lá) postado no youtube ainda ano passado. para mim e mais uma turma, é novidade: o meu amigo xico sá (fineza ler isso imaginando a entonação usada por roberto carlos para saudar o seu amigo erasmo) dançando com (aqui, força de expressão) sidney magal, ídolo da adolescência de minha mãe.

seguinte: toda sexta, um convidado, hoje sou eu, no blogue do bispo. não percam! quem não quiser ler o texto, vá direto ao clipe, ao final do mesmo. este sim, vale a pena.

e até daqui a pouco, na faustina e arredores.

até sexta, as inscrições

penduro abaixo, e-mail que recebi do ramon bezerra. aos estudantes aptos que lêem este blogue, atentem e participem!

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———- Forwarded message ———-
From: Ramon Bezerra ramonbz_ma@yahoo.com.br
Date: 17/07/2007 09:31
Subject: Inscrições para o curso Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes terminam sexta-feira
To: zemaribeiro@gmail.com

Inscrições para o curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” terminam sexta-feira

O Curso faz parte do projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes: Difundir para respeitar”

Com o intuito de construir estratégias de formação e capacitação de jovens comunicadores em direitos humanos de crianças e adolescentes, a Agência de Notícias da Infância Matraca, promove no período de 30 de julho a 27 de setembro o curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes”. O curso é gratuito e destinado a estudantes de Comunicação Social a partir do 4º. período. As inscrições podem ser feitas no período de 10 a 20 de julho, na Agência Matraca (Rua Isaac Martins, 63-A, Centro), no horário das 8h às 18h.

As vagas são limitadas. No ato da inscrição os estudantes devem apresentar o histórico escolar, ou comprovante de matrícula.

O curso é uma das atividades do projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – Difundir para respeitar” e tem por objetivo proporcionar a estudantes de comunicação, contato com temas que pouco são tratados pela universidade, mas que são essenciais para a formação do comunicador.

A aula inaugural do curso “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” será aberta ao público e acontecerá no dia 24 de julho, às 19h, no Auditório do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e será ministrada pelo professor Juan Diaz Bordenave, autor de “O que é comunicação” e “Além dos meios e mensagens”.

As atividades serão realizadas três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), das 8h30min às 10h30min, na sede da Agência Matraca. Ao final, cada estudante deverá produzir um artigo sobre os temas abordados no curso. Após essa etapa, haverá a continuidade com a participação em um estágio remunerado durante três meses, de segunda a sexta, em uma organização não-governamental que atue em defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Esse estágio tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento institucional das organizações, desenvolvendo com elas seus planos de comunicação.

O projeto “Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – Difundir para respeitar” é uma parceria da Agência de Notícias da Infância Matraca com o Instituto Oi Futuro, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e conta com o apoio da Secretaria de Estado Extraordinária de Direitos Humanos do Maranhão.

O projeto tem como objetivo maior mobilizar várias categorias de comunicadores, entre estudantes, professores e profissionais, para a promoção dos direitos humanos de crianças e adolescentes.

O curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” é uma das atividades em comemoração aos cinco anos da Agência de Notícias da Infância Matraca.

O conteúdo programático do Curso é: Introdução aos Direitos Humanos; Sistema Internacional de Direitos Humanos; A Comunicação como direito humano; Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes; ECA e Sistema de Garantia de Direitos; Temas importantes: Trabalho infantil, Violência, Medidas Sócio-educativas, Situação de rua; Gênero e etnia; Campo de Trabalho; Mobilização Social; Cobertura Positiva; Plano de Comunicação.

Mais Informações:

Agência de Notícias da Infância Matraca
Endereço: Rua Isaac Martins, 63-A, Centro – São Luís
Fone: (98) 3254 0210
E-mail: noticias@matraca.org.br

Serviço:

O quê: Curso “Comunicação e Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes”
Público-alvo: Estudantes dos Cursos de Comunicação Social, a partir do 4º. período.
Inscrições: De 10 a 20 de julho na Agência de Notícias da Infância Matraca.

a terceira sessão

eis o filme que entra em cartaz amanhã, no cine praia grande. os 12 trabalhos e a sinopse e maiores informações você pega aqui. sessões às 18h30min e 20h30min. ingressos: r$ 4,00 e r$ 2,00 (para estudantes com carteira; aos domingos, r$ 1,00 para todos).
a terceira sessão, na verdade, é a primeira: wood & stock, às 16h30min, pelos mesmos preços.

