prêmio: um showzaço de jair rodrigues

antes, uns toques.

amanhã e depois: uma linda quase mulher.

hoje: lançamento de música, livro-disco de celso borges, na albatroz letras e café, renascença, às 19h.

*

ontem:

apesar de não ter sido convidado para a festa, consegui, aos 47 do segundo tempo, um par de convites para “a maior premiação da música maranhense”, a décima edição do prêmio universidade fm, promoção da rádio homônima, que este ano prestava homenagens ao festival “viva” de música maranhense (realizado em 1985), inclusive reproduzindo o show da grande final, ocorrida em 26 de julho daquele ano, que teve como grande vencedora a música “oração latina”, de cesar teixeira, na interpretação de gabriel melônio e cláudio pinheiro. a música viria a se tornar um dos maiores hinos de protesto de que se tem notícias por estas plagas e é até hoje entoada em greves e similares.

interessante ver a reconstrução do repertório do “viva” (hoje, provavelmente o festival se chamaria “vivo”) por jayr torres e “sua” banda, que acompanhou nomes como fátima passarinho, alê muniz (que representou césar nascimento, que, morando no rio de janeiro, não pôde participar da festa), gerude, rosa reis, george gomes (este, baterista da banda da noite, substituiu, com rosa, fauzi beydoun, em turnê internacional com a tribo de jah) e os já citados cláudio e gabriel, entre outros.

a decoração do teatro arthur azevedo, na noite de ontem (14), era um capricho: do teto, no palco, pendiam capas de vinis amarrados por fitas coloridas. ali estavam pequenos capítulos da história da música popular brasileira, algo assim meio bar do léo: maria bethânia, moraes moreira, roberto carlos, josias sobrinho, gabriel melônio, ney matogrosso, a trilha sonora da novela global roque santeiro, além de diversas coletâneas de gêneros diversos, entre outros nomes.

o telão, abrindo a noite, exibia um recorte da história dos festivais e mostrava, além do “viva”, nomes famosíssimos como o ministro gilberto gil, caetano veloso, nara leão, chico buarque, os mutantes, tetê espíndola etc., etc., etc.

além de penetra(s), folgado(s). com dois convites para o balcão, ouvi(mos) um “já tá liberado para a platéia” e não tive(mos) dúvidas: fomos nos sentar lá. azar o nosso: ao lado do radialista e cantor césar roberto, que gritava, batia palmas fora de hora, assobiava (alto), tentava anunciar vencedores (quase sempre errando) e retrucava falas de outra chata não identificada, sentada na fila de trás, além de, ao menos por três vezes, pedir para passar (estávamos próximos do corredor lateral).

o blogueiro, em falha jornalística imperdoável, não levara uma caneta, um bloquinho de papel, um gravador, nada. até aqui e daqui pra frente, memória (gracias, regyanne farias, pela consultoria, lembrando-me uns itens que teimavam em me escapar). cervejas, só após o fim da premiação, após o memorável-inesquecível-tudo de bom (que sem um termo “da moda” não dá…) show de jair rodrigues. mas não estraguemos as coisas, não quebremos a ordem dos fatos. ou melhor, quebremos: como eu nada anotei, vou tentar lembrar aqui a premiação, do quesito 29 ao primeiro, ordem inversa à do post de anteontem (veja abaixo, se interessar).

inútil e desnecessária a premiação de nan souza – o dono do brisamar hotel – numa trigésima categoria do prêmio, inventada sabe-se lá para quê: “personalidade cultural”. certo, era ele o secretário de estado de desportos e lazer (sic) quando da realização do “viva”. modesta opinião deste torto e míope blogueiro: não fez mais que a obrigação. retruca alguém daí: “e depois, zema, quando é que rolou outro festival, em âmbito estadual, com o mesmo porte?” (foram 380 canções inscritas). eis o resultado da política que pensa a secretaria de cultura (e não mais desportos e lazer, ao menos um avanço, viva!) como mero departamento de marketing da administração, só atentando para grandes eventos, leia-se, carnaval e são joão.

à premiação, pois, com alguns comentários, caibam eles ou não. lembrando: a que vai aqui, não é a ordem em que a premiação foi apresentada ontem pelo professoramigo adalberto melo (da equipe da rádio universidade) e val monteiro (idem).

29, destaque técnico de gravação e mixagem, carlão, pelo cd “the mads”. quando vi os atuais “queridinhos” do jornalismo cultural maranhense – os estreantes the mads (não, nada tenho contra os rapazes) –, engomadinhos, julguei que eles seriam os grandes nomes da noite. enganei-me, ainda bem (você).

28, destaque músico tecladista, henrique duailibe, pelo cd “momentos da noite”. dos três finalistas dessa categoria, só ouvi o “canção de vida”, que merecia, por parte da rádio universidade, uma “explicação”, já que se trata de um projeto especial etc. ao longo da noite, nunca se soube quem canta no cd ou do que se tratava.

27, destaque músico baterista, george gomes, pelo cd “negro encanto”, de luiz carlos guerreiro. fosse eu membro da comissão organizadora da festa, teria “escalado” uma banda menos premiada/premiável, leia-se: só com músicos que não estivessem concorrendo a prêmios. (george gomes tocou no show reprodução de “viva”, onde a cada três premiações, um intérprete cantava uma das dez finalistas do festival que completou 21 anos, e não “23, 24”, viu, seu nan?; o músico também acompanhou jair rodrigues, sobre o que a gente fala já já).

26, destaque músico percussionista, carlos pial, pelo cd “canção de vida”, aqui eu “explico” (embora isso seja dispensável aos leitores deste blogue): disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, com dez canções (brasileiras) interpretadas por lena machado. pial estava na banda da noite, idem e, ibidem, acompanhou jair rodrigues.

25, destaque músico guitarrista, jayr torres, pelo cd “reflection”, do músico americano radicado no estado desunido do maranhão jim howard. o irmão de neném, baixista da banda da noite, tocava guitarra e era responsável pela produção musical da reedição de “viva”.

24, destaque músico baixista, serginho carvalho, pelo cd “o som do mará”. eu (ainda) não ouvi o disco. eu não ouvi todos os discos, bruno batista, outrora revelação, nalguma edição passada do prêmio.

