um filme literário de bunker

ok, a resenha abaixo, nossa modestíssima colaboração ao jornal pequeno de hoje (primeira classe, jp turismo), ficou meio assim, aqueles textos penduráveis em sites e encartes com o intuito de vender. e talvez seja esta, realmente, a intenção. é ou não é? “o menino” é um bom livro, vale a pena, cada página, urgente e violenta, quando vamos nos perguntando o que acontecerá a alex hammond na página seguinte. ou quando nos emputecemos e perguntamos: será que este menino não se emenda(rá) nunca? ok, não vou contar-lhes a história, um verdadeiro filme literário, se é que isso existe. o fim? bom, não sei se o menino teve o fim que merece(ia), mas como bons filmes (novelas?), não há como agradar a gregos e troianos. só posso repitir: vale (muito) a pena.

Experiências violentas

Terceiro romance de Edward Bunker é relançado 25 anos depois. Fábula sem (falsa) (lição de) moral.

por Zema Ribeiro*

Talvez Edward Bunker seja mais conhecido por sua atuação no cinema (como ator e roteirista) que por sua obra literária. Quiçá as duas coisas estejam interligadas, dada a forma com que constrói a segunda – particularmente no romance “O menino[“Little boy blue”, tradução de Francisco R. S. Innocêncio, Editora Barracuda, 2006, 426 páginas, R$ 45,00], talvez pela urgente violência de retratar esta.

A fábula – sem moral ou (falsa) lição de – de Bunker se passa na década de 40, século passado, e conta a saga do menino órfão Alex Hammond; ou antes, a história da destruição de sua infância, transtornado e transformado que é, pela vida, num ser amargo, perambulando entre escolas militares, reformatórios, hospitais psiquiátricos e toda a sorte de estabelecimentos prisionais a que “delinqüentes” podem ser confinados, além de suas fugas constantes dos mesmos.

Lançado originalmente em 1980, “O menino”, terceiro romance de Bunker, é obra de ficção, embora se percebam ali, pitadas da experiência própria do autor, falecido em 2005, aos 71 anos: ele, outrora criminoso e prisioneiro, o mais jovem a chegar a San Quentin, cadeia americana especializada em “guardar” homens à espera de cadeiras elétricas e/ou condenações homicidas similares – e que gerou outros criminosos-escritores, a exemplo de Caryl Chessman, o autor de “2455 – Cela da morte”.

Outros títulos de Bunker traduzem a violência a que o autor – como o protagonista de “O menino” – sempre esteve exposto: “Cão come cão”, ”Nem os mais ferozes” e “Educação de um bandido”, este, sua autobiografia dedicada a seu filho, todos lançados também pela Barracuda.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

“canção de vida”, sexta-feira passada e sempre

então, conforme prometido no post anterior, quando escrevi sobre “canção de vida“, show de lançamento do cd homônimo que celebra os cinqüenta anos de atuação da cáritas brasileira, produzido pelo regional maranhão da entidade, seguem algumas imagens da noite festiva, captadas pelas lentes atentas de aniceto neto [gracias]:


parte do público presente ao teatro alcione nazaré na festiva noite. parabéns, cáritas!


gildomar marinho, entre uma música e outra contou a história de seu primeiro contato com a cáritas, ainda na infância, na imperatriz para a qual compôs “tocantins“, música com que abriu o show.


entre gildomar e lena machado, luiz jr. e cia. armam o circo (ou melhor, o teatro) instrumental.


da platéia surge lena, que entoa a canção de vida eterna, “oração latina“, de cesar teixeira, música que traz em si o verso que batiza o disco/show.


a quem estava lá, aí estão boas lembranças; a quem não, a(s) dica(s): comprem o disco, ouçam, vejam as fotos, leiam o texto do post anterior. não é a mesma coisa, mas é o que lhes resta. sortes as suas: não é pouco!