é pra lotar o cpg, hein?

hoje, às 18h30min e 20h30min, últimas sessões, no cine praia grande (centro de criatividade odylo costa, filho). ingressos: r$ 4,00 (meia para estudantes com carteira). vou lá!

aquecimento “global”

quando ronald silva robson escreveu este post em seu blogue, fiz o comentário que segue abaixo, em itálico:

calma, ronald(o) silva robson. ou em breve arrependa-se do que escreveu. não me acho mentiroso nem otário, nem quero crer ter frações de mim que façam jus aos adjetivos. abraço!

recebi, como resposta, o também em itálico abaixo:

zema, nunca escrevi nada bom o suficiente para que me arrependa. já se tu queres ser otário ou não, não tenho nada com isso. abraço.

o garoto me parece um daqueles adolescentes que inspiraram tom zé a fazer danç-eh-sa, seu novo disco: desiludidos, não-solidários etc. ou sou eu que sou um “tolo” que acredita em temas “utópicos” como direitos humanos, solidariedade, justiça, fraternidade e similares.

o fato é que de uns “dois” dias para cá o tema tem me chegado com mais freqüência aos olhos/ouvidos. e minha curtíssima paciência está esgotando.

e ela acaba quando eu vejo a globo, em novela das oito, fazendo merchandising para os perigos do aquecimento global.

aquecimento "global"

quando ronald silva robson escreveu este post em seu blogue, fiz o comentário que segue abaixo, em itálico:

calma, ronald(o) silva robson. ou em breve arrependa-se do que escreveu. não me acho mentiroso nem otário, nem quero crer ter frações de mim que façam jus aos adjetivos. abraço!

recebi, como resposta, o também em itálico abaixo:

zema, nunca escrevi nada bom o suficiente para que me arrependa. já se tu queres ser otário ou não, não tenho nada com isso. abraço.

o garoto me parece um daqueles adolescentes que inspiraram tom zé a fazer danç-eh-sa, seu novo disco: desiludidos, não-solidários etc. ou sou eu que sou um “tolo” que acredita em temas “utópicos” como direitos humanos, solidariedade, justiça, fraternidade e similares.

o fato é que de uns “dois” dias para cá o tema tem me chegado com mais freqüência aos olhos/ouvidos. e minha curtíssima paciência está esgotando.

e ela acaba quando eu vejo a globo, em novela das oito, fazendo merchandising para os perigos do aquecimento global.

convites (cartazes) no muro


[arte: ricardo santos]


[arte: beto gomez]

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colo os dois cartazes acima — massas!, diga-se — no muro deste blogue. eles anunciam shows da pedra polida e outras bandas: sexta-feira (13), com a zero @ 25 e a lenda s. a., no chez moi, às 22h, r$ 10,00 (metade para estudantes); sábado (14), com a o soro da baladeira, no anfiteatro do odylo costa, filho, às 19h30min, grátis.

a pedido da turma da pedra polida, escrevi o release-fuleiragem abaixo, que fala (in)diretamente do show de sábado. ficam aqui os convites deste blogueiro aos seus poucos-mas-fiéis leitores para ambas as apresentações.

