Festival acontece de 21 a 26 de março no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e Teatro João do Vale, com programação gratuita
A oitava edição do Maranhão na Tela acontece entre os próximos 21 a 26 de março, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e Teatro João do Vale, na Praia Grande. Já consolidado nos calendários cinematográfico e cultural da capital maranhense, o festival homenageia os diretores Murilo Santos e Roberto Farias, este às vésperas dos 83 anos que ele completa dia 27 de março.
Cena de Roberto Carlos em ritmo de aventura. Frame. Reprodução
Meia dúzia de filmes de Farias serão exibidos em cópias digitalizadas durante o festival, incluindo a “trilogia do Rei”: Roberto Carlos em ritmo de aventura [1968], Roberto Carlos e o diamante cor de rosa [1970] e Roberto Carlos a 300 quilômetros por hora [1971]. O clássico Pra frente, Brasil [1982] será exibido na sessão de abertura do festival. Os outros títulos de Farias que serão exibidos na mostra que o homenageia são Assalto ao trem pagador [1962] e o documentário O fabuloso Fittipaldi [1974].
A idealizadora e produtora do Maranhão na Tela em cerimônia de edição anterior do festival. Foto: divulgação
Novidade nesta edição, o que faz o festival se aproximar ainda mais do nome Maranhão na Tela, é a homenagem a cineastas maranhenses, começando, este ano, por Murilo Santos. “O nome do Murilo foi, desde sempre, o único que cogitamos para ser o primeiro homenageado maranhense. Ano que vem teremos uma lista, chegaremos a um consenso, mas esse ano é só dele”, declarou a idealizadora e produtora do Maranhão na Tela Mavi Simão, revelando ter sido consenso o nome do homenageado. “O Murilo tem uma importância histórica pro cinema maranhense que não tem similar. A forma como ele atuou e atua é única!”, continuou.
Desenho de Joaquim Santos para Quem matou Elias Zi? Frame. Reprodução
Murilo também terá seis títulos exibidos no oitavo Maranhão na Tela: Um boêmio no céu [1974], Tambor de crioula [1979], Quem matou Elias Zi? [1982], com trilha sonora e desenhos do irmão Joaquim Santos, Na terra de Caboré [1986], Marisa vai ao cinema [1995] e Fronteira de imagens [2009].
Mavi Simão avalia a evolução do festival ao longo das edições e o investimento constante em formação, uma característica do evento anual. “O Maranhão na Tela sempre teve um foco, um objetivo claro, que é o de contribuir para fomentar a produção local, e esse direcionamento acredito que dê uma solidez pro festival. Outro compromisso que me move é o de sempre tentar superar a edição anterior e assim vamos caminhando. O compromisso do festival sempre foi com o fomento e, dentro do meu parco raio de alcance, a melhor forma de fazer isso é investindo em formação. O conhecimento inquieta as pessoas”, afirmou.
Sobre o atual momento vivido pelo cinema no Maranhão, particularmente no que tange a notícias recentes como os anúncios do governo estadual de uma escola de cinema e um edital para o audiovisual maranhense, ela comemora: “Estamos vivendo um momento ímpar, um antes e depois da produção audiovisual maranhense. Agora sim, vislumbro mais concretamente a inserção da produção local na cena nacional. E a escola vai ter um impacto enorme nesse processo! Finalmente temos um governo que reconhece a importância estratégica do audiovisual”.
Cartaz de Quase memória. Reprodução
Além das homenagens, o Maranhão na Tela terá uma vasta programação com aproximadamente 350 títulos, entre pré-estreias, estreias, retrospectivas e animações. Na primeira categoria estão Quase memória, de Ruy Guerra, baseado no livro de Carlos Heitor Cony, Um filme de cinema, de Walter Carvalho, Para minha amada morta, de Aly Muritiba, e Prova de coragem, de Roberto Gervitz, com atuação de Áurea Maranhão.
A mostra Maranhão de Cinema, uma das que compõem a programação do Maranhão na Tela, tem 36 filmes, divididos em duas categorias: uma competitiva, com títulos inéditos, e uma retrospectiva, com obras que marcaram a produção audiovisual no estado nos últimos 40 anos – destaque para a filmografia de Murilo Santos. A curadoria é assinada por Mavi Simão com o diretor Josh Baconi e Raffaele Petrini, diretor do Cine Praia Grande, que abrigará a maior parte da programação desta oitava edição do festival, realização da Mil Ciclos Filmes, com patrocínio da Oi e da Rede de Óticas Diniz, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e apoio cultural da Oi Futuro.
Sobre destaques da programação, Mavi preferiu não se comprometer, tamanho o envolvimento e o cuidado com cada detalhe da produção. “Cada filme, cada curso, cada convidado, cada espectador faz o festival ser como é. Tô aqui pensando e não consigo destacar algo ou alguém em especial. Tenho uma relação passional com o Maranhão na Tela, tudo o que acontece a cada edição é especial pra mim”, finalizou.
Entre os próximos dias 6 a 9 de fevereiro, isto é, durante o carnaval, o Cais da Alfândega, no Recife, sedia a 21ª. edição do Rec-Beat, um dos mais longevos festivais de música do Brasil. Antonio “Gutie” Gutierrez sentiu a ameaça de, pela primeira vez em duas décadas, o festival não acontecer, e foi à luta: lançou uma campanha de financiamento coletivo, visando manter o nível das atrações – embora o festival seja um pouco menor em 2016 – e a gratuidade do evento.
“Vamos fazer juntos o festival” é o slogan da campanha, que pretende arrecadar 200 mil reais até o dia do início do Rec-Beat, que ao longo de duas décadas sempre primou por inovação e qualidade em sua programação. As recompensas pelas doações – clique aqui para colaborar –variam de brindes personalizados até ingressos para outros festivais brasileiros, além da coautoria da realização desta edição.
Pernambucana nascida na Bahia e radicada em São Paulo, com alguns Rec-Beat no currículo, entre bandas como Comadre Fulozinha e Eddie, além de em carreira solo, Karina Buhr assina a arte do pôster deste ano.
De acordo com Gutie, a crise financeira em que mergulhou o país gerou cortes de até 50% do patrocínio, de “um valor que já não era tão expressivo”, segundo o produtor. Para termos uma ideia, prefeituras de três municípios maranhenses já anunciaram a não realização de um circuito oficial (leia-se: estatal) do carnaval este ano – Coelho Neto, Pedreiras e Santa Inês –, de acordo com informações do jornal O Imparcial.
Gutie conversou com exclusividade com o Homem de vícios antigos.
“Esse aperto está nos levando a pensar em coisas novas”, afirma Gutie. Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
O que houve ao longo dos anos com o financiamento do Rec Beat? No inicio, por três edições, o Rec-Beat foi realizado em Olinda, na área interna de um casarão, o Centro Luiz Freire. Aí havia cobrança de ingressos, um preço simbólico, suficiente para cobrir os custos, que não eram altos porque ainda era o início do projeto e tudo era feito mais como uma diversão, com uma estrutura bem simples. Em 1999 fomos convidados pela Secretaria de Cultura do Recife para levar o Rec-Beat para o Bairro do Recife, sítio histórico da cidade. O objetivo era o festival ser uma âncora para o público jovem de um projeto de fomento do carnaval no bairro, ainda muito incipiente. A partir daí o festival passou a receber patrocínio da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) e também se tornou gratuito, como é até hoje. A gratuidade é um ponto chave do festival e tem o lado bom e o lado ruim. O bom é que dá uma grande liberdade para se fazer uma programação mais ousada, pautada em novidades, em coisas mais experimentais que ainda não estão inseridas no grande mercado, ou seja, não precisamos escalar nomes do mainstream para atrair público pagante, uma vez que a gente não vende ingresso. A gratuidade permite que o público tome contato com bandas desconhecidas, ou pouco conhecidas, que certamente ele não pagaria pra ver se não estivesse ali, na rua, sem custo para ele. O lado ruim é que o festival perde uma fonte de receita, ou seja, o festival não pode contar com recursos de venda de ingressos para cobrir seus custos, e passa a depender, dessa forma, exclusivamente de patrocinadores e apoiadores. O Rec-Beat cresceu muito, ao longo dos anos, mas o patrocínio oficial não acompanhou a evolução dos custos de realização do evento. Além disso, o Rec-Beat sofre uma limitação para captar recursos junto à iniciativa privada, tendo em vista que a Prefeitura já tem acordos com grandes patrocinadores que impedem o festival de captar recursos desses mesmos patrocinadores ou de concorrentes do patrocinador oficial, como cervejarias, por exemplo. Com o agravamento da crise financeira do país este ano e um corte do patrocínio da ordem de 50%, de um valor que já não era tão expressivo, fomos em busca de saídas para manter o festival no nível conquistado, principalmente no que se refere ao conteúdo artístico, conceitual, e a gratuidade. Foi aí que abrimos várias frentes, e uma delas foi a tentativa do financiamento coletivo.
Muitos artistas têm recorrido ao financiamento coletivo para a realização de trabalhos artísticos (filmes, livros, cds, dvds, exposições etc.). O Rec-Beat parece ser pioneiro para a realização de um festival. O crowdfunding é “o” caminho, hoje? Creio que somos pioneiros nisso, até agora não vi nenhum festival independente recorrer a esse mecanismo para levantar recursos. Pra gente é uma incógnita, não sabemos onde vai dar. A gente vê vários projetos de CDs, livros, filmes alcançando êxito. Mas não temos uma referencia de projeto para festival. Certamente com esta experiência vamos poder aprimorar a estratégia, avaliar os acertos e erros, caso a gente venha a fazer no próximo ano. Nesse momento que estou respondendo a essa sua pergunta o que posso dizer é que o fluxo de adesão à campanha ainda não decolou, mas ainda faltam alguns dias para o encerramento. Mesmo assim eu acho que o crowdfunding pode vir a ser uma boa opção para o financiamento de festivais como o Rec-Beat.
O momento por que passa o já tradicional festival é reflexo da crise que atravessa o país? Acho que reflete a crise econômica e também a falta de discernimento enfrenta-la. Quando você sofre restrição econômica, você tem que adotar um critério para reduzir seus custos de modo a manter o que é importante e vai te dar retorno e eliminar o que é supérfluo e só vai lhe trazer mais despesas. Eu não tenho dúvida de que o Rec-Beat traz um imenso retorno para o patrocinador, para o público, para a música independente, para a nova música brasileira, para a nova música latino-americana, para a tradição do carnaval pernambucano. O festival traz público. O festival contribui como destino turístico, para o fluxo de renda. Ano passado, e este ano também, o Rec-Beat entrou na agenda de três revistas de bordo de empresas aéreas colocando o evento como destino no carnaval, sem contar o destaque que recebe em vários veículos da imprensa nacional. A mídia espontânea gerada pelo festival, quando valorada, supera em três vezes o custo do festival. Ou seja, como é que você corta severamente o patrocínio destinado a um evento que traz tantos benefícios? Estamos passando por uma forte crise econômica, é fato. Eu já vivi momento pior que isso. O Rec-Beat tem 20 anos. Está sendo um ano difícil, mas por outro lado esse aperto está nos levando a repensar muita coisa, a trabalhar novas parcerias, pensar em coisas novas. Incrível também a solidariedade de muitas bandas e artistas, que estão chegando espontaneamente e oferecendo apoio. Acima de tudo é bom momento pra saber quem está por dentro e quem está por fora.
O ministro Juca Ferreira deu uma entrevista ao jornal online Nexo afirmando que o MinC já vive um momento “pós-crise”. O que você poderia comentar a respeito da fala dele? Respeito muito Juca Ferreira, um grande gestor, um dos melhores ministros que esse país já teve na área da cultura, e só o fato de Marta Suplicy não gostar dele já mostra que ele é boa gente. Acho que quando Juca diz que já vivemos um momento de “pós-crise” talvez ele queira dizer que estamos conscientes que estamos vivendo uma crise e adotando caminhos para superá-la. Concordo quando ele diz, na entrevista, que a crise é menor do que parece. Antes de tudo vale dizer que a crise é mundial, o mundo vive um momento de retração econômica, que reflete principalmente o esfriamento da economia chinesa. Nossa visão da crise no Brasil é dada pelos grandes meios, o famoso PIG [o partido da imprensa golpista], que aliado a uma oposição medíocre, está impedindo que Dilma governe e que adote medidas para superar as dificuldades. E quando você tem um bombardeio diário na mídia falando de crise, crise, crise… é claro que acaba criando uma expectativa negativa nos agentes econômicos. Só acho que o MinC deveria nesse momento ter mais cautela no lançamento de editais de financiamento de projetos. Existe muita pendência de editais aprovados cujos recursos não são liberados. Isso cria um desgaste muito grande junto aos produtores que são contemplados e que depois recebem a notícia de que o dinheiro não existe.
Que nomes já estão confirmados para a edição 2016 do Rec-Beat? Além do corte no patrocínio, o festival sofrerá alguma espécie de diminuição? Vamos reduzir uma atração por noite, que na verdade significa voltar ao formato que já fazíamos um ano atrás. Serão cinco bandas e mais um dj por noite fazendo os intervalos entre as bandas. Além disso, devemos ter festas after com djs, em uma casa fechada, no Bairro do Recife. Também mantivemos este ano o “Rec-Beat Apresenta”, que é uma proposta de realizar no período pré-carnaval uma noite com três bandas novas, revelações, nas quais o festival aposta. Este ano, além de fazer no Recife, estamos fazendo o “Rec-Beat Apresenta” também em Joao Pessoa, lá também com três bandas. Nesse momento que respondo a essa pergunta já temos confirmado oficialmente para o Festival Rec-Beat 2016: Maite Hontelé (Colômbia), Moh! Kouyaté (Guiné), Liniker (SP), Francisco-El Hombre (México/Brasil), Luísa e Os Alquimistas (RN), Duda Brack (RS). Até o final da semana teremos tudo definido.
Apresentação do compositor dá continuidade à temporada de lançamento de Milhões de uns – vol. 1, seu disco de estreia. Na ocasião será exibido curta-metragem integrante da programação do Festival Avanca-São Luís
A cantora Milla Camões aplaude o compositor Joãozinho Ribeiro em edição da temporada Milhões de uns. Foto: Ton Bezerra
O compositor Joãozinho Ribeiro volta ao palco do Restaurante Malagueta (Rua das Graúnas, 3, Renascença II) dia 28 de agosto (sexta-feira), às 20h, dando continuidade à temporada de lançamentos e noites de autógrafos do cd Milhões de uns- vol. 1, trabalho que marca sua estreia no mercado fonográfico.
Cinema – A abertura da noite fica por conta da avant-première do festival Avanca-São Luís. Na ocasião Francisco Colombo apresentará um curta-metragem que integra a programação da mostra, que acontecerá dias 2 e 3 de setembro, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy).
O cineasta e professor universitário está cursando mestrado em Comunicação em Aveiro, Portugal, e selecionou alguns filmes de um festival local para mostrar em São Luís. “É uma oportunidade única, já que provavelmente estes filmes não chegarão ao circuito das salas de cinema no Brasil, mesmo as não comerciais”, avisa. O festival também acontecerá em Imperatriz, com produção de Marcos Fábio Belo Matos, professor da UFMA naquele município.
“Quem me conhece e acompanha minha trajetória sabe que sempre gostei de estimular o diálogo entre as mais variadas linguagens artísticas, seja como artista, seja como gestor”, afirmou Joãozinho Ribeiro, que já mesclou poesia à música das noites de Milhões de uns e agora traz o cinema para o centro das atenções.
Participações especiais – Os convidados do show são Milla Camões e Hugo Carafunim. À cantora o artista não poupou elogios quando de sua última apresentação e é conhecida a aclamação da plateia quando ela interpretou o blues Coisa de Deus (Joãozinho Ribeiro e Betto Pereira) no show de gravação do cd: escalada apenas para a primeira noite, acabou participando também da segunda, atendendo ao pedido do público.
O trompetista Hugo Carafunim é sobrinho de Joãozinho Ribeiro. Ex-aluno da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (EMEM) e da Banda do Bom Menino do Convento das Mercês – onde hoje dá aula –, suas primeiras aparições públicas foram justamente ao lado do tio, no circuito musical alternativo Samba da Minha Terra, que levou samba e choro a 18 comunidades de São Luís entre 2002 e 2003.
O repertório base da apresentação é o de Milhões de uns – vol. 1, mas Joãozinho Ribeiro deve interpretar ainda composições inéditas, além de outras, já gravadas por diversos artistas – convém lembrar que ele é um dos compositores mais requisitados do Maranhão. Durante a apresentação será acompanhado por Darkliwson (percussão), Elton Nascimento (flauta e saxofone), Luiz Jr. (violão sete cordas e direção musical) e Murilo Rego (teclado). Os ingressos individuais custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos no local.
Serviço
O quê: show Milhões de uns – vol 1 e Avant-première do Festival de Cinema Avanca-São Luís Quem: Joãozinho Ribeiro, com participações especiais de Milla Camões, Hugo Carafunim e Francisco Colombo Quando: 28 de agosto (sexta-feira), às 20h Onde: Restaurante Malagueta (Rua das Graúnas, 3, Renascença II) Quanto: R$ 20,00
Charlotte Gainsbourg e Omar Sy em cena de “Samba”, um dos destaques da programação. Reprodução
O gerente do Cine Lume (Edifício Office Tower, Renascença) já havia anunciado a possibilidade de prorrogar a programação do Festival Varilux de Cinema Francês em São Luís. A chance tornou-se realidade e a partir de hoje (18), às 14h, quem não viu, ou quer rever os filmes exibidos, ganha novas oportunidades.
Confira a seguir, a programação.
Hoje (18) 14h: Na próxima, eu acerto no coração 16h: O diário de uma camareira 17h50: Sobre amigos, amor e vinho 19h50: De cabeça erguida 22h: Hipócrates
Amanhã (19) 14h: Os olhos amarelos dos crocodilos 16h15: Hipócrates 18h10: O que as mulheres querem 20h20: Papa ou maman 22h: O preço da fama
Sábado (20) 14h: Asterix e o domínio dos deuses 15h40: Beijei uma garota 17h30: Que mal eu fiz a Deus? 19h20: Sobre amigos, amor e vinho 21h20: Na próxima, eu acerto no coração
Domingo (21) 14h: Papa ou maman 15h40: Asterix e o domínio dos deuses 17h30: De cabeça erguida 19h50: Samba 22h: Sexo, amor e terapia
Segunda (22) 14h: O preço da fama 16h05: Sexo, amor e terapia 17h45: Beijei uma garota 19h30: Gemma Bovery – a vida imita a arte 21h20: Os olhos amarelos dos crocodilos
Terça (23) 14h: O diário de uma camareira 15h50: Samba 18h05: Sobre amigos, amor e vinho 20h: Que mal eu fiz a Deus? 21h55: Hipócrates
Quarta (24) 14h: De cabeça erguida 16h15: Que mal eu fiz a Deus? 18h10: Gemma Bovery – a vida imita a arte 20h: O que as mulheres querem 22h: Samba
Fichas técnicas, sinopses e trailers, aqui. Os ingressos custam R$ 20,00 (meia entrada para os casos previstos em lei).
Teve início hoje (11), às 14h, no Cine Lume (Edifício Office Tower, Renascença), a Mostra Varilux de Cinema Francês, pela abrangência territorial, maior mostra cinematográfica do país, ao lado da Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. Na sessão de abertura foi exibido Gemma Bovery (veja mais informações abaixo). A sala fica dedicada exclusivamente à programação da mostra até o próximo dia 17.
É a quarta vez que o evento acontece em São Luís, a primeira no Lume. No Brasil inteiro a Varilux, em sua 12ª. edição, chegará a 80 salas, com 16 filmes na programação, a maioria inéditos – na capital maranhense serão exibidos 14.
Um dos destaques da programação é De cabeça erguida, com Catherine Deneuve e Benoît Magimel, filme que abriu o festival de Cannes, considerado o maior evento dedicado à sétima arte do mundo.
O cineasta Frederico Machado, proprietário do Cine Lume, comemora: “somos privilegiados, são grandes produções, que fazem sua pré-estreia no Brasil durante o festival. Alguns filmes só serão exibidos em outras salas, fora da programação do Varilux, em dezembro”.
Outro destaque do festival é Samba, produção mais recente de Olivier Nakache e Eric Toledano, que levaram 40 milhões de espectadores (1,1 milhão no Brasil) a salas do mundo inteiro com o comovente Intocáveis.
Confiram a seguir a programação do Festival Varilux de Cinema Francês em São Luís (Títulos, fichas técnicas, sinopses, datas e horários das sessões fornecidos pela assessoria).
Gemma Bovery – A vida imita a arte [De Anne Fontaine, com Gemma Arterton, Fabrice Luchini, Jason Flemyng; 2014, comédia dramática, 1h39]
Sessões: quinta (11) às 14h; sábado (13) às 21h55; e terça (16) às 18h05.
Sinopse: A inglesa Gemma Bovery se muda com o marido para uma pequena cidade francesa. A vida de casada a entedia. Martin Joubert e sua esposa, uma mulher com uma vida muito sofrida, acabam de chegar na cidade. Eles procuram fugir do caos de Paris. Martin fica totalmente encantado com a beleza e o jeito de Gemma, o que os leva ao adultério.
Sexo, Amor e Terapia (Tu veux ou tu veux pas) [De Tonie Marshall, com Sophie Marceau, Patrick Bruel, André Wilms; 2015, comédia romântica, 1h28]
Sessões: quinta (11) às 15h55; e domingo (14) às 22h.
Sinopse: Esta comédia mostra um encontro inesperado: Judith é uma mulher que vive abertamente a sua sexualidade, mantendo casos com diversos homens; já Lambert é um viciado em sexo que tenta justamente pensar em outra coisa e conter os seus desejos. Mas quando Judith passa a trabalhar como assistente no consultório de Lambert, a situação não vai ficar muito fácil para nenhum dos dois.
Os Olhos Amarelos dos Crocodilos (Les Yeux Jaunes Des Crocodiles) [De Cécile Telerman, com Julie Depardieu, Emmanuelle Béart, Patrick Bruel; 2014, comédia dramática, 2h02]
Sessões: quinta (11) às 17h40; e segunda (15) às 21h40.
Sinopse: Duas irmãs têm uma relação conflituosa: Iris leva uma vida fútil e luxuosa, sem trabalhar; Joséphine trabalha como pesquisadora da Idade Média, mas não tem o reconhecimento da família, e acaba de passar por uma ruptura amorosa. Um dia, para impressionar a família, Iris diz que está escrevendo um livro, justamente sobre uma pesquisadora da Idade Média. Para sustentar a mentira, ela pede que Joséphine escreva um livro de verdade e a deixe levar o mérito em troca de dinheiro. Quando o livro inesperadamente obtém sucesso, as duas irmãs entram em rota de colisão.
Beijei uma Garota (Toute Première Fois) [De Noémie Saglio e Maxime Govare, com Pio Marmai, Frank Gastambide, Camille Cottin; 2015, comédia, 1h30]
Sessões: quinta (11) às 19h55; e segunda (15) às 16h15.
Sinopse: Jéremie, 34 anos, surge em um apartamento desconhecido ao lado de Adna, uma adorável sueca. O início de um conto de fadas? Parece improvável, pois Jérémie está prestes a se casar… com Antoine.
De Cabeça Erguida (La Tête Haute) [De Emmanuelle Bercot, com Rod Paradot, Catherine Deneuve, Benoît Magimel; 2015, comédia dramática, 2h]
Sessões: quinta (11) às 21h40; sábado (13) às 19h40; e quarta (17) às 14h.
Sinopse: Desde os seis anos de idade, Malony comete pequenos delitos e tem problemas com a polícia. Durante toda a sua adolescência, um educador e uma juíza especializada na infância tentam salvá-lo.
Na Próxima, Acerto no Coração (La Prochaine Fois Je Viserai Le Coeur) [De Cédric Anger, com Guillaume Canet, Ana Girartod, Jean-Yves Berteloot, 2014, drama policial, 1h51]
Sessões: sexta (12) às 14h; e quarta (17) às 22h.
Sinopse: Fim da década de 1970. Uma série de ataques assusta a região de Oise, na França: um maníaco que persegue jovens mulheres aleatórias. Franck (Guillaume Canet), policial tímido e de vida pacata, é designado para investigar o caso e, na verdade, sabe mais dos crimes do que qualquer um poderia imaginar.
O Diário de Uma Camareira (Journal D’une Femme De Chambre) [De Benoît Jacquot, com Léa Seydoux, Vincent Lindon, Clotilde Mollet; 2015, drama, 1h35]
Sessões: sexta (12) às 16h05; e segunda (15) às 19h40.
Sinopse: O filme se passa em 1900. Célestine, uma jovem camareira muito cobiçada por conta de sua beleza, acaba de chegar de Paris para trabalhar para a família Lanlaire. Enquanto foge dos avanços de seu senhor, ela deve lidar com a rigorosa personalidade de Madame Lanlaire, que governa o lar com punho de ferro. Ao mesmo tempo, Célestine conhece Joseph, um misterioso jardineiro que está profundamente apaixonado por ela.
Hipócrates (Hippocrate) [De Thomas Lilti, com Reda Kateb, Vincent Lacoste, Jacques Gamblin; 2014, comédia dramática, 1h42]
Sessões: sexta (12) às 17h55; e domingo (14) às 20h05.
Sinopse: Benjamin tem certeza de que vai se tornar um grande médico. Mas em sua primeira residência no hospital onde o pai trabalha, nada acontece como previsto. A prática se revela mais difícil do que a teoria. A responsabilidade é terrível, seu pai é ausente e seu parceiro residente, Abdel, é um médico estrangeiro mais experiente do que ele. Benjamin vai confrontar brutalmente a seus limites, seus medos, os dos pacientes, das famílias, dos médicos e do pessoal. Sua iniciação começa. Filme vencedor do prêmio César 2015 na categoria melhor ator coadjuvante para Reda Kateb.
Que mal eu fiz a Deus? (Qu’est Ce Qu’on A Fait Au Bon Dieu?) [De Philippe de Chauveron, com Christian Clavier, Chantal Lauby, Ary Abittan; 2014, comédia, 1h37]
Sessões: sexta (12) às 19h50; sábado (13) às 17h50; e terça (16) às 14h.
Sinopse: O casal Verneuil tem quatro filhas. Católicos, conservadores e um pouco preconceituosos, eles não ficaram muito felizes quando três de suas filhas se casaram com homens de diferentes nacionalidades e religiões. Quando a quarta anuncia o seu casamento com um católico, o casal fica nas nuvens e toda a família vai se reunir. Mas logo descobrirão que nem tudo é do jeito que eles querem.
Papa ou Maman [De Martin Bourboulon, com Marina Foïs, Laurent Lafitte, Alexandre Desrousseaux, Anna Lemarchand, Achille Potier; 2015, comédia, 1h25]
Sessões: sexta (12) às 21h40; segunda (15) às 18h; e quarta (17) às 18h10.
Sinopse: Florence e Vincent Leroy formam um casal bem-sucedido. Têm bons empregos, filhos maravilhosos e um casamento perfeito. Mas quando os dois recebem uma promoção dos sonhos no trabalho, tudo começa a mudar e a vida em conjunto se transforma em um pesadelo. Em pé de guerra, eles decidem se separar e vão fazer de tudo para não ter a guarda das crianças.
Asterix e o Domínio dos Deuses (Asterix – Le Domaine des Dieux) [De Louis Clichy, com Roger Carel, Guillaume Briat, Lorànt Deutsch; 2014, animação 3D/aventura/comédia, 1h26]
Sessões: sábado (13) às 14h; e domingo (14) às 16h10.
Sinopse: O imperador romano Júlio César sempre quis derrotar os irredutíveis gauleses, mas jamais teve sucesso em seus planos de conquista. Até que, um dia, ele resolve mudar de estratégia. Ao invés de atacá-los, passa a oferecer os prazeres da civilização aos gauleses. Desta forma, Júlio César ordena a construção da Terra dos Deuses ao redor da vila gaulesa, de forma a impressioná-los e, assim, convencê-los a se unir ao império romano. Só que a dupla Asterix e Obelix não está nem um pouco disposta a cooperar com os planos de César.
O Que as Mulheres Querem (Sous Les jupes des Filles) [De Audrey Dana, com Isabelle Adjani, Alice Belaïdi, Laetitia Casta; 2014, comédia, 1h56]
Sessões: sábado (13) às 15h40; e terça (16) às 21h55.
Sinopse: Esta comédia se passa no primeiro mês de primavera, acompanhando as histórias amorosas de 11 mulheres diferentes. Umas são esposas, outras são as melhores amigas, as amantes, as empresárias… Cada uma se envolve em um novo caso, com os homens de suas vidas, ou simplesmente com algum desconhecido encontrado por acaso.
O Preço da Fama (La Rançon De La Gloire) [De Xavier Beauvois, com Benoît Poelvoorde, Roschdy Zem, Séli Gmach; 2014, drama, 1h54]
Sessões: domingo (14) às 14h; e quarta (17) às 19h50.
Sinopse: Ao sair da prisão, Eddy é saudado por seu amigo Osman. As vésperas do Natal, a falta de dinheiro se agrava. Além disso, quando a televisão anuncia a morte do comediante Charlie Chaplin, Eddy tem uma ideia: roubar o caixão do ator e pedir um resgate a família!
Samba [De Eric Toledano e Olivier Nakache, com Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim; 2014, comédia dramática, 2h]
Sessões: domingo (14) às 17h50; segunda (15) às 14h; e terça (16) às 15h50.
Sinopse: Samba é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país a custa de bicos. Alice, por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se estarão juntos nessa busca em comum.
Sobre Amigos, Amor e Vinho (Barbecue) [De Éric Lavaine, com Lambert Wilson, Franck Dubosc, Florence Foresti, Guillaume de Tonquedec, Lionel Abelanski; 2014, comédia, 1h38]
Sessões: terça (16) às 20h; e quarta (17) às 16h15.
Sinopse: Pelo seu aniversário de 50 anos, Antoine recebeu um presente bem original: um infarto! A partir de agora, ele terá que se cuidar. O problema é que Antoine sempre cuidou de tudo: da saúde, da alimentação, da família, de não magoar os amigos e concordar com tudo. Mesmo assim, ele aceita encarar um novo regime e, na tentativa de mudar de vida, acabará mudando a dos outros também.
[Essa saiu no Vias de Fato de fevereiro, já nas bancas. O Maranhão na Tela já acabou e as inscrições para o CineraMA, idem; segue até amanhã, na Sala Impar, dO Imparcial, a mostra Anim!arte]
Vias de Fato conversou com Mavi Simão, idealizadora e produtora das duas iniciativas
Idealizado e realizado desde 2007 pela cineasta Mavi Simão (foto), através de sua produtora, a Mil Ciclos, o festival Maranhão na Tela acontece entre os próximos dias 22 e 31 de janeiro. Além de sessões de exibição e mostras temáticas, a programação inclui oficinas e cursos e pode ser conferida no site do festival.
Incansável, Mavi se vê às voltas também com a realização do projeto CineraMA, que está com um concurso de argumentos aberto até o próximo dia 30 de janeiro – 10 argumentos serão selecionados, os cinco melhores recebem premiação em dinheiro e todos serão trabalhados para virar roteiro e, posteriormente, ainda em 2015, filmes curtas-metragens.
Mavi Simão formou-se em Cinema após abandonar os cursos de Educação Artística e Jornalismo, embora tenha atuado no último, bem como em publicidade e televisão. Em mais de 20 anos de carreira foi apresentadora, roteirista, produtora, editora, locutora e o que mais pintasse. Seu único emprego formal foi como Coordenadora de Núcleo no Canal Futura (RJ), onde era responsável pela gestão criativa e executiva de programas de TV em diversos formatos. Desde 2006 trabalha exclusivamente com cinema.
Idealizadora e produtora das duas empreitadas, ela conversou com o Vias de Fato sobre o Maranhão na Tela e o projeto CineraMA, iniciativas, que movimentam o cenário cinematográfico do Maranhão.
Vias de Fato – Em sua sétima edição, como você avalia, hoje, a importância do Maranhão na Tela?
Mavi Simão – O Maranhão na Tela tem foco no fomento a produção e é isso que diferencia o festival, que tem se consolidado mais a cada edição. Como não temos uma faculdade de cinema em São Luís, ou escolas que ofereçam cursos de extensão, a maratona de capacitação que realizamos é sempre muito aguardada e acredito que seja nessa atividade de capacitação que resida a importância do festival.
Que destaques você aponta nesta edição do Festival? Esse ano reestruturamos a curadoria, antes quase toda composta por filmes convidados. Com a criação de uma mostra competitiva exclusiva para filmes maranhenses, a produção local passar a ser nosso grande destaque. Esse ano também passamos a convidar somente longas-metragens inéditos e com excelente carreira nos festivais de 2014. Completando o “museu de grandes novidades”, estamos trazendo o Festival Anim!arte (Festival Internacional de Animação Estudantil) na íntegra. São 330 animações do mundo inteiro!
O Maranhão na Tela sempre se preocupou, para além das sessões de exibição, em mostras competitivas ou não, com a questão da formação. Que avanços podem ser percebidos ao longo dos anos? Ou ainda estamos engatinhando? Na capacitação em cinema ainda somos muito carentes, daí a grande procura quando são oferecidos cursos na área, não só no Maranhão na Tela, como nos demais festivais realizados em São Luís.
Outro projeto desenvolvido por você atualmente é o CineraMA, cujas inscrições estão abertas até o fim de janeiro. O que é o projeto e quais os seus objetivos? O CineraMA é um projeto de realização de curtas-metragens que visa fomentar o surgimentos de novos roteiristas.
O CineraMA, além de um concurso de argumentos, a transformação dos argumentos selecionados em roteiros e a realização de 10 curtas-metragens ao longo de 2015, também trará diversas festas temáticas ao longo do processo, a primeira realizada em dezembro passado, no Chico Discos. Comente um pouco mais a ideia. As festas são uma forma de envolver as pessoas no projeto, mesmo que não diretamente. Como todo processo de realização dos filmes levará quase um ano, a ideia é poder socializar o que está acontecendo ao final de cada grande etapa.
De que modo CineraMA e Maranhão na tela dialogam entre si, além de ter a mesma produção/idealização? Os dois projetos dialogam na questão do fomento, mesmo que cada um tenha um foco, os dois visam contribuir para o desenvolvimento do cinema maranhense.
Você acredita que ter cursado Cinema fora do Maranhão te dá algum diferencial? Se sim, quais? Sim acredito. Pra mim fez toda diferença, me deu uma visão do todo, me permitiu ver como a prática e a teoria cinematográfica se relacionam. Isso sem falar do contato com os professores e profissionais que me deram aula. Já trouxe vários deles pra cá e sei que são bons professores. Eu tenho a possibilidade de pensar meus projetos com muito mais consistência, graças e essa formação em Cinema.
Quais as maiores dificuldades, hoje, a quem quer realizar cinema no Maranhão? E em que medida projetos como estes, idealizados e desenvolvidos por você, têm ajudado a superar estas dificuldades? A grande dificuldade, não só daqui, é viabilizar os projetos. E aqui ainda existe a dificuldade de formatar o projeto e enquadrar em leis de incentivo. É muito difícil fazer cinema sem ser através das políticas públicas de incentivo. Nesse sentido, colaboramos através dos cursos que oferecemos nessa área.
“Meu Deus, me deixe ficar mais uns dias/ dias que digo alguns anos/ anos assim não mais que uns 26”. As preces que Neném Bragança [Bragança/PA, 19 de março de 1960 – Imperatriz/MA, 15 de janeiro de 2015] cantou em Os milagres (Erasmo Dibell) não foram atendidas: vítima de um câncer de palato contra o qual lutava há cerca de um ano, o cantor faleceu nesta madrugada.
Os milagres abre o recém-lançado cd/dvd de Neném Bragança, segundo volume da série Som do Mará, produzido por Chiquinho França, que inaugurou-a. O câncer de Neném, aliás, foi descoberto quando o artista se preparava para entrar em estúdio e foi submetido a um tratamento dentário.
O trabalho é um apanhado de sucessos colecionados por Neném Bragança ao longo dos anos, composições autorais e clássicos da música do Maranhão, como Prisma (Carlinhos Veloz), Bela Mocidade (Donato), Agosto (Nando Cruz), Grades (Zeca Tocantins), Plenitude das palavras (Neném Bragança) e Ilha magnética (César Nascimento), entre outras. Ave de arribação (Javier dy Mar-y-abá) seu maior sucesso, encaixa-se nas três categorias – no fim das contas a música é também de Neném, será dele a interpretação para sempre lembrada.
Há poucos dias, em uma roda de amigos, comentávamos a situação da saúde de Neném e a torcida coletiva por sua pronta recuperação, enquanto ouvíamos um exemplar em vinil do festival Tribo (1989), que reunia nomes como Zeca Baleiro, Nosly, Renata Nascimento, Luis Carlos Dias, Neném Bragança e Tutuca, entre outros. Foi o último quem comentou: “Pra mim a música que ganhou é essa aqui [aponta para Ave de arribação na capa do vinil]: foi a única que tocou em rádio”, declarou. Na mesma ocasião, ganhei de presente, do amigo e fiel leitor Otávio Costa, o volume dedicado ao cantor da série Som do Mará.
Neném Bragança ficou conhecido como “papa festivais” entre os amigos, tantos os troféus acumulados em certames país afora, em especial no entorno da região que o acolheu. Artista iluminado, trazia a luz no sobrenome de batismo, Raimundo Nunes da Luz Ferreira. Tinha 54 anos. Sua Plenitude das palavras pode lhe servir de epitáfio: “quero a plenitude das palavras/ chegará a hora da verdade/ e aí? O que vai ser de mim e de você?”. Ou Ave de arribação: “o certo é que acaba, como todas as folias/ o certo é que passa, como passa uma euforia/ (…)/ não, não vou deixar meu coração perder a luz”.
Céu e banda: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro
O público lotou as dependências do Teatro Arthur Azevedo para a noite de abertura do Festival BR-135, ontem (18). Os ingressos foram trocados por um quilo de alimento não perecível.
Áurea Maranhão é a Tatá Werneck local: todo mundo acha graça, menos eu. A mestra de cerimônias carregou nas tintas ao encarnar uma “aborrecente”, forçando por demais a barra para parecer descolada.
Secretária de Estado da Cultura, Olga Simão era dispensável no púlpito. É tipo “jabuti trepado”, alguém sem nenhuma organicidade. Apesar de o órgão ser um dos patrocinadores do evento – ao lado de Cemar e Vivo –, ela não combinou com o resto da noite.
Acsa Serafim e Otília são talentosas. A primeira cantou uma música autoral e, juntando-se à segunda e ao guitarrista Márcio Glam, emendaram um repertório de covers de Beatles, Janis Joplin – Otília evocou-a nas vestes – e Queen. O Maratuque Upaon Açu acompanhou-os nos dois últimos números e foi interessante vê-los evocar a ciência do pernambucano Chico, mesmo sem citar seu nome ou tocar seu repertório.
O show de abertura era uma espécie de micropanorama da diversidade proposta pelo BR-135, projeto idealizado pelo casal Criolina – os músicos Alê Muniz e Luciana Simões –, que desde 2012 vem movimentando a cena autoral de São Luís.
A noite de ontem (18) era um cartão de visitas do Festival que eles realizam até amanhã (20), no Centro Histórico da capital maranhense. Além de shows estão previstas atividades formativas, através de debates, seminários, palestras, rodas de conversas e negócios, oficinas etc.
O BR-135 pode orgulhar-se de mais um feito, entre tantos mostrados em vídeo, ontem, na abertura do Festival: trouxe à São Luís, pela primeira vez, a cantora Céu, contando 10 anos de carreira, com cd e dvd Ao vivo [2014] recentemente lançados.
Calçando havaianas, o brilho de seu vestido curto reforçou seu brilho: é das mais talentosas cantoras em atividade neste país de cantoras. E é autora de quase todo o seu repertório. O do show de ontem tinha por base Caravana sereia bloom [2012], mais recente álbum de estúdio.
Mas não faltaram músicas de Céu [2006], Vagarosa [2009] e mesmo do Ao vivo. Deste último pinçou suas recriações para Piel Canela, bolero cinquentista de Bobby Capó, do repertório de Eydie Gormé com o trio Los Panchos, e Mil e uma noites de amor, sucesso oitentista de Pepeu Gomes, parceria dele com Baby Consuelo e Fausto Nilo.
Céu (voz, teclado e percussão) estava acompanhada de DJ Marco (scratches e MPC), Dustan Gallas (guitarra, teclado e vocais), Lucas Martins (contrabaixo e vocais) e Bruno Buarque (bateria e vocais), a mesma banda de Ao vivo. Ao cantar o bolero ela os apresentou como “quarteto Los Panchos”.
Ela ainda encarou outros covers: Mora na filosofia, de Monsueto de Menezes e Arnaldo Passos, aparece como incidental em Malemolência [Alec Haiat/ Céu] e Visgo de Jaca, de Rildo Hora e Sérgio Cabral, lançada por Martinho da Vila, ganhou uma interpretação característica desde que a gravou em Vagarosa.
O público delirou com a sequência de reggaes Concrete jungle, Slave driver e Kinky reggae, do antológico Catch a fire, de Bob Marley, disco que completou 40 anos em 2013 e que ela vem tributando em shows há algum tempo. De repente formou-se uma clareira na plateia e os corredores laterais viraram um clube de reggae, com muita gente dançando em pé.
À cantora não faltou simpatia. Elogiou a beleza do teatro e da cidade e revelou que espera voltar o quanto antes. “É muito bom tocar lá fora [no exterior], mas chegar aqui [no Brasil], é outra coisa. Nossa cultura é muito forte”, disse.
Para não deixar de citar, de sua lavra, ela foi de Falta de ar [Gui Amabis], Retrovisor [Céu], Sereia [Céu], Grains de beauté [Céu/ Beto Villares], Cangote [Céu], 10 contados [Alec Haiat/ Céu] e Lenda [Alec Haiat/ Céu/ Graziella Moretto], entre outras.
O bis, magro, trouxe Chegar em mim [Jorge du Peixe]. “Não dá para fazer outro, não há tempo”, justificou-se. Não sei se se referia a algum limite de horário do teatro ou a seu voo de volta ao Rio, onde ela tem show hoje (19), fazendo ao vivo justamente o repertório de Catch a fire.
A depender do público não haveria limite. Céu é o limite.
Nem só de música vive o BR-135. Um resumo da história poderia defini-lo assim: uma ideia gregária do duo Criolina – o casal Alê Muniz e Luciana Simões, que depois de temporadas fora resolveram voltar à Ilha e viver de música –, que mostrou a quem se interessou novos e velhos nomes da música autoral produzida no Maranhão. Foram vários shows com a presença de um sem número de artistas dessa cena.
Já é hora, por exemplo, do Criolina lançar o terceiro disco, mas estes trampos mais coletivos têm contribuído um bocado para este justificável atraso. Certamente valerá a pena quando sair.
Pela primeira vez em São Luís, a cantora Céu é uma das atrações do Festival BR-135. Foto: divulgação
Sua empreitada mais recente é o Festival BR-135, que já selecionou as bandas que dele participarão nos próximos dias 18, 19 e 20 de dezembro, na Praia Grande, ocasião em que cantarão por aqui também nomes como Céu (foto), Filipe Cordeiro, Dona Onete e Mombojó. Um disco, com as bandas e artistas selecionados, foi lançado.
Não é pouco. Mas tem mais. Atrelado ao BR-135, o Conecta Música, com inscrições gratuitas, discutirá diversos aspectos sobre a produção musical, mercado, novas tecnologias, jornalismo cultural, crítica musical, cultura digital, arte e cidadania, entre muitas outras pautas. Um prato cheio!
Confira maiores informações e programação completa no site do BR-135.
Nesta quinta-feira (20), às 19h, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, 302, Centro), o duo Criolina, em evento para convidados, lança o Festival BR 135 e o Conecta Música, que ocorrerão em paralelo, em dezembro, na capital maranhense, e prometem sacudir a Ilha.
Já estão anunciados nomes como Céu, Dona Onete, Felipe Cordeiro e Mombojó, além dos selecionados pelo festival (lista completa na imagem acima).
Idealizador do Festival ao lado de Luciana Simões, Alê Muniz afirma que a intenção é mapear os vários Brasis existentes unindo-os através da música. Para ela é preciso “repensar o Centro Histórico, reconhecido patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, mas abandonado pelo poder público”. “Nosso maior patrimônio não é o conjunto arquitetônico, mas sua relação com as pessoas da cidade”, provoca Luciana.
Shows – Céu abre o Festival BR 135 dia 18 de dezembro, no Teatro Arthur Azevedo. Os demais shows acontecem na Praça Nauro Machado (Praia Grande), dias 19 e 20. A programação do Conecta Música inclui palestras, oficinas e workshops. O blogue voltará ao assunto.
Gildomar Marinho homenageou Manoel da Conceição e botou o 24º. Fesmap na História. Fotosca: Zema Ribeiro
Estive em Pinheiro sexta-feira passada (25), quando assisti a íntegra da primeira noite do tradicional Festival de Música Popular do município.
Era, antes de e mais que jornalista, apenas um rapaz latino americano descansando, passeando, revendo amigos e tomando cerveja.
Destaco, de cara, que qualquer coisa que dure 24 anos no Maranhão – exceto a velha oligarquia que já atingiu o dobro disso – merece que tiremos o chapéu.
Fui passar o fim de semana na Baixada e, em sabendo que o parceiro Gildomar Marinho faria o show de abertura do 24º. Fesmap, resolvi esticar, aproveitando-me da nobreza do sogro, que sempre opta por ser o anjo da rodada.
No geral, achei o festival abaixo das expectativas. O público na praça era pequeno e o nível das músicas concorrentes, em geral, ruim. Na boa banda destacavam-se Rui Mário (sanfona) e Marcos Lussaray (violão e guitarra) e entre os intérpretes sobressaíram-se Anna Cláudia e Fernanda Garcia – vencedora da última edição do certame, ano passado.
O show de Gildomar foi curto e, tocando seu violão, ele foi acompanhado por remanescentes da banda que fazia a cama para os concorrentes, de improviso. Não fosse isso, ele faria o show sozinho, ao contrário do que eu havia lido em jornais e no material de divulgação do Fesmap – sempre rodeado de um sem número de logomarcas e nomes de patrocinadores e apoiadores, também fazendo-nos crer numa dimensão maior que a conseguida.
Radicado no Ceará, com participações em outras edições do Fesmap, inclusive já tendo sido jurado, Gildomar desfilou um repertório autoral, começando pelo martelo agalopado A metade que manda, seguida de Ensejo de blues – ambas de Tocantes, seu terceiro disco, lançado ano passado.
Mas a noite entrou mesmo para a História quando o maranhense lembrou-se de, em meio a Ladainha da remissão – de Olho de Boi (2009), seu primeiro disco –, usar de incidental A batalha do cerrado, belo carimbó elétrico de Pedra de Cantaria (2010), que ele fez em homenagem a Manoel da Conceição.
O líder camponês faria 80 anos no dia seguinte. Um dos mais ferrenhos opositores à oligarquia Sarney e seu principal comandante, Mané – como gosta de ser chamado – foi homenageado em plena Praça José Sarney, na cidade em que nasceu o político ora em ocaso.
Desconheço os resultados do 24º. Fesmap. Mas pouco importa: esta edição já entrou para a História, de um modo bem particular.
Os “excluídos” em ação em Diverdade, show de 14/12/2013
Não sou contra a vinda de artistas de outros estados para o que quer que seja no Maranhão. Ser contra seria bairrismo, embora a vinda de artistas de fora para eventos como o carnaval e os festejos juninos por aqui não cumpra o papel que deveria, de intercâmbio cultural. Tampouco artistas nossos são enviados a outros estados com essa intenção (Barrica e Bicho Terra pra gringo ver não contam).
Para o carnaval deste ano o Governo do Maranhão anunciou uma vasta programação com nomes pagos a peso de ouro. Gente do quilate de Daniela Mercury, Diogo Nogueira, Elba Ramalho, Monobloco e o onipresente (local) Bicho Terra, entre outros – confesso que senti falta da Alcione no Bloco dos Apaniguados.
O compositor Cesar Teixeira está fora da programação carnavalesca, sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), pasta comandada por Olga Simão. Não é a primeira vez que o artista é excluído de programações do tipo, sem justificativas, num gesto de retaliação política – o autor de Oração Latina é reconhecidamente uma histórica voz de resistência à oligarquia Sarney.
Notem os poucos mas fiéis leitores: o problema não é ele estar fora da programação carnavalesca. É saber que critério o excluiu. “É inadmissível que um órgão cultural do governo, na ausência de editais, se aproprie do erário público para decidir quem deve ou não participar de programações culturais públicas, exercendo uma espécie de censura institucional àqueles artistas que não rezam na cartilha do governo Roseana Sarney”, declarou em uma rede social Irinete Chaves, esposa e produtora do compositor.
No Maranhão há muitos artistas frutas de estação, isto é, aqueles que se adequam aos períodos carnavalesco e junino – muitas vezes utilizando-se inclusive do vasto repertório de Cesar Teixeira, autor de clássicos tocados à exaustão em ambos os períodos, mas não só – e depois somem, para reaparecer na próxima… estação.
Não é o caso de Cesar Teixeira, cuja obra, reconhecida nacionalmente nas mais diversas vozes, tem importância, riqueza e variedade, e deveria ser valorizada pelos gestores de cultura de nosso estado, provavelmente o último da nação que ainda não adota o princípio republicano dos editais para a convocação de artistas para compor suas programações oficiais, na contramão do que indica, por exemplo, o Ministério da Cultura.
Festival – Sábado passado (15), em um festival de música carnavalesca organizado pelo Sistema Mirante de Comunicação – de propriedade da família da governadora Roseana Sarney –, uma música de Cesar Teixeira, Dias felizes, defendida pelo grupo Lamparina, sagrou-se vice-campeã, surpreendendo a muita gente, este blogueiro inclusive. Isto é, em terreno hostil, a marcha-rancho conseguiu comprovar o talento de seu autor.
Silêncio constrangedor – Através da assessoria de comunicação, este blogue indagou à secretária Olga Simão que critérios haviam norteado a exclusão de Cesar Teixeira da programação do carnaval maranhense. Até o fechamento da matéria, a Secma não se pronunciou – como o fez também quando o compositor foi deixado de fora da temporada junina do ano passado.
Maranhão, outro excluído – Pouco antes do fechamento deste texto, através do blogue da jornalista Vanessa Serra, ficamos sabendo que Chico Maranhão, outro importante artista maranhense de reconhecimento nacional, também foi excluído da programação carnavalesca oficial.
Jards, documentário musical de Eryk Rocha, sim, o filho do homem, será exibido amanhã (28), às 22h, no Cine Praia Grande, e quinta (30), às 18h, no Teatro Alcione Nazareth, ambos no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). Ambas as sessões são gratuitas, devendo os interessados retirar os ingressos nas bilheterias com uma hora de antecedência das exibições.
Com um curso de licenciatura na área, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) realizará entre os próximos dias 10 a 14 de junho seu I Festival Universitário de Teatro. Batizado de Ponto de Vista, é o que o mesmo pretende apresentar, integrando as comunidades acadêmica e não acadêmica.
“O objetivo do Festival é a difusão das pesquisas da cena teatral na universidade, a fruição artística, o apuro estético e a prática extensiva entre alunos/as, professores/as e comunidade”, reza o release.
O Festival Universitário Ponto de Vista acontecerá no Centro de Ciências Humanas (CCH), no Campus Universitário do Bacanga, e no Teatro Alcione Nazaré, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande. No primeiro espaço ficará concentrada a programação mais, digamos, acadêmica (embora também aberta ao público em geral): mesas redondas, oficinas artísticas, palestras e lançamentos de livros; no segundo, a mostra artística do festival, com encenações com entrada franca.
A coordenação é da professora Michelle Cabral e a programação completa e maiores informações podem ser acessadas na página do festival.
Joãozinho Ribeiro adiou por muito tempo a gravação de seu disco de estreia, que reunirá pequena parte de sua significativa obra, fruto de mais de 30 anos de carreira, contados aqui a partir de sua participação em um festival de música universitária na capital maranhense em que nasceu em 1955.
Ocupou-se de outras missões, não menos nobres, tendo estudado engenharia e economia, sem concluir, formando-se bacharel em Direito. À época do citado festival era liderança ativa nos movimentos da greve da meia passagem e contra a ditadura militar então vigente. Hoje, ajuda a formar novos bacharéis, dividindo com o ofício de professor universitário a existência de também funcionário público e, não menos importante, poeta e compositor.
Não por acaso Do ofício de viver e outros vícios é título de um segundo livro, a ser lançado sabe-se lá quando, que as coisas com Joãozinho não funcionam de modo tão planejado, exceção feita às ocasiões em que foi gestor público. João Batista Ribeiro Filho, seu nome de pia, já foi presidente da Fundação Municipal de Cultura de São Luís e secretário de estado da Cultura do Maranhão, além de ter sido coordenador executivo da II Conferência Nacional de Cultura, função que ocupou no MinC, quando Juca Ferreira era o ministro. Aquele título se somará ao livro-poema Paisagem feita de tempo que ele publicou em 2006, 21 anos depois de concluído.
Milhões de uns, o disco de estreia, toma emprestado o título de sua música talvez mais conhecida, imortalizada na voz de Célia Maria, que venceu o Prêmio Universidade FM há mais de 10 anos. O disco foi gravado ao vivo nos últimos 27 e 28 de novembro, ao vivo, no Teatro Arthur Azevedo, em duas noites memoráveis. Noites de música, poesia, teatro, arte, encanto, beleza, vida, enfim.
Joãozinho Ribeiro entre os parceiros Chico César e Zeca Baleiro
Milhões de uns não é apenas um título de música. Ou de disco. É a mais perfeita tradução de Joãozinho Ribeiro, o “gregário”, como cravou Chico César, um de seus ilustres convidados, que presenteou o compositor e o público musicando-lhe um poema: Anonimato, que escrevera em homenagem ao vimarense João Situba, seu pai.
Só entre convidados e participações especiais estavam Alê Muniz, Célia Maria, Cesar Teixeira, Coral São João, Chico César, Chico Saldanha, Josias Sobrinho, Lena Machado, Milla Camões, Rosa Reis e Zeca Baleiro, fora o o ator Domingos Tourinho, que apresentou belas intervenções poéticas durante os shows. Fora a superbanda arregimentada por Joãozinho Ribeiro para o par de noites que deixou a plateia pisando em nuvens: Arlindo Carvalho (percussão e direção artística), Celson Mendes (participação especial ao violão), Firmino Campos (vocal), George Gomes (bateria), Hugo Barbosa (trompete), Josemar Ribeiro (percussionista convidado), Kleyjane Diniz (vocal), Luiz Jr. (violão, guitarra, viola, direção musical), Paulo Trabulsi (cavaquinho), Rui Mário (sanfona e teclado), Serginho Carvalho (contrabaixo), Wanderson Santos (percussão), Xororó (percussionista convidado) e Zezé Alves (flauta).
“Cantador que canta só canta mal acompanhado”
O público merece esse registro. Joãozinho, apesar de não ter disco gravado até hoje, é um de nossos mais gravados compositores, em vozes alheias. O próprio Joãozinho merecia – e se/nos devia – esse registro, como fez por merecer cada aplauso nestas noites memoráveis.
João foi ao fundo do baú. Ou melhor, do cofo. Milhões de uns botou na roda diversos gêneros musicais – choro, samba, bumba meu boi, tambor de crioula, blues, afoxé – feitos na solidão (nunca, que “cantador que canta só, canta mal acompanhado”, como ele mesmo canta) ou em parceria. Na primeira categoria estão Matraca matreira (interpretada por Chico Saldanha), Pegando fogo (por Rosa Reis), Amália, Erva santa (interpretada pelo autor com Chico César e Zeca Baleiro), Saracuramirá (interpretada pelo autor com Chico César), Saiba, rapaz (interpretada por Célia Maria), Esquina da Solidão (por Cesar Teixeira), Derradeiro trem (por Zeca Baleiro), Palavra (idem), Passamento, Terreiro de ninguém (por Josias Sobrinho) e Milhões de uns (que o autor cantou com o Coral São João). Na segunda, Samba do capiroto (parceria com Cesar Teixeira, que os dois cantaram juntos), Cidade minha (parceria com Marco Cruz, interpretada pelo Coral São João), Gaiola (parceria com Escrete, interpretada por Lena Machado), Rua Grande (parceria com Zezé Alves, idem), Tá chegando a hora (idem, que marcou o encerramento das noites, em que todos os convidados retornavam ao palco para cantá-la juntos) e Coisa de Deus (parceria com Betto Pereira), cuja interpretação arrebatadora de Milla Camões, programada para participar apenas do primeiro dia, fizesse a cantora voltar ao palco na noite seguinte, que protocolos e scripts não podem barrar sentimentos e/ou Joãozinho Ribeiro.
Há material para um cd duplo, no mínimo, e um dvd. A quem não foi, resta esperar. E a quem foi, também, torcer para poder reouvir/rever o quanto antes. Como já disse ao próprio “little John”, apelido carinhoso com que o tratamos alguns íntimos: o resultado não pode demorar (mais ainda) a ganhar estantes, coleções, cd-players, ouvidos, cabeças e corações.