"canção de vida", sexta-feira passada e sempre

então, conforme prometido no post anterior, quando escrevi sobre “canção de vida“, show de lançamento do cd homônimo que celebra os cinqüenta anos de atuação da cáritas brasileira, produzido pelo regional maranhão da entidade, seguem algumas imagens da noite festiva, captadas pelas lentes atentas de aniceto neto [gracias]:


parte do público presente ao teatro alcione nazaré na festiva noite. parabéns, cáritas!


gildomar marinho, entre uma música e outra contou a história de seu primeiro contato com a cáritas, ainda na infância, na imperatriz para a qual compôs “tocantins“, música com que abriu o show.


entre gildomar e lena machado, luiz jr. e cia. armam o circo (ou melhor, o teatro) instrumental.


da platéia surge lena, que entoa a canção de vida eterna, “oração latina“, de cesar teixeira, música que traz em si o verso que batiza o disco/show.


a quem estava lá, aí estão boas lembranças; a quem não, a(s) dica(s): comprem o disco, ouçam, vejam as fotos, leiam o texto do post anterior. não é a mesma coisa, mas é o que lhes resta. sortes as suas: não é pouco!

“canção de vida”, ontem e sempre

Gildomar Marinho ficou de fora do disco, mas às vésperas de completar 40 anos de idade – hoje, parabéns!, um brinde, amigo! – abriu brilhantemente o show “Canção de Vida” (Teatro Alcione Nazaré, Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande, ontem), comemorativo dos 50 anos da Cáritas Brasileira, organizado pelo Regional Maranhão da Entidade. Sozinho, ao violão, Gildomar interpretou músicas de sua lavra: “Tocantins”, “Olho de boi” (que deverá batizar seu tão esperado primeiro disco), “Panderê”, “O mano” (esta, composta após o show que celebrou os 26 anos da SMDH, e que integra o disco comemorativo dos 20 anos do MST/MA) e “Ladainha da remissão”.

Depois era hora de Ricarte Almeida Santos, o embaixador do choro no Maranhão e mestre de cerimônias da noite, apresentar Lena Machado e banda para a emocionante apresentação das canções de Canção de Vida. Era tudo um primor: o cenário, idealizado por Ruber, Lena entrando pela platéia até atingir o palco entoando a eterna “Oração latina” de Cesar Teixeira, sob o novo arranjo de Luiz Jr., diretor musical do disco e do show. No palco, com ela, Luiz Jr. (direção musical, violões), Carlos Pial (percussão), Marcelo Braga (saxofone, clarinete), Oliveira Neto (bateria), Renato Serra (teclado), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Rui Mário (sanfona), além da participação especial de Carlinhos Carvalho (teclado).

O repertório do show limitou-se – não na mesma ordem – ao do disco, o que não é pouco: a já citada “Oração latina”, “Flanelinha de avião” (Cesar Teixeira), “Terra, vida e esperança” (Jurandy Ferreira), “Milhões de uns” (Joãozinho Ribeiro), “Carcará” (João do Vale e José Cândido), “Pense n’eu” (Gonzaguinha), “Sem resposta” (Chico Canhoto), “Minha história” (João do Vale e Raimundo Evangelista), “Sobradinho” (Sá e Guarabira) e “O que é o que é” (Gonzaguinha), esta, cantada de pé por todos os que trocaram dois quilos de alimentos não-perecíveis (doados à Casa Sonho de Criança, Grupo Solidariedade é Vida, que cuida de crianças e adultos soropositivos de todo o Maranhão e estados vizinhos) por ver as belas performances daquela noite em que a Praia Grande estava mais cheia que o normal.

Chico Canhoto, Cesar Teixeira e Joãozinho Ribeiro – compositores maranhenses que cederam os direitos autorais de suas músicas para este projeto – foram homenageados pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão. Por motivos de força maior, os dois últimos não puderam estar presentes ao acontecimento e receberão, em outra oportunidade, as placas com o reconhecimento da Entidade por suas importâncias para o fortalecimento da identidade cultural do povo maranhense.

Com todos os seus gestos e canções de vida, a Cáritas reafirma cada vez mais o seu compromisso com a incansável luta por um mundo melhor e mais justo. Como está escrito numa das capas de “Canção de Vida”: “Os recursos arrecadados com a venda deste CD serão destinados aos projetos sociais desenvolvidos pela Cáritas Brasileira Regional Maranhão”. É hora de você, leitor, fazer parte dessa história.

