Danilo Caymmi volta à São Luís para encerrar temporada de homenagens ao pai

[release]

Filho de Dorival Caymmi, músico se apresentou na capital em agosto passado. Show acontece sábado (20), no TAA

Divulgação

Entre tantos eventos e efemérides, 2014 marcou o centenário do compositor baiano Dorival Caymmi, dono de monumental obra talhada ao longo de quase oito décadas de carreira, ele responsável por um sem número de sucessos e por uma das proles mais musicais do Brasil.

Caymmi projetou a musical Bahia que hoje todos conhecemos tendo sido hit na voz de Carmem Miranda. A O que é que a baiana tem?, imortalizada pela brazilian bombshell, seguiu-se obra lapidar que todo mundo, vez em quando assobia, mesmo às vezes desconhecendo seu autor. “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”, cravou certeiro numa delas.

O ano foi de muitas homenagens e não faltaram exposições, debates e, principalmente, shows. Juntos ou em espetáculos solo, os irmãos Nana, Dori e Danilo, herdeiros diretos de Dorival, percorreram bons pedaços de Brasil, mostrando o que é que os Caymmi têm.

Danilo Caymmi volta à São Luís para um show inteiramente dedicado à obra do pai. Dorival 100 Anos, o espetáculo, será apresentado no próximo sábado (20), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Os ingressos custam entre R$ 40,00 e 60,00 e estão à venda na Bilheteria Digital (Rio Poty Hotel, até o dia 18) e bilheteria do TAA (na véspera e no dia do show).

Cantor, compositor, flautista e arranjador, Danilo Caymmi esteve em São Luís em agosto passado, quando se apresentou no projeto Ponta do Bonfim – Música e Por do Sol. Com cerca de 40 anos de carreira, era a primeira visita do artista à Ilha, que o encantou.

Danilo Caymmi integrou as míticas Som Imaginário, com Wagner Tiso e outros, e a Banda Nova, do maestro soberano Tom Jobim, tendo feito diversas excursões internacionais, integrando-a. É autor da trilha sonora da minissérie Riacho Doce, baseada na obra de José Lins do Rego, que foi ao ar em 1990 pela Rede Globo, além do clássico Andança, parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, gravada, entre outras, por Beth Carvalho e Maria Bethânia.

O repertório de Dorival 100 Anos concentra-se na produção musical de Dorival Caymmi, mas Danilo não deixará de lembrar sucessos seus, inclusive músicas como Vamos falar de Tereza (tema de Teresa Batista Cansada de Guerra, minissérie baseada na obra de Jorge Amado), parceria dele com o pai.

Dorival 100 Anos tem patrocínio de Potiguar Casa OK, Terra Zoo, Marcos Peixoto Arquitetura, UVA/IDEM, Calado e Correa Advogados Associados e apoio do jornal O Imparcial e Opus Estúdio.

Serviço

O quê: show Dorival 100 Anos
Quem: Danilo Caymmi
Onde: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro)
Quando: dia 20 de dezembro (sábado), às 20h
Quanto: R$ 60,00 (plateia), R$ 50,00 (frisa e camarote) e R$ 40,00 (balcão e galeria)
Maiores informações: (98) 991170970, 996036525 e 991168736

Cine Baile Coletiva lança CineraMA

[release]

Festa embalada por trilhas de cinema acontece 11 de dezembro no Chico Discos

Com patrocínio da Vivo, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e realização da Mil Ciclos Filmes, acontece no próximo dia 11 de dezembro (quinta-feira), às 20h, no Chico Discos (Rua Treze de Maio, 289-A, esquina com Afogados), o Cine Baile Coletiva.

Para convidados, a festa apresentará o projeto CineraMA, que realizará 10 curtas-metragens de ficção ao longo de 2015 e contará ainda com outras três festas temáticas, além de uma mostra com os filmes realizados pelo projeto. Na ocasião, além da apresentação das ações que integrarão o CineraMA, também será lançado o regulamento do concurso de argumentos que dará origem ao roteiro dos curtas.

“Queremos que as pessoas ligadas ao audiovisual e à literatura, que têm boas ideias, participem, se inscrevam. Nesse primeiro momento serão selecionados 10 argumentos, que se transformarão em roteiros e serão filmados ano que vem”, explica a idealizadora do CineraMA Mavi Simão.

O Cine Baile Coletiva é também uma coletiva de imprensa, em que os profissionais dos meios de comunicação ficarão por dentro das ações previstas pelo projeto para o ano que vem. “É uma forma diferente, original, de divulgarmos as ações, misturando trabalho e diversão. Como dizemos no slogan da CineraMA, é o Maranhão fazendo cinema como nunca e festejando como sempre”, comenta Mavi.

