Re/encontrando Vicente Barreto

O cantor e compositor Vicente Barreto - foto: Zema Ribeiro
O cantor e compositor Vicente Barreto – foto: Zema Ribeiro

Eu devia ter uns 14 ou 15 anos. Estava em um bar, tomando refrigerantes e vendo uma apresentação do violonista rosariense Fran Gomes. À época eu já tinha um conhecimento razoável de música, adquirido fuçando as coleções de vinis de meus avós, pais e tios. Naquela tarde fiz do músico uma espécie de jukebox – algo que hoje condeno, obviamente – e desdenhava de algo que eventualmente ele não sabia cantar ou tocar.

Foram tantos “toca Zé Ramalho”, “toca Zé Geraldo”, “toca Geraldo Azevedo”, “toca Fagner”, “toca Gilberto Gil”, “toca Chico Buarque”, “toca Caetano Veloso”, “toca Belchior”, “toca Djavan” e toca tudo que eu conhecesse, sem falar do infaltável “toca Raul!”, que ele retrucou: “eu vou cantar uma que tu não conhece”. A letra me pegou na hora – é até hoje uma de minhas canções prediletas em toda a MPB – e ao fim ele perguntou quem era e eu não soube responder. Era “A notícia”, parceria de Celso Viáfora e Vicente Barreto: “O New York Times não deu uma linha/ a BBC de Londres nem uma palavra/ mas ontem no Xingu um índio se afogou/ e um guarda-marinha se atirou nas águas/ para salvar a sua vida/ Na mesma hora um favelado da Rocinha/ que tinha sete filhos, arrumou mais um/ era um menino loiro de olho azul/ que tinha sido abandonado nu/ numa avenida/ Gente má, gente linda/ dia vem, noite finda/ em todo lugar”. A música é tão marcante que digito sua letra consultando apenas a memória.

Quase 30 anos depois do episódio que me apresentou a obra de Vicente Barreto – porque depois do maravilhamento que foi ouvir Fran tocá-la e descobrir um artista que eu então não conhecia, ir atrás de outras composições, discos etc., foi um pulo. Aquele moleque de 14 ou 15 anos se tornou jornalista, perdeu a empáfia e teve a oportunidade de entrevistar o artista baiano, por ocasião de seu álbum mais recente, “Na força e na fé” – hoje finalmente conheci-o pessoalmente, por ocasião de entrevista que concedeu ao Timbira Cult, com Gisa Franco, na Rádio Timbira FM (95,5), quando contei-lhe a história com que abro este texto.

Parceiro de nomes como Alceu Valença (“Tropicana”, “Cabelo no pente”, “Pelas ruas que andei”), Tom Zé (“Hein?”, “Lá vem cuíca”, “Na parada de sucesso” e “Esteticar” – esta também com Carlos Rennó), Celso Viáfora (a citada “A notícia”, “A cara do Brasil”, gravada por Ney Matogrosso), Paulo César Pinheiro (“Capitão do mato”, gravada por Maria Bethânia), Chico César (“Ilusão retada”) e Zeca Baleiro (“Saudades de te ver, Paraíba”), Vicente Barreto se apresenta hoje (12) e amanhã (13), às 20h, no Miolo Café Bar (Av. Litorânea, 100, Calhau). O cantor e compositor maranhense Djalma Chaves faz o show de abertura.

Em sábado intenso, Wilson Zara apresenta 33ª. edição do “Tributo a Raul Seixas”

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O cantor Wilson Zara - foto: divulgação
O cantor Wilson Zara – foto: divulgação

O último dia 21 de agosto marcou os 35 anos do falecimento de Raul Seixas (1944-1989). Neste sábado (24), o cantor Wilson Zara apresenta mais uma edição do já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, que apresenta desde 1992 – quando ainda morava em Imperatriz/MA e o show tinha por título “A hora do trem passar”.

Ouvir “Ouro de tolo” (Raul Seixas) foi marcante para Wilson Zara, que chegou a iniciar o curso de Letras e a passar em um concurso para bancário – à época o emprego dos sonhos, que abandonou para viver de música. No final da década de 1990 o artista mudou-se para São Luís, onde tornou-se um dos mais importantes nomes da noite da ilha.

O 33º. “Tributo a Raul Seixas” acontece às 21h, no Mestre Cana (Rua Portugal, 58, Praia Grande) – os ingressos custam R$ 30,00, à venda no local, na Luso Eventos – (98)991519512 – e na loja Ilha da Fantasia no instagram. O evento tem apoio de O Colibri Hotel e Colonial Comunicação Visual.

No palco, Wilson Zara (voz e violão) estará acompanhado por Marjone (bateria e vocais), Mauro Izzy (baixo), Moisés Ferreira (guitarra), Felipe Van Halen (guitarra) e Marco (teclado), e contará ainda com as participações especiais de Beto Ehong, Pedro Cordeiro, Alê Durrock e Thiago Pinheiro. A abertura fica por conta da banda Altas Doses e do DJ Cláudio.

Mas as homenagens a Raul Seixas começam antes. Na data, acontecerá a primeira passeata raulseixista em São Luís, organizada pela Sociedade Ilha da Fantasia, fundada em 2006 por Maidson Machado, Antônio Ednir, Thyago Thardelly e Muchila, todos fãs de carteirinha de Raul Seixas. A concentração acontece na Praça Nauro Machado (Praia Grande), onde Zara dará uma canja, antecipando um pouco do show, cujo repertório é formado por clássicos e lados b do repertório do cantor e compositor baiano. A passeata fará o curto percurso entre a praça e o local do show.

Também sábado, quem homenageia recebe homenagem: Wilson Zara é o convidado da Rádio das Tulhas, evento semanal que acontece de meio-dia às 18h, na Feira da Praia Grande, sob o comando dos DJs Victor Hugo e Lenda Brother.

Aos 35 anos sem ele, nunca foi tão atual o grito de “Toca Raul!”.

O bloco de Ney Matogrosso

O cantor Ney Matogrosso. Foto: Patrícia Castro
O cantor Ney Matogrosso. Foto: Patrícia Castro

Já se vão 50 anos desde que Ney Matogrosso despontou no cenário artístico brasileiro, com o rosto pintado e trejeitos no palco que desagradavam os generais de plantão, à frente do grupo Secos e Molhados.

Ontem (18) ele se apresentou em São Luís, no Pavilhão de Eventos do Multicenter Sebrae, para deleite do ótimo público presente, produção da 4Mãos. O show da turnê “Bloco na Rua” durou cerca de hora e meia em que o cantor atestou porque é, desde sempre e ainda, um dos mais interessantes artistas brasileiros em atividade.

A quem achar pouca a duração do show, é música o tempo inteiro. E dança. Com uma projeção emuldurando. Ney Matogrosso não conversa nem desconversa. Fora cantar ao longo de todo o show (parece redundância, mas não é), deu apenas boa noite, anunciou o fim do show, voltou para o bis e disse o quanto era incrível cantar para aquela plateia.

Um espetáculo e tanto, aberto por “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, do capixaba Sérgio Sampaio (1947-1994), de onde vem o título do show e do álbum lançado por Ney Matogrosso em 2019.

O roteiro do show demonstrou a versatilidade que marca a trajetória do artista, que sempre gravou o que quis, sem se prender a rótulos ou escolas: continuou por pérolas do rock brasileiro, como “Jardins da Babilônia” (Lee Marcucci/ Rita Lee) e “O Beco” (Bi Ribeiro/ Herbert Vianna), as três primeiras cantadas na mesma sequência do álbum.

Performer nato, Ney Matogrosso tem pleno domínio do palco, é senhor da situação. O figurino de Lino Villaventura, o mesmo com que aparece na capa de “Bloco na Rua”, fazia esvoaçar uma espécie de saia de franjas ao longo da apresentação. Seu balé particular está a serviço de sua música e vice-versa e sua excelência está em ambos.

Ney Matogrosso estava acompanhado por Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano (percussão), Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Tuco Marcondes (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone).

“Já Sei” (Alice Ruiz/ Alzira E./ Itamar Assumpção), “Pavão Mysteriozo” (Ednardo), “Tua Cantiga” (Chico Buarque), “A Maçã” (Marcelo Motta/ Paulo Coelho/ Raul Seixas), “Yolanda” (versão de Chico Buarque para composição de Pablo Milanés), “Postal de amor” (Fausto Nilo/ Raimundo Fagner/ Ricardo) e “Ponta do Lápis” (Clodo Ferreira/ Rodger Rogério) formaram outro bloco na mesma sequência do álbum, continuada por “Corista de Rock” (Luiz Sérgio/ Rita Lee), “Já Que Tem Que” (Alzira E./ Itamar Assumpção), “O Último Dia” (Billy Brandão/ Paulinho Moska), “Inominável” (Dan Nakagawa), “Sangue Latino” (João Ricardo/ Paulinho Mendonça) – única do Secos e Molhados que compareceu ao repertório do show –, e “Como dois e dois” (Caetano Veloso”), que praticamente fechou o show, dando um pequeno pulo em relação ao repertório do álbum.