[Aniceto Neto, fotógrafo “oficial” da noite, registrou o show em imagens; noutro post este blogueiro pendura alguns retratos aqui]

da série “ditas e interditadas”

pequenos (?) escorregões (?) nos jornais de hoje:

1. o debate, cultura, página 8: laboarte (sic) promove folia de carnavalesca (o título da matéria); dentro dela, “o laborarte foi criado em 1985”; a data correta é 1972. [sics e negritos deste blogueiro, aqui e abaixo].

2. conceito, página (12) de chico coimbra no diário da manhã: “a morte de escrete mobilizou a classe artística para seu sepultamento. josé henrique pinheiro seba deixou registro na música e na composição maranhense. criativo e bem humorado, o escrete do ccm (sic) e da favela do samba, deixa saudades…” a sigla aí deveria ser “ccn”, de centro de cultura negra.

3. atos e fatos versus diário da manhã: nota na coluna de luís cardoso, no segundo (diário político, página 2, “outro”), dá conta de que o primeiro fechará, por conta de dívidas; nota no primeiro (no palanque, página 2), transcrita integralmente a seguir, cita o outro sócio-proprietário do matutino da rua do alecrim; não se sabe é se devemos lê-la como um elogio ou uma sutil alfinetada: “o poeta roberto kenard, competente jornalista, é um herói. tem como aliado um inimigo do trabalho e amigo do copo. mesmo assim, produz seu jornal diariamente”. a nota, intitulada “o poeta e o bêbado”, esqueceu de dizer que o jornal de kenard não circula segunda-feira.

do anil ao de janeiro

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]


Negoka’apor grava disco de estréia e parte para o Rio: quiçá assim torne-se mais conhecida por aqui.

por Zema Ribeiro*

A Negoka’apor – outrora Som do Mangue – é dos poucos grupos que chegam ao disco de estréia já com o repertório que o compõe, conhecidíssimo – ao menos de seu fiel séqüito de fãs. Além de todas as outras – mais ou menos – conhecidas, quem aí não lembra do hit “Maria de Jesus”, que, em outra gravação (uma demo) invadiu as ondas da Rádio Universidade FM no começo do século?

Merecidamente, Negoka’apor [Plano Fonográfico da Secretaria de Estado da Cultura, 2006, R$ 15,00, à venda na Livraria Poeme-se], o homônimo disco de estréia da turma de Beto Ehongue recebeu os prêmios de melhor projeto gráfico [Joacy Jamys, infelizmente, não teve tempo de festejar], melhor disco pop e melhor música pop [“O encontro de Chico Mendes e Lampião no dia de São Sebastião”]. No dia de São Sebastião, a propósito, a banda realizou seu último show por estas plagas [“O Mar corre pro Rio”, Chez Moi (Praia Grande), dia 20/1]: os maranhenses rumam ao Rio de Janeiro em busca de um muito merecido “lugar ao sol”.

O som da Negoka’apor talvez evoque comparações (desnecessárias) – principalmente com a turma pernambucana do manguebeat, o que não ofende nem um nem outro pedaço da região Nordeste. Tanto lá, como cá, une-se música (dançante) e letras (inteligentes) para se fazer denúncia social através da arte.

Sobre as faixas do disco, o poeta e jornalista Eduardo Júlio – como este aprendiz, um fiel seguidor da banda – vaticina, no texto do encarte: “serão clássicas num futuro próximo”. Contesto: já são. E “Nordeste” ficou de fora.

Sucesso aos negros-brancos-índios do Maranhão! Como apregoa um famoso armazém: em qualquer lugar!

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

de ontem

não sei por que diabos, nossa modest(íssim)a colaboração ao jornal pequeno de ontem saiu sem a assinatura “por zema ribeiro”, embora os créditos de quem sou eu tenham aparecido ao final do texto. abaixo, a primeira classe, jp turismo, ontem.

Mpb etc.

A mais que batida sigla MPB assume outro significado: música preta branca.

por Zema Ribeiro*

“Agora a cozinha quer falar”. Eis o mote de “Música preta branca …e etc…[Elo Music, 2006, R$ 16,90], de Paulo Lepetit e Gigante Brazil, com patrocínio da Petrobrás, através da Lei de Incentivo à Cultura do MinC.

