da série “resenhas fora de época”

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

*

rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

*

acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

*

há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

da série "resenhas fora de época"

[o título do post somente se justifica pela resenha aqui publicada não estar no “calor” do lançamento da obra. nada mais. a “série” foi iniciada aqui]

A poética do reengajamento pela linguagem: espaços e tempos do local e do universal

por Valmir de Souza*

Volto a S. Luís pela pena escrita de Joãozinho, o grande de coração, de entendimento das urgências da vida e da tradição lenta de uma cidade que permanece através dele em nós. O autor que tanto opera pelos outros e abre caminhos, agora faz a sua leitura de mundo, a sua des-leitura da cultura engendrada pelo tempo histórico e social dos que querem eternizar a memória dos poucos. João está com os muitos, convive com muitos, seus outros tão seus próximos ainda pela palavra.

Mas o poeta também volta ao seu lugar, ou melhor, faz da cidade sua paisagem, se confundindo com ela. Essa revisitação da vida em forma literária faz do livro o próprio poeta.

Já pela capa vemos o tempo na paisagem, São Azulejos de Luís. A presença do tempo marcada pelas pequenas ruínas nas flores azulejadas de verde.

O título “Paisagem feita de tempo” nos envia à temporalidade e ao espaço vistos do ponto de vista poético. Ler esse livro é de enorme prazer em ver o registro da cultura marcando o olhar.

A memória silenciosa presente em versos como “Toda inquietude do silêncio / Tendo vez e voz / Nesta paisagem / Que eu crio e transformo / De fruto do meu corpo / E semente da minha crença / Em pés do meu destino” (p. 18). O poeta luta na revisão de seu calendário, ainda que não seja de fácil operação.

O livro percorre espaços-ruas das cidades dentro da cidade, mas também a trajetória do sujeito poético-cultural que é Joãozinho. A história da cidade se confunde com a do poeta-sujeito-histórico. Que convive com quem fez a história a seu modo: bêbados, prostitutas, benzedeiras etc. O lirismo dos bêbados cheios de poesia e música de Isidoro Damasceno com sua “santa bebedeira” (p. 22). “No coração do Centro Histórico” projetos de moradia, ironia em relação ao desnorteio daqueles que viveram no centro da cidade, das cidades.

A visão do expurgo feito pelo trabalho das máquinas que tanto encantam as crianças, mas que é resultado de “projetos de modernização”. Assim se constata nos versos: “Até deparar com as garras / Dos tratores sangrando a terra / E soterrando os encantos / Da Praia do Boqueirão”. (p.43)

O poeta se apropria da cidade que é sua e de todos. “Cidade és minha paisagem / Feita de tempo e de mim / Feita de tudo que somos / E do que seremos, enfim.” (p.100)

O poeta escuta a cidade invisível inscrita nos interstícios da memória, contra o “mundo caduco” da modernização, fazendo sua resistência cultural.

Um livro feito de palavras e ilustrações. Estas, de uma sensibilidade que nos leva à infância do ser Joãozinho e do ser de todos nós, brasileiros e universais. O pipa-papagaio-pandorga-capucheta que leva ao sonho; a tia vendendo mingau de milho; uma chaminé, uma pessoa e uma fábrica; o gato Inocêncio na goiabeira; as duas “aranhas”; cidades etc.

Gostei.

(*) Professor universitário, pesquisador cultural, coordenador do projeto “Café Filosófico” na cidade de Guarulhos/SP

*

rola, internet afora, um manifesto defendendo o nome de joãozinho ribeiro (que trouxe de são paulo, na bagagem, o texto acima) para a secretaria de estado da cultura. manifesto legítimo, diga-se, encabeçado pelo grupo independente de teatro amador (grita), laboratório de expressões artísticas (laborarte), fóruns intermunicipal e municipal de cultura e instituto pólis, entre outros. haverá, nesta quarta-feira (22), às 19h, um manifesto político onde este apoio será publicizado. anote aí: será no laborarte (rua jansen müller, 42, centro). os interessados em declarar apoio, podem fazê-lo enviando nome, endereço, profissão e rg ou cpf para o e-mail elizandra.rocha@yahoo.com.br e/ou elizandra_31@hotmail.com e/ou comparecendo ao ato supra.