23, destaque músico violonista, luís jr., pelo cd “canção de vida”. corporativismos à parte, merecidíssimo prêmio, quem já ouviu a fera (que acompanha de cesar teixeira a tom cléber) sabe do que estou falando.

22, talento da noite, milla camões. na porta do teatro, ao fim da premiação, ela cumprimentou-me: “zeeeeeeema!”, “o que foi que eu te disse?”. milla, via msn, confessava-se nervosa, por concorrer com lívia amaral, grandessíssima amiga etc. e tal. eu tentava acalmá-la e chutava que ela sairia premiada.

21, revelação, the mads. embora eu preferisse lena (que gravou “canção de vida” em duas sessões apenas), já sabia para quem iria o quadro com a reprodução do vinil “viva” nessa categoria.

20, melhor música instrumental, “elegante”, do instrumental pixinguinha. não acho “elegante” a melhor música de “choros maranhenses”, disco de estréia da turma do professor zezé alves. mas é sim, uma música muito bonita e o prêmio é merecido.

19, melhor cd instrumental, “choros maranhenses”, do instrumental pixinguinha. foi engraçado vê-los subir ao palco, receber este prêmio e voltar para receber o anterior (no texto), imediatamente.

18, melhor pop-rock, “o encontro de chico mendes e lampião no dia de são sebastião”, da nego ka’apor. aí uma agradável surpresa. embora tenha “votado” nela, achei que fosse dar the mads. minha namorada, que havia saído momentaneamente para atender ao celular, viu patricinhas torcendo narizes e bicos: “eu nem conheço essa música”. deveriam, mocinhas (e mocinhos), devem.

17, melhor cd de pop-rock, “nego ka’apor”. aqui outra agradabilíssima surpresa. embora eu tenha diminuído o ritmo, a freqüência, a assiduidade, acompanho o trabalho da banda desde os primórdios, tenho diversas demos em casa (modéstia à parte, inclusive alguns registros de shows que nem mesmo beto ehongue, o vocalista, tem) e sei que o prêmio é merecidíssimo, fruto de um grande esforço que começa a dar frutos, com toda a redundância que aqui se permite.

16, melhor reggae, “a paz”, da banda legenda, que tem entre seus integrantes, músicos da banda da noite.

15, melhor música carnavalesca, “elétrica”, do bicho terra.

14, melhor cd de música carnavalesca, “na onda do bicho”, do bicho terra.

13, melhor música folclórica, “índia bailarina”, de chiquinho frança. era o segundo prêmio da noite para o segundo maior premiado da história do prêmio universidade, que chegou ontem ao décimo troféu.

12, melhor cd de música folclórica, “sotaques sobre toadas volume dois”, de roberto ricci, que não apareceu para receber o prêmio, que “será entregue em outra ocasião”, conforme anunciaram os apresentadores.

11, destaque cantador de toada de bumba-meu-boi, humberto, do boi de maracanã. não sei se estou enganado, mas ele venceu todas as edições do prêmio, que instituiu essa categoria em 2000.

10, melhor cd de bumba-meu-boi, “do maranhão para o mundo”, do boi da maioba. menos que a premiação de humberto, esta me parece um tanto quanto “carta marcada”.

9, melhor projeto gráfico de cd, joacy jamys, pelo cd “nego ka’apor”. a julgar pelas capas (sei que projeto gráfico vai além), é indiscutivelmente o melhor. homenagens de beto ehongue (ontem) e deste blogue(iro) (agora) a joacy jamys, que tem estado de saúde complicadíssimo. torcida e orações pela melhora rápida.

8, destaque diretor musical de cd, marcos lussaray, pelo cd “o som do mará”.

7, melhor cd, “tião canta joão”, de tião carvalho. esta, a última premiação da noite.

6, destaque produtor musical de show, fernando de carvalho, ruber e moraes jr., por “sobre todas as coisas, brasileiro”, do primeiro.

5, melhor show, “solos”, de chiquinho frança, o show de gravação de seu primeiro dvd. ele ainda subiria ao palco, na noite de ontem.

4, melhor interpretação, “mar de rosas”, com flávia bittencourt. fevers requentado, mas com classe. canta muito, essa menina! aliás, entre as três concorrentes da categoria, somente “milagre”, de cesar teixeira, na interpretação de fátima passarinho, era inédita. “palavras”, com que concorria zeca baleiro, é regravação de sucesso da dupla roberto/erasmo.

3, destaque compositor, carlinhos veloz por “jóia rara”, gravada por alcione. aí uma injustiça: “flanelinha de avião” (de cesar teixeira) é a melhor.

2, destaque cantora, alcione. depois de levar prêmio nacional (não lembro agora qual, nem vou procurar), fica difícil não levar este, estadual.

1, destaque cantor, tião carvalho. com duas réplicas do vinil esta noite, recebidos pelo sobrinho bráulio carvalho, o cururupuense cidadão paulistano começa a escrever seu nome na história do prêmio universidade.

terminada a premiação, era hora do show pelo qual ninguém estava dando muita coisa, o que inclui este blogueiro. “ah!, eu até ganhei ingresso, mas dei, por não curtir jair rodrigues”, dizia um, “vale a pena?”, perguntava outra. embora eu nunca tenha “ligado” muito para o trabalho do pai de jair oliveira, outrora o jairzinho da dupla com simony em tempos de balão mágico e depois, sabia que ele é importantíssimo capítulo da história da música brasileira, principalmente em se tratando de(os grandes) festivais, mote da festa-premiação de ontem à noite.

firme e divertido, jair, honesta malandragem, “enrolou” a platéia – com classe, diga-se – enquanto os músicos “se ajeitavam” para acompanhá-lo. e que músicos! e que show!

jair rodrigues contou histórias e tirou sarro da própria cara, como bom brasileiro que é. cantou um repertório basicamente composto por grandes músicas dos grandes festivais de outrora – viva! – e brincou com a platéia. “pra não dizer que não falei das flores” (geraldo vandré), “ponteio” (edu lobo e capinan) – “essa música é do edu lobo e capinan, uma coisa assim”, anunciava um jair que fingia-se esquecido dos compositores da música, cuja letra ele esqueceu de verdade, recomeçando-a –, “arrastão” (edu lobo e vinícius de moraes). defendeu-se como precursor do rap e rodou a platéia do teatro, cantando e botando alguns para cantar. sambalançando, pisou numa pedaleira, que emitiu um ruído estranho, feio, agudíssimo, mas que não tirou o rebolado de “seu” jair, que teria que pegar o vôo de volta na madrugada de hoje, pouco depois deste blogueiro ter chegado em casa e decidido ir dormir, adiando para agora este texto já longo e aborrecedor demais como não foi a noite de ontem.