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pedra que rola não cria limo, diz o dito popular. on the road, like a rolling stone. pedra polida, seixo bonito, na mão, um jogo de maria um, na testa, é sangue descendo. se o soro da baladeira não for bem esticadinho, pode acontecer um acidente; mas risco é pra se correr e quem ‘tá na chuva é pra se queimar, né não?. puxou pra trás, firmou a pedra, soltou, lá vai, ‘bóra em frente!, sigam-me os bons. de matar passarinho tédio quando as duas se juntam. podemos dizer, (pronúncia ambígua proposital) de ambas: diversão garantida. sem a possibilidade de seu dinheiro de volta, já que o show é “de grátis”. (zema ribeiro)

contradição


[foto: ramarys. clica para ampliar]

a foto em p&b para garantir um clima mais “cinematográfico”, seja lá o que isso for, segundo seu autor, o ramarys.

era um sábado. da esquerda para a direita: “corintiano” (não lhe sei o nome de batismo, tradicionalíssimo feirante da praia grande, grande figura!), o cabra que fez o papel de “ladrão” no curta (não lembro seu nome), o blogueiro (que fez uma participação no curta em edição, tomando cerveja, um papel bastante natural), kelly campos (colega de aula), a sobrinha de corintiano (não lembro seu nome e não garanto a certeza da informação de parentesco que dou agora) e luana camargo (também colega de aula).

o filme surgiu em sala de aula: colombo pediu uns roteiros e eu contei uns tantos assaltos sofridos e outros alunos foram lembrando de outros assaltos e pensou-se numa série. a idéia era inscrever o material no guarnicê. nada foi feito. nada ficou pronto.

só se rodou o “assalto mui amigo”, da foto acima. mas a montagem nunca saiu do lugar. adriana (outra colega de aula) me garantiu que fica pronto semestre que vem (aliás, este, que já estamos em julho): vai aqui uma satisfação para a dona do boteco na cândido ribeiro (ou das crioulas, se você preferir, as ruas aqui têm dois nomes, ‘cês sabem), onde o filme foi rodado. detalhe: ela com certeza não (me) lê (aqui n)o blogue, a dona do boteco (portanto, continua insatisfeita, isto é, sem satisfação nenhuma).

estou alegre na foto, como tenho buscado estar/ser sempre. às vezes é impossível, ‘cês entendem. mas fiquei triste “que só”, com as notícias das subidas de josé agrippino de paula e rafa (da mombojó).

puxe uma cadeira!

todo mundo já ouviu falar do tulípio, né? o personagem de eduardo rodrigues (textos) e paulo stocker (ilustrações) intitula uma revista de boteco que chega ao quinto número, circulando por bares, botecos e similares em são paulo, rio de janeiro e… belém. sim, nossa vizinha belém é o mais novo espaço tulípico. alô, cervejarias, bares, botecos, consumidores ludovicenses, enfim: todos os envolvidos na cadeia produtiva e consumidora de cerveja e álcoois em geral. perguntinha: não é hora de trazermos tulípio para uma visitinha? se ele visitar, certamente ficará por aqui (também).

mas, deixemos o blá blá blá de lado e, como diria adoniran barbosa em um antiguíssimo comercial de cerveja: “nós viemos aqui para beber ou para conversar?”

tou até meio acanhado, que sou o menino no meio só de feras (“deus nos dê fígado, pois temos um planeta inteiro pela frente”, canta a turma do mundo livre s/a, outros bons de copo), mas já não dizia augusto dos anjos que “o homem, que, nesta terra miserável, mora, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera”?: marcelo montenegro, andré sant’anna, xico sá, andréa del fuego, douglas diegues, ivana arruda leite, gabriela kimura etc., etc., etc. pelo boteco andam também nomes como aldir blanc e jaguar, para citar apenas estes e eu ficar menos envergonhado, se é que isso é possível.

repito a adorável pergunta-mantra adonirânica: “nós viemos aqui para beber ou para conversar?”

o boteco do tulípio fica aqui. entre, puxe uma cadeira, sente-se. ali é a mesa onde sento (na verdade, eu sento numa das cadeiras). o prazer é todo nosso! um brinde! garçom, mais uma!

a noite


[cartaz de divulgação do(s) show(s); clica para ampliar]

Emanuel de Jesus no “Casa Cheia”

Em fase de gravação de seu primeiro disco, músico bacabalense se apresentará nas três primeiras quartas-feiras de julho.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

O objetivo batiza o projeto e o Casa Cheia leva bons espetáculos musicais e teatrais ao palco do Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande.