Músicos geralmente confinados à cozinha, Lepetit (contrabaixo, produção musical, gravação, mixagem, arranjos de base) e Gigante (bateria, percussão, voz) vêm para frente, neste registro multicolorido da música (im)popular brasileira, contando com o apoio luxuoso – “na cozinha” – de músicos como Adriano Magoo (sanfona, teclados), Hugo Hori (saxofone), Webster Santos (guitarra, violão), Bocato (trombone) e Edgar Scandurra (guitarra), entre outros. Estes, juntos aos (aqui) protagonistas, podem ser nomes estranhos aos menos atentos a “detalhes”; injustiça (que, parece, começa a ser corrigida), já que são “peças” importantíssimas de diversos discos da música brasileira contemporânea/atemporal: Marisa Monte, Itamar Assumpção, Ceumar, Ná Ozzetti, entre outros.

No encarte – colorido – os porquês. “Por que música preta, branca etc.? Porque música não tem cor. São os músicos quem tem”. Estão lá os compositores – coloridos – Paulo Lepetit (a “Indignação” que abre o disco, de versos de duplo sentido como “Agora a cozinha quer falar / tira a bunda daí / quer tomar café / vai tomar na cozinha”), Cartola (“Ensaboa”, já gravada anteriormente por Gigante Brazil, em participação especial no disco “Mais” [1990] de Marisa Monte), André Bedurê e Zeca Baleiro (a parceria inédita “Na quitanda”), Gigante Brazil (“Vento de amor”), Milton Nascimento e Caetano Veloso (“Paula e Bebeto”) e Itamar Assumpção (“Luzia”), a quem remetem os vocais firmes e execuções inspiradas do disco.

Lepetit e Gigante assinam ainda o “Anexo”, parceria de três versos com Luiz Waack: “Eu e meu anexo / só penso em grana / ele só pensa em sexo”. No fundo, todos só pensam em música. Boa.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

o boêmio voltou novamente…

valho-me deste verso de adelino moreira em “a volta do bôemio” para anunciar a volta de reuben, em o trompetista gago, blogue já (re-)linkado ao lado.

para quem acha que o título do post nada tem a ver com o assunto: o gago nelson gonçalves fez, se não a melhor, a mais conhecida gravação da canção.

ditas e interditadas

há pouco tempo, em sua página “ação e planejamento” (jp turismo, jornal pequeno), o jornalista cunha santos tinha uma coluna em que “pescava” tiradas geniais (hilárias, em sua maioria, trágicas se não fossem cômicas, como se diz) cometidas na prática diária do jornalismo maranhense. salvo melhor juízo (ou falta dele), a coluna chamava-se “datas ditas e datas interditadas“. quando inaugurei a ponte aérea sl, para atividade da disciplina jornalismo cultural (6º. período de jornalismo, faculdade são luís), ministrada pela professoramiga ana patrícia choairy, pensei em fazer o mesmo.

não o fiz.

eis que lendo a edição de hoje do jornal o imparcial, deparo-me, à página 7, com a matéria “proprietários abandonam prédios no centro de sl“, assinada por adriano martins, da equipe de o imparcial.

abaixo, em itálico, trechos da matéria:

“apesar de os atos de vandalismo e depredação terem diminuído muito, o que mais vem preocupando as autoridades responsáveis é a falta de descaso com os logradouros”.

“o promotor público do meio ambiente, fernando barreto, explicou os donos dos prédios os abandonam”.

“o secretário de municipal foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado”.

antes do “vôos”, o prisma

(ou: depois do prisma, o “vôos”)

então, antes de eu colocar aqui o nosso texto de hoje no jornal pequeno deixa eu dizer-lhes uma coisa. ou melhor, em vez de eu dizer que a qualidade é garantida e o agito, tanto mental (o debate em si) quanto físico (dançar ao som de sambas, bois e baiões), idem, deixa o release (recebido por e-mail) falar. divulguem e compareçam. aí, ó:

Prisma Cultural

Iniciativa fomenta discussões e intercâmbio na esfera cultural

A primeira turma do Curso de Pós-Graduação em Gestão Cultural da Faculdade São Luís, através do projeto de extensão, lança neste sábado, dia 13, o Prisma Cultural. Trata-se de um espaço voltado para a troca de experiências e conhecimento tendo como interlocutores profissionais das mais diversas áreas de atuação na esfera cultural.