Das poucas vezes em que falou, Ney Matogrosso anunciou o fim do show, repito: “foi um prazer inenarrável cantar para todos vocês”, disse, antes de emendar “Poema” (Cazuza/ Frejat) e seu maior hit, “Homem Com H” (Antonio Barros). Ao ser chamado para o bis, educadamente disse: “já cantamos tudo o que havíamos ensaiado, mas eu vou cantar mais duas porque eu gosto”, e mandou “Roendo as Unhas” (Paulinho da Viola) e “Rua da Passagem” (Arnaldo Antunes/ Lenine).

Das não poucas vezes em que chorei ao longo da apresentação, prefiro não revelar e salgar o jornalismo e misturá-lo a questões pessoais, como as lembranças de minha avó Maria Lindoso (1939-2020), fã declarada que não chegou a ver um show ao vivo, mas me ensinou a admirar Ney Matogrosso.

*O jornalista assistiu ao show a convite da produção.

Wilson Zara apresenta Tributo a Raul Seixas no Teatro Municipal de Açailândia

Pequena turnê do cantor também inclui apresentações em Santa Inês, Imperatriz e Tuntum

O cantor Wilson Zara. Foto: Manlio Macchiavello/ Divulgação
O cantor Wilson Zara. Foto: Manlio Macchiavello/ Divulgação

Inaugurado em junho passado, o charmoso Teatro Municipal de Açailândia, na Avenida Santa Luzia, às margens da BR 222, será palco de um Tributo a Raul Seixas, apresentado pelo cantor Wilson Zara. O show acontece dia 6 de setembro (quarta-feira, véspera do feriado da Independência), às 20h.

Wilson Zara (voz e violão) estará acompanhado por Mauro Izzy (baixo), Moisés Ferreira (guitarra) e Marjone (bateria). O cantor revela a emoção de subir a palco tão privilegiado. “Açailândia é uma cidade com a qual eu tenho uma relação desde garoto; foi onde eu terminei o ginásio, e participei de um show de calouros, foi a primeira vez que eu cantei num som, eu acabei vencendo o concurso, mas não levei o prêmio, mas eu estava bem contente por ter cantado. Também foi lá que eu ouvi Raul pela primeira vez, meu pai ainda mora lá”, relembra.

No repertório, clássicos e lados b do maluco beleza, apelido que Raul Seixas ganhou de um dos maiores sucessos de sua carreira. O teatro tem 221 lugares. Os ingressos custam entre R$ 10,00 e 20,00 e já estão à venda no site Ingresso Digital.

“A gente fez recentemente o Tributo em São Luís, como fazemos todos os anos, mesmo à época da pandemia, houve edições online; estamos viajando com praticamente a mesma banda, levando a mesma energia e nossa contribuição para manter vivo o importante legado de Raul Seixas”, continua Zara.

Agenda – Antes de chegar à Açailândia, Wilson Zara se apresenta em Santa Inês. Dia 2 de setembro (sábado), às 20h30, ele canta no Hellena Bistrô (Rua do Sol, 44), acompanhado de Mauro Izzy (baixo). No repertório, clássicos da música popular brasileira e do pop rock nacional e internacional. O couvert artístico individual custa apenas R$ 10,00.

A agenda de Zara pelo interior do Maranhão segue ainda no feriado de 7 de setembro (quinta-feira), quando apresenta o Tributo a Raul Seixas, acompanhado de sua banda, durante o MotoImp. O show acontece às 23h. O evento acontece no Parque de Exposições de Imperatriz (Marginal BR-010, 230). Informações sobre inscrições e ingressos no site do evento.

Dia 9 (sábado), é a vez de Tuntum. Zara e banda se apresentam no Old’s Pub Buteco e Petiscaria (Praça da Matriz, Centro). O evento começa às 21h, com entrada franca.

Edvaldo Santana faz curta temporada em São Luís

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O cantor e compositor Edvaldo Santana em show comemorativo dos 30 anos de "Lobo Solitário", mês passado, no Sesc Pompéia. Foto: Milton Michida/ Divulgação
O cantor e compositor Edvaldo Santana em show comemorativo dos 30 anos de “Lobo Solitário”, mês passado, no Sesc Pompéia. Foto: Milton Michida/ Divulgação

Artista celebra 30 anos de “Lobo Solitário” (1993), seu disco solo de estreia

"Lobo Solitário" (1993). Vinil. Capa. Reprodução
“Lobo Solitário” (1993). Vinil. Capa. Reprodução

O cantor e compositor paulista Edvaldo Santana já tem quase 50 anos de carreira, se contarmos a partir do disco de estreia da banda Matéria-Prima, que integrou, lançado em 1975. Sua estreia solo aconteceu em 1993, com o lançamento de “Lobo Solitário”, que trazia parcerias com Ademir Assunção, Arnaldo Antunes, Glauco Mattoso, Haroldo de Campos (1929-2003) e Paulo Leminski (1944-1989), além de releituras de Raul Seixas (1944-1989) e Tom Zé.

Valendo-se da máxima punk “faça você mesmo”, com ousadia, coragem e esperança, Edvaldo Santana botou o violão nas costas e já se apresentou por Piauí e Ceará, reafirmando sua ascendência nordestina – é filho de pai piauiense e mãe pernambucana –, bastante perceptível em sua música, marcada pelo cruzamento destas raízes com o blues norte-americano.

Ao longo da carreira, Edvaldo Santana soma oito discos solo, os mais recentes “Edvaldo Santana e Banda Ao Vivo 2” (2017) e “Só Vou Chegar Mais Tarde” (2016) – neste, canta “Ando Livre” (Edvaldo Santana) em dueto com a maranhense Rita Benneditto; a música foi composta após o autor conhecer São Luís e visitar o Bar do Léo, citado na letra. Versado também nas coisas do Maranhão, canta, na faixa-título de “Jataí” (2012): “para cantar um reggae-xote com pandeiro de Salim/ que um negro da Jamaica foi baixar em São Luís/ Ê, São Luís, tambor de crioula”. Ano passado lançou os singles “Vuelo Iluminado”, “Eu Quero É Mais (Humanidade)”, “E aí, José?” e “Irmãos Ciganos”, disponíveis nas plataformas de streaming.

Foto: Edson Kumasaka/ Divulgação
Foto: Edson Kumasaka/ Divulgação

Edvaldo Santana estará em São Luís entre os dias 29 de agosto (terça-feira) e 2 de setembro (sábado) e cumpre agenda em diversos espaços na cidade (veja programação abaixo). Guiado pelos versos de Milton Nascimento e Fernando Brant (1946-2015) em “Nos Bailes da Vida”, “todo artista tem de ir aonde o povo está”, suas apresentações terão preços populares. “É uma viagem sem patrocínio, eu quero cantar e tocar, e espero encontrar com quem quer me ouvir. No fundo, quero me divertir e espero que quem chegar junto por estas noites, se divirta também”, convida o artista.

No repertório das apresentações, acompanhando-se ao violão, Edvaldo Santana passeará por canções de “Lobo Solitário” e de outros álbuns de sua discografia, bem como clássicos da música popular brasileira que gosta de interpretar.

SERVIÇO

O quê: show “30 anos de Lobo Solitário, voz e violão”
Quem: o cantor e compositor Edvaldo Santana
Quando: de 29 de agosto a 2 de setembro
Onde: ver agenda abaixo
Quanto: idem
Informações: (98) 99166-8162
Apoio cultural: Hostel dos Poetas

AGENDA

29 de agosto (terça-feira), 20h: Quintal da Sol (Rua Edson Brandão, quadra 1A, casa 8, Alemanha), R$ 15,00

30 de agosto (quarta), 20h: Hostel dos Poetas (Rua da Montanha Russa, Centro, em frente ao Icbeu), R$ 15,00

31 de agosto (quinta), 19h, Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis (Rua Rio Branco, 420, Centro, atrás da Caixa Econômica Federal da Praça Deodoro), R$ 10,00

1º. de setembro (sexta), Miolo Café Bar (Av. Litorânea, nº. 100, Calhau), R$ 15,00

2 de setembro (sábado), Amabile Cozinha (Rua Projetada, 17, Solar dos Lusitanos, Turu), R$ 15,00

“O legado de Raul permanece vivo”, afirma Wilson Zara

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Neste sábado (19) o cantor apresenta mais uma edição do tradicional tributo com que reverencia o artista baiano desde 1992

O cantor Wilson Zara. Foto: divulgação

Considerado um dos pais do rock brasileiro e até hoje um de seus nomes mais importantes, o baiano Raul Seixas (1944-1989) deixou um vasto legado que vai além da música: a filosofia raulseixista influencia artistas surgidos após sua passagem por este planeta e também gente comum, que se afina com as ideias do “maluco beleza”, assim chamado em referência a um de seus maiores sucessos.

Toda essa herança cultural será celebrada em mais uma edição do já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, que o maranhense Wilson Zara apresenta ininterruptamente desde 1992 – durante a pandemia de covid-19 o evento teve edições online.

“A gente costuma fazer um show longo, eu e a banda que já está comigo na missão há algum tempo, passeando pelos diversos álbuns e fases da carreira de Raul Seixas, artista que se aventurou por diversas veredas da música brasileira, muitas vezes abrindo-lhes as picadas, para que depois a gente pudesse passear. O legado de Raul permanece vivo”, afirma Zara, que costuma alinhar grandes hits de Raul Seixas, até hoje presença marcante em programas de rádio, mas também lados b do roqueiro baiano, que iniciou sua trajetória ainda na década de 1960, em Salvador/BA, à frente do seminal Os Panteras, quando ainda assinava Raulzito, e com quem lançou um único disco (1969).