A animação será garantida pela discotecagem de Raffaele Petrini, amante de cinema e colecionador de discos de vinil. Suas agulhas reescreverão as trilhas das vidas dos presentes: soundtracks antológicas serão lembradas. A festa promete. Sem hora para subirem os créditos.

Serviço

O quê: Festa Cine Baile Coletiva. Lançamento do projeto CineraMA.
Quando: 11 de dezembro (quinta-feira), às 20h.
Onde: Chico Discos (Rua Treze de Maio, 289-A, esquina com Afogados, Centro).
Quanto: Grátis. Para convidados.
Assessoria de imprensa: Zema Ribeiro | (98) 981220009 | zemaribeiro@gmail.com
Idealizadora do projeto: Mavi Simão | (98) 999663333 | mavisimao@globo.com

Patativa estreia em disco

[release]

Foto: Beto Matuck
Foto: Beto Matuck

 

A sambista Patativa está com tudo e não está prosa. Neste ano, em que completou 76 de idade, sua carreira vive um novo e único momento: Patativa, que nunca havia gravado um disco solo, lançará dois cds.

O primeiro, concebido sob iniciativa de Zeca Baleiro, diretor artístico, e Luiz Jr., produtor musical, se chama Ninguém é Melhor do que Eu e traz participações de Simone, Zeca Pagodinho e do conterrâneo Baleiro. É um apanhado de 12 sambas mais o hit regional Xiri Meu, cacuriá malicioso que o povo maranhense já inclui entre seus grandes “clássicos”. O disco sai em novembro pelo selo Saravá Discos, o mesmo que em outros tempos gravou Antonio Vieira e Lopes Bogéa.

O segundo disco, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão (SECMA), terá o título Patativa canta sua História e está em fase final de gravação, devendo ser lançado no início do ano que vem. O produtor e arranjador é também o músico Luiz Jr.

Ninguém é Melhor do que Eu – Recebendo Lena Machado e Zeca Baleiro como convidados, Patativa lança Ninguém é Melhor do que Eu com show no dia 19 de novembro, no Porto da Gabi (Aterro do Bacanga). O evento começa às 19h, com os DJs Marcos Vinicius e Joaquim Zion, e o grupo Samba na Fonte.

Antecipando o que vem por aí, Ninguém é Melhor do que Eu, faixa que dá nome ao disco e tem a participação de Zeca Pagodinho, começa a ser executada nas rádios maranhenses, em primeira mão, nesse final de semana. E a partir da próxima segunda-feira, passa a ser distribuída para rádios de todo o país.

PATATIVA – ‘Ninguém é melhor do que eu’ – show de lançamento do cd
Participações especiais: Lena Machado e Zeca Baleiro.
Abertura: DJs Joaquim Zion e Marcos Vinicius e Grupo Samba na Fonte.
Onde: Porto da Gabi (Aterro do Bacanga).
Quando: 19 de novembro (quarta-feira), às 19h.
Quanto: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia para estudantes e demais casos previstos em lei).
Onde comprar online: DR. Ingresso, (98) 3015-3017.
Pontos de venda: Papos e Sapatos (Lagoa da Jansen) e Livraria Poeme-se (Praia Grande), a partir do dia 4/11 (terça feira).

Chiquinho França encerra turnê nesta quinta (30) em São Luís

 

[release]

Uma viagem musical do moderno ao erudito. É o que promete o instrumentista Chiquinho França no encerramento de sua turnê Sons e Trilhos, que acontece nesta quinta-feira (30), às 20h30, na Praça de Alimentação (Parquinho) da Avenida Litorânea.

A apresentação encerra uma temporada de 10 shows com que ele percorreu, além de em São Luís, onde aconteceu a abertura e agora o encerramento, as cidades de Santa Inês, Imperatriz, Porto Franco, Grajaú, Bacabal, Pedreiras, Codó e Caxias. A produção é da Zarpa Produções e o patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Como nos outros shows da turnê, Chiquinho França (bandolim e guitarra) será acompanhado pelos músicos JBlues (teclados), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Oliveira Neto (bateria). A novidade para a apresentação deste show de encerramento é a participação especial do cantor Paulo Piratta.

Chiquinho, sua banda e convidado farão um passeio por ritmos como jazz, blues, rock, samba, choro, baião, frevo e a diversidade da cultura popular do Maranhão. A exemplo de todas as apresentações da turnê, o acesso ao show musical é gratuito.

Turnê de Chiquinho França chega a mais quatro cidades esta semana

[release]

Foto: divulgação. Facebook do artista.
Foto: divulgação. Facebook do artista.

 

Bacabal, Pedreiras, Codó e Caxias. Estes são os próximos destinos do trem musical de Chiquinho França, que aporