viva o forró, porra!

Recebi alguns e-mails elogiando, outros criticando, os comentários que fiz, recentemente, aqui no JC, sobre a produção atual do forró dito pé-de-serra. Os que criticaram, sugeriram que eu fizesse o mesmo com os discos das bandas, ditas de forró eletrônico. Do forró, dito pé-de-serra me ocupo, porque gosto, foi a música com a qual cresci. O forró dito eletrônico, assim como disco de Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, sertanejos em geral, Calypso e bregas em geral estão acima da crítica. Saia Rodada, Cavaleiros do Forró, Forrozão Chacal, Mulheres Perdidas, Aviões do Forró, etc. etc., não é forró. Pelo contrário, prejudica o forró, porque tem público. E tem o mesmo público que teve o gosto musical embotado pela axé music. Para este o que vale é a multidão, a turba. Podem botar um poste em cima de um caminhão, em silêncio que eles vão atrás.

Estas bandas são mais um fenômeno sociológico* do que musical. Aliás, a música é uma mistura de lambada com a coreografia aeróbica da axé, letras de música sertaneja, no início – e hoje de um erotismo grosseiro, com trocadilhos infames e de mau gosto.

Embora se digam de forró, a sanfona está ali apenas para justificar o “forró” no nome do grupo, o que sustenta as melodias pobres e repetitivas, são os sopros e metais, estes muito bons, tocados por músicos calejados. Como elas são as preferidas das prefeituras onde há grandes arraiais, a tendência é o forró continuar perdendo espaço para as bandas.

@

o texto acima é do sempre lúcido josé teles, de sua coluna “toques”, no jornal do commercio, de pernambuco. quem me enviou, por e-mail, foi o amigo glauco barreto, que recentemente passou pela ilha.

os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue sabem o que penso sobre o assunto. e preferia que músicas (?) como esses pseudo-forrós não tocassem em ambientes que freqüento. mas é quase impossível escapar disso: ônibus, bares, lares, é uma praga.

que não me contagie! amém!

@

[*escatológico, eu diria.]

dia dos namorados

hoje é 12 de junho, dia dos namorados, véspera do dia do santo casamenteiro, ele, antonio. gravei minha terceira participação no “etc. e tal”, comandado por zina nicácio para a rádio univima. deve ir ao ar dia 15. aviso por aqui.

no primeiro programa, ataquei de lenine. no segundo, de caetano veloso. no terceiro, outro nordestino. alguém adivinha quem? disse lá umas breguices, umas pieguices (que sem isso não é amor) e toquei a música.

a pessoa é para o que nasce

acredito que não, mas não lembro (e não fui pesquisar) se “a pessoa é para o que nasce” chegou aos cinemas ludovicenses (mesmo que através de algum festival, a exemplo do guarnicê).

achei o belo documentário numa daquelas bandejas nas lojas americanas, por módicos 12 reais e 99 centavos (ou 13 e 99?).

assisti ontem e gostei bastante. é cru, às vezes parece até exagerado em alguns depoimentos. mas é, antes de tudo, sincero.

nas bandejas há outros bons dvds e cds. corra! pode valer a pe(r)na(da)!

enquanto isso, longe do maranhão forró fest…

“tu não conhece zema? é esse aí!”

assim raimundo garrone me apresentou ao poeta antonio rezende quando cheguei ao bar do léo na noite de ontem. comentei rapidamente do texto (e das falhas do texto) publicado no jp, convidando a turma para o lançamento de “acerto de contas”. acabei não dividindo a mesa – ou melhor, o balcão – com eles, acompanhado que estava da namorada e do amigo glauco barreto, paraibano radicado em brasília que havia aproveitado o feriado para conhecer a ilha. a glauco fiquei devendo uma melhor atenção, mas o contratempo de ter que trabalhar na sexta-feira pós-feriado, além do trabalho do período (pré-)junino atrapalharam-me um bocado.