Foi como Raulzito, aliás, que Raul Seixas assinou composições e produções para artistas como Balthazar, Diana, Odair José, Edy Star, Jerry Adriani (1947-2017), Miriam Batucada (1947-1994) e Sérgio Sampaio (1947-1994) – os três últimos, seus colegas de Sociedade da Grã Ordem Kavernista, que gravou o disco “Apresenta Sessão das 10” (1971).

Este ano o “Tributo a Raul Seixas” acontecerá dia 19 de agosto (sábado), às 22h, no Soul Lounge (Av. Litorânea). Na ocasião, Wilson Zara (voz e violão) estará acompanhado por Mauro Izzy (baixo), Moisés Ferreira (guitarra), Marco Moraes (teclados) e Marjone (bateria). A noite contará ainda com a participação especial da Durrock Band. Os ingressos custam R$ 30,00, à venda no local e na Bilheteria Digital (meia para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei somente no local).

Serviço

O quê: show “Tributo a Raul Seixas”
Quem: o cantor Wilson Zara e banda
Quando: dia 19 de agosto (sábado), às 22h
Onde: Soul Lounge (Av. Litorânea, Calhau)
Quanto: R$ 30,00. Ingressos no local e na Bilheteria Digital (meia para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei somente no local).
Informações: (98) 99975-3999

Carta aberta a parentes e amigos bolsominions

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”
(Chico Buarque)

“É pena eu não ser burro; eu não sofria tanto”
(Raul Seixas)

“Meu coração não se cansa de ter esperança”, como cantou o recém-oitentão Caetano Veloso. Ao longo dos últimos quatro anos não foram poucas as vezes em que alertei parentes, amigos e conhecidos – ou deveria chamá-los todos/as de ex? – acerca do bolsonarismo, cuja máquina de mentir é tão perversa que acaba transformando seus próprios entusiastas em vítimas do próprio esquema.

Ainda em 2018 fui tachado por um par de parentes de “fanático”, adjetivo que acompanhava palavras como lulista, petista, dilmista, esquerdista ou comunista. Logo eu, que nunca deixei de fazer justas críticas ao PT e seus líderes enquanto o partido esteve no poder – ao contrário de quem, após um mandato inteiro de desmandos de Jair Bolsonaro, segue aplaudindo-o desavergonhada e acriticamente.

Falo de gente pobre, gente como eu. Não é nem gente remediada, que diante de qualquer emergência possa fazer um saque em uma poupança e resolver um imprevisto. Gente que se nega a perceber que é inaceitável o retorno do Brasil ao mapa da fome, sendo o país um dos maiores produtores de alimentos do mundo; gente que se nega a perceber que é impossível pagarmos tão caro por combustíveis fósseis, sendo o país um dos maiores produtores de combustíveis fósseis do mundo. A quem me lê agora e não simpatiza com Jair Bolsonaro e sua família, peço perdão pelas repetições e redundâncias, mas estas são necessárias, vocês sabem o porquê.

É claro que é muito mais fácil receber uma figurinha engraçada, um meme, um vídeo curto e imediatamente repassar por aplicativos de mensagens e redes sociais em geral. Mas nem sempre o mais fácil é o melhor ou o correto. Ler dá trabalho, interpretar texto dá trabalho, pesquisar dá trabalho – ter consciência de classe, então, nem se fala. Checar, então, se uma notícia é verdadeira ou não, mesmo que isto custe apenas perguntar a algum conhecido, dá muito trabalho.

“Mas esta checagem deveria ser papel dos próprios jornalistas”, uns podem argumentar, não sem razão. Sim, deveria: mas muitos de meus colegas de profissão sucumbiram ao bolsonarismo, mesmo que o líder neofascista seja uma ameaça ao exercício crítico e livre de nossa profissão, além de à nossa própria existência. Fora que não são apenas jornalistas que usam redes sociais, estas ferramentas que têm suas vantagens, mas também deram voz a uma legião de imbecis, como ainda teve tempo de afirmar Umberto Eco (1932-2016).

Um presidente da república é uma referência política, moral e cultural. Para o bem ou para o mal – e esta antítese está bem desgastada, quando a extrema-direita se posiciona como “o bem” para derrotar “o mal” (seja o comunismo, o lulismo, o petismo, a esquerda, os vermelhos), mesmo pecando, ao usar o nome de Deus em vão, para mentir. Cristianismo e bolsonarismo são doutrinas absolutamente incompatíveis.

Jair Bolsonaro se elegeu com a cantilena vazia do pseudocristianismo escondido em um de seus slogans de campanha: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, esgarçou o versículo bíblico do evangelho de São João. Na prática a teoria é outra e qualquer investigação sobre si ou sua família é colocada em sigilo de 100 anos.

Faço questão de escrever este texto puxando as coisas apenas pela memória, sem consultar links ou reler matérias – fosse citar exemplos cotidianos, uma carta aberta não seria suficiente, melhor seria escrever logo um livro, mas já há excelentes publicações revelando as entranhas do bolsonarismo e seu modus operandi, desde o processo que resultou em sua ida à reserva do Exército até a relação dele e sua família com as milícias cariocas.

O Partido dos Trabalhadores está fora do poder há seis anos e qualquer verdade dita a um simpatizante de Jair Bolsonaro ainda é invariavelmente rebatida com um “e o PT?”, “e o Lula?”, “e a Dilma?”. Em meio a isso, a prisão, covarde, pois injusta, pois sem provas, do maior líder político vivo da América latina, pelas mãos de um juiz e procuradores corruptos, o lavajatismo a serviço do bolsonarismo, cujos objetivos eram tirar das eleições de 2018 o então líder em todas as pesquisas de opinião e alimentar o antipetismo.

Mentiras têm pernas curtas: a farsa caiu, a casa dos golpistas caiu, e o governo Bolsonaro, quatro anos depois de eleito, nada tem para mostrar que tenha beneficiado a vida de qualquer brasileiro, a não ser a do próprio nanopresidente, de seus familiares e aliados de ocasião, cujas burras nunca enchem.

Vivemos há dois anos e meio uma crise sanitária global, com distintos comportamentos em relação a seu combate ao redor do mundo. A opção do Brasil governado pelo neofascismo foi retardar a compra de vacinas enquanto tentava negociar propinas e as sórdidas mentiras de toda ordem do Hitler tupiniquim que acabaram por colaborar para o inchaço do número de óbitos, hoje em mais de 700 mil, muitos dos quais poderiam ter sido evitados, se o adorador de Ustra tivesse agido em prol do povo, em vez de ficar imitando gente morrendo por falta de ar. Tudo indica que a história se repetirá com a varíola dos macacos, infelizmente.

Por vários motivos, diversos gênios da criação artística brasileira faleceram nos últimos anos: Agnaldo Timóteo (1936-2021), Aldir Blanc (1946-2020), Cassiano (1943-2021), Dona Inah (1935-2022), Flávio Migliaccio (1934-2020), João Gilberto (1931-2019), Letieres Leite (1959-2021), Mário Luiz Thompson (1945-2021), Moraes Moreira (1947-2020), Nelson Sargento (1924-2021), Paulo Diniz (1940-2022), Paulo Gustavo (1978-2021), Rubem Fonseca (1925-2020), Sérgio Sant’Anna (1941-2020), Tarcísio Meira (1935-2021). Em nenhum caso o ocupante do Palácio do Planalto decretou luto oficial, lançou nota de pesar ou sequer publicou qualquer coisa em redes sociais, manifestando condolências a familiares e fãs-clubes.

“Que diferença faria?”, poderão me perguntar. É o simbólico que nos diferencia dos animais. E este profundo desprezo pelas artes – tidas como coisa de esquerdistas – é um dos símbolos do fascismo.

Por falar nisso, apesar de este texto se intitular “Carta aberta a parentes e amigos bolsominions”, outra categoria poderia estar no título: não perdoo artistas bolsonaristas. É uma contradição em termos. O desmonte sistemático das políticas culturais – e do próprio Ministério da Cultura – já seria motivo suficiente para que o candidato à reeleição não encontrasse apoio entre a classe. E particularmente acredito que artistas, “as antenas da raça” no dizer de Ezra Pound (1885-1972), sejam bem maiores que bobagens como “mamata da Rouanet” ou “caixa preta do BNDES”.

Falando em mamata, por que é mesmo que quem se indigna com a corrupção só se indigna com a corrupção do PT? Os governos de Lula e Dilma, além dos investimentos em órgãos de controle e fiscalização, criaram o Portal da Transparência e nunca interferiram em aparelhos como a Polícia Federal a fim de livrar quaisquer de seus quadros em investigações. Lideranças petistas foram condenadas, presas, perderam cargos. Ou seja: foram punidos por seus crimes. Resumindo: cortaram na própria carne.

Apesar do desejo de alguns, no Brasil (ainda) não existe pena de morte – quer dizer, até existe informalmente, fora da lei, para a população negra, moradores de periferias e pequenos traficantes. Então o que explica o cinismo de quem até hoje se revolta com uma tapioca comprada com cartão corporativo, mas não se revolta com os milhões torrados diariamente pelo atual mandatário da república, sob a proteção dos sigilos centenários?