fazendo o que se gosta, na companhia de quem se gosta, o tempo passa ligeirinho, hein?… já acabou?

não.

jair rodrigues orientou a platéia: “eu vou sair e vocês começam a bater palmas e gritar “parou por quê?, por quê parou?”, obedecido por todos os presentes, entre palmas e sorrisos. jair rodrigues, que já havia pedido para elis regina descer (e eu sei, ela obedeceu a ordem-convite e encarnou em seu par de bossa), voltou ao palco para encerrar a noite cantando “majestade o sabiá” (roberta miranda). interrompeu a interpretação, com os músicos continuando no acompanhamento. “você gosta de poesia?”, perguntou a alguém na platéia, com um sim como resposta. “e você?”, perguntou a outro. “todo mundo aqui gosta, né? pois eu vou dizer uma poesia que vocês vão chorar: “hoje é festa lá no meu apê / pode aparecer / vai rolar bunda-lê-lê””. era o recado de jair rodrigues para as rádios brasileiras, infestadas de m**** sonora até o pescoço.

um senhor de óculos e longos cabelos brancos numa das frisas, já havia recebido um bem-humorado “você é muito nervoso! se acalme!” de jair rodrigues, por pedir insistentemente que ele cantasse “upa neguinho” (edu lobo e gianfrancesco guarnieri). jair não se furtou ao rogo e, literalmente, pulou do palco à frisa, para cantar e dançar, simulando um jogo de capoeira com aquela versão magra do papai noel.

de volta ao palco, a platéia acompanhou-o na continuação de “majestade o sabiá”.

sem dúvidas, uma noite para entrar nas histórias, não só do homem da frisa, que feliz, ainda rebolava n”a vida é uma festa”, mas de todos os ali presentes. sem dúvidas, uma noite para entrar na história.

economia solidária

o termo economia solidária se refere a um conjunto de organizações de produtores, consumidores, poupadores e trabalhadores em geral que se distinguem por algumas características fundamentais: organizam-se de forma coletiva e democrática, estimulando a autogestão, a solidariedade e a cooperação entre seus membros. estabelecem relações de colaboração solidária com outras organizações e com a população em geral, colocando a satisfação plena das necessidades de todos como centro e fim da atividade econômica. buscam uma relação de intercâmbio respeitoso com a natureza.

a economia popular solidária se apresenta como uma alternativa para milhares de pessoas que, sozinhas, não conseguiriam enfrentar o mercado capitalista. mas não é só isso. a eps também é uma maneira de se opor a esse sistema competitivo e excludente, que é fundamentado no individualismo e na livre concorrência sem princípios. onde existem sempre os dominados e os dominadores. nos países com uma grande desigualdade social, como o brasil, as injustiças conseguem ser ainda maiores. para as pessoas que têm pouco poder aquisitivo, é difícil o acesso a direitos que são básicos: o direito à água e à terra para plantar são alguns deles. ao mesmo tempo, o que se vê são grandes empresários e grandes fazendeiros devastando milhares de hectares de terra, poluindo o meio-ambiente e o ar que respiramos.

a proposta da eps é que ao invés de esperar medidas paliativas ou políticas compensatórias, os movimentos populares, as cooperativas, as associações, os grupos populares, ongs e outras entidades devem se unir para defender e criar um mundo mais justo. com tantas necessidades e desejos, a população pode e precisa participar de uma organização societária diferente, onde todos possam fazer valer a sua voz.

bonito, não? utopia? não. o texto acima (grifos meus) está num folder distribuído pela cáritas brasileira regional maranhão (uma das entidades-membro do fórum estadual de economia solidária) por ocasião da realização, em são luís, da primeira feira de economia solidária do maranhão, realizada na praia grande, entre os últimos dias 30 de novembro e 2 de dezembro.

as fotos acima, registradas pelas lentes míopes do blogueiro torto que vos perturba, mostram, na prática, um pouco desta realidade, digo, as possibilidades (possíveis, sim, redunde-se, frise-se) descritas no texto acima, em itálico. além da “responsabilidade social” (para usar um termo “da moda”) dos “empreendimentos” (para usar outro termo “da hora”), há vantagens nos preços praticados, entre outros aspectos (para não repetir “vantagens”, ops, repeti).

transeuntes maravilhados com a idéia perguntavam a um dos organizadores: “vai ser semanal?”, “quando é que vai ter outra?” e similares. desconheciam eles (os transeuntes) as dificuldades para o bel(íssim)o resultado final, digo, a feira. aqui, os parabéns deste blogueiro aos organizadores do evento de sucesso.

uma pena a maioria dos jornais (até onde pude acompanhar) ter publicado (quase que) apenas coisas do tipo “governador participa da abertura da feira de economia solidária”.

é muito mais que isso.

pitacos (ninguém pediu, mas…)

sem biquinhos por não terem me convidado pra essa festa pobre, como bem cantou cazuza. e sem morder o próprio lábio por ter tentado postar isso aqui de manhã e perdido tudo o que já havia escrito por um travar de micro dos diabos.

é o seguinte, sem mais: tá no site da rádio universidade fm, a “lista tríplice” de cada uma das 29 categorias da edição 2006 do prêmio universidade, “o mais importante da música maranhense”. além da festa, não fui convidado a votar na primeira fase (de onde escolheram os três por categoria ora apresentados) nem na segunda e última (que escolherá os melhores do ano) e agora vou “brincar” de.

minha votação é bastante apaixonada e denuncia diversas deficiências deste modesto blogueiro que tanto vos perturba. por exemplo(s) o não-ouvir diversos discos e o não-assistir diversos shows.

cada escolhido será negritado [e as observações seguirão em itálico, entre colchetes, onde couberem e se fizerem necessárias. ou não.]