antes de gildomar chegar e juntar-se a nós, trocamos de mesa procurando um lugar mais ventilado, entre uma cerveja e outra e a adorável intransigência musical de glauco – léo, o proprietário do bar havia saído e coisas como “não está sendo fácil viver assim, você está grudado em mim”, na voz de kátia, que desagradam bastante o visitante, saiam de suas caixas de som. depois acabaram rolando luiz-gonzagas, elomares e outros sons simpáticos a nós.

histórias engraçadas, piadas, discussões políticas e “apostas” sobre uma música ser de um ou outro compositor e estar em um ou outro disco ocuparam nosso tempo. além, é claro, da sincera análise dele (compartilhada por todos na mesa) sobre o mau gosto instalado, de modo geral, em qualquer canto ilhéu: bares na praia ou em qualquer lugar. nem lhe fez tanta diferença, a não ser a visão de uma aglomeração no caminho do bar do léo, mas, porca coincidência, glauco visitou são luís durante os dias de maranhão forró fest.

nota engraçadinha: quarta-feira, começo da noite, passo na rua grande e ouço cambistas gritando, repetidamente, “ingressos para o maranhão forró fashion!, ingressos para o maranhão forró fashion!…”

pago agora!

[rezende exibe a obra que lançará em são luís; divulgação]
Rezende estréia em livro e acerta contas poéticas com público ludovicense.

por Zema Ribeiro

Dia 13 de outubro de 2006, usei este canto inferior direito de página para escrever sobre “Música”, livro-disco do poeta Celso Borges, com mais de cinqüenta poetas-músicos-artistas. No último dia 19 de maio [errata: na verdade, foi dia 25 de maio], em Brasília, ele e o poeta Antonio Rezende estiveram lançando suas obras, este, “Acerto de contas” [Editora Kelps, 109 páginas, R$ 15,00], . No próximo dia 14 de junho, é a vez do segundo chegar à capital maranhense para o lançamento de sua coletânea de poemas.

“Acerto de contas” reúne poemas que vão do quarentão Rezende ao homem de vinte e poucos anos, membro da Akademia dos Párias que bradava seus poemas em noites boêmias e esquinas insones ludovicenses – e vice-versa – na década de 80.

O livro é endossado – como se se aprovassem as contas, é o que acontece – por nomes como Celso Borges, Fernando Abreu e Zeca Baleiro, para ficar apenas nos maranhenses: Rezende nasceu em Araguaína e hoje mora em Palmas/TO, onde exerce os ofícios de jornalista – apesar de não ter concluído o curso superior –, fotógrafo – algumas belas imagens em p&b ilustram a obra – e poeta. [outra errata: faltou eu colocar o endereço do blogue do moço no texto, agora linkado aí ao lado]

Em “Acerto de contas”, encontramos a “palavra de ordem”, “Poeme-se!”, poema de uma linha que acabou por batizar o famoso misto de livraria e sebo mantido por Ribamar Filho, o conhecido Riba do Poeme-se. É lá, na loja da Praia Grande (Rua João Gualberto, 52), que Antonio Rezende declamará poemas e autografará este volume de poemas, que escrito e publicado sem pressa, nos chega em boa hora.

Serviço

O quê: noite de autógrafos de “Acerto de contas” (poemas)
Quem: o poeta Antonio Rezende
Quando: dia 14 de junho (quinta-feira), às 19h
Onde: Livraria Poeme-se (Rua João Gualberto, 52, Praia Grande)Quanto: entrada franca. O livro estará sendo vendido e autografado na ocasião.

[jornal pequeno, jp turismo, primeira classe, hoje; o jp não circula pós-feriados]

ressaca

em feriados o jornal pequeno limpa as máquinas e não circula no dia seguinte. portanto, nosso texto sobre o lançamento de acerto de contas, de antonio rezende, em são luís, circulará na edição de amanhã (sábado, 9/6)

pirata

miopia e astigmatismo aumentam enquanto uso demais o computador, em vez de enquanto leio demais. é claro que a maioria das coisas que leio hoje, feliz ou infelizmente, saem desse monitor (ok, entre casa e trabalhos acabo usando mais de um micro) que ora me encara, em vez de livros (de papel, se é que vocês me entendem). é claro que vocês, que do outro lado me lêem sem ter que me encarar (sorte a vossa), entende(ra)m.

entre o reclamar pel(a obrigação d)o excesso de uso de computadores no corre-corre de cada dia de todos nós, acabei por achar engraçado a xícara me servir de tapa-olho enquanto eu lia algo (aqui na tela, mas não aqui no blogue, noutro) e tentava (com sucesso, diga-se) tomar o chocolate.

onde andará meu patrocinador?

devo confessar: não leio todos os colunistas de nominimo. mas o anúncio da possibilidade de seu fechamento me assusta: há coisas de que gosto muito, ali. a agência carta maior se saiu bem (?) depois de um anúncio de “crise” parecido. que o nominimo tenha, no mínimo, a mesma sorte.

na internet, a única coisa que não ameaça fechar por falta de patrocínio é este modestíssimo blogue. ao menos não por enquanto.

mas se você quiser fazer uma boa ação, fineza fazer contato. obrigado!

também no blogue da suely mesquita

[o texto abaixo foi publicado no jornal pequeno, jp turismo, primeira classe, hoje; está, também, republicado no blogue da suely mesquita e pode ser lido aqui]

Casa brasileiríssima

Mário Sève reúne bons músicos-amigos em disco festivo e plural.

por Zema Ribeiro*

No céu azul, uma nuvem branca tem formato de mapa do Brasil. A capa, de Elifas Andreato, desde sempre um clássico das artes visuais de diversos registros fonográficos brasileiros, parece traduzir perfeitamente a pluralidade desse “Casa de todo mundo” [Núcleo Contemporâneo, 2007, R$ 21,00], registro (não podemos falar em “solo”) de Mário Sève, integrante do grupo Nó em Pingo d’Água, que participa da festa.

“Casa de todo mundo”, como diz o título, é festiva reunião de músicos fazendo o que sabem de melhor. As músicas, todas de autoria do anfitrião, alternam-se entre temas cantados e instrumentais, algumas ganhando letras de parceiros como Suely Mesquita, Pedro Luís, Nelson Ângelo e Sérgio Natureza.

Entre os diversos gêneros que o disco traz, diversos artistas e grupos passeiam – cada faixa traz pelo menos um convidado: Mônica Salmaso em “Toada”; Zé da Velha, Silvério Pontes e Jorginho do Pandeiro em “Samba no pé”; Suely Mesquita e Quarteto Maogani em “Imaginária”, belo choro com letra da primeira; o grupo Mestre Ambrósio em “O cabra”, forró que traz versos de Siba na abertura; Rosa Emília e Nelson Ângelo em “Da antiga”, com letra do segundo; o Conjunto Época de Ouro na valsa que leva o mesmo nome do tradicionalíssimo grupo instrumental.

“”Casa de todo mundo”, como uma acolhedora casa brasileira, é meu “Plano Habitacional””, afirma Mário Sève, no encarte do disco. Ele, que bem sabe receber, ficará feliz com sua presença. Entre e deixe-se invadir pela rica variedade que sairá de seu aparelho de som, da primeira à última faixa.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

otto, indo e voltando

[aviso desnecessário: isto não é jornalismo! textinho nosso sobre a apresentação de otto, anteontem, no taa. pena que não era quinta-feira, vocês entendem…]

ao grito de “cai fora!” emitido por algum gaiato da platéia, o público respondeu com uma sonora vaia, que deturpada, ganhou a ilha como tendo sido para o músico tutuca, que no bis do set de abertura, brindou a platéia com um belo boi, com a percussão luxuosa de jeca. que fique claro aqui: a vaia não era direcionada ao músico maranhense que abriu o show de otto [e banda, “mtv apresenta”, projeto mpb petrobrás, dia 29 de maio, às 20h, teatro arthur azevedo].

o mangue-boy parecia um moleque deslumbrado. repetiu infinitas vezes do prazer e da felicidade de estar ali. aqui. “belém ou são luís?… o quê que tu acha?”, respondeu em tom de deboche a um engraçadinho que caçoava do embaralhar das idéias do autor de “bob”, enquanto este contava o percurso dessa turnê, que se encerrava ali, aqui, na ilha do amor.

otto correu por entre a platéia, sentou na beira do palco, deitou, tocou percussão, cantou e se divertiu, muito, antes, durante e depois do espetáculo, onde fez confissões menos recomendáveis sobre controversos cigarrinhos.

entre seus próprios hits – muitos pedidos pela platéia, para meu espanto. confesso: julgava otto menos conhecido por aqui e, felizmente, estava enganado – o discurso da felicidade, várias vezes repetido, os cabelos – e a barba, desarrumados – molhados, “aqui é quente demais, mas eu gosto é assim”, dizia, enquanto se banhava com copinhos de água mineral. e cantou homenagens para lia de itamaracá e um outro pernambucano, o maior, luiz gonzaga, pinduca, rei do carimbó no vizinho pará, e a parceria de erasmo carlos e ronnie von, num dançante brega eletrônico, “pra ser só minha mulher”. coisas de otto. “tv a cabo”, “ciranda de maluco”, “o celular de naná”, “pelo engarrafamento”, “dedo de deus”, “cuba” etc., etc., etc. bis e tris garantiram, entre outras, “condon black”, cuja letra, de versos como “é pau, é cu, é buceta!”, foi dos vários momentos em que otto e a platéia cantaram juntos, íntimos, cúmplices.

“canção barata”, jornalismo também – lembro de há quase dez anos, ter ouvido “samba pra burro” doze vezes seguidas (seguidas: sim, no mesmo dia, sem tirar o disco, pasmem!), assim que comprei a bolachinha-solo de estréia do ex-percussionista de bandas pernambucanas não menos conhecidas, como mundo livre s/a e nação zumbi.

vi, anteontem, um polido otto agüentar comentários como “esse projeto é legal por que traz um monte de gente nova” ou perguntas como “o seu trabalho tem alguma influência do manguebit?” disparados pelo casalzinho que apresentava o jornal de meio-dia na tv mirante.

sobre outra coisa qualquer, durante o show, otto disse: “é foda!”

contraditório

talvez você, caro leitor, estranhe o fato de otto ter tocado ontem em são luís e meu post ser batizado com o título de um disco do dj dolores. estranhe não! depois escrevo sobre a apresentação do mangue-boy. por enquanto, gostaria de rir (é pra rir ou chorar?) um pouco da nota abaixo, de félix alberto lima, editor interino da página de pergentino holanda, a nº. 3 do caderno alternativo, jornal o estado do maranhão de hoje, 30 de maio:

*

imprensa livre

foi duro o discurso do presidente josé sarney no senado, na última segunda-feira, em protesto contra o fechamento da emissora venezuelana rede caracas de televisão (rctv). sarney condenou a atitude do governo da venezuela e disse que democracia só existe com “imprensa livre e sem restrições”. segundo ele, a democracia é uma palavra, mas sobretudo é um estado de espírito.

*

rapidim, ó, meia-duzinha de coisinhas:

1) re-pergunto: é pra rir ou pra chorar?

2) todo mundo aqui conhece o conglomerado midiático de “seu” sarney, né?

3) sarney é presidente de quê mesmo?

4) a sigla rctv significa, na verdade, radio caracas televisión.

5) “imprensa livre e sem restrições”? será que isso existe no amapá? nem assim, justifica sarney desconhecer a realidade maranhense. (todo mundo aqui sabe que o maranhense josé sarney é senador eleito pelo amapá e tem rádios, tevês e jornais no maranhão, né?)