*

acontece amanhã, a abertura do 8º congresso de música do maranhão (convento das mercês); a primeira “palestra” do dia (8h30min) será ocupada pelas “propostas de políticas culturais do governo jackson lago”. representando oficialmente o governador eleito, estará joãozinho ribeiro, elaborador do programa de governo para a área.

*

há um tempinho não nos falávamos. ela que detesta quando eu desato a falar de política (nem sei se chegará até aqui na leitura). mas foi bom vê-la mandar-me um beijo da janela do ônibus, enquanto eu, oh! exagero, quase morria atropelado ao atravessar a cajazeiras e (tentar) retribuir, desajeitado, o gesto.

primeira classe na primeira classe de hoje

[jp turismo, jornal pequeno]

As tacadas certeiras de Peréio

“O artista cagando para a obra e vice-versa”, atesta/avisa Xico Sá no prefácio do livro. Editora do Bispo bota na rua as delicadezas de um dos atores mais importantes do país.

por Zema Ribeiro *

Por que se mete, porra? – Delicadezas de Paulo César Peréio[Editora do Bispo, 2006, R$ 38,50] é obra inclassificável. Ora, o Peréio todos conhecem, amam ou “odéiam”. O currículo do homem é invejável: mais de cinqüenta filmes e outras curriculagens impublicáveis. Aqui, o homem fora de cena, percorrendo botecos, sinucas, amores e dores, muito além da óbvia rima. Contrariando o título, as indelicadezas aqui reunidas são, antes de qualquer coisa, obras/frutos do amor.

A obra é a vida organizada/contada em bilhetes, fotografias, ilustrações, guardanapos anotados e amassados em mesas de bar. “A vida é cada vez menos”, repete, o tempo passa, “mais uma ficha!”, pede, junto com o parceiro em mais uma rodada de sinuca, num boteco qualquer.

Luxuosa – como outras edições “do Bispo” –, “Por que se mete, porra?” traz na capa uma imagem “bukólica”: algo como um bucolismo digno de Charles Bukowski, outro fodão de outro pedaço da América. A primeira imagem, pós-capa, mostra um Peréio pensador (o de Rodin?), sentado num vaso sanitário. Daí pra frente, um lirismo incessante, sincero, de que só os bêbados e as crianças são capazes.

“Cuidado com a incapacidade da ironia, com o provincianismo mental! Há mais do que um sentido no texto, então no discurso, contido em nenhuma palavra dela ou dele. Pois é impossível o texto do discurso dizer aquilo que diz.”, avisa Peréio num dos bilhetes, post-its pregados na porta da geladeira, que a obra pode ser copiada desde que citada a fonte, à vontade, pois, meus caros, que a prosa-porra-louca-vida-louca-vida do homem vale muito a pena.

Nessas “Delicadezas de Paulo César Peréio”, até mesmo a dor tem alguma graça.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

viagens de novembro*

alôs para as turmas

de são paulo:

acontece dias 16, 17 e 18/novembro, o encontro de artistas américa do sul, que tem como tema a responsabilidade do artista no reencantamento do mundo. a realização é da rede mundial de artistas em aliança, com apoio do instituto pólis, secretaria de estado da cultura de são paulo e casa das rosas, onde acontece o encontro.

no dia 17, o poeta, compositor e professor universitário maranhense joãozinho ribeiro participa de uma mesa, às 14h, com daniel hilário e sebastião soares, cujo tema é cidadania cultural e as responsabilidades humanas.

a quem interessar a programação completa, basta enviar-me um e-mail.