1-destaque cantor

césar nascimento
tatto costa
tião carvalho

2-destaque cantora

alcione
fátima passarinho
teresa canto

3-destaque compositor

carlinhos veloz – jóia rara
cesar teixeira – flanelinha de avião
santa cruz – sem terra
[sim, a música está em “canção de vida“, disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, onde ora estou prestando serviços em comunicação. sim, sou amigo de cesar teixeira. mas antes de acusações do tipo, ouçam a belíssima e, infelizmente, atualíssima “flanelinha de avião“. depois disso, podem criticar este voto e outros abaixo]

4-melhor interpretação

mar de rosas – flávia bittencourt
milagre – fátima passarinho
palavras – zeca baleiro
[embora eu goste bastante das outras duas. sim, essa música que fátima passarinho canta em “regar a terra”, disco comemorativo de 20 anos de mst é de cesar teixeira]

5-melhor show

partido alto – grupo espinha de bacalhau
sobre todas as coisas brasileiro – fernando de carvalho
solos – chiquinho frança
[não vi nenhum]

6-destaque produtor de show musical

alessandro batista – um brasil de festivais ii
chiquinho frança e evandro costa – solos
fernando de carvalho, ruber e moraes jr – sobre todas as coisas brasileiro
[ver observação 5]

7-melhor cd

tião canta joão – tião carvalho
uma nova paixão (ao vivo) – alcione
vôos – fátima passarinho
[tive a oportunidade de entrevistar e entrevistar tião carvalho quando do lançamento desse disco em são luís. uma homenagem a joão do vale, digna]

8-destaque diretor musical de cd

arlindo pipiu e hilton assumpção – cd vôos
luís junior – cd canção de vida
marcos lussaray – cd o som do mará
[não ouvi os dois concorrentes]

9-melhor projeto gráfico de cd

jesiel pontes sales – cd o som do mará
joacy jamys – cd nego ka’apor
márcio vasconcelos – cd vôos
[aqui uma injustiça: olhem a capa de “canção de vida“. particularmente achei a capa de “vôos” tosca demais para o século xxi. sim, o quesito é projeto gráfico, e não “capa”, oquei, oquei…]

10-melhor cd de bumba-meu-boi

do maranhão para o mundo – boi da maioba
lira jovem – vários
mocidade prateada – boi da mocidade de rosário
[não ouvi nenhum]

11-destaque cantador de toada de bumba-meu-boi

chagas – boi da maioba
humberto – boi de maracanã
joão chiador – boi de são josé de ribamar
[abstenho-me]

12-melhor cd de música folclórica

arte popular do maranhão – boi pirilampo
musical junino maranhense – boizinho barrica
sotaques sobre toadas vol.2 – roberto ricci
[ver comentário 10]

13-melhor música folclórica

corêra – mano borges
índia bailarina – chiquinho frança
luarada – boi pirilampo
[ver comentário 10]

14-melhor cd de música carnavalesca

carnaval no maranhão (ao vivo) – teresa canto
furiosa da jardineira
na onda do bicho – bicho terra
[ver comentário 10]

15-melhor música carnavalesca

axé da favela no reino de mãe áfrica – favela do samba
do daomé à casa das minas – flor do samba
elétrica – bicho terra
[ver comentário 10]

16-melhor reggae

a paz – legenda
sem terra – alê muniz e luciana simões
sereno bem – kazamata
[ver comentário 10]

17-melhor cd de pop/rock

é exatamente isso, mas é outra coisa – eduardo patrício
nego ka’apor
the mads
[aqui um voto pelo “conjunto da obra”, se é que assim se pode falar; conheço a banda votada de demos e shows; não ouvi, na íntegra, nenhum dos três discos]

18-melhor pop/rock

ainda bem você – the mads
caixa de sapato – alexander
o encontro de chico mendes e lampião no dia de são sebastião – nego ka’apor
[um voto pela demo; não ouvi a versão “final”, “oficial”, a “do disco”]

19-melhor cd instrumental

choros maranhenses – instrumental pixinguinha
clássicos latino-americanos – joão pedro borges
momentos da noite – henrique duailibe
[só ouvi este. muito bom!]

20-melhor música instrumental

brazilatino – carlos pial
elegante – instrumental pixinguinha
momentos da noite – henrique duailibe
[das três, foi a única que ouvi. e esta nem é a melhor do disco]

21-revelação

kazamata
lena machado
the mads
[antes, ouçam! depois me digam]

22-talento da noite

all times
lívia amaral
milla camões
[saí pouco este ano, e só vi a milla]

23-destaque músico violonista

domingos santos- cd choros maranhenses
joão pedro borges – cd clássicos latino-americanos
luís junior – cd canção de vida
[ver comentário 21]

24-destaque músico baixista

antônio paiva – cd vôos – fátima passarinho
joão paulo – cd mar à vista – célia leite
serginho carvalho – cd o som do mará
[não ouvi nenhum dos três]

25-destaque músico guitarrista

edinho bastos – cd tatto costa
jayr torres – cd reflection – jim howard iii
marcos lussaray – cd mar à vista – célia leite
[ver comentário 24]

26-destaque músico percussionista

arlindo carvalho – cd negro encanto – luís guerreiro
carlos pial – cd canção de vida
erivaldo gomes – cd mar à vista
[ver comentário 21]

27-destaque músico baterista

carlão – cd o som do mará
george gomes – cd negro encanto
oliveira neto – cd canção de vida
[ver comentário 21]

28-destaque músico tecladista

carlinhos carvalho – cd canção de vida
henrique duailibe – cd momentos da noite
jesiel bives – cd universo-ll3
[ver comentário 21]

29-destaque técnico de gravação e mixagem

carlão – cd the mads
erick salgado e junior – cd nego ka’apor
henrique duailibe e jônatas – cd choros maranhenses
[foi o único que ouvi]

mais um link

aí ao lado: jornal musical, dica da amiga cipy lopes, leitora atenta. entre as feras do site estão (apenas para citar algumas) tarik de souza (dispensa comentários), tom cardoso (autor de 75 kg de músculos e fúria – tarso de castro: a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros) e monica ramalho (amiga querida, saudades). vale(m) a(s) visita(s)!

greatest b-sides de efraim medina reyes

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, ontem]

Charmosa violência compõe os poemas em prosa – tiros certeiros – de “Pistoleiros/putas e dementes”.

por Zema Ribeiro *

Efraim Medina Reyes é um escritor colombiano que ligou o foda-se para as belas letras e está cagando para as tradições literárias, os cânones, os imortais, onde quer que eles estejam: na literatura, na música, no cinema.