6) contraditório, não? (justifica ou não o título do post?)

como matei meu pai

sim, é o nome do filme ora em cartaz no cine praia grande [centro de criatividade odylo costa, filho, praia grande, sessões às 18h e 20h30min]. fui assistir, meio que por acaso, sexta-feira passada. entrei no cinema para dar um tempo e poderia ter feito outra coisa, mas o título do filme, o fato de ser francês (risos) e o anúncio como comédia – achei trágico, sinceramente – me chamaram a atenção.

ali estava eu, como quem não quer nada. não pude deixar de rir do “em cima da hora”: quase atrasado, entre resolver um e outro problema antes da sessão, foi uma coisa só eu sentar e os letreiros iniciais tomarem conta da tela: como matei meu pai [comment j’ai tué mon père, frança, 2001].

na parte superior esquerda de minha arcada dentária, algo me incomodava. usava a língua como uma espécie de palito de dentes e concentrava-me entre o filme e o esforço de retirar um suposto resíduo de comida que ali se alojara. passei o filme inteiro tentando fazer isso, sem sucesso e, que bom!, sem prejuízo ao entendimento da trama. ainda bem que o pequeno público presente não percebeu as manobras que tanto irritavam a mim mesmo.

em resumo, a história, é a seguinte, pescada daqui: jean-luc é um quarentão que se deu bem na vida, pelo menos em aparência. médico respeitado, casado com a belíssima isa, ajuda seu jovem irmão que é ator, empregando-o na sua bela casa burguesa. mas a vida de jean-luc e seus próximos é abalada no dia em que seu pai retorna, após um exílio voluntário de muitos anos.

imediatamente lembrei-me de meu pai, separado de minha mãe desde meus dez anos de idade. colocava-me no lugar do protagonista e tentava entender as razões do velho de barba e cabelos compridos e grisalhos que já havia deixado outras famílias anteriormente. seu distanciamento, seu silêncio, a incerteza de sua vida ou morte no sudeste-“maravilha”. um filme inteiro passou em minha mente, como se eu fosse um moribundo. percebo, no entanto, que minha vida está apenas começando. deus queira.

apesar dos momentos que justificam “como matei meu pai” como comédia e das poucas risadas de alguns poucos presentes, aquilo me doía fundo. mas permaneci na sala escura até o final da sessão. e valeu a pena.

pouco depois, entre um gole e outro da pouca cerveja que me permiti tomar – restos de gripe ainda me povoam – comentava uma “visita” (entre aspas, pois, a rigor, nem se tratava disso) inusitada que recebi. na hora em que abri a porta, meu irmão não estava em casa. parado na calçada de casa, um homem falava ao celular e gesticulava para mim, dando a entender que lhe esperasse terminar o assunto, que iria falar comigo. era o senhor de quem supostamente meu irmão alugaria uma casa e de quem eu, até ali, tinha apenas ouvido falar. trajava jeans e camisa pólo colocada por dentro, tinha cabelos médios e barba. pensei estar diante de meu pai, achando aquele homem tão parecido com alguém que há anos eu não via. na memória, fotografias que há tempos já não vejo. dava os descontos desse tempo, para o meu lado que pensava “não, não pode ser”. e o lado que pensava “e se for?” decidia-se entre o tomar a bênção, bater-lhe a porta na cara ou sair de casa levando a chave do jeito que eu estava no momento.

não posso negar minha curiosidade por papai. não chamaria o que sinto de saudades. não sei, sinceramente, como reagiria a um eventual encontro nosso – digo eventual por não saber se acontecerá ou não. se pode acontecer ou não, já disse de minhas dúvidas. e é dúvida minha também saber se ele tem alguma curiosidade por mim, por meus irmãos e/ou por suas duas netas (minhas sobrinhas), que nem sei se ele sabe que já tem.

como matei meu pai? papai se suicidou em mim.

a ufma ganha uma chance

Criada em 1966 como Fundação Universidade do Maranhão, fruto da reunião de faculdades preexistentes, a UFMA aos poucos foi adquirindo um certo ar de elefante branco, uma vasta instituição federal com relações muito frágeis com a sociedade, a região e seus problemas. De forma emblemática, encontra-se encravada numa área que ao longo do tempo aglutinou vasta população pobre, carente de uma série de serviços básicos, com a qual ela pouco interagiu, salvo raras e descontínuas experiências. Alienada da sociedade e sem maiores relações com as esferas dos governos estadual e municipal, a universidade também se constituiu alienando-se de si própria na medida em que sua direção foi apartada da comunidade acadêmica.

Instituição criada no bojo dos planos de expansão do ensino superior no período da ditadura militar, com todos os cerceamentos daí decorrentes, enredada na teia de interesses oligárquicos e temperada inicialmente pela forte presença do Arcebispado, logo delineou-se um circuito de dirigentes cuja seleção passava pelo encastelamento em cargos de vice-reitores, pró-reitores, diretores de centros ou equivalentes. No correr dessas quatro décadas, em dez reitorados descontínuos, construiu-se uma história na qual a disputa em torno da direção da universidade desenvolveu-se num jogo de acomodações entre interesses e “projetos” capitaneados por atores que já haviam se distanciado há tempos do cotidiano da universidade, pouco sabendo de como as coisas ocorrem lá na ponta, nas terríveis salas de aula e nos ambientes sujos, na carência de equipamentos, nos laboratórios insuficientes e bibliotecas bastante defasadas, na falta de motivação que se alastra por um campus cada vez mais esvaziado.

Integrando seu quadro docente há vinte anos, presenciei momentos de intensa disputa pelo comando da reitoria, que foram se desdobrando em controle de áreas inteiras por parte de grupos e nomes cuja permanência se conta em décadas, numa espécie de “feudalização” interna. Marcada pelo rápido inchaço burocrático, pela alienação de sua direção e sob a eterna sombra da ineficiência, a história da UFMA parece uma contínua descida da ladeira cujos exemplos pontuais em contrário nunca configuraram nenhum momento de destaque. Nos últimos anos, intensificou-se mesmo sob vários aspectos a deterioração administrativa, patrimonial e acadêmica, situação em que a gestão atual a encontrou e não conseguiu propriamente reverter. Apesar de algumas melhorias, uma sensação de acefalia corre célere pela UFMA, que vem perdendo continuamente espaço e credibilidade no quadro geral do péssimo ensino superior existente em nosso estado.

Quando o cenário previsível para o processo eleitoral na reitoria parecia caminhar para mais uma daquelas costumeiras disputas entre “reitoráveis”, a grata surpresa: diante da candidatura já colocada do diretor do Hospital Universitário, o atual vice-reitor se viu impedido pela legislação e o titular decidiu não disputar a reeleição, abrindo espaço para uma candidatura fora do circuito usual, a do prof. Francisco Gonçalves, coordenador do curso de Comunicação Social. Nome reconhecido no Maranhão, sua legitimidade está escudada numa história de forte atuação no movimento estudantil, nas lutas pela democracia, em diversos movimentos sociais e pela destacada atuação em âmbito acadêmico, capaz de angariar a confiança e admiração dos três segmentos, traços que se fizeram presentes de forma intensa na festa do lançamento de sua candidatura, no último dia 22. Em meio a depoimentos emocionados uma energia se estabelecia não só entre os professores, alunos e técnicos-administrativos presentes, mas também ex-professores, ex-alunos, integrantes de movimentos sociais, pessoas com vínculos de lutas antigos e variados, todos, a seu modo, vendo na simplicidade altiva e determinada da figura de um professor como tantos de nós a possibilidade de desenhar um caminho diferente, participativo e criativo, capaz de redefinir a triste história desta instituição. A UFMA vive uma situação de extrema urgência e as circunstâncias favoreceram a construção de uma possibilidade frente a qual não cabem vacilações. Que a comunidade acadêmica não perca essa chance!