Volto aos artistas: aqueles que se respeitam e nutrem respeito por seu público têm lado e assumem. E não se trata de ser petista, lulista, dilmista ou beneficiário de leis de incentivo à cultura através de renúncia fiscal. Trata-se de assumir uma postura diante da encruzilhada civilização x barbárie, autoritarismo x democracia, alegria x tristeza, humanidade x desumanidade. O Brasil é o país da alegria e grande parte dela nos é dada por artistas – imaginem o que teria sido do isolamento social sem as lives, os streamings ou quaisquer outras formas de arte e entretenimento. Como podem artistas apoiarem quem representa a tristeza e a morte? Ou, a esta altura do campeonato, aferrarem-se a uma suposta neutralidade? “Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”, já diria o Nobel da Paz Desmond Tutu (1931-2021).

Polarização existia nos tempos em que Lula e Dilma disputavam eleições contra Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e, entre outros, Geraldo Alckmin. Ora, se Alckmin entendeu a necessidade de alianças para livrar o Brasil do neofascismo e do neonazismo, qual é a sua dificuldade em entender?

Há uma barbárie em curso no Brasil, basta acompanhar o noticiário: do capoeirista Moa do Katendê (1954-2018), entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, ao campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo (1989-2022) no último fim de semana, passando pela vereadora Marielle Franco (1979-2018) e o motorista Anderson Gomes (1978-2018), o bolsonarismo mata. “Ah, mas o presidente não apertou o gatilho em nenhum destes casos”, apelará um/a bolsonarista, que deve, no entanto, acreditar na facada desferida por Adélio Bispo durante (te)at(r)o de campanha de Bolsonaro em 2018. De fato não puxou o gatilho, mas reiteradamente incentiva o ódio e a eliminação física de opositores em discursos, além de ter facilitado o porte e a posse de armas à população em geral, colaborando para o ambiente de terror e guerra civil que o Brasil, mais do que nunca, vive (ou morre?).

Qual terá sido o peso da postura de artistas contrários à ditadura militar brasileira instaurada em 1964 para o fim do regime de exceção em 1985? Obviamente é difícil calcular. Mas sua recusa em calar, que os levou a prisões, torturas, exílios, desaparecimentos e censuras, certamente colaborou para que o pesadelo acabasse. Não há clima, tempo, espaço, nem motivo para neutralidade. Goste-se ou não de Lula, do PT, ou de quaisquer nomes e partidos postos à disputa.

Não é preciso sentir dor para se indignar com a dor alheia. Não é preciso passar fome para se indignar com a fome alheia. Não é preciso ser negro para lutar contra o racismo. Não é preciso ser homossexual para lutar contra a homofobia e a violência que dela decorre. Não é preciso ser indígena para ser contra o desmatamento e o garimpo ilegais na floresta. Não é preciso ser mulher para se indignar contra os assustadoramente crescentes números de estupros e feminicídios. Basta ser humano e ter alguma empatia e alguma consciência de que o estímulo à lei da selva, por ação ou omissão, não nos serve nem nos representa.

Esta singela missiva é um último chamado à razão a parentes, amigos e artistas bolsonaristas. Errar é humano e não é vergonhoso admitir erros. Antes tarde do que nunca. Ainda é tempo de reconstruir o Brasil. Ou ao menos de não deixar terminarem de destruí-lo. Nem simpatizantes e defensores de Bolsonaro aguentariam um eventual segundo mandato deste governo da necropolítica e da destruição sistemática. Até por que, caso esta tragédia aconteça, sequer existirá Brasil. E quem diz/ia que foi enganado em 2018 não vai ter desculpa dessa vez.

São Luís/MA, 11 de agosto de 2022

Zema Ribeiro, jornalista antifascista

33 anos sem Raul Seixas serão lembrados em São Luís

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Tradicional tributo ao artista baiano será apresentado por Wilson Zara e banda dia 20 de agosto, no Estaleiro Gastrobar

O cantor Wilson Zara. Foto: divulgação

O Estaleiro Gastrobar (Rua do Trapiche, Praia Grande) será o palco do “Tributo a Raul Seixas” deste ano. Wilson Zara e banda se apresentam no próximo sábado (20), às 22h. Os ingressos, à venda no local, custam R$ 30,00

O “Tributo a Raul Seixas” é apresentado anualmente desde 1992 pelo cantor maranhense Wilson Zara, reverenciando o legado do roqueiro baiano, que completa 33 anos de falecido no próximo dia 21 de agosto.

“Raul Seixas é, sem dúvidas, um dos nomes mais importantes da música popular brasileira. Atuou em várias vertentes, compôs em vários gêneros, e a qualidade e o conteúdo de sua obra são inspiradores. Ainda lembro do impacto que me causou ouvi-lo a primeira vez e do quanto isso pesou em minha decisão de optar pela música como profissão”, revela Zara.

O repertório passeia por  todas as fases e estilos da obra de Raul Seixas, entre clássicos e lados b, desde Os Panteras – grupo com quem gravou um elepê em 1968 –, passando por “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10” – disco que dividiu com Edy Star, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio, e lhe custou o emprego na CBS –, de 1971, até o derradeiro “A panela do diabo” (1989), dividido com Marcelo Nova.

Wilson Zara (voz e violão) será acompanhado por Moisés Ferreira (guitarra), Marco Moraes (teclado), Junior Barreto (violão), Mauro Izzy (contrabaixo) e Marjone (bateria).

Serviço: Tributo a Raul Seixas, com Wilson Zara e banda. 20 de agosto (sábado), às 22h, no Estaleiro Gastrobar (Rua do Trapiche, Praia Grande). Ingressos à venda no local: R$ 30,00.

Trio Zamoma encerra turnê “Acalanto” em Açailândia

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Apresentação acontece neste sábado (23), às 20h, na Praça da Bíblia

Moisés Ferreira (guitarra), Wilson Zara (voz e violão) e Mauro Izzy (contrabaixo): o Trio Zamoma. Foto: divulgação

No próximo sábado (23), o Trio Zamoma encerra a pequena turnê “Acalanto”. O grupo formado por Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo) chega ao oitavo município de sua rota: em Açailândia o show acontecerá na Praça da Bíblia (Av. Bernardo Sayão), às 20h, com participação dos artistas Eldima Barros, Fernando Terra e da banda Abrigo de Loa, formada por Jefferson Alive (voz), Anderson Mille (guitarra), Allan Soares (baixo) e Hudson Clayton (bateria).

“Acalanto” tem patrocínio da Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão e conta, nesta última apresentação, com parcerias locais da Secretaria Municipal de Cultura de Açailândia, Luthieria Soares, Rádio Sorriso FM e Studio Toka do Abrigo. O repertório é composto por clássicos da música popular brasileira e do pop rock nacional e internacional, de nomes como Belchior, Fagner, Raul Seixas, Zé Ramalho, Beatles, Bob Dylan, Angela Ro Ro e Roberto Carlos, entre outros.

“Chegamos ao fim desta temporada com a sensação do dever cumprido. A pandemia ainda não acabou e a gente, com a crise sanitária, teve ainda mais certeza da centralidade da cultura em nossas vidas; a música e outras formas de expressão artística têm nos ajudado a atravessar esse momento difícil. E mesmo que ainda não tenha acabado completamente, é muito bom poder reencontrar o público, com todos os cuidados que a situação exige, e também com artistas de cada cidade por onde passamos, nesse diálogo sempre interessante e estimulante, de muitas trocas e aprendizados”, comenta o cantor Wilson Zara.

Para Allan Soares, produtor local do evento, “o “Acalanto” é de grande importância cultural para o município de Açailândia. Temos acompanhado os municípios por onde o projeto tem passado e ficamos agradecidos por nossa cidade ter sido incluída na rota”, afirma.

“O projeto “Acalanto” circula por diversas cidades e Açailândia foi contemplada. A caravana apresenta um show musical para os amantes da boa música, com o grande artista Wilson Zara, cantor e músico de grande importância para a cultura do nosso estado. A Secretaria de Cultura agradece imensamente aos produtores do projeto por escolher nossa cidade como destino dessa turnê. Para nós é um privilégio receber tal espetáculo musical”, agradece o Secretário Municipal de Cultura de Açailândia Xico Cruz.

Gratuidade – Como todas as apresentações realizadas até aqui, a população também poderá desfrutar do show de forma gratuita em Açailândia – o encerramento da temporada acontece dia 23 de julho (sábado), às 20h, na Praça da Bíblia. Antes, o show “Acalanto”, do Trio Zamoma, foi apresentado nos municípios de Caxias (20 de maio), Lago da Pedra (3 de junho), Pedreiras (4 de junho), Governador Eugênio Barros (Vila Socorro, 1º. de julho), Barra do Corda (2 de julho), Grajaú (15 de julho) e Montes Altos (17 de julho).