***

e de brasília:

dias 16 e 17, rosa reis apresenta o show flor da mangueira, na capital federal. na sala funarte cássia eller (atrás da torre de tv). os ingressos custam r$ 5,00 e r$ 2,00 (para estudantes, idosos, músicos e funcionários da petrobrás).

[* viagem de novembro (no singular) é uma música de erasmo dibell, gravada por carlinhos veloz]

pré-texto


[clica aí em cima, para ver o cartaz ampliado]

pré-texto, que o texto mesmo, ainda não fiz. aguardem! de já, fica a dica. uma boa pedida para o presente (antecipado, moços, corram!) de natal. canção de vida, disco comemorativo dos 50 anos da cáritas brasileira, com interpretações de lena machado para composições de joão do vale, gonzaguinha e joãozinho ribeiro, entre outros. inclui as inéditas sem resposta (chico canhoto) e flanelinha de avião (cesar teixeira).

onde comprar? aí, ó:

cáritas brasileira – regional maranhão
rua do alecrim, 343, centro

chico discos
rua do ribeirão, 319, centro – fonte do ribeirão

poeme-se
rua joão gualberto, 52, praia grande
rua do sol (próximo ao sindicato dos bancários)

livraria athenas
esquina das ruas do sol e antonio rayol

tô diboa!

pedrinho almeida me convidou, e eu, de pronto, aceitei. a partir de hoje (agora) escrevo uma coluna semanal (às segundas-feiras) no diboa. alô, patrocinadores… interessados, fineza fazer contato…

sem mais blá blá blá, confiram a estréia aqui, ó!

(ao lado dela) na arquibancada

antes, um aviso: isso não é jornalismo!

josé ribamar tocantins, clara de fátima martins e francisca lima, professores do luís viana, no bairro da alemanha, são luís, maranhão, brasil, escreveram o projeto aprender a ler e ler para aprender. o ensino da matemática centrado na inclusão social pelo domínio da língua, inscrito no prêmio viva leitura, a maior premiação individual para fomento à leitura produzida no brasil, iniciativa inédita dos ministérios da educação (mec), cultura (minc) e organização dos estados íbero-americanos para educação, a ciência e a cultura (oei).

o prêmio selecionou, entre 3.031 inscritos, quinze finalistas, que já estão na capital federal para a solenidade de premiação, amanhã, 13. do maranhão, foram selecionados o projeto supra, além do jegue-livro, de alto alegre do pindaré.

é o seguinte, resumindo: os dois primeiros do primeiro projeto citado são meus sogros, que já estão parabenizados pela seleção. d(n)a ilha, estamos, eu e ela e mais uma turma de parentes e amigos na torcida… sucesso, sogrões!

o “grammophone” de tereza pineschi

[primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

Cantora carioca niteroiense pesquisa e grava lundus, maxixes e polcas – os pais do samba – em agradável e gracioso disco de alto valor histórico.

por Zema Ribeiro*

Nascida em 1944, a carioca niteroiense Tereza Pineschi, bióloga de formação e profissional do canto há vinte anos, estréia graciosamente em disco com “O teu grammophone é bão[Por do Som/Atração, 2005, R$ 20,00], que leva como subtítulo “A música brasileira entre 1830 e 1910”.

As catorze faixas remontam os primórdios do samba; estão lá os pais do brasileiríssimo gênero: lundu, maxixe e polca, num minucioso trabalho de pesquisa que registra, agora, pérolas inéditas.

O encarte traz as grafias originais da época – vide o “grammophone” do título, entre outras – e respeita as partituras, executadas com maestria por Carlos Almada (flauta e arranjos), Queque Medeiros (bandolim), Jorge Mathias (contrabaixo) Rodrigo Paciello (violão) e a voz de Tereza Pineschi, que concebeu o disco a partir do livro “Feitiço Decente”, de Carlos Sandroni.

O didatismo está presente, mas sem chatices: notas sobre as origens dos gêneros que compõem o disco, imagens de um Rio de Janeiro que já não existe, e pinturas de nomes como Johann Moritz terminam de enfeitar o singelo biscoito.

Há momentos de pura diversão. Bons exemplos são as faixas “Quem é pobre não tem vícios” (“Quem é pobre não tem vícios / deixe-se de namorar / se as moças cantam assim / como pode o pobre amar”, reza a letra) e “Sou batuta…” (Um maxixe bem dançado / o prazer sabe excitar / quem o dança apaixonado / fica logo a palpitar / maxixando bem a geito (sic) co’ uma dama appetitosa (sic) / eu a junto contra o peito / e minh’alma inteira goza…”).

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

ponte aérea sl

é o seguinte: vou viver na ponte aérea. ao menos por (quase) dois meses. não, não vou estressar com vôos atrasados em aeroportos lotados, etc. e tal. vou imitar as pontes aéreas rj e sp (xicos, vargas e no no mínimo) e escrever a ponte aérea sl (preferi não chamar de ponte aérea ma, já que raramente sairei da ilha). é pr’uma atividade da faculdade, da disciplina jornalismo cultural, professoramiga ana patrícia choairy. então: entre novembro e dezembro, vida dupla, além de por aqui, a gente se vê por .

[essa foto/link belíssima aí (ao menos eu acho!) é do gilson teixeira (jornal pequeno).]

este blogueiro (de merda), até onde lhe permite(m) a(s) “inguinorança(s)”, internética e d’outras línguas, está aberto a sugestões de/sobre como melhorar (digo, tornar mais bonito, frescura pouca é bobagem, etc. e tal…) a dita/citada ponte

mais detalhes sobre funcionamento, calendário/horário de vôos,

até!

onde tá o coro?

com o título acima, o poeta-músico zémaria medeiros leva hoje (parte de) seu arsenal, da rua para o palco do teatro alcione nazaré (centro de criatividade odylo costa, filho, praia grande), às 21h. ingressos no local. r$ 10,00 (estudantes e idosos pagam metade).

o poeta-músico em ação no espetáculo semanal a vida é uma festa (cia. circense de teatro de bonecos, praia grande, todas as quintas-feiras, 20h30min) [foto: divulgação]

sábado: reprise

antes, um toque: pedro sobrinho, dj que tocaria na fatídica noite de sexta-feira passada, e também lesado pela não-realização do show da nação zumbi (os mangueboys de nada têm culpa), escreveu hoje n’o estado do maranhão sobre o (não-)acontecimento. confiram!

*

ontem, ao pendurar aqui o post anterior, o que eu tinha colocado sábado simplesmente sumiu. segue novamente, abaixo. é meu texto da primeira classe, jp turismo, de 4/11 (o jornal pequeno não circulou sexta-feira).

*

O Maranhão agora só chora assim

Com a derrota sarneysta nas urnas maranhenses, o povo tem muito que comemorar. Motivos para chorar? Só se for de alegria. Ou se “choro” tiver outro sentido que não lembre lágrimas.

por Zema Ribeiro*

O fato de “Chorinhos Maranhenses[independente, R$ 15,00] ser o primeiro registro de choros produzidos no Maranhão – genuinamente maranhense, diga-se e repita-se: composto aqui (em várias épocas), foi todo gravado aqui – poderia permitir aos bambas do Instrumental Pixinguinha alguns deslizes, quiçá perdoáveis, e os mesmos entrariam para a história com um disco ruim, por serem os primeiros.

Não é o que acontece. Nem ruim – ao contrário, excelente disco de (todas as) estréia(s) – nem fácil: em vez de releituras de clássicos do gênero – ainda que se limitassem ao repertório maranhense, que tem clássicos de sobra –, “Chorinhos Maranhenses” é todo composto por músicas jamais gravadas e revela verdadeiros mestres do gênero – Domingos Santos, Zé Hemetério, Francisco de Assis (Six), Nuna Gomes e Cleômenes Teixeira, entre outros – na interpretação descontraída, como o são numa (boêmia) roda de choro, de outros mestres: Zezé Alves (flauta), Raimundo Luiz (bandolim), Juca do Cavaco (cavaquinho), Domingos Santos (violão sete cordas) e Nonatinho (pandeiro), o quinteto Instrumental Pixinguinha.

A paisagem maranhense, além de desfilar pelas composições e execuções de “Chorinhos Maranhenses”, está também no bonito encarte: a Escola de Música Lilah Lisboa, a Ponta d’Areia e a Faustina são alguns cenários naturais por onde passeiam estes chorões, agora só sorrisos nos rostos. O texto de Ricarte Almeida Santos (membro fundador do Clube do Choro do Maranhão e apresentador do programa Chorinhos e Chorões, nas manhãs dominicais da rádio Universidade FM) afirma, orgulhoso, meio pai da criança que é: “Acho que Pixinguinha está orgulhoso do nome que emprestou a esse grupo”. Temos certeza que sim. Ave, Pixinguinha! Vários vivas e muitos brindes!

Em tempo – Domingo (5/11), às 9h, na rádio Universidade FM (106,9MHz), o programa Chorinhos e Chorões apresentará o disco “Choros Maranhenses”. No estúdio, com Ricarte Almeida Santos, para “o seu café da manhã instrumental de domingo”, os componentes do Instrumental Pixinguinha. Boêmios, de pé!

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

coincidência?

com ou sem razão, há quem fale mal de ópera. de ricarte. de vanessa serra. e cito aqui, produtores mais próximos deste que vos escreve. eu mesmo, dando uma de produtor, já armei shows em são luís para platéias de quarenta pessoas. com ou sem razão, há quem fale mal deste blogueiro.

mas, vejamos: dois shows do sepultura (não vou atrás de datas, os dados aqui são de minha pouca e fraca memória), um de marcelo nova (que este blogueiro em contato com a assessoria do líder do camisa de vênus em são paulo, descobriu que nem haviam entrado em contato, quanto mais feito contrato) e, mais recentemente, o segundo show da nação zumbi. todos cancelados.

coincidência? talvez: as cinco promessas de apresentações leva(va)m a assinatura da mesma “produção”.

coincidência? irresponsabilidade? sacanagem? ou o quê?

celso borges no overmundo


[foto: zema ribeiro]

O imponente casarão onde nasceu Celso Borges – “Rua da Paz, 350, Centro de São Luís do Maranhão”, como ele mesmo anuncia/declama em “Celebração”, faixa que encerra seu novo livro-cd – permanece imponente, na esquina de Paz com Antonio Rayol, confluência da Igreja de São João e Faculdade de Farmácia. Hoje, uma clínica odontológica funciona no local.

Celso Borges, poeta e jornalista maranhense (radicado em São Paulo) passou apressadamente por São Luís para lançar “Música[Editora Medusa, R$ 30,00], seu mais recente trabalho. Duas movimentadas, corridas e concorridas noites de autógrafos [19/10 na Escola de Música Lilah Lisboa e 20/10 no Novo Espaço Poeme-se]. “Não sei como o Mick Jagger agüenta vinte shows por mês”, alega cansaço ao citar o stone. E Celso ainda arranjou tempo para um recital informal no Chico Discos (Fonte do Ribeirão) [21/10], com nomes como Hamilton Faria (SP) – de quem descobriu ser quase vizinho em Sampa –, Joãozinho Ribeiro, Moisés Nobre, Eduardo Júlio, Gildomar Marinho e Imira Brito, entre outros.

Os compromissos da agenda de Celso eram os mais diversos: há dezessete anos na capital paulista, é sempre concorrido por familiares, amigos, vento e claridade ludovicenses. Desta vez ele trazia “Música” na bagagem. Bonito livro-disco que com poemas, músicas, um belíssimo projeto gráfico e diversos amigos reunidos, imita um disco compacto de vinil, inclusive furado ao meio.

Vinte e cinco faixas e mais de cinqüenta poetas/músicos/artistas/amigos. Pessoas de várias partes do Brasil, na maioria concentradas em São Paulo, mas com participações também de diversos nascidos/residentes no Maranhão. O disco é, aliás, impregnado de São Luís, cidade que Celso ama/odeia, numa relação nada fácil.

Correndo, o poeta não encontrou tempo de conversar conosco e concedeu a entrevista abaixo por e-mail.

*

Para ler a entrevista e ver mais imagens, vá ao Overmundo. A foto que ilustra o post é o casarão 350 da Rua da Paz.

o choro maranhense revelado

Ao invés de reproduzir uma coletânea de regravações de clássicos do Choro, como é muito comum se fazer por aí, os bambas do Instrumental Pixinguinha trilharam outro caminho.

Talvez fosse mais fácil fazer releituras de Brasileirinho, Tico-Tico no Fubá ou Carinhoso. Seria talvez até mais comercial. Mas a rapaziada do Instrumental Pixinguinha preferiu se debruçar sobre partituras que guardavam as criações dos chorões maranhenses, obras que corriam o risco de continuar desconhecidas do público.

Além de ser o primeiro disco de choro produzido no Maranhão, o que, por si só, já é algo da maior importância, este Choros Maranhenses é, fundamentalmente, o registro e a difusão de um rico material chorístico produzido em nossa terra. E isso é revelador.

Revelador de uma seleção de choros maranhenses ricamente elaborados. São peças sofisticadas, cheias de sentimento, que exigem muito dos executantes, mostrando que nossos compositores podem figurar sem dúvida nenhuma entre os grandes do país.

Revelador de mestres do Choro como Nuna Gomes, Zé Hemetério, Raimundo Padilha, Cleômenes Teixeira, Raimundo Amaral e Francisco de Assis – o Six, personagens de uma história musical ainda pouco conhecida. O Instrumental Pixinguinha apenas destampou o baú, que abriga um rico tesouro pronto para ser explorado por nossos músicos e pesquisadores.

O cd de estréia é revelador também da grande capacidade interpretativa e criativa do Instrumental Pixinguinha. Instrumentistas como Raimundo Luíz (bandolim), Juca do Cavaco, Zezé Alves (flauta), Domingos Santos (sete cordas) e Nonato (pandeiro) estabelecem perfeita sintonia em suas execuções. Maturidade só possível graças aos mais de vinte anos de uma vivência chorística intensa.

Condição que lhes confere também autoridade para compor grandes choros, como o sentimental Miritibano, do sete cordas Domingos Santos; ou o alegre Candiru, do Flautista Zezé Alves em parceria com Omar Cutrim; o belíssimo choro Elegante, do Prof. Raimundo Luíz; ou ainda o chorinho Lembro-me de você assim, composição de Juca do Cavaco em homenagem póstuma ao sogro.

Choros Maranhenses, o cd, surge como uma animadora novidade no árido cenário da música instrumental, por ser de fato o primeiro disco de Choro produzido por aqui. E por assumir, enfaticamente, o Choro, enquanto linguagem instrumental e influência sobre a música produzida no Maranhão. Algo já há muito presente nas criações dos nossos grandes compositores populares, como Chico Maranhão, Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Antonio Vieira, Lopes Bogéa, Cristóvão Alô Brasil, Bibi Silva, Joãozinho Ribeiro e tantos outros.

Acho que Pixinguinha está orgulhoso do nome que emprestou a esse grupo.

[Ricarte Almeida Santos – sociólogo e radialista, produtor e apresentador do programa Chorinhos e Chorões da rádio Universidade FM. Membro fundador do Clube do Choro do Maranhão]

*

o texto acima tá no encarte de choros maranhenses, disco de estréia do instrumental pixinguinha, sobre o qual ainda escreverei por aqui.