O músico bacabalense Emanuel de Jesus é o próximo nome a se apresentar no projeto. Durante as três próximas quartas-feiras, ele mostra o que há de melhor na música maranhense, interpretando sucessos de Zeca Baleiro, João do Vale, César Nascimento e Santacruz, entre outros. Ele mostra também composições próprias, a exemplo de “Canção pra morena” e “Mapa astral”.

Emanuel (violão) será acompanhado de banda formada pelos músicos George Gomes (bateria), Marcelo Rebelo (teclado), Carlos Piau (percussão) e Iran Nascimento (contrabaixo). A direção musical é de Norlan Lima. A cada quarta-feira, o artista terá participações especiais diferentes, incluindo sempre um artista de sua cidade natal, Bacabal (confira detalhes na Agenda Cultural, ao pé desta página).

Histórico – Emanuel de Jesus estreou artisticamente em 1999, no espetáculo “O auto do Mearim”, da Cia. Curupira de Artes Cênicas e Folclóricas. Conquistou prêmios em festivais como o Canta Mearim (1999) e UniReggae (2004, 2005). Foi gestor de cultura em Bacabal e contribuiu para a realização de diversos projetos culturais. Está gravando seu disco de estréia.

Serviço

O quê: Projeto Casa Cheia
Quem: Emanuel de Jesus e banda
Onde: Teatro Alcione Nazaré, Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande)
Quando: 4, 11 e 18 de julho, com participações especiais (veja Agenda Cultural).Quanto: os ingressos custam R$ 6,00 (estudantes com carteira pagam metade).

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a nota da agenda cultural do jornal, prometida durante o texto:

Projeto Casa Cheia – Com o músico bacabalense Emanuel de Jesus e várias participações especiais. Dias 4 (com participações de Beto Pereira, Mano Borges e Luana Magalhães), 11 (com Carol e Ana Tereza, Josias Sobrinho e Josué) e 18 de julho (com Tereza Cantu, Luis Guerreiro e Davi Faray), no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande). Ingressos: R$ 6,00 (meia para estudantes com carteira).

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quando a tarde acaba, vem o título deste post. com o texto acima (o outro, sobre este evento aqui, não foi publicado), despedi(ram)-me ontem do jornal a tarde.

um corte nos gastos atingiu (como sempre é de se esperar, não só no referido jornal), a página de cultura. soube depois que a “tesourada” havia pego pelo menos mais uma repórter.

o jornal continua circulando, eu continuo (não nele, mas continuo)…

cef

Ela se atrasou, mas ele já nem reclamava, acostumado. Quando chegou, ele olhava pelo vidro, de dentro da agência, absorto. Pensava em não-sei-o-quê. “O que foi, menino?”, ela perguntou, entre maternal e preocupada, se é que aqui estas palavras não são sinônimos e este texto redundante. Estava emocionado, era a verdade. Apesar do “menino” no tratamento que ela lhe dispensou, antes de ele levar a boca até sua bochecha e dar-lhe um beijo terno, era agora um adulto e estava bastante feliz com aquilo. Pensou imediatamente na canção do Roberto e resolveu não cantarolar, sabendo que ela o detestava. “Olha, você tem todas as coisas…”, ficou só no pensamento.

Passaram pela porta giratória com um detector de metais fajuto – ele não conseguia não acreditar que aquilo não fosse movido por puro preconceito. Era mágica: crianças entravam por um lado e saíam adultos do outro. E vice-versa. Saíram da “ante-sala” dos caixas eletrônicos. Subiram as escadas e entre uma dúvida e outra e um funcionário e outro, foram até bem atendidos. E rápido.