Serviço

O quê: show de encerramento da turnê “Acalanto”
Quem: Trio Zamoma (Wilson Zara, Moisés Ferreira e Mauro Izzy). Participações: Eldima Barros, Fernando Terra e banda Abrigo de Loa
Quando: sábado (23), às 20h
Onde: Praça da Bíblia (Av. Bernardo Sayão, Açailândia/MA)
Quanto: grátis
Patrocínio: Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão
Parcerias: Secretaria Municipal de Cultura de Açailândia, Luthieria Soares, Rádio Sorriso FM e Studio Toka do Abrigo
Informações: no instagram @wilsonzarazara ou facebook @trilhasetons

“Acalanto” chega a Vila Socorro e Barra do Corda este fim de semana

Apresentações gratuitas do Trio Zamoma acontecem sexta (1º.) e sábado (2)

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Moisés Ferreira, Wilson Zara e Mauro Izzy, o Trio Zamoma. Foto: divulgação

Vila Socorro, no município de Governador Eugênio Barros, recebe nesta sexta-feira (1º.), às 20h, o show “Acalanto”, do Trio Zamoma, formado por Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo). O evento contará com a presença do poeta Salgado Maranhão, filho ilustre do lugar, que lança, na ocasião, seu 15º. volume de poemas, o livro “Pedra de encantaria”. Na mesma noite haverá ainda o lançamento do filme “Rio Itapecuru, a revolta de D. Zefa”, do cineasta Josimar Gonçalves, também natural de Vila Socorro.

“A parceria com o Zara começou de forma inusitada: há quase 10 anos ele foi convidado para participar de uma outra homenagem que me fizeram e ele mandou super bem de cover do Raul Seixas numa noite memorável. Daí surgiu uma amizade e admiração que só se fortalecem”, relembra Salgado Maranhão.

Parceiro de nomes como Elton Medeiros, Gereba, Ivan Lins, Moacyr Luz, Paulinho da Viola, Rosa Passos e Zé Américo Bastos, entre outros, Salgado Maranhão tem sua “Caminhos de sol” (parceria com Herman Torres), sucesso de Zizi Possi, no repertório de “Acalanto”. Em Vila Socorro a apresentação acontecerá na Praça Central.

A turnê “Acalanto” tem patrocínio da Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, e tem levado a diversos municípios do interior maranhense um repertório de clássicos da música popular brasileira e do pop rock nacional e internacional, sempre dialogando com manifestações culturais locais.

“Muitos eugenio-barrenses já conhecem a arte do cantor Wilson Zara. Temos um carinho muito especial por ele e este projeto é de grande relevância para o Maranhão, por possibilitar a diversas comunidades apreciar música de qualidade. Esse show certamente irá proporcionar momentos muito agradáveis em Vila Socorro”, aposta a relações públicas Heracília Oliveira, que está na organização local do evento.

No dia 2 (sábado), “Acalanto” chega a Barra do Corda. O show acontece na Praça Melo Uchoa, Centro, às 20h. “Este projeto foi idealizado no momento da pandemia e foi desenvolvido para levar uma música mais tranquila, mais suave, para que chegasse às pessoas num momento tão difícil. É muito importante para nossa cidade receber um evento como esse”, afirma o músico Cabral Marán, guitarrista da banda Engenheiros Urbanos.

A apresentação do Trio Zamoma em Barra do Corda terá um sabor todo especial, pois marca o reencontro do cantor Wilson Zara com o público de sua cidade natal.

Serviço

O quê: shows da turnê “Acalanto”
Quem: Trio Zamoma – Wilson Zara (voz e violão), Moisés Ferreira (guitarra) e Mauro Izzy (contrabaixo)
Quando/onde: dia 1º (sexta), às 20h, na Praça Central em Vila Socorro (Governador Eugênio Barros); e dia 2 (sábado), no mesmo horário, na Praça Melo Uchoa, em Barra do Corda
Quanto: grátis
Informações: no instagram @wilsonzarazara ou facebook @trilhasetons
Patrocínio: Potiguar e Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão

TV Guará veiculará Tributo a Raul Seixas nesta sexta-feira (22)

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Live de Wilson Zara e banda teve transmissão em dezembro pelo youtube e redes sociais

Tributo a Raul Seixas. Frames. Reprodução

Para deleite do fã clube raulseixista, em 2020 o Maluco Beleza não deixou de receber sua homenagem, com o tributo anual que Wilson Zara tradicionalmente lhe presta. Apesar de 2020 entrar pra história como o ano em que a Terra parou, aumentando a profecia do roqueiro baiano, um show em formato live, realizado e transmitido ao vivo a partir dos estúdios da TV Guará saciou a sede daqueles que sempre ousam gritar “toca Raul!”.

Em quase três horas de live, veiculada pelo canal da TV Guará no youtube e pelas redes sociais do cantor, Wilson Zara passeou pelas diversas fases da curta mas profícua carreira de Raulzito, que nasceu em 28 de junho de 1945 e faleceu, em decorrência de pancreatite, em 21 de agosto de 1989 – dois dias antes, lançara “A panela do diabo”, seu último disco, dividido com Marcelo Nova (vocalista, guitarrista e compositor da banda Camisa de Vênus), com quem fez também sua última turnê pelo Brasil.

Na ocasião, Wilson Zara (voz e violão), se fez acompanhar de Moisés Profeta (guitarra e efeitos), Mauro Izzy (contrabaixo), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais). No repertório, clássicos de Raul Seixas, a exemplo de “Cowboy fora da lei”, “Medo da chuva”, “Sapato 36”, “Tu és o MDC da minha vida”, “Sessão das 10” e “O dia em que a Terra parou”, entre muitos outros.

Patrocinada com recursos da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, administrados pela Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), a live teve apresentação de Danilo Quixaba, que, em meio ao repertório, bateu um papo descontraído com Wilson Zara, destacando aspectos da vida e obra de Raul Seixas.

O público, acostumado, nos últimos anos, a lotar praças públicas por onde Zara apresentou o tributo, este ano teve que se contentar com a apresentação em formato online. “Fiquei muito satisfeito com o engajamento do público. O vídeo foi muito visualizado, curtido, compartilhado, comentado, o que fez a gente se sentir diante de uma praça cheia, mesmo sem poder ouvir os aplausos”, comentou Wilson Zara.

Serviço – O Tributo a Raul Seixas será veiculado nesta sexta-feira (22), às 22h30, pela TV Guará (canal 23.1 na tevê aberta; 21 na TVN; 323 na Sky HD; e 23 na Net).

Assista à íntegra do Tributo a Raul Seixas no youtube:

Raul Seixas terá tributo no ano em que a Terra parou

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Cantor Wilson Zara realizará show em homenagem ao artista baiano em formato live, no próximo dia 15

Divulgação

Era uma vez um baiano que acabou ganhando o apelido de Maluco Beleza, por conta do título de um de seus inúmeros clássicos. Esse roqueiro, fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, previu “O dia em que a Terra parou”, canção que dá nome a seu álbum lançado em 1977.

Raul Seixas (1945-1989) não viveu para ver a pandemia de covid-19 fazer o planeta parar, não por um dia, mas por quase um ano. 2020 foi o ano em que ninguém pode dizer que não cumpriu a lista de resoluções de ano novo por pura falta de vontade. Muitos planos, quase todos, tiveram que ser adiados.

Foi assim também com o já tradicional “Tributo a Raul Seixas”, show anual realizado pelo cantor maranhense Wilson Zara, que desde 1992, quando estreou “A hora do trem passar”, em Imperatriz/MA, presta-lhe as devidas homenagens, sempre por volta da data de seu aniversário de falecimento, em 21 de agosto.

Mas o Tributo vai acontecer, se não nos moldes a que os fãs-clubes – de Raul Seixas e Wilson Zara – estão acostumados, do jeito que o ano e a pandemia permitem: no próximo dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, em uma live transmitida a partir dos estúdios da TV Guará, raulseixistas de toda parte – graças à transmissão pela internet – poderão acompanhar o desfile de clássicos e lados b, num longo passeio pela vasta obra de Raulzito.

Além de músicas já citadas ao longo deste texto, Wilson Zara e banda – Mauro Izzy (contrabaixo), Moisés Profeta (guitarra), Marjone (bateria), Dicy e Heline (vocais) – passearão por repertório que inclui “Ouro de tolo”, “A maçã”, “Sessão das 10”, “Rockixe”, “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, “Meu amigo Pedro”, “Gitâ”, “Sociedade alternativa” e “Cowboy fora da lei”, entre muitas outras. Um show que certamente vai deixar satisfeitos todos os que gritam “toca Raul!”.

Serviço – Realização da Zarpa Produções, o “Tributo a Raul Seixas” tem patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (Secma), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. A transmissão da live acontece dia 15 de dezembro (terça-feira), às 19h, a partir dos estúdios da TV Guará, pelo site da emissora, além de seus perfis no youtube e instagram, e pelo perfil de Wilson Zara no facebook. A TV Guará apresentará o show em sua programação em data a ser confirmada posteriormente.

Leia Raul!

Raul Seixas: não diga que a canção está perdida. Capa. Reprodução
Raul Seixas: não diga que a canção está perdida. Capa. Reprodução

 

Parafraseando Belchior, o outro biografado de Jotabê Medeiros, não espere que eu lhe faça uma resenha como se deve. Ora, o autor de Raul Seixas: não diga que a canção está perdida [Todavia, 2019, 413 p.; R$ 69,90] é meu amigo pessoal, colega de Farofafá e não raro repito: meu maior professor de jornalismo fora da sala de aula.

Talvez isto devesse me afastar da tarefa de comentar seu livro. Mas não seria justo, tampouco honesto. O livro acaba por marcar, por assim dizer, o encontro de dois heróis meus, um no jornalismo e um na música. O elepê Maluco beleza, uma coletânea de hits daquele que acabou rebatizado pela faixa-título, foi um dos primeiros vinis de minha coleção (que o advento do cd acabou por fazer se perder no tempo) e ainda lembro de quando comprei Gita [1974] numa promoção da saudosa Lobras, com vinis vendidos a preços mais baratos justo por conta da popularização das bolachinhas lidas a laser.

Acompanhei as agruras, perrengues, negociações, bastidores, enfim, da escrita de Jotabê das biografias do cearense Belchior e do baiano Raul Seixas, tendo o privilégio de ser dos primeiros a saber que o jornalista se movimentava em seus por vezes pantanosos terrenos, mas perdendo o furo em nome da amizade.

Acompanhei o linchamento virtual de que Jotabê Medeiros foi alvo pouco antes do lançamento de seu novo livro, em novembro passado. Gente que sequer tinha lido a obra (pois ainda não havia sido lançada, frise-se) e passou a atacar o biógrafo por uma suposta acusação de dedo-durismo do biografado em relação ao escritor Paulo Coelho, seu mais famoso parceiro musical.

Demorei a mergulhar na leitura de Raul Seixas: não diga que a canção está perdida por saber, antecipadamente, tratar-se de livro que mereceria a atenção que eu queria dar em tempo quase integral, no que foi bem vinda a quarentena diante da ameaça mundial do coronavírus, pelo que a profecia do cantor e compositor tem sido sempre lembrada e O dia em que a terra parou quase alçada à condição de clichê.

Poderia dizer que Jotabê Medeiros reinventou, em seus dois livros do gênero, a escrita de biografias. Seus mais de 30 anos de jornalismo cultural – com foco na crítica musical – garantem um profundo mergulho na pesquisa e nas entrevistas com fontes, a checagem a que o simplificador control c control v nos desacostumou como leitores e não raro mesmo como jornalistas – há exceções, é claro, e o jornalista-escritor é uma delas.

Mas a reinvenção da escrita de biografias não se dá por isso, o que deveria ser obrigação de qualquer jornalista, escreva ele uma biografia de mais de 400 páginas ou uma resenha, como tento aqui, ou uma nota ou o que quer que seja. Se dá pelo fato de Jotabê Medeiros, com sua habitual escrita elegante, buscar equilibrar vida e obra, através da narrativa dos fatos daquela e da análise desta; sobre a primeira, não emite juízos de valor; sobre a segunda, pode eventualmente apontar desníveis onde o fã-clube enxerga apenas perfeição.

Se Roberto Piva, outro personagem cultural da predileção de Jotabê Medeiros, dizia que não existe poesia experimental sem vida experimental, e a vida de Raul Seixas foi marcada pela brevidade (morreu aos 44 anos, vítima de pancreatite decorrente do abuso de drogas lícitas e ilícitas) e intensidade – deixou obra fecunda, a provar o que quero dizer aqui e o autor demonstra, tanto biografando Raul quanto Belchior: uma e outra se cruzam, em seus altos e baixos.

Guardadas as devidas proporções, Jotabê Medeiros sabia dos riscos que correria ao encarar o fã-clube mais chato do Brasil (expressão que usei quando eu e Suzana Santos o entrevistamos para o Radioletra, na Rádio Timbira, e negada por ele): qual um Philippe Petit ao realizar sua façanha-obra de arte, o autor não recuou diante de temas mais espinhosos, no entanto sem correr outros riscos: ele nunca é deselegante ou sensacionalista em nome de “vender a porra do livro”, como acusou-o numa rede social o autor de O alquimista.

Existem por aí muitos livros escritos sobre Raul Seixas, fora e dentro da academia. Boa parte escorada na suposta perfeição do mito (aqui na acepção real do termo, é preciso explicar nestes tempos) construído em torno do raulseixismo. Quem já assistiu a pelo menos um dos tributos anuais apresentados pelo cantor Wilson Zara em São Luís – a série teve início em Imperatriz, em 1992 – sabe do que estou falando: gente fantasiada, envergando camisas com a efígie do astro ou bandeiras com o símbolo da Sociedade alternativa, louvando acriticamente seu legado (embora o momento seja de festa e a culpa não seja de quem presta a homenagem, realizada sempre em torno do aniversário de falecimento do ídolo).

Um dos méritos da biografia de Raul Seixas escrita por Jotabê Medeiros é mergulhar num ponto quase sempre esquecido de sua trajetória: seu lado hitmaker de brega, que acabou por inventar um estilo até hoje copiado. Não basta lembrarmos de faixas como Tu és o MDC da minha vida, Você ou Sessão das 10, a faixa-quase-título do hoje clássico Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10, de 1971, o segundo disco em que Raul Seixas aparece cantando – após a estreia com Raulzito e Os Panteras [1969] – dividido com Edy Star, Miriam Batucada e Sérgio Sampaio.

É preciso dar os devidos créditos a hits absolutos, até hoje tocados em rádios Brasil afora: Ainda queima a esperança, sucesso de Diana, Doce doce amor, de Jerry Adriani, e Se ainda existe amor, de Balthazar: todos são composições de Raul Seixas – que à época assinava Raulzito (“Raul Seixas e Raulzito sempre foram o mesmo homem”, como cantou em As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor).

Jotabê Medeiros mergulha também no lado produtor do biografado: é importante conhecer o trabalho de Raul Seixas, antes da fama, em estúdios e gravadoras, que viria a ajudar a forjar sua identidade musical, levando-lhe a discos ou shows de Leno (da dupla com Lilian Knapp), Jerry Adriani e Odair José (todas as guitarras de seu primeiro disco são tocadas por… Raul Seixas).

Não hesita o autor em apontar também apropriações indébitas do ídolo, fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, cujo cruzamento explica um bom bocado de sua obra. O livro coloca também em seu devido lugar as relações de Raul Seixas com nomes como Sérgio Sampaio (Raul produziu e assinou arranjos em Eu quero é botar meu bloco na rua, estreia solo de Sampaio, de 1973, que fechava com a vinheta Raulzito Seixas, homenagem do capixaba ao baiano), Cláudio Roberto (parceiro em Maluco beleza e numa pá de composições, O dia em que a terra parou, de 1977, é integralmente assinado pela dupla), Jards Macalé (Raul participou do show coletivo Banquete dos mendigos, posteriormente lançado em elepê, produzido por Macalé no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para celebrar os 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos) e Marcelo Nova (não raro tido como oportunista, mas que acabou reerguendo Raul, dividindo uma série de shows antes da gravação do álbum derradeiro, A panela do diabo, de 1989, ano em que Raul viria a falecer, dois dias após o lançamento do disco), entre outros.

Não afeito a fofocas, Jotabê Medeiros não se furta de tocar em lendas criadas por Raul Seixas, como seu suposto encontro nos Estados Unidos com o beatle John Lennon ou o dia em que comeu lixo com um mendigo em Nova York (episódio cantado em Banquete de lixo), bem como as apresentações do roqueiro no garimpo em Serra Pelada, e a não decomposição do cadáver do artista – provavelmente em decorrência do consumo excessivo de antibióticos em vida –, percebida mais de 20 anos depois de seu falecimento, quando a família tentou transferir os restos mortais para uma urna.

Raul Seixas ganha uma biografia à altura do gênio que foi. Sem entregar o ouro (de tolo) ao bandido, Jotabê Medeiros revela, na introdução, a chave (de leitura e) de seu êxito na missão: “todo o meu esforço foi contar uma história, articular uma coreografia escorada no maravilhoso acervo de canções & riffs dessa figura já lendária, contraditória e deflagradora da cultura brasileira. Não me preocupei em lustrar a lenda, porque essa já é do tamanho da eternidade”.

Alexandra Nicolas trouxe troféu Gonzagão ao Maranhão

A cantora maranhense Alexandra Nicolas foi agraciada com o Troféu Gonzagão, considerado o Oscar do Forró. A artista levou o prêmio na categoria Revelação da Música Nordestina.

Alexandra atualmente integra o Fórum Nacional do Forró, lançou ano passado seu segundo disco de carreira, Feita na pimenta, inteiramente dedicado aos gêneros abrigados sob o guarda-chuva do forró: coco, baião, xote, xaxado, chamego, entre outros.

A premiação aconteceu no último dia 21 de agosto, em Campina Grande/PB. Sobre o feito, ela conversou com exclusividade com Homem de vícios antigos.

Alexandra Nicolas se apresenta durante o Troféu Gonzagão. Foto: divulgação
Alexandra Nicolas se apresenta durante o Troféu Gonzagão. Foto: divulgação

Alexandra, ano passado você esteve no Troféu Gonzagão, considerado o Oscar da Música Nordestina Este ano volta na condição de homenageada. Como você recebeu o convite e qual a sensação?
Na hora que eu recebi o convite eu chorei muito e a sensação era que acima de tudo isso havia um amor muito maior e uma convicção de estar no caminho certo, uma sensação de gratidão e de certeza diante da verdade que eu acredito.