Assim chega ao Brasil seu “Pistoleiros/Putas e Dementes – Greatest Hits[Garamond, 2006, R$ 22,00], em tradução de Maria Alzira Brum Lemos. Poemas ligeiros – não só por serem curtos, mas pela velocidade que a leitura parece exigir, além da vontade/urgência despertada no leitor de saber o que segue, logo ali adiante – em prosa, proesia violenta, sôfrega, embriagada, sincera. Um direto na boca do estômago: ânimo, moçada! Uma injeção de.

Como um Joca Reiners Terron estrangeiro, Medina é homem de ótimos títulos (e conteúdos idem): no Brasil já foram publicados (pela Planeta) “Era uma vez o amor mas tive que matá-lo” e “Técnicas de masturbação entre Batman e Robin”.

Ele se apresenta: “Os editores dizem que poemas são mau negócio e devemos acreditar nisso; eles, os editores, vivem de vender livros. Não me refiro apenas aos editores colombianos, é a mesma coisa em outros países. No entanto, continuam-se a escrever poemas (muito mais que qualquer outro gênero literário), e todos os dias milhares de poetas publicam um livrinho (ainda que pago do próprio bolso) e aparecem nos eventos literários, livrinho na mão, à caça de possíveis leitores. A verdade é que me interessa pouquíssimo se vender poemas é bom ou mau negócio; trancado naquele quarto calorento onde comecei a escrevê-los, não pensava nisso, não pensava em nada… só em frear a angústia implacável e a vontade de morrer”. Medina é um loser. Mas sabe perder com classe, e não sem lutar.

Certamente o momento mais bonito do livro é “Um tal Ciro”, texto em prosa que o encerra, dedicado a um amigo morto – fisicamente, diga-se. Como afirma o próprio Medina ainda na apresentação do livro: “Os poemas não evitam guerras nem curam a gripe, mas ajudam a suportá-las”. Certeiro.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

adiado show canção de vida (nota de falecimento)

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão, por ocasião dos 50 anos de atuação da Entidade no país, preparou, como já é de seu conhecimento, o cd Canção de Vida, como forma de celebrar esta importante data. O show de lançamento do trabalho estava marcado para hoje, às 20h30min, no Circo da Cidade. Infelizmente a data teve que ser adiada, dada a triste notícia do falecimento de Maria Luiza Moraes Santos (um ano e sete meses) [submetida recentemente à uma cirurgia cardíaca em Belo Horizonte/MG], filha de Cristiane Moraes e Ricarte Almeida Santos, co-produtor do cd e integrante do Secretariado Regional da Entidade.

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão vem a público pedir desculpas pelos eventuais transtornos causados e em breve divulgará uma nova data para a realização do show musical. [avisaremos aqui]

Agradecemos antecipada e sinceramente a compreensão de todos, ao tempo em que pedimos a divulgação da presente nota.

bônus overmundo

a tarefa não era fácil, embora nós mesmos tenhamos, democraticamente, nos pautado. sebos. uma matéria sobre esses espaços raros em são luís, ilha ora em crise de identidade, tentando elaborar um (mini-)guia. luiz henrique silva, ricardo milan e este blogueiro dividiram as tarefas e caíram em campo. o resultado do trabalho (a bênção, larissa leda, gracias, gracias!) pode ser conferido no overmundo. para a árdua, embora prazerosa atividade (prazerosa embora árdua?), este blogueiro fez duas entrevistas, que seguem abaixo.

as entrevistas – conversas entre amigos – mantêm toda a informalidade das ocasiões. no chico discos tomei duas cervejas com o proprietário e comprei o bbc sessions, do led zeppelin, além de um vinil de elizete cardoso com o zimbo trio. do papiros do egito, saí com dança dos escravos e música de sobrevivência, ambos de egberto gismonti. não sem antes presenciar um chato que cobrava uns livros deixados ali, naquela tranqüilíssima manhã de sábado [o chato acabou saindo com um cheque em mãos, que só poderia ser descontado na segunda-feira seguinte].

*

entrevista: chico

francisco de assis leitão barbosa, mais conhecido como chico ou chiquinho, tem um ano e meio de sebo próprio, já que era figurinha fácil entre o poeme-se e o papiros do egito, sebos de onde tirou parte de seu acervo particular. o chico discos, misto de sebo e locadora de dvds fica na rua do ribeirão, 319, centro (fonte do ribeirão).

zema ribeiro – chico, quando foi que te deu “o estalo” de abrir um sebo?

chico – eu já tinha muito dvd em casa. daí resolvi juntar com uns livros, que eu tinha também, vinis… comecei o sebo só com coisas minhas.

zr – foi mais ou menos dar utilidade ao acervo que tu tinhas em casa?

c – exatamente. depois as coisas começaram a funcionar, e aqui já aumentaram bastante [refere-se à quantidade de dvds, cds, livros etc.]. dvd é o que mais cresce, eu tenho que comprar toda semana.

zr – o pessoal exige novidades, não é? o nome chico discos remete a sebo, mas a maioria das pessoas freqüenta o espaço por causa da locadora de dvds, não é isso?

c – sim. são luís não tem uma grande circulação de livros. às vezes as pessoas vêm vender, mas são coisas que não me interessam muito: livros escolares, por exemplo. dá um bom dinheiro, mas dá muito trabalho. tem um pessoal que vem locar dvd, há pessoas que eu conhecia do poeme-se, do papiros [sebos de são luís, até hoje freqüentados por chico]. com relação ao nome, ia ser cine discos, eu já tinha até mandado fazer a placa, quando [o poeta] dyl pires disse: “não, rapaz, não bota não! bota chico discos”. aí eu botei.

zr – numa coluna de betinho [o jornalista herbert de jesus santos, colunista do jornal pequeno], li algo sobre sua resistência a colocar um apóstrofo e americanizar o nome. conte-nos essa história.

c – quando eu fui mandar fazer os recibos, a pessoa disse que deveria ser “chico’s discos”. e eu disse: “rapaz, não, eu sou só um” [risos]. até hoje betinho passa aqui e puxa essa história [risos].

zr – chico, em um ano e meio de sebo, o teu espaço já é uma referência da, digamos, “intelectualidade alternativa”, fora dos círculos da academia maranhense de letras, por exemplo. os poetas encontram-se aqui, fazem recitais, ainda que, ou melhor assim, bastante informais. os escritores agora o tomaram como ponto de encontro para elaboração de propostas de políticas públicas que deverão ser entregues ao novo secretario de estado da cultura. o quê que tu achas disso? dá um charme para a casa, ajuda a vender, ou as duas coisas?

c – as pessoas estão sempre por aqui. jovens, pessoas mais velhas. dá charme e ajuda o comércio. eles compram muito, são consumidores ávidos, vorazes.

*


[a organizada bagunça do papiros do egito. foto: zema ribeiro]

entrevista: moema alvim

farmacêutica com mestrado em parasitologia e especialização em entomologia, moema de castro alvim (64) abriu o papiros do egito (rua da cruz, 150, centro) como passatempo. em 14 anos como sebista, tem, hoje, em são luís, uma das casas mais respeitadas do ramo, freqüentada por “tribos” diversas: intelectuais, estudantes, jornalistas, entre outros.

zema ribeiro – sabemos de sua trajetória como professora universitária, hoje aposentada. como surgiu a idéia de abrir um sebo?

moema alvim – há 14 anos, eu abri o sebo papiros do egito, com esse nome para reforçar o endereço, que ficava na rua do egito. lá, em dois anos, o ambiente ficou pequeno para tantos livros; de lá fomos para a rua dos afogados e em mais dois anos, o mesmo problema. nós procuramos um espaço maior, aqui na rua da cruz, mantendo o nome papiros do egito, sempre. aqui também, hoje, já está pequeno. nós tempos cerca de 12 mil livros, três mil cds e sete mil elepês. como professora, eu viajava muito. estudei no rio, em brasília, em belo horizonte, e também não podia comprar livros em livrarias. aí comecei a freqüentar os sebos, principalmente no rio e em belo horizonte e fui juntando muitos livros. quando me aposentei e não quis ficar parada, vi que a única coisa que acumulei ao longo dos anos foram livros. daí a idéia: como faltavam sebos, aqui em são luís só havia o poeme-se, pensei, há espaço para mais um. de 14 anos para cá, surgiram cerca de 20 unidades de ensino superior e fecharam cerca de sete livrarias, uma pena muito grande, inclusive a espaço aberto [que tinha como sócio o compositor josias sobrinho], que era uma livraria muito tradicional.

zr – qual o público que mais freqüenta o papiros do egito?

ma – estudantes e professores universitários, vestibulandos, e profissionais, principalmente advogados.

zr – o que é mais vendido?

ma – as obras de autores maranhenses. eu sempre digo que nós nos deitamos, nos acomodamos com o título de atenas brasileira, que não fazemos mais por merecer. as pessoas não sabem mais freqüentar sebos. hoje é um sábado, em que só dois clientes apareceram por aqui. os alunos procuram mais o sebo na época em que estão elaborando suas monografias, por que eles não encontram essas obras em livrarias e/ou bibliotecas.

zr – há certa tentativa de suprir essa ausência, então…

ma – sim, mas nós estamos convivendo com a geração internet, a geração xerox. ao lado de cada biblioteca de universidade, seja privada, seja pública, há uma máquina de xerox. é proibido fazer cópias de livros, isso é um contra-senso.

zr – o que a senhora acha do mercado de são luís para sebos?

ma[enfática] péssimo! péssimo e não só para sebos: é para livros. os grandes empresários abrem franquias de roupas, tênis, móveis. mas quem abre uma livraria é um idealista, que vai ficar com livros acumulados. os professores também são culpados, por virem [de mestrados e especializações fora do estado] com títulos de livros que não são encontrados aqui. o livreiro é geralmente um comerciante de médio ou pequeno porte que não tem dinheiro para se abastecer de milhares de títulos.

zr – as pessoas também não têm prazer em conversar, não é? essa que é a principal característica dos sebos, já que às vezes se chega numa grande rede, loja de discos, livraria e o vendedor está ali, mas não entende de nada. no sebo, geralmente o proprietário conhece um pouco de tudo o que vende. o que a senhora acha disso?

ma – o jovem, o cliente, quando vem aqui, às vezes vem atrás de lançamentos, o que significa que ele não entende o que é um sebo. se jô soares diz no programa dele que livro tal é bom, ou se sai a relação dos mais vendidos na veja ou na istoé, sei lá, em outras revistas, pode ser no dia anterior, ter sido lançado ontem, eles vêm procurar. chegam e querem ser atendidos como se fosse uma livraria. eles querem que eu dê o título dos livros, entregue o livro na mão, talvez até no capítulo em que lhes interessa. eles não sabem procurar livros em sebos. dão o título dos livros como se estivessem numa farmácia, entregando uma receita ao farmacêutico. o grande charme dos sebos é atirar no que se vê e acertar no que não se vê. as pessoas vêm procurar determinado título e acham outro, que já buscavam há tempos e precisavam.

zr – a partir do que a senhora está falando, dá para fazer um paralelo entre os sebos e a internet, por exemplo. aqui os clientes deveriam entrar procurando uma coisa e, às vezes, sair com outra. é a coisa dos links em textos na internet: você está numa trilha certinha, de repente clica em um link, começa a ler outra coisa e às vezes não volta ao texto em que se estava…

ma[interrompendo] eu sou totalmente tecnófoba. não deveria ser. nós inclusive começamos a catalogar o acervo para colocar num site. na realidade, abri esse sebo para resolver um problema meu. seria muito fácil para o cliente chegar aqui, apertar uma tecla e achar livro “x” ou “y”. eu quero que ele chegue e procure, que se envolva com essa magia.

zr – com isso de querer que as pessoas descubram, se envolvam, voltamos à questão do idealismo. a senhora se considera, portanto, uma idealista?

masim, uma idealista. os primeiros objetos que eu tive em mãos, com coisa de quatro, cinco anos de idade, quando eu estava sendo alfabetizada, o que na época era, de certa forma, considerado precoce, foram livros. livros foram meus primeiros brinquedos e era o que eu gostava. passei muito tempo trabalhando na universidade, mexendo com livros. não pensava em literatura, eu quase não tinha tempo, eram mais livros técnicos voltados para minha área. sinto-me gratificada. conheci muitos autores, outros autores através destes. creio até que contribuo mais para a educação aqui do que quando eu era professora. alunos vêm aqui buscar material para suas monografias, se eu não tenho, procuro ajudar, informar onde ele encontra, ou mandando buscar no rio de janeiro.

dois textos

1. texto de divulgação do show canção de vida, lançamento do disco que celebra os 50 anos da cáritas brasileira. lena machado e banda [7/12, 20h30min, circo da cidade] e mais detalhes aqui. quero ver a turma lá, alô leitores, alô amigos, alô!

2. o texto da semana, no diboa. tirem suas próprias conclusões.

não sou poeta! sou pintor!

amigo meu entra no msn e pede-me uma poesia. digo-lhe que não escrevo mais poesia e não há nada de mal-educado em minha resposta. deixei de dizer-lhe, no entanto, que pintava poesia. a poesia alheia, é claro. artesanalmente, bem ou mal, em camisas, assim, ó:

música foda brasileira

[jornal pequeno de hoje, jp turismo, primeira classe]


[reprodução da capa de pelo público]

Bom humor e finas ironias marcam “Pelo Público”, quarto disco de Carlos Careqa, inventivo nome da música (im)popular brasileira.

por Zema Ribeiro*

Zeca Baleiro, no texto de apresentação de “Pelo Público[Thanx God/Tratore, 2006, R$ 21,50], define Carlos Careqa como “punk bossa-nova” e vai além: “eu diria que o cara é foda”, encerra o texto. Careqa é tudo isso, sim. Não é fácil juntar, na mesma faixa, Talking Heads com Adoniran Barbosa.

Pelo Público” é um disco engraçado. Mas nada de facilidades, obviedades e similares. A começar pela capa. A começar pela primeira faixa, com a impagável participação especial – voz e filosofia – de Falcão, sim, o papa pop-brega.

Politicamente incorreto, Carlos Careqa faz um disco machista, mas com a sua graça: “a mulher é um pentágono / tem um lado na frente / e os demais / pelo ângulo que vemos / de um lado a gente gosta menos / de quatro a gente gosta mais”, canta em “Os cinco lados da mulher”. Em “Ser solteiro”: “solto todos os gases que quero / tiro meleca do meu nariz / se eu chegar tarde eu mesmo me espero / ah! Como eu me faço feliz!”. Refinado senso de humor, ao contrário da agressividade gratuita que tanto se ouve por aí, nos ônibus da vida.

Em “Espinha de Bacalhau”, o recado é certeiro (pena que a maioria das rádios brasileiras seja surda): “essa é uma canção / ridícula / pra tocar em FM / bobinha / se você não decorar / frívola / se você não decorar / estúpida”.

Entre bossa, samba, balada, bolero e, principalmente o etc., Carlos Careqa dá o seu recado. Dois títulos podem traduzir todo o espírito do disco – e a vontade de quem o ouve pela primeira vez de não tirá-lo mais do cd-player: “Agora é pra foder”. “O resto é pó”. Fundamental.

*correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

tão zé, certeiro


[essa “arte” aí tá no site do gênio de irará, acima o único link do post. eu só colei a reprodução da capa do disco novo]

a carapuça só “assenta” na cabeça de quem usa.

ei, você aí! já ouviu/leu o dito acima? pois é… se você é daqueles leitores que gostam de facilidades, desista! pode parar a leitura por aqui. nesse post, eu não vou botar nenhum link, salvo o da imagem acima.

quem tem boca vai à roma. quem tem curiosidade, vai deus sabe onde…

acabo de ver tom zé entrevistado por jô soares, na globo. só soube na hora, do contrário, teria avisado por aqui. o homem (o primeiro) é um gênio! não, não há exagero! todos os que me lêem (poucos, mas fiéis) sabem que sou fã do cabra, que estava ali, aos 70 anos, lançando seu novo disco. ah, durante, um aviso: isso não é jornalismo!

aqui não vou também lembrar trechos da entrevista. procurem aí no youtube (sem link, risos), na blogosfera, no site da tv, se virem!

ou vocês são como alguns (a maioria, para ser sincero) freqüentadores da batcaverna? explico: a maioria das pessoas que vai ali, a maioria universitários, repita-se: a maioria, vai para ouvir frases do tipo “riquelme na batera!” (é assim que se escreve “riquelme”?).

este post soa (soa?) meio (meio?) preconceituoso. não nego.

ah!

querem saber duma coisa? vão ouvir tom zé!

uma sincera canção de vida

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

“Canção de Vida” celebra os cinqüenta anos da Cáritas Brasileira. Sobre o trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado, voz e alma do disco.

por Zema Ribeiro*

A Cáritas, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), festejou no último dia 12 de novembro, cinqüenta anos de atuação no Brasil. Para celebrar a data e a caminhada, o Regional Maranhão preparou o belo “Canção de Vida”, onde Lena Machado, integrante do Secretariado da Entidade no Maranhão há seis anos, emprestou sua voz e registrou dez faixas que marca(ra)m a trajetória da Cáritas Brasileira no Estado.

O violonista Luiz Jr. arranjou todo o disco e arregimentou os músicos que se ouvem nas composições de Cesar Teixeira, Jurandy Ferreira, João do Vale, Joãozinho Ribeiro, Chico Canhoto, Gonzaguinha, e Guarabira.

Flanelinha de Avião”, inédita de Cesar Teixeira, já é um hit e vem tocando nas rádios ludovicenses há um tempinho. Sobre este trabalho, Zema Ribeiro conversou com a intérprete Lena Machado.


[design: Raquel Noronha]

Entrevista: Lena Machado

Zema Ribeiro – Lena, o que significou para você emprestar sua voz para o disco “Canção de Vida”?

Lena Machado – Mais uma contribuição na minha trajetória de artista cidadã, com um caráter um pouco diferente, já que eu nunca havia gravado antes, de forma profissional.

ZR – Como se deu a escolha do repertório do disco?