O projeto acontecerá quinzenalmente, como atividade catalizadora ao final de cada módulo do curso. Neste primeiro sábado, o tema discutido será “Mercado, produção cultural e consumo”, com a apresentação de Fábio Kobol (Mestre em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas, professor da Universidade Metodista de São Paulo). Nesta edição inicial do Prisma Cultural, ele debaterá com Joãozinho Ribeiro (secretário de Cultura do Estado do Maranhão e coordenador do Curso), Ester Marques (professora Doutora da Universidade Federal do Maranhão e diretora do SESC/MA) e Nelson Brito (ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís).

Aberto a classe acadêmica, artistas, produtores culturais e comunidade em geral, a participação é gratuita. Neste sábado, o encerramento das atividades contará com apresentação musical de Chico Nô e Banda.

Serviço

O quê: Lançamento do projeto de extensão do Curso de Pós-Graduação em Gestão Cultural da Faculdade São Luís, Prisma Cultural
Quando: sábado, dia 13, às 14h
Onde: Brisamar Hotel (Ponta d’Areia)
Entrada franca

*

e abaixo, primeira classe, jp turismo, hoje:

Voa, Passarinho!

Fátima Passarinho finalmente estréia em disco. O produto – finíssimo repertório em belo canto – merecia embalagem melhor.

Por Zema Ribeiro *

Maria de Fátima Andrade Almeida ganhou o nome artístico de Fátima Passarinho depois de interpretar a música “Canto de Passarinho” (Gerô e Domingos Santos) no Festival Viva de Música Popular Maranhense em 1985. Após participar de várias coletâneas e projetos coletivos – “Cristóvão Alô Brasil” e “Fuzarca”, entre outros – estréia, 21 anos depois, em disco solo: “Vôos[2006, Plano Fonográfico da Secretaria de Estado da Cultura, R$ 15,00].

Consta nos burburinhos ouvidos ao longo dos longos ares trilhados pelos vôos de Passarinho até este belo resultado musical que a idéia da cantora era fazer um disco todo com composições de Giordano Mochel – de quem regrava aqui as já clássicas “Santa Luzia, Santa Rita e Santa Fé”, “Madre Deus” e “Biana”. A ele, somou Chico Maranhão (“Cheguei garota”), Josias Sobrinho (“Porco espinho”), Sérgio Habibe e Raíque Mackáu (“Do jeito que o diabo gosta” e “Vestido bordeaux”, ambas em parceria) e Cesar Teixeira (as inéditas “Doidinho”, “Nau Catarineta” e “Essas mal traçadas linhas”).

Metade das faixas traz, direta ou indiretamente, referência aos batismos do disco e da cantora – passarinho, vôos – sem que o disco se torne cansativo e/ou repetitivo. Toada, samba, choro, xote e mais, numa bela estréia que merecia capa melhor.

* Correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

antes do "vôos", o prisma

(ou: depois do prisma, o “vôos”)

então, antes de eu colocar aqui o nosso texto de hoje no jornal pequeno deixa eu dizer-lhes uma coisa. ou melhor, em vez de eu dizer que a qualidade é garantida e o agito, tanto mental (o debate em si) quanto físico (dançar ao som de sambas, bois e baiões), idem, deixa o release (recebido por e-mail) falar. divulguem e compareçam. aí, ó:

Prisma Cultural

Iniciativa fomenta discussões e intercâmbio na esfera cultural

A primeira turma do Curso de Pós-Graduação em Gestão Cultural da Faculdade São Luís, através do projeto de extensão, lança neste sábado, dia 13, o Prisma Cultural. Trata-se de um espaço voltado para a troca de experiências e conhecimento tendo como interlocutores profissionais das mais diversas áreas de atuação na esfera cultural.

O projeto acontecerá quinzenalmente, como atividade catalizadora ao final de cada módulo do curso. Neste primeiro sábado, o tema discutido será “Mercado, produção cultural e consumo”, com a apresentação de Fábio Kobol (Mestre em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas, professor da Universidade Metodista de São Paulo). Nesta edição inicial do Prisma Cultural, ele debaterá com Joãozinho Ribeiro (secretário de Cultura do Estado do Maranhão e coordenador do Curso), Ester Marques (professora Doutora da Universidade Federal do Maranhão e diretora do SESC/MA) e Nelson Brito (ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís).

Aberto a classe acadêmica, artistas, produtores culturais e comunidade em geral, a participação é gratuita. Neste sábado, o encerramento das atividades contará com apresentação musical de Chico Nô e Banda.

Serviço

O quê: Lançamento do projeto de extensão do Curso de Pós-Graduação em Gestão Cultural da Faculdade São Luís, Prisma Cultural
Quando: sábado, dia 13, às 14h
Onde: Brisamar Hotel (Ponta d’Areia)
Entrada franca

*

e abaixo, primeira classe, jp turismo, hoje:

Voa, Passarinho!

Fátima Passarinho finalmente estréia em disco. O produto – finíssimo repertório em belo canto – merecia embalagem melhor.

Por Zema Ribeiro *

Maria de Fátima Andrade Almeida ganhou o nome artístico de Fátima Passarinho depois de interpretar a música “Canto de Passarinho” (Gerô e Domingos Santos) no Festival Viva de Música Popular Maranhense em 1985. Após participar de várias coletâneas e projetos coletivos – “Cristóvão Alô Brasil” e “Fuzarca”, entre outros – estréia, 21 anos depois, em disco solo: “Vôos[2006, Plano Fonográfico da Secretaria de Estado da Cultura, R$ 15,00].

Consta nos burburinhos ouvidos ao longo dos longos ares trilhados pelos vôos de Passarinho até este belo resultado musical que a idéia da cantora era fazer um disco todo com composições de Giordano Mochel – de quem regrava aqui as já clássicas “Santa Luzia, Santa Rita e Santa Fé”, “Madre Deus” e “Biana”. A ele, somou Chico Maranhão (“Cheguei garota”), Josias Sobrinho (“Porco espinho”), Sérgio Habibe e Raíque Mackáu (“Do jeito que o diabo gosta” e “Vestido bordeaux”, ambas em parceria) e Cesar Teixeira (as inéditas “Doidinho”, “Nau Catarineta” e “Essas mal traçadas linhas”).

Metade das faixas traz, direta ou indiretamente, referência aos batismos do disco e da cantora – passarinho, vôos – sem que o disco se torne cansativo e/ou repetitivo. Toada, samba, choro, xote e mais, numa bela estréia que merecia capa melhor.

* Correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

procuro

1. preciso organizar (parte d)a bagunça do meu quarto. falta pouca coisa e careço agora comprar uma estante como a da ilustração. alguém aí tem uma dica de onde eu acho um “expositor” (assim é também chamada a estante modular) desses?

2. procuro também um apartamento para comprar. financiamento pela caixa econômica federal. dois quartos (ap pequeno, para casal), perto do centro (de preferência).

aguardo, agradecendo antecipadamente.

fonte nova

É surpreendente o nível de inércia no surgimento de valores novos no campo da música popular brasileira, novos no sentido íntegro da palavra. Em 1967, Maranhão fez o Teatro Record dançar seu frevo “Gabriela”, no Festival de Música Popular. Depois de uma curta carreira como arquiteto – Maranhão é da turma que Chico Buarque abandonou e juntos começaram a compor – voltou para sua terra. Lá está. Lá envolveu-se com as manifestações populares mais legítimas, lá lidera e alimenta um movimento cultural que, consideradas as limitações do Estado pobre do Maranhão e da paupérrima cidade de São Luís, é incrível e heróico. Este é o seu quarto disco – o segundo de distribuição comercial (antes gravei com ele discos que distribui como brinde). O primeiro foi “Lances de Agora”, o mais surpreendente e belo disco jamais ouvido pelos que a ele tiveram acesso, nesta selva do mercado brasileiro onde, em 95% das lojas, encontram-se apenas 100 títulos de 20.000 possíveis. Esses 100 discos privilegiados todo mundo sabe quais são. Este “Fonte Nova” é um passo além de “Lances de Agora”. Quem duvidar, que ouça os dois. Mas seus quatro discos são de um nível poético e musical que, no meu entender, não encontra paralelo na música brasileira.