Sua entrada no universo do forró se deu de forma avassaladora. Você dedicou o segundo disco ao gênero e vem colhendo o merecido reconhecimento, de algum modo coroado com a premiação desta quarta-feira [21], em Campina Grande. O que você pretende para o futuro?
Agora mais do que nunca continuar trilhando o mesmo caminho. Quando se tem reconhecimento, o trabalho é dobrado e a responsabilidade com a causa só aumenta. Também compreendi que alinhar o que eu faço com as crianças é uma missão que me toma com um amor profundo e reitero que pra mim, não basta só cantar, é preciso fazer a nova geração ter orgulho de ser nordestino, uma região rica, musical, colorida e multicultural e com criança é assim, eles são os mais puros e apaixonados que podemos ter, e plantar essa semente cedo só reforça as grandes possibilidade de termos mais nordestinos extraordinários.

Neste ano celebra-se o centenário de Jackson do Pandeiro e você trabalhou em projetos para homenageá-lo. Qual a importância dele para sua trajetória?
Toda! Quando ouvi Jackson pela primeira vez eu fui ao delírio, principalmente pela habilidade sagaz na divisão no seu canto, pela irreverência e astúcia de cantar a rima, a malemolência e a brejeirice me tomaram quando o vi na televisão pela primeira vez. A partir daquele momento ele se tornou um desafio, queria saber fazer o que ele fazia, queria cantar como ele cantava, virou uma referência e um objeto de estudo. Mergulhei nas suas canções e nos seus vídeos e mais na sua biografia e visitei a cidade onde ele nasceu e a cidade onde ele cresceu. Achei tão interessante sua história de vida que fiz um projeto para as escolas e foi aceito e quando vi mais de cem crianças cantando a Cantiga do sapo [de Jackson do Pandeiro e Buco do Pandeiro] em uníssono, tinha a certeza que tinha feito um belíssimo trabalho.

Nos bastidores do Troféu Gonzagão,trocando tietagem com Genival Lacerda. Acervo pessoal de Alexandra Nicolas
Nos bastidores do Troféu Gonzagão,trocando tietagem com Genival Lacerda. Acervo pessoal de Alexandra Nicolas

Também em 2019 completam-se os 30 anos do falecimento de Luiz Gonzaga, outro pilar da música nordestina, o primeiro artista pop desta região do país. Qual a importância de Gonzagão e que outros nomes da música nordestina você poderia destacar entre suas principais referências?
Gonzaga me ensinou a louvar o Nordeste, a agradecer e contemplar tudo que ele tem. A comemorar as coisas simples e as mais belas. A chorar de alegria e a fazer das tristezas aprendizado. Outras referências que eu tenho são a Marinês, pela força do seu canto, a Elba Ramalho, pelo bailado e alegria com a qual interpreta os grandes compositores. E minha maior inspiração de força é o nosso João do Vale. Meu próximo trabalho irei dedicar todo a sua obra, que já ganhei material de sobra pra continuar os estudos

Outra coincidência: outro nordestino que completa 30 anos de falecido, justamente neste 21 de agosto em que você recebe a homenagem, é Raul Seixas, em cuja obra fica demonstrada a fusão do rock de Elvis Presley com o baião de Luiz Gonzaga, seus maiores ídolos. Você tem alguma proximidade com a obra de Raul?
Claro, qualquer cantora que se preze se não ouviu Raul ainda não pode se considerar cantora. Raul é a maior referência de irreverência nesse país, alguém que foi pra além das fronteiras do baião, se é que isso existe, mais ele foi além.

Você integra o Fórum Nacional do Forró, que está buscando a titulação do forró como patrimônio cultural imaterial brasileiro. A quantas está o processo? Você acredita que essa premiação colabora para o avanço desse reconhecimento?
Estamos no início da pesquisa e temos até 2020 pra fazer o forró virar patrimônio. Temos ainda muito chão pela frente, diversos estados envolvidos e catalogar tudo será um desafio grande. O Troféu Gonzagão é a maior premiação da música nordestina e com certeza vem a coroar nossa música com toda nobreza que ela carrega. E o Maranhão está presente nesta premiação só reforça que aqui também tem música nordestina de qualidade.

Fale um pouco mais sobre a noite do Troféu Gonzagão.
Mais de 175 artistas que fazem a música nordestina registrados no evento. Essa premiação faz parte de um amor muito maior, o prazer de fazer o que se ama, a entrega ao gênero, assumir e reverenciar minhas origens. Cantar o Hino Nacional com arranjo de forró é avassalador, o coração transborda. Essa festa é puro reconhecimento disso, a gente se encontra, se afina, se entrega e se recicla, troca música, se admira e se refaz. Agradeci o prêmio cantando João do Vale. E fiz no palco o que eu fiz com as crianças, coloquei quase mil adultos pra cantar o refrão da Cantiga do sapo comigo.

Servicinhos

Três releases de três eventos assessorados pela parceira Vanessa Serra com este que vos perturba. Para você que acha que nada acontece em São Luís ou que reclama que quando fica sabendo já aconteceu ou que acha que o blogueiro anda distante deste terreninho, onde já é possível ver o capim verdejar. Como dizemos este que vos perturba e a companheira de bancada Gisa Franco, na Agenda Cultural do Balaio Cultural, na Rádio Timbira (que completou 77 anos ontem, 15): “para você não ficar perdido”.

SABOR DE BIS

Após sucesso do Circuito Barreirinhas, é grande a expectativa para a continuação do 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival em São Luís, este fim de semana

O sucesso de público do circuito Barreirinhas – mais de 6 mil pessoas ao longo dos três dias de programação (tenha uma ideia de como foi aqui, aqui e aqui) – celebrou à altura a marca de 10 edições do Lençóis Jazz e Blues Festival. Quem esteve na Avenida Beira-Rio, onde o palco foi armado, pode presenciar um desfile de talentos e shows emocionantes, além da exposição fotográfica comemorativa (vista por mais de 600 pessoas), que traça um rico painel dos artistas que já passaram pelo palco do festival – e que também poderá ser conferida em São Luís, este fim de semana (dias 17 e 18 de agosto).

É quando acontece o Circuito São Luís, que terá como palco a Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen), além do Palco Mundo, montado na área externa da concha. Uma vasta programação promete agitar a sexta (17) e o sábado (18) da capital maranhense. Não faltam motivos para comemorar.

Atrações – Além das 10 edições do festival idealizado e produzido por Tutuca Viana, por exemplo, o público poderá cantar o “parabéns a você” a João Donato, um dos papas da bossa-nova. O acriano radicado no Rio de Janeiro completa 84 anos de idade exatamente no dia em que toca no Lençóis Jazz e Blues Festival: o pianista é uma das atrações da primeira noite, na sexta-feira (17), ocasião em que se apresentam ainda o gaitista brasiliense Gabriel Grossi e a cantora carioca Taryn Szpilman.

As apresentações do palco principal começam às 20h15. O Palco Mundo antecede-o, com início às 18h. Na sexta-feira (17), quem abre a programação é o bandolinista e cavaquinhista maranhense Wendell Cosme, que apresentará seu projeto “Ritmos e Sons”. Na sequência, também no Palco Mundo, se apresenta o grupo Norjazztinos, formado por Henrique Duailibe (teclado), Nataniel Assunção (bateria), Edinho Bastos (guitarra) e Davi Oliveira (contrabaixo). A programação deste palco paralelo volta após o encerramento dos shows do palco principal, às 23h30, com o blues de Dário Ribeiro, seguido do projeto Movimento Cidade, com os djs Neiva e Félix.

Entorno – Além do Palco Mundo, o entorno da praça também movimentará a exposição fotográfica comemorativa dos 10 anos do Lençóis Jazz e Blues Festival, a Feira da Lagoa, com exposição e comercialização de artesanato produzido no Maranhão, e a Feira Gourmet, com a presença de várias lanchonetes da capital maranhense, colocando um cardápio variado à disposição do público.

O Quarteto Crivador. Foto: divulgação

Sábado – A segunda noite ludovicense do festival terá como atrações, no Palco Mundo, antes dos shows do palco principal, a partir das 18h, o Quarteto Crivador – formado por Marquinhos Carcará (percussão), Rui Mário (sanfona), Wendell de la Salles (bandolim) e Júnior Maranhão (ex-Luiz Jr., violão sete cordas) – e o violonista piauiense Josué Costa. E fechando a noite, o blues de Daniel Lobo, seguido, novamente, dos djs do projeto Movimento Cidade.

Em meio a tudo isso, o palco principal apresenta, a partir das 20h15, os gaúchos Pedro Figueiredo e Samuca do Acordeon, seguidos por Hamilton de Holanda e o “Baile do Flashback”, de Ed Motta.

Formação – Marca dos 10 anos de Lençóis Jazz e Blues Festival é a preocupação com o caráter formativo do evento. 140 pessoas passaram, nesta edição, pelas oficinas oferecidas em Barreirinhas. Em São Luís serão realizadas duas oficinas e uma palestra. Na sexta-feira (17), das 9h às 12h, na Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Emem), o acordeonista Samuca do Acordeon ministra a oficina “GPS da Roda de Choro”; também na sexta-feira, das 15h às 18h, no mesmo local, é a vez do flautista e saxofonista Pedro Figueiredo ministrar a oficina “’Tecniquês’ para músicos – técnicas de sonorização e gravação de instrumentos e voz”. As inscrições podem ser realizadas pelo site do festival – endereço em que também pode ser acessada sua programação completa, inteiramente gratuita – recomenda-se a quem quiser, a doação de alimentos não perecíveis, cuja arrecadação será revertida em favor da Creche Caminhando com Cristo, do Parque Jair.