LM – Foi um processo coletivo. Sentamos com a equipe do Colegiado Regional, pensamos um repertório a partir das músicas que eram cantadas regularmente em encontros e congressos da Cáritas e músicas que trouxessem algo de novo para essa caminhada. Nesse contexto entraram “Oração Latina[de Cesar Teixeira], que é uma música maranhense, mas que está sempre presente nos encontros nacionais, com grande identificação das pessoas, “Milhões de Uns[de Joãozinho Ribeiro] também, que foi cantada na noite de Celebração dos 50 anos da Cáritas durante a mais recente assembléia da CNBB. Queríamos diversificar o repertório, respeitando os programas e linhas de atuação da Cáritas, valorizando principalmente os compositores maranhenses.

ZR – E as inéditas? Como vocês chegaram até elas?

LM – Foi um processo de pesquisa, daquilo que poderíamos apresentar de novidade no cd, músicas que falassem dos contextos onde a Cáritas atua, o caso de meninos em situação de rua, presente em “Flanelinha de Avião”, e a realidade dos trabalhadores rurais, caso de “Sem Resposta”, além de uma ligação nossa com os compositores, no caso dessas duas, Cesar Teixeira e Chico Canhoto, de trajetórias muito ligadas às questões sociais, de denunciar isso através da arte. É também uma tentativa de fugir de canções que fossem panfletárias demais, dando um mergulho na fonte da música popular brasileira para tratar de temáticas infelizmente atualíssimas.

Serviço

O quê: “Canção de Vida
Quem: Lena Machado
Onde comprar: Cáritas Brasileira – Regional Maranhão (Rua do Alecrim, 343, Centro), Poeme-se (Rua do Sol, Centro, próximo ao Sindicato dos Bancários; Rua João Gualberto, 52, Praia Grande); Livraria Athenas (esquina de ruas do Sol e Antonio Rayol); Chico Discos (Rua do Ribeirão, 319, Centro – Fonte do Ribeirão).
Quanto: R$ 20,00 (preço sugerido).

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

girando feito vinil sob agulha

Diversos boêmios estão entre os consultores/conselheiros sentimentais deste escriba. Procura-se e acha-se (cachaça-se) vivos ou mortos: João Antonio, Antonio Maria e Xico Sá, entre inúmeros outros. Não, não é pura vontade de ser mal-influenciado – ao contrário, acho até que ando muito bem acompanhado – nem de ser mal-influenciador – apenas lembrando-me que ocupo esta tribuna para falar aos mais jovens (ao menos creio).

[o texto dessa semana no diboa. para lê-lo na integra, clique aqui]

obscuras críticas (que talvez nem merecessem comentários, os fatos falam por si só)

Não me dei ao trabalho de saber se as notas abaixo foram publicadas ou não no jornal (?) Diário da Manhã. Elas estão penduradas no Blog do Kenard, com a data de ontem, terça-feira 21:

*

Cultura
Quando prefeito de São Luís, Jackson Lago não deu muito valor para as questões culturais. Assim, não se importava muito com o nome que ocupava a Fundação Cultural. Na verdade, desconsiderava tanto a cultura, que deixava o cargo de presidente da Fundação para os aliados da ocasião, pouco se importando se o sujeito tinha competência ou não. Era a forma de contemplar o aliado sem dar cargos considerados mais importantes.

Cultura 2
Claro que isso era um erro e tanto. A Fundação Cultural (ou Secretaria de Cultura, agora), como sempre escrevi, é tão importante quanto a Secretaria de Fazenda. A cultura em mãos certas rende para o governo às vezes muito mais que outras secretarias tidas como importantes. Resta saber se agora como governador eleito Jackson Lago mudará de opinião. Espera-se que sim.

Lá vem ele
Jackson Lago nem bem saía das urnas e Joãozinho Ribeiro já se movimentava para tentar ganhar a Secretaria de Cultura. Como nos tempos de Jackson prefeito, corre para o colo da turma do Laborarte, atrás de apoio e de lista de apoiadores. O governador eleito deve tomar cuidado. O Maranhão merece qualidade na cultura.

*

Pela caixa de comentários, mandei-lhe o seguinte (aqui, em itálico):

Kenard, não sei quais as suas pretensões e/ou intenções. Tenho andado silencioso com relação aos movimentos de Laborarte, Grita (e entre outros: Fóruns Municipal e Intermunicipal de Cultura, Instituto Pólis e alguns nomes do MinC) por saber que gente como você diria logo: “Zema defende o nome do homem pensando na própria barriga (e/ou umbigo)”. Agora você querer nos convencer (a mim, não) de que Joãozinho Ribeiro é um nome ruim para a Secretaria de Cultura do Estado é um pouco demais, não? Independentemente de amizade e/ou ideologia(s) não lembro de nenhum nome melhor. Joãozinho tem todas as características necessárias para assumir a pasta e fazer um bom trabalho.

A resposta, me foi enviada por e-mail (isto é, o comentário não foi publicado no blogue), abaixo, em itálico:

Da mesma maneira que fez na Fundação Cultural, quando Jackson era prefeito. Uma porcaria de não-trabalho. Essa conversa fiada de forum disto, forum daquilo é coisa de gente que é preguiçoso, que não quer trabalhar. Me dou com Joãozinho mas ele não tem preparo para o cargo. Ponto final.

*

O Sr. Roberto Kenard 1) (tenta) desqualifica(r) o trabalho de Joãozinho Ribeiro (infinitamente superior ao não-trabalho prestado pelo jornalista enquanto Diretor de Redação de seu jornal e a comparação termina por aqui mais em respeito a João), 2) e de membros do Fórum Municipal de Cultura, todos voluntários (eu, ao menos, enquanto prestei serviços ao FMC, na Assessoria de Comunicação, nunca recebi um centavo e não arrependo-me de ter “perdido” esse tempo), 3) acha-se o “dono da verdade” (qualidade péssima a um jornalista), ao (tentar) “encerrar” o assunto com um simples e infantil “ponto final”.

Aqui, ó, em maiúsculas e em negrito: ESTE BLOGUE APÓIA A INDICAÇÃO DE JOÃOZINHO RIBEIRO PARA A SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA.

Com a palavra, os caríssimos leitores deste blogue. Comentários aqui não sofrem censura, moderação ou coisa que o valha.