O choro de Rui Mário na emocionante primeira noite de Lençóis Jazz e Blues Festival 2025

Rui Mário e seu Quarteto, na abertura do Lençóis Jazz e Blues Festival 2025, ontem (21), no Teatro Sesc Napoleão Ewerton - foto: Zema Ribeiro
Rui Mário e seu Quarteto, na abertura do Lençóis Jazz e Blues Festival 2025, ontem (21), no Teatro Sesc Napoleão Ewerton – foto: Zema Ribeiro

Rui Mário chorou no palco. Pura emoção. Como a que fez sentir o público presente. Era a primeira vez dele ali, em um show solo, ele geralmente visto como músico acompanhante e diretor musical de um monte de artistas, como ele mesmo lembrou.

Ao lado de sua sanfona, seu nome figura em fichas técnicas de álbuns como “Shopping Brazil” (2004), de Cesar Teixeira, “Dente de ouro” (2005), de Josias Sobrinho, e “Olho de boi” (2009), de Gildomar Marinho, para citar poucos.

Acompanhado do irmão Tião Lima (zabumba) e do sobrinho Vinícius Lima (triângulo e pandeiro), o núcleo pé de serra de seu quarteto, mais o groove dos ensandecidos Dedé Valença (baixo) e Marcones Pinto (guitarra), Rui Mário (sanfona) fez um show vibrante, dançante (pena estarmos sentados nas poltronas de um teatro em vez de “numa sala de reboco” ou numa praça da cidade), num passeio entre os guarda-chuvas que se convencionaram chamar forró e jazz.

A base do repertório desfilado pelo quinteto foi o álbum “Baião de doido”, que Rui Mário lançou este ano. Começaram pela faixa-título e desafilaram um rosário de referências e reverências que passou por Seu Raimundinho (pai do sanfoneiro e patriarca de uma família de músicos, sei lá quantos trios de forró pé de serra é possível formar ao longo dos galhos de sua árvore genealógica) — “Frevo pro Seu Raimundinho” —, pela filha Maria Eduarda (muitos familiares do músico na plateia) — “Xote desencabulado” — e pelo colega de instrumento Eliézio — “Meu nobre Eliésio” —, outra figura fácil em fichas técnicas de discos da música popular brasileira produzida no Maranhão, ídolo e amigo “que vivia lá em casa, chegava às cinco da manhã, aí está meu pai que não me deixa mentir; aprendi muita coisa com ele”, lembrou Rui Mário.

A emoção de Rui Mário não era jogo de cena para conquistar plateia. Suas lágrimas, no entanto, não se confundiam com timidez: no papel de frontman, o artista estava à vontade, evocando um Jimi Hendrix (1942-1970) na desenvoltura: certamente o americano tocaria daquele jeito se tivesse nascido no Nordeste brasileiro e fosse sanfoneiro em vez de guitarrista. O maranhense só não usou os dentes para fazer soar seu fole.

No bloco dedicado a Hermeto Pascoal (1936-2025), homenageado da edição 2025 do Lençóis Jazz e Blues Festival, Rui Mário equilibrou-se entre a conhecidíssima “Bebê”, em inspirado arranjo, e uma menos óbvia, e tão interessante quanto, “Suíte Norte Sul Leste Oeste”.

“Eu sempre quis dizer isso”, Rui Mário agora ria, enquanto agradecia à produção do festival e anunciava sua saideira, incitando o público a pedir mais uma. “E agora, que não tem no repertório?”. Acompanhado apenas dos parentes, formando um dos trios de forró pé de serra possíveis na árvore genealógica de Seu Raimundinho, antes da foto de costas para o público, atacaram o “Toque de pife”, de Dominguinhos (1941-2013), outra referência fundamental para qualquer sanfoneiro. E a apresentação de ontem foi mais um atestado de que Rui Mário não é um sanfoneiro qualquer.

A noite de abertura da edição 2025 do Lençóis Jazz e Blues Festival aconteceu ontem (21) no Teatro Sesc Napoleão Ewerton. O primeiro show da noite foi do Tiago Fernandes Trio — ele ao violão sete cordas, mais Valdico Monteiro (percussão) e Victtor Sant’anna (bandolim) —, que se apresentou no hall do Condomínio Fecomércio, recepcionando o público. Um show sóbrio e elegante, que incluiu temas como “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinícius de Moraes), “Samba do avião” (Tom Jobim) e “Boi de Catirina” (Ronaldo Mota).

A noite foi encerrada pelo Mark Lambert Trio, num passeio por rock, jazz e blues, entre temas de nomes como Al Green e Ray Charles (1930-2004), entre outros. O líder, cantor e guitarrista radicado há oito anos em São Paulo, conquistou a plateia de cara, quando se apresentou, brincando: “eu sou norte-americano, ninguém é perfeito”.

Ladeado por Glécio Nascimento (baixo) e Max Sallum (bateria), o uso de pedais de efeitos pelo guitarrista e pelo baixista — a quem Lambert se referiu muitas vezes ao longo da apresentação — faziam o power trio soar por vezes como a eletrônica dos alemães do Kraftwerk. Dançamos sentados.

A programação — inteiramente gratuita — do Lençóis Jazz e Blues Festival 2025 continua sexta-feira (24), às 20h, na Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen). As atrações são o bandolinista Wendell de La Salles, o Jayr Torres Quarteto e o mineiro Beto Guedes.

A etapa Barreirinhas acontece na Avenida Beira-Rio, dias 31 de outubro e 1º. de novembro, também a partir das 20h; na primeira noite por lá as atrações são Luciana Pinheiro, Vanessa Moreno e Arismar do Espírito Santo e Morgana Moreno; na noite de encerramento se apresentam o Jota P Quarteto, Alice Caymmi e os americanos JJ Thames & Prado Brothers Band.

Gildomar Marinho faz duas apresentações em São Luís

Cantor e compositor se apresenta hoje (9) no Talkin’ Blues (Cohajap) e sexta (11) no Buriteco Café (Praia Grande)

 

Gildomar Marinho e Luiz Cláudio durante ensaio. Foto: Otávio Costa/ A discoteca do veterinário

 

Maranhense radicado em Fortaleza/CE, Gildomar Marinho aproveita uma passagem pela ilha para fazer duas apresentações, reencontrando-se com o público conterrâneo. Com três discos lançados – Olho de boi (2009), Pedra de cantaria (2010) e Tocantes (2013) – o artista tem outros dois gravados, desde 2015, e ainda não lançados: Porta sentidos e Mar do Gil. “Vendi um carro para fazê-los”, revelou-me, bem humorado, numa conversa ainda àquele ano.

Gildomar Marinho (voz e violão) será acompanhado pelo percussionista Luiz Cláudio. O repertório passeará pela obra autoral de Gildomar Marinho, de temas assinados solitariamente a parcerias com nomes como os poetas Ely Cruz e Samara Volpony (dela ele musicou Contramaré, que dá título ao livro de estreia da arariense), o radialista Ricarte Almeida Santos e o jornalista Zema Ribeiro (que tem parcerias gravadas nos cinco discos de Gildomar). Ele também deve revisitar nomes como Erasmo Dibell (de quem gravou Navegante em Tocantes) e figuras da mpb como Belchior, Carlinhos Brown, Gilberto Gil e Noel Rosa.

“Serão apresentações descontraídas, em clima de confraternização”, promete. Hoje (9), às 21h, no Talkin’ Blues (Rua Auxiliar II, quadra 9, nº. 16, Cohajap), ele sobe ao palco às 21h, e terá como convidados Tutuca e Elizeu Cardoso; na sexta-feira (11), às 20h, no Buriteco Café (Rua Portugal, 188, Praia Grande), Gildomar terá como convidados, além de Tutuca e Elizeu Cardoso, Marconi Rezende, Chico Neis e Gabriela Flor. Em ambas as apresentações o couvert artístico individual custa R$ 10,00.

Uma rara oportunidade de prestigiar o talento de Gildomar por estas bandas. Após as apresentações em São Luís ele volta à Fortaleza, onde tem comandado a temporada pré-carnavalesca do bloco Hospício Cultural, no bairro do Benfica – o equivalente à nossa Madre Deus –, que tem reunido cerca de 10 mil foliões a cada ensaio, aos domingos. A música que puxa o bloco é dele e versa de maneira bem humorada sobre os desmandos da vida política nacional.

Gildomar Marinho lançará dois discos em 2015

Fotosca: Zema Ribeiro
Fotosca: Zema Ribeiro

 

Fortaleza – Numa conexão em Fortaleza/CE, a caminho do Recife/PE, marquei com o amigo e compositor Gildomar Marinho. Entre alguns chopes, no tempo curto entre um avião e outro, ele revelou estar gravando nada menos que dois discos, ambos com previsão de lançamento ainda este ano.

“São dois trabalhos bastante distintos, Porta sentidos e Mar do Gil. O primeiro deve ser lançado apenas em vinil, em tiragem limitada”, contou-me, ainda com dúvidas sobre o assunto. Mas ambos, a exemplos dos outros três discos de Gildomar lançados até aqui, devem ser disponibilizados para download.

Sem previsão de visitar a terra natal, o Maranhão acabou não sendo palco dos lançamentos de Tocantes e Pedra de Cantaria, apesar de shows bissextos, a exemplo do Salão do Livro de Imperatriz e no L’Apero, em São Luís. Olho de boi, o disco de estreia, foi lançado no Teatro João do Vale. Gildomar revela, no entanto, à vontade de se apresentar mais por estas bandas.

Gravados no estúdio Som do Mar, em Fortaleza, os discos novos têm direção musical do percussionista Hoto Jr. Nos repertórios, completamente autorais e inéditos, parcerias com o radialista Ricarte Almeida Santos, o poeta arariense Ely Cruz e com este que vos perturba.

“Já vendi um carro”, revelou-me, sem perder o senso de humor, a fonte de financiamento da gravação dos discos. Gildomar deve recorrer ao financiamento coletivo para as etapas de mixagem, masterização, prensagem e lançamento.

Com show em clima de confraternização, Gildomar Marinho encerra temporada 2013

[release]

Show mesclará música e poesia no Bar do Ferro Velho, no Benfica, em Fortaleza/CE

O tempo das festas de fim de ano é um tempo de reciclagem. A agenda não comporta tantas confraternizações. Inspirado no período, o músico Gildomar Marinho resolveu inventar e apostar em mais uma. Ele apresenta o show O futuro tem o coração antigo no Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE) nesta quinta-feira (26), às 20h, com entrada franca.

O nome do espetáculo o músico tirou do título do livro novo de Celso Borges, recém-lançado em São Luís do Maranhão. “Celso é talvez o maior poeta em atividade em São Luís, dono de uma poesia visceral, sem nunca perder a ternura, e só faz livros bonitos. Depois da experiência de unir música e poesia em uma trilogia [A posição da poesia é oposição, composta pelos livros-cds XXI (2000), Música (2006) e Belle Epoque (2010)], este une poesia e fotografia. Tive a honra de tê-lo como parceiro em Pedra de Cantaria”, explica Gildomar Marinho, referindo-se à participação que o poeta fez em seu segundo disco, quando colocou voz no poema Vazio [de Celso Borges], incidental de Claustrofobia, faixa do cd.

O futuro tem o coração antigo é o reencontro do poeta com outra São Luís, cidade em que nasceu e da qual vivia distante”, continua Gildomar. “Usar este título para este espetáculo é uma forma de homenagear e também de mostrar minha relação com São Luís, onde vivi, onde tenho parceiros e que sempre estou visitando para me impregnar de sua cultura popular, de sua beleza arquitetônica e matar as saudades”. O resultado é ouvido em faixas como É de Reis, tambor de crioula de sua autoria, gravado em Tocantes, o terceiro disco, lançado em 2013, indicado a algumas categorias do Prêmio Universidade FM (de São Luís/MA) este ano.

Destaque – O local escolhido para a realização do show é um espetáculo à parte. “O Bar do Ferro Velho tem este nome por que é um bar à noite, mas de dia, lá funciona um ferro velho. Além desse detalhe, o destaque fica por conta do cardápio, preparado por dona Leide, esposa do Seu Paulo, o proprietário do ferro velho”, convida Gildomar. O leitor e a leitora imaginem o que é tudo isso somado à boa música dele, aos poemas de Celso Borges que serão lidos durante o espetáculo e ao que outros artistas trarão. “Neste espetáculo, eu, na verdade, serei uma espécie de anfitrião, de mestre de cerimônias. Cantarei músicas de meus três discos – incluindo Olho de Boi, o primeiro, de 2009 –, lerei poemas de Celso Borges, mas franquearei o palco a artistas e amigos que aparecerem por lá e se sentirem à vontade para participar”.

Projetos – Em 2014 Gildomar Marinho pretende fazer shows de lançamento de Tocantes em São Luís, Alcântara e Imperatriz, no Maranhão, além de entrar em estúdio para gravar seu quarto disco, cujo título provisório é Mar do Gil, um trocadilho com seu nome e uma homenagem ao Pindaré que banhou sua infância.

Livro – Interessados em adquirir O futuro tem o coração antigo, novo livro de Celso Borges, podem fazê-lo pelos sites da Editora Pitomba, do livro (onde é possível folhear virtualmente algumas páginas, além de ouvir trechos) e/ou pelo e-mail cbpoema@uol.com.br. Tocantes, novo disco de Gildomar Marinho, pode ser adquirido na ocasião.

Serviço

O quê: O futuro tem o coração antigo, show especial de fim de ano e confraternização
Quem: Gildomar Marinho, com participações especiais
Onde: Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE)
Quando: 26 de dezembro (quinta-feira), às 20h
Quanto: grátis

Dose dupla de boa música

Duas excelentes pedidas na noite de hoje em São Luís.

A primeira, o Circuito Dobrado Ressonante, com Josias Sobrinho e Chico Saldanha. Uma ótima notícia é que a turnê, iniciada em Imperatriz e já tendo passado por Brasília, Belém e Teresina, não se encerra hoje: amanhã, o par e banda tocam em Santa Inês (donde não tenho maiores informações), e domingo em Rosário (às 20h, na Praça da Matriz, com participação especial do Lelê de São Simão).

A segunda, Gildomar Marinho em show de pré-lançamento de Tocantes, seu terceiro disco. Confira abaixo trechos do ensaio (as duas músicas são de Pedra de Cantaria, seu segundo disco; ele passeará pelo repertório de seus três discos, o que inclui ainda Olho de Boi).

Tocantes, terceiro disco de Gildomar Marinho, faz jus ao título

[O Imparcial, 9 de setembro de 2013]

Obra aborda temas como liberdade, trabalho, viagens, amores desfeitos, saudades, direitos humanos, meio ambiente e música

POR ZEMA RIBEIRO
ESPECIAL PARA O IMPARCIAL

O autorretrato de Gildomar Marinho na capa do encarte de Tocantes

Gildomar Marinho desenhou seu autorretrato e as aquarelas todas do encarte e capas de Tocantes (2013), seu terceiro disco, sucessor de Pedra de Cantaria (2010) e Olho de Boi (2009). Maranhense radicado em Fortaleza/CE, por conta do ofício de bancário, que divide com o da música, o cantor, compositor e instrumentista fala de liberdade, saudades, chegadas e partidas, encontros e despedidas.

Inteiramente gravado na capital cearense, tem um pé aqui, outro lá. As belas aquarelas revelam o som. Estão lá o próprio artista, empunhando sua viola, a alegria de um pulo para saudar um lugar de que se gosta (o equivalente “reles mortal” ao beijo no chão de um papa de outrora), o farol para guiar as aventuras, o bumba meu boi, o tambor de crioula, um pescador, o horizonte. E o violão que ele não toca (no disco), escoltado por competentíssimo time de músicos, para concentrar-se apenas na criação e no canto: Carlinhos Patriolino (bandolim), Diego Farias (gaita), Eduardo Holanda (violões, viola e arranjos), Herlon Robson (sintetizadores, teclados, escaleta e sanfona), Hoto Jr. (percussão, direção musical e arranjos), Marcus Vinnie (piano, sintetizador e teclados), Miquéias dos Santos (contrabaixo), Pantico Rocha (bateria e percussão) e Rafael Magoo (guitarras).

As músicas, como entrega o título do disco, tocam sem qualquer maior esforço do ouvinte, espécie de muzak da vida, nunca a trilha sonora tendo menos importância neste cinema em que desempenhamos nosso papel; tanto que Gildomar fala de si e de nós mesmos, com a sabedoria oriunda da experiência de viajante que leva consigo – e com sua música – pedaços dos lugares que visita.

Faixa a faixa – O artista brinca com uma porção de coisas com que se faz música – inclusive instrumentos musicais – em Canto Oco, faixa de abertura. Piolho de cobra é uma homenagem ao trabalhador brasileiro, dos versos: “Canteiro, peão se dobra/ feito piolho de cobra/ vida sem muita sobra/ e o mesmo trem que leva, traz/ sempre para o mesmo lugar”.

Mata Paralela (parceria com Jorge Cardoso, seu colega de banco) é uma canção de cunho ambiental que não soa eco-chata: é inspirada na derrubada da Mata Atlântica para a construção de condomínios de luxo na Avenida Paralela, em Salvador/BA, terra natal do parceiro. Ensejo de blues, cujo título também poderia ser “Livre”, já que esta é a palavra de ordem: “Mas acontece que você/ e esse amor não representa/ exatamente o que desejo/ além de um beijo, e este ensejo de blues/ é pra dizer que o amor é bom/ mas por ser bom me deixe livre/ e Deus me livre desse falso amor”.

O Mano é outra música que, dado o tema, poderia soar panfletária: “O mano quer ser ser humano/ e é do ser humano merecer ser humano/ e ser humano é poder ter nome, lar, sobrenome/ e com os seus conseguir/ matar a sede e a fome”. Sim, é sobre direitos humanos, e foi composta em 2005, após o show de aniversário de 26 anos da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), ocasião em que Gildomar dividiu o palco com Cesar Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Lena Machado e o Bloco Afro Akomabu. A música integrou Regar a Terra, disco comemorativo dos 20 anos do MST no Maranhão.

A metade que manda é uma homenagem às mulheres. O mote do galope é “a mulher que, na verdade,/ é a metade que manda, meu irmão”. O autor vai de Eva às milhões de mulheres que fazem as Marchas das Margaridas, passando por Maria da Penha. A faixa título, parceria com este jornalista, é uma balada romântica, quase uma continuação do reggae Lembra?, parceria de ambos, gravada por Gildomar em sua estreia. Estão lá o amor desfeito, os velhos discos de vinil e uma vontade de recomeçar.

Navegante é a regravação de Gildomar para a música de Erasmo Dibell, de quem diz ser amigo desde antes da barriga: “Antes da gente, nossas mães já eram amigas, entre Carolina e Imperatriz”, conta. Por falar em mães, Pé na estrada é uma homenagem a elas. A música foi composta para um festival em que o autor não chegou a se inscrever e fala dessa vontade que os filhos têm de desafiar, de ganhar o mundo, talvez por ter a certeza de que se tudo der errado, as mães saberão recebê-los sempre bem. “Mamãe, me dê sua bênção/ e prepare o meu pão/ com o sal de tuas lágrimas/ e o calor de tuas mãos”, pede o filho-músico.

Pistas falsas é balada radiofônica pontuada por gaita que parece fazer ainda maior a solidão, palavra-chave da canção: “No fim de nossas noites tão ardentes/ sei que em sua vida sou mais um/ porque você é só, é só ilusão/ e o que me dá é só solidão”. Perdão de cônjuge é um sambossa de título autoexplicativo, parceria com a cantora Lena Machado e com este que vos escreve. É de Reis é um tambor de crioula dedicado a uma coreira que enfeitiçou o autor com o esvoaçar de sua saia e seu rebolado rítmico, a quem devolve a rítmica homenagem.

A exemplo dos trabalhos anteriores, Tocantes tem patrocínio do Programa Cultura da Gente, do Banco do Nordeste, e apoio da Elétrica Milênio.

Show – Gildomar Marinho faz show de pré-lançamento de Tocantes, no próximo dia 13 de agosto (sexta-feira), às 22h, na Barraca L’Apero (Av. Litorânea, Praia de São Marcos). A apresentação terá participações especiais de Tutuca e Betto Pereira. O couvert artístico individual custa R$ 10,00.

7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul: confira a programação de hoje (26)

Já já, a partir das 13h, continua a programação (gratuita) da 7ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que na capital maranhense é apresentada no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). A sessão de abertura, ontem, mais que lotou o espaço. Recomenda-se chegar meia hora antes das sessões para a retirada dos ingressos na bilheteria. Confira a programação de hoje (26).

13h

Olho de Boi (Diego Lisboa, Brasil, 19 min., 2011, ficção). Junca, um menino que vive na periferia de Salvador, ganha um par de sapatos sem cadarços de presente. Ele quer ir à escola com os sapatos, mas precisa enfrentar seu pai, os meninos mais velhos da rua e sua própria fé. | Direito da Criança e do Adolescente | Diversidade Religiosa

Funeral à Cigana (Fernando Honesko, Brasil, 15 min, 2012, ficção) Após a morte do pai, líder cigano deve transportar o corpo à sua cidade natal para atender o desejo de sua mãe. Mas ele enfrenta várias dificuldades para viver suas tradições plenamente. | Direito das Populações Tradicionais

Carne e Osso (Caio Cavechini/ Carlos Juliano Barros, Brasil, 52 min., 2011, documentário) Reportagem que denuncia as duríssimas condições de trabalho nos abatedouros e frigoríficos brasileiros, com jornadas cada vez mais estafantes, penosas e perigosas. A exigência de um rendimento crescente nas linhas de produção penaliza os trabalhadores, que desenvolvem doenças e muitos deles acabam incapacitados para exercer qualquer tipo de tarefa. | Direito ao Trabalho Decente| Combate ao Trabalho Escravo.

Classificação indicativa da sessão: 12 anos

15h

O Fio da Memória (Eduardo Coutinho, Brasil, 115 min., 1991, documentário) Grande mosaico sobre a experiência negra no Brasil, centrado na figura do artista popular Gabriel Joaquim dos Santos, filho de ex-escravos, trabalhador das salinas de São Pedro da Aldeia (RJ). Seus diários, presentes no filme como uma voz narrativa, permitem compreender alguns impasses da inserção do negro na sociedade brasileira após a libertação dos escravos. | Igualdade Racial.

Classificação Indicativa: livre

17h

Elvis & Madona (Marcelo Lattiffe, Brasil, 105 min., 2010, ficção) Madona é uma travesti que ganha a vida como cabeleireira num salão em Copacabana. Depois de anos de luta para realizar um show em homenagem ao Teatro Rebolado, Madona tem seu dinheiro roubado pelo amante. Enquanto pensa em uma estratégia para conseguir resgatar a quantia roubada, Madona conhece Elvis, entregadora de pizza que sonha em ser fotógrafa de jornal. Elvis e Madona se apaixonam, apesar dos obstáculos colocados pelo ex-amante. | Cidadania LGBT | Diversidade Sexual

Classificação Indicativa: 12 anos

19h

Marighella (Isa Grinspum Ferraz, Brasil, 100 min., 2012, documentário) Maior nome da militância de esquerda no Brasil dos anos 1960, Carlos Marighella participou dos principais acontecimentos políticos do país entre 1930 e 1969. Dirigido por sua sobrinha, o documentário é uma construção histórica e afetiva sobre este homem que era considerado o maior inimigo da ditadura militar e foi líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor de Manual do Guerrilheiro Urbano, publicado mundialmente em diversos idiomas. | Combate à Tortura | Direito à Memória e à Verdade.

Classificação indicativa: 10 anos.

Uma nova do novo de Gildomar Marinho

Músico maranhense radicado em Fortaleza/CE, o compositor Gildomar Marinho está em estúdio gravando seu terceiro disco, Tocantes.

O sucessor de Pedra de Cantaria (2010) e Olho de Boi (2009) traz duas parcerias nossas: Perdão de cônjuge (a seis mãos com Lena Machado) e a faixa-título.

Tocantes será lançado ainda em 2012. Assista um vídeo com Livre (Gildomar Marinho), uma das faixas do disco:

Gildomar Marinho se apresenta em Brasília

BRASÍLIA – Maranhense radicado em Fortaleza/CE, o cantor e compositor Gildomar Marinho se apresenta hoje em Brasília/DF.

A “noite do Maranhão”, como está sendo chamada, terá apresentação do músico, acompanhado de Carlos Pial (percussão) e Rui Mário (sanfona).

No repertório, o trio apresentará canções dos dois discos de Gildomar, Olho de Boi (2009) e Pedra de Cantaria (2010), além de sucessos do cancioneiro do Maranhão: nomes como Cesar Teixeira, João do Vale e Josias Sobrinho.

A apresentação de Gildomar terá início às 21h e integra a programação cultural do Encontro Brasileiro dos Programas de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, que acontece até sexta-feira (10) no Centro de Convenções Israel Pinheiro (Ql 29, Lago Sul, Brasília/DF).