*

as eleições para reitor da universidade federal do maranhão estão bem aí (dia 5) e eu já devia ter feito isso há muito tempo. pois bem: a publicação desse texto aí (cujo título é o mesmo do post), do flávio reis, professor de ciência política da ufma, marca a adesão deste blogue(iro) à candidatura do professor francisco gonçalves à reitoria da ufma. em maiúsculas e negrito, ó: ESTE BLOGUE(IRO) APÓIA A CANDIDATURA DE FRANCISCO GONÇALVES PARA REITOR DA UFMA.

das ilhas mestiças

conforme prometido aqui, eis nosso texto na primeira classe de hoje, jp turismo, jornal pequeno:

A brasilatinidade de Rodrigo Lessa

Em seu quinto disco solo, compositor une temas instrumentais de Brasil, Cabo Verde, Cuba e Caribe.

por Zema Ribeiro*

Em seu quinto disco solo, o instrumentista e compositor Rodrigo Lessa (integrante de grupos como Nó em Pingo D’água e Pagode Jazz Sardinha’s Club) parte da idéia interessantíssima de juntar num só balaio musical os semelhantes – e agora não mais ilhados, neste aspecto, o cultural – Cabo Verde, Caribe, Cuba e Brasil. Ao primeiro, o compositor viajou, em pesquisa para o repertório – completamente autoral.

Das ilhas mestiças[Rob Digital, 2007, R$ 19,80 em http://www.robdigital.com.br] faz claras referências à música cubana que ganhou mundo em “Buena Vista Social Club”, o já clássico filme de Win Wenders. Também dialoga diretamente com a beleza abolerada de Césaria Évora, musa musical de Cabo Verde. E é brasileiríssimo no que o Brasil tem de melhor: a descontração – ao menos é o que nos parece – de músicos tocando com alegria, num disco instrumental antes de tudo, festivo.

“A música afro-americana (…) criou uma malha de tradições interconectadas de tantas maneiras, e que com tantos curtos-circuitos internos, que faz com que qualquer ritmo seja simultaneamente pai, filho, mãe, primo de todos os outros ritmos”. O dizer do antropólogo Hermano Viana, “pescado” do encarte do disco, traduz perfeitamente seu espírito: impossível – e desnecessário – determinar, ali, onde termina a rumba e começa o choro, onde começa o samba (quase sempre, como aqui, sinônimo de alegria) e termina a melancolia. De divisão, basta a geográfica – original, pois a musical já está quebrada – e a das 13 faixas de “Das ilhas mestiças”.

*para ler mais Zema Ribeiro, acesse http://zemaribeiro.blogspot.com

um post-it pra reuben (pós-beber)

nem ia pegar em micro e cá estou eu, até agora. mas vale(u) a pena.

noite, depois da aula, comecei a ler a trip de maio, que me chegou à tarde, com um entregador confuso (duas novas batidas na porta para me indagar novamente) ao saber que zema ribeiro (meu nome na etiqueta da embalagem e em quase todo lugar) e josé maria ribeiro jr. eram/são a mesma pessoa. fui direto ao que me interessava e que já sabia que estaria ali: o texto de joca reiners terron e ronaldo bressane, uma curta (mas profunda) (quase-)entrevista com josé agrippino de paula, autor cult do qual não li uma linha até agora, mas que muito me interessa (vá entender).

sentei para enviar um e-mail para reuben, avisando-lhe. mandei. por msn, comento com bruna beber, inclusive das outras partes dum texto maior na edição da revista: cláudio césar dias baptista (irmão mais velho dos irmãos mutantes) por bruno torturra nogueira, e o poeta roberto piva (por este, o e-mail para reuben; apesar dos pequenos erros de edição, o trabalho não é comprometido) por cassiano elek machado e emílio fraia.

“vale muito a pena”, é o que respondo ao “vou comprar” que beber me diz. ela que posa ao lado de rô rô, feliz(es) aqui, no blogue de sérgio mello, o poeta que escreveu a apresentação de seu “a fila sem fim dos demônios descontentes“.

[um “(mais que um)” antes do título do post, por favor! não, deixa assim mesmo!]