Ora crianças, ora adultos. Às vezes em dúvida, de repente ambas as coisas. Estava aberta a conta corrente para o débito das prestações do apartamento, comprado por um programa “imóvel na planta”. “A cabeça cheia de problemas”, calou-se de novo. O adulto tornara-se novamente um menino, transpirava felicidade. Certamente, preocupações percorriam-lhes os juízos. Mas a alegria e a felicidade eram maiores, se é que estas palavras também não têm os mesmos significados e o texto torne-se ainda pior, embora traduza os mais belos dos sentimentos. Aquele era o primeiro dia do resto de suas vidas, que queriam juntas para sempre.

dante no inferno entre o piauí e o maranhão

Inferno dantesco de Rubens Costa se passa nos calores infernais de Piauí e Maranhão.

por Zema Ribeiro
da Editoria de Cultura

Uma rede de corrupção, prostituição e escândalos outros envolvendo figurões da política, judiciário, imprensa e empresariado local. Paixões arrebatadoras, traições, conflitos em excesso. Ingredientes perfeitos para uma novela das oito, certo? Ou você acha que aqui a ficção se tornou realidade e/ou vice-versa, e/ou, ainda, se confunde com ela?

Estes são, na verdade, os ingredientes de “Dante no inferno” [Garamond, 2007, 120 páginas, R$ 26,00], romance do piauiense Rubens Costa, que se passa… no Piauí. E no Maranhão.

Enquanto o pai de Dante morre no hospital, o anti-herói protagonista – que leva esse nome por conta da vontade do moribundo em homenagear os filhos com os nomes de grandes poetas: Dante, seu irmão Virgílio – se ocupa entre os excessos com álcool, o excessivo calor teresinense, a amante (obviamente, mulher de um amigo seu), a ex-mulher, a filha adolescente (que acaba, de certa forma, vitimada por aquilo que Dante combate) e a luta aguerrida, com pouquíssimos parceiros, contra uma rede de prostituição em expansão no submundo da capital piauiense.

O erotismo – com classe, não o barato – passeia pelas páginas de “Dante no inferno” e apressadinhos e/ou desavisados podem confundir o livro, logo de cara, com outra coisa que não um romance policial genuinamente brasileiro, nordestino. Capítulos curtos, como um bom folhetim. Uma surpresa a cada página e a vontade de ser herói também e acompanhar cada passo de Dante, personagem muito em falta na vida real; na contramão, abundam corruptos e corruptores e, retirando-se o herói do romance, sabemos que esta história se repete sempre, e não só no Nordeste.

Que residam apenas na ficção infernos dantescos como esse. Ou que infernos dantescos assim tenham, na vida real, como na ficção, finais felizes para quem merece a felicidade. E que os merecedores de culpa tenham as devidas e cabíveis punições.

[para rir e/ou chorar, a gosto do freguês: no jornal a tarde de hoje, o texto acima saiu com o título “dante no inverno entre o piauí e o maranhão”; abaixo, outro textinho da edição de hoje]

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[nelson rodrigues, o grande homenageado da flip 2007. foto: arquivo tv cultura]

FLIP chega à 4ª. edição

Festa Literária Internacional de Parati movimenta a histórica cidade carioca entre os dias 4 e 8 de julho.

Entre os dias 4 e 8 de julho acontece na histórica cidade de Parati, no Rio de Janeiro, a Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), que este ano homenageia o gênio (de) Nelson Rodrigues.

Diversos nomes da literatura – e artes, em geral – brasileira e estrangeira estarão presentes em debates, palestras, mesas-redondas e oficinas, durante os dias de programação: o cantor e compositor Lobão (que recentemente lançou seu “Acústico MTV”), o historiador e jornalista Paulo César de Araújo (que recentemente teve seu livro “Roberto Carlos em detalhes” tirado de circulação por controversa decisão da justiça brasileira), o moçambicano Mia Couto (Prêmio da União Latina de Literaturas Românticas em 2007), o dramaturgo Mário Bortolotto (que sempre agita a cena teatral paulista e não só) e Paulo Lins (cujo “Cidade de Deus” [1997] inspirou o filme homônimo), entre outros.

A programação completa da FLIP pode ser conferida no site http://www.flip.org.br/ (ZR)