Extra – No dia 23 (quinta-feira), às 16h, acontecerá a palestra “Música e deficiência visual: dificuldades e superações”, ministrada pelo pianista, arranjador, compositor, cantor e publicitário Henrique Duailibe. A palestra será realizada no auditório da Uemanet, no Campus da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Realização de Tutuca Viana Produções, o 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival tem patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, e do Banco do Nordeste e Potiguar, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e apoio de Sesc, Prefeituras de São Luís e Barreirinhas, Fiema/Sesi, Sebrae, FotoSombra, Tory Brindes e Clara Comunicação.

Serviço

O quê: 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival – Circuito São Luís
Quem: várias atrações, no Palco Principal e Palco Mundo
Quando: dias 17 e 18 de agosto (sexta e sábado), às 18h
Onde: Concha Acústica Reinaldo Faray (Lagoa da Jansen) e área do entorno
Quanto: grátis
Patrocínio: Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, e Banco do Nordeste e Potiguar, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet)

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JUVENTUDE E “ESTÉTICA DIFERENTE” MARCAM PRÓXIMA EDIÇÃO DE RICOCHORO COMVIDA NA PRAÇA

Segunda edição da temporada 2018 acontece dia 25 de agosto (sábado), às 19h, na Praça da Igreja do Desterro (Centro histórico), com o dj Joaquim Zion, Mano’s Trio e Ivan Sacerdote

Após o sucesso da edição inaugural, são grandes as expectativas para a segunda edição da temporada 2018 do projeto RicoChoro ComVida na Praça, que acontece dia 25 de agosto (sábado), na Praça da Igreja do Desterro (Centro histórico).

O que já é bonito vai ficar ainda mais. Estamos falando, é claro, do cartão postal da secular igreja, que ganhará por uma noite, além da moldura de paralelepípedos e azulejos, a moldura musical de um verdadeiro desfile de talentos, uma constelação de craques das notas musicais.

O dj Joaquim Zion. Foto: divulgação

A noite começa com o dj Joaquim Zion, nome quase sempre vinculado à cena reggae, mas também profundo conhecedor de música brasileira, sobretudo das raízes negras que ajudaram a fundar e consolidar a riqueza da tradição de nossa música popular. Esta vertente é parte do que ele pretende mostrar, a partir de sua coleção de vinis, durante sua apresentação.

O Mano’s Trio. Foto: StudioA (Taciano Brito e Carolina Jordão)

O grupo anfitrião da noite é o Mano’s Trio, formado pelos jovens Wesley Sousa (teclado), Mano Lopes (violão sete cordas e voz) e Fofo Black (bateria), cujos talentos são inversamente proporcionais à média de idade do trio.

O grupo promete um passeio pelo Choro e pelo cancioneiro popular brasileiro, com destaque, no repertório, para nomes como Chico Buarque, Edu Lobo, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, com espaço também para composições autorais – temas instrumentais de autoria de Mano Lopes. Quem também comparecerá ao repertório é o jovem compositor amazonense Stênio Marcius, de quem Mano Lopes cantará o samba-choro Máscaras no chão.

Lopes antecipa que “o grupo vai fazer show de choro tradicional, mas com uma estética diferente, com teclado, bateria e violão sete cordas”, em perfeita sintonia com os propósitos do projeto RicoChoro ComVida na Praça, de estimular diálogos e atritos.

O Mano’s Trio terá como convidado o clarinetista baiano Ivan Sacerdote, um dos grandes nomes de seu instrumento no Brasil. Clarinetista, compositor e arranjador, Sacerdote é bacharel em clarinete pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Mestre em Música (Criação e Interpretação) pela mesma instituição, e já tocou com nomes como Armandinho Macedo, Gabriel Grossi, Hermeto Pascoal, Nailor Proveta, Paulinho da Viola, Rosa Passos e Seu Jorge, entre outros.

O clarinetista baiano promete um passeio pelo Choro em diálogo com outros estilos musicais, “uma outra roupagem para um repertório mais clássico”, além de “uma homenagem a João do Vale”.

Sacerdote foi premiado no II Concurso “Devon & Burgani” Jovens Clarinetistas Brasileiros, em 2015, desde quando a marca o patrocina. Seu disco solo de estreia, Aroeira, completamente autoral, sai este ano – durante sua apresentação o público ludovicense poderá conferir uma das músicas do cd.

Fórum – Em sua passagem por São Luís, Ivan Sacerdote participa ainda, na véspera de sua apresentação no projeto RicoChoro ComVida, do “1º. Fórum Interinstitucional de Música: Produção Cultural em Música no Maranhão”, realizado em parceria pelas Universidades Estadual (UEMA) e Federal do Maranhão (UFMA).

O projeto RicoChoro ComVida na Praça é parceiro do evento. Ivan Sacerdote ministrará oficina de clarinete, dia 24, às 18h. Entre os palestrantes do evento estão o professor mestre Ricarte Almeida Santos (IEMA), produtor de RicoChoro ComVida na Praça, o professor mestre Wanderson Silva (do Conselho Estadual de Cultura) e o produtor cultural Tutuca Viana, que participarão de uma mesa redonda mediada pelo professor mestre Daniel Lemos (UFMA/ UEMA/ Unirio/ Fapema), também no dia 24, às 15h. O Fórum acontece no Auditório da Uemanet, no Campus Universitário Paulo VI.

Acessibilidade — Todas as edições de RicoChoro ComVida na Praça garantem a presença confortável de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O projeto itinerante conta com banheiros acessíveis, assentos preferenciais com sinalização, audiodescrição e tradução simultânea em libras.

RicoChoro ComVida na Praça é uma realização de Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais, com patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.

Serviço

O quê: segunda edição da temporada 2018 do projeto RicoChoro ComVida na Praça
Quem: dj Joaquim Zion, Mano’s Trio e Ivan Sacerdote
Quando: dia 25 de agosto (sábado), às 19h
Onde: Praça da Igreja do Desterro (Centro histórico)
Quanto: grátis
Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão

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“TOCA RAUL!”

Contra o sistema e a crise, cantor Wilson Zara mantém tradição e realiza show anual em homenagem a Raul Seixas

Divulgação

Com uma carreira relativamente curta, precocemente encerrada pela morte aos 44 anos, em 1989, Raul Seixas mantém a fidelidade e preferência do público. “Toca Raul!”, dos gritos mais ouvidos pelos bares e bailes da vida, além da devoção que revela, já virou piada e meme e segue mostrando a força e a atualidade do roqueiro baiano.

“Raul, sempre vivo na luta contra o sistema” é o título escolhido pelo cantor Wilson Zara para o Tributo a Raul Seixas deste ano. O nome do show alude ao conturbado momento político por que passa o Brasil e à dificuldade em realizar o espetáculo diante da conjuntura de crise – há alguns anos o show era realizado em praça pública, de graça, e este ano teve que voltar aos moldes iniciais, com a cobrança de ingresso para cobrir os custos de sua realização.

Wilson Zara e Raul Seixas têm uma forte ligação desde que o primeiro ouviu o segundo pela primeira vez. A verdade contida nas letras de Raul e a força com que estas verdades eram ditas foram cruciais para que Zara tomasse a decisão de abandonar o estável emprego de bancário e ir viver de música.

“Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”, bradava o baiano em Ouro de tolo, petardo de 1973 que, de tão forte e atual, parece ter sido escrita ontem.

Desde 1992 Wilson Zara realiza, anualmente, um show em homenagem ao ídolo baiano, que era fã de Elvis Presley e Luiz Gonzaga, e cuja música dialoga diretamente com os universos do rock’n roll – pelo que acabou se tornando mais conhecido – e do baião. O primeiro Tributo a Raul Seixas teve como título A hora do trem passar, de um dos clássicos do repertório do artista, e foi apresentado em Imperatriz, cidade em que Zara então morava.

Este ano o Tributo a Raul Seixas será apresentado no Fanzine (Praça Manoel Beckman, Av. Beira-Mar, Centro). Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos no local. Wilson Zara (voz e violão) será acompanhado por Moisés Ferreira (guitarra e efeitos), Marjone (bateria), Mauro Izzy (contrabaixo) e Dicy (vocal).

No repertório, clássicos do repertório do Maluco Beleza, como Eu nasci há 10 mil anos atrás, Gitâ, Rockixe, As minas do Rei Salomão, Eu também vou reclamar, Sociedade Alternativa, How could I know?, Sessão das 10 e SOS, entre muitas outras. Quem gritar “Toca Raul!” certamente terá seu pedido atendido.

Serviço

O quê: Tributo a Raul Seixas – 2018
Quem: Wilson Zara e banda
Quando: dia 25 de agosto (sábado), às 21h
Onde: Fanzine (Praça Manoel Beckman, Av. Beira-Mar, Centro)
Quanto: R$ 20,00 (à venda no local)