Marcus Pereira

*

*

Marcus Pereira sabia das coisas. O texto acima está na contracapa do vinil “Fonte Nova” (1980), de Chico Maranhão, que eu, após muita “luta”, consegui comprar ontem no Chico Discos. Infelizmente quase toda a obra do compositor está fora de catálogo, sem sequer ter merecido – ao menos até aqui – reedição em cd. Alô, Gavin!

Atenção para os grifos (meus) no texto do produtor: pouca coisa mudou, infelizmente.

*

Nota ligeira: Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho (Chico Maranhão) lançou recentemente em São Paulo, o livro “Urbanidade do Sobrado: um estudo sobre a arquitetura do sobrado de São Luís“. O(s) lançamento(s) na capital maranhense e em outras capitais brasileiras, acontece(m) ao longo de 2007.

*

Ilustrações do post: capa de “Fonte Nova” , foto de Rômulo Fialdini (re)fotografada por este blogueiro e reprodução da capa do recém lançado “Urbanidade do Sobrado“.

Trilha sonora do post: gravação de Cristina Buarque para “Ponto de Fuga” (Chico Maranhão) em seu disco “Arrebém” (1979).

linguagens

vozes da democracia” será relançado hoje em são luís: às 19h na livraria athenas (sobreloja do monumental shopping).

*

em junho de 2005, quando estive em brasília, o amigo glauco barreto organizou uma roda de violão para receber-me. entre vários amigos estava nelson luiz de oliveira, jornalista que eu já tinha ouvido em gravações caseiras enviadas por glauco, a quem conheci (primeiro virtualmente) por intermédio de gildomar marinho. quando topei com nelson, disparei: “reconheça e abrace seu herói / ou esqueça e veja como dói”, versos de sua “cabeça de nego” (que está no disco e traz, no registro, o violão de glauco).

abaixo, a primeira classe de hoje, jp turismo, jornal pequeno.

A múltipla linguagem de Nelson Oliveira

Jornalista mineiro radicado em Brasília estréia em disco carregado de influências literárias – o que não dificulta sua audição.

por Zema Ribeiro *

Linguagens[Independente, 2006, R$ 20,00 pelo e-mail oliveiranelson.musica@gmail.com e/ou telefone (61) 3362-7428] é um disco amador, e eis aí um elogio. Nelson Oliveira, 45, jornalista (graduou-se na UnB e é funcionário do Senado Federal), poeta e compositor mineiro (nascido em Itapagipe) radicado em Brasília desde 1969, reúne um punhado de canções e amigos, sem compromissos com os estresses do showbusiness.

Homem pacato, cidadão cordial, Nelson já havia publicado livro [“O velho testamento”, 1988, Editora Thesaurus] e agora chega ao disco, onde continua dando mostras de ser um homem atento, antenado, um grande leitor. Se de “Linguagens” ficou de fora “Alba” (poema de Ezra Pound musicado por Nelson Oliveira, que tive oportunidade de ouvir em demo), a faixa “Os Lusíadas” traz trecho (fragmento do Canto Primeiro) do poema homônimo, obra maior do poeta português Luiz Vaz de Camões, em roupagem de belo fado, sem enfado. E as referências literárias não param por aí: estão lá Shakespeare, Pessoa e Nicholas Berh (que declama um poema seu em “A gente fala”, faixa bônus do disco), entre outros tra(du)zidos na bagagem das linguagens de Nelson.

Linguagens” passeia por diversos ritmos e diante de tantas influências e “funções”, pergunto-lhe se o músico não compete com o jornalista e vice-versa ou se os dois convivem harmoniosamente em Nelson Oliveira: “São esferas de um mesmo espectro de interesse cultural, que tem na palavra o seu elo. Só há competição quando estou muito preso ao mundo verbal e a música, cuja linguagem, vinda de outra fonte de sensibilidade, não encontra espaço para fluir. Sou, na origem e na essência, um poeta que “musica”, embora já tenha criado peças instrumentais, uma das quais [Obstinado] foi incluída no CD”, responde ele por e-mail.

* Correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com