Célia Maria apresenta seu Bolero no Miolo, nesta sexta (29)

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A cantora Célia Maria - foto: Zeqroz Neto/ divulgação
A cantora Célia Maria – foto: Zeqroz Neto/ divulgação

A cantora Célia Maria adotou seu nome artístico para fugir da vigilância dos pais e conseguir cantar (escondida) em programas de auditório em rádios maranhenses. Nos anos 1960 circulou pelo eixo Rio-São Paulo e conviveu com figuras como Cartola (1908-1980), Nelson Cavaquinho (1911-1986), Zé Keti (1921-1999) e o conterrâneo João do Vale (1934-1996).

Considerada a voz de ouro da música do Maranhão, Célia Maria só viria a gravar um álbum, o homônimo Célia Maria, em 2001, com arranjos de Ubiratan Sousa, incluindo o choro “Milhões de Uns”, de Joãozinho Ribeiro, que angariou troféu no Prêmio Universidade FM daquele ano. Nada disso, no entanto, foi capaz de dar a ela o merecido reconhecimento: trata-se de uma das maiores cantoras brasileiras em qualquer tempo.

Só voltaria a gravar em 2022, por iniciativa de admiradores: lançou o EP Canções e Paixões (ouça acima), cujo repertório traz, entre outras, o “Bolero de Célia”, que Zeca Baleiro compôs especialmente para sua interpretação. É a música do conterrâneo que dá título ao show que a artista apresenta nesta sexta-feira (29), às 21h, no Miolo Bar e Café (Av. Litorânea, nº. 100, Calhau).

Na apresentação, Célia Maria será acompanhada do Regional Seis Por Meia Dúzia (nome tomado emprestado de um choro de Luis Barcelos), que está longe de ser qualquer coisa ou mais ou menos, formado especialmente para a ocasião: Rui Mário (sanfona e direção musical), Wendell de La Salles (bandolim), Gustavo Belan (cavaquinho), Gabriela Flor (pandeiro), Chico Neis (violão) e Mano Lopes (violão sete cordas).

A noite contará ainda com as luxuosas participações especiais de Claudio Lima e Dicy. Os ingressos já estão esgotados. No repertório, além de canções de Célia Maria e Canções e Paixões, a que comparecem nomes como Antonio Maria (1921-1964), Antonio Vieira (1920-2009), Cesar Teixeira, Chico Buarque, Edu Lobo, Chico Maranhão e Luiz Bonfá (1922-2001), entre outros, além de um passeio por clássicos da música popular brasileira, com destaque para boleros, choros e sambas-canções.

“Bolero de Célia”, o show, tem produção de RicoChoro Produções e apoio cultural de Maxx, Potiguar, Gênesis Educacional, Bira do Pindaré, Pró Áudio e Turê.

divulgação
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Serviço

O quê: show “Bolero de Célia”
Quem: Célia Maria e Regional Seis Por Meia Dúzia. Participações especiais de Claudio Lima e Dicy
Onde: Miolo Bar e Café (Av. Litorânea, nº. 100, Calhau)
Quando: dia 29 (sexta-feira), às 21h
Quanto: ingressos esgotados
Produção: RicoChoro Produções
Apoio cultural: Maxx, Potiguar, Gênesis Educacional, Bira do Pindaré, Pró Áudio e Turê

O plural Claudio Lima é o convidado desta Quarta no Solar

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O multifacetado Claudio Lima - foto: divulgação
O multifacetado Claudio Lima – foto: Cláudia Marreiros/ divulgação

Desde seu álbum de estreia, lançado em 2001, o cantor e compositor Claudio Lima constrói pontes interessantes entre a cultura popular do Maranhão e a obra de grandes nomes do jazz, da bossa nova e da música popular brasileira.

Multifacetado, além de artista da música, Cláudio Lima é também designer (ele mesmo é o autor dos projetos gráficos de seus álbuns), escritor (autor de Esplêndido – o guará que não conseguia ficar vermelho) e artista visual (atualmente com duas exposições em cartaz na Sala Sesc (Condomínio Fecomércio, Av. dos Holandeses, Jardim Renascença): “Pássaras de Upaon-Açu” e “Bicharada Nativa de Upaon-Açu”. Seu quarto álbum está em processo de produção e deve ser lançado muito em breve.

Atualmente considerado uma das grandes vozes da música brasileira em atividade, Cláudio Lima é o convidado desta quarta-feira (28) do projeto Quarta no Solar, evento já integrado ao calendário cultural da capital maranhense, que acontece semanalmente no Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis (Rua Rio Branco, 420, Centro). O sarau musical é capitaneado pelos cantores e compositores Aziz Jr. e Chico Nô, além do DJ Pedro Dreadlock.

Em sua apresentação, Cláudio Lima passeará por temas de nomes como Catoni (1930-1999), Cesar Teixeira, Dori Caymmi, Lupicínio Rodrigues (1914-1974) e Mercedes Sosa (1935-2009), entre outros.

O Quarta no Solar começa às 19h e o couvert artístico é colaborativo.

Quanto mais mano, mais humano

O cantor e compositor Claudio Lima. Foto: divulgação
O cantor e compositor Claudio Lima. Foto: divulgação

Uma feliz coincidência paira no meio musical maranhense: semana passada o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro lançou, em seu canal do youtube, o reggae “Ser o mano”, interpretada pelo baterista e cantor George Gomes.

Neste sábado é a vez do cantor e compositor Claudio Lima lançar o samba “Ser o mano”.

Joãozinho, que celebrou ano passado as quatro décadas de carreira musical, aprofundou a usina produtiva após a aposentadoria – era funcionário da Receita Federal –, como prova sua produção mais recente, destaque para o “Frevo desaforado”, interpretado por Zeca Baleiro e lançado no último carnaval, e “Amor maior”, balada gravada por Rita Benneditto, lançada em live no último dia dos namorados, já sob o signo da pandemia.

Claudio Lima reprisará – “com alguns retoques no repertório e na interpretação” – o show “Com a lira”, bisado ano passado, sucesso de público e crítica. Desta vez ele troca o feliz trocadilho pelo explícito “Qualhira”, título de canção que Zeca Baleiro fez para ele. No repertório, canções de temática homoafetiva ou de compositores assumidamente homossexuais, entre nomes como Angela Ro Ro, Caio Prado, Chico Buarque, Gilberto Gil, Johnny Alf, Milton Nascimento e Renato Russo – de minha parte torço para que, como disse-lhe nalgum bastidor, some-se a eles o Mário Manga de “Rubens”, sucesso do Premeditando o Breque e Cássia Eller.

O single estará disponível nas plataformas de streaming neste sábado (3) e o show/live de lançamento acontece sábado que vem (10), às 17h, na Casa d’Arte (Raposa), com participação especial de Zeca Baleiro.

“Mano meu/ que na diáspora se perdeu/ mas o que foi que aconteceu?/ Com os filhos teus?/ Mano meu/ que Mama África esqueceu/ e na senzala escorreu/ todo sangue seu/ ser mano é ser livre/ ser mano é ser banto/ ser mano é ser canto/ Benin, Daomé/ ser mano é ser rasta/ e nunca ser casta/ orgulho da raça/ e o que mais quiser”, diz a letra do reggae de Joãozinho Ribeiro, aludindo à escravidão e a seu herdeiro, o racismo nosso de cada dia.

“O que adianta ser o mano/ se os mano não tá bem?/ nem mesmo pra lutar?/ O que adianta ter dinheiro/ e ser um prisioneiro?/ morando numa bolha/ de falsos privilégios?/ Dia após dia resistindo/ contra essa crueldade/ de quem só quer ver à margem/ os que lhe são diferentes?/ Olho no olho/ gente é gente”, começa o samba de Claudio Lima, com citações de Caetano Veloso e Torquato Neto.

Rebobina a fita para 2005: após participar do show de aniversário de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Gildomar Marinho compôs “O mano”, que se soma a esta luta, causa, tema e quase ao trocadilho.

Após dividir o palco do Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande) com Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Lena Machado e o Bloco Afro Akomabu, Gildomar escreveu: “O mano quer ser ser humano/ e é do ser humano merecer ser humano/ e ser humano é poder ter nome, lar, sobrenome/ e com os seus conseguir matar a sede e a fome/ ter paz, ter pão e ser muito feliz”, diz a letra que aponta direitos humanos fundamentais, como a vida, alimentação adequada, moradia digna, liberdade, sonhos e futuro.

A música foi registrada em 2006, no disco “Regar a terra”, que reúne diversos nomes da música popular brasileira produzida no Maranhão e celebrou os 20 anos do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) no estado; o autor a regravaria em “Tocantes” (2012), seu terceiro disco. As três obras contribuem com a reflexão acerca dos direitos humanos pela via do lúdico.

Quanto mais mano, mais humano. Claudio Lima, Gildomar Marinho e Joãozinho Ribeiro são três artistas que nos representam na luta contra o triste estado de coisas que assola o país (e o mundo), diante do avanço da extrema-direita e de suas pautas reacionárias, que não admitem qualquer ideia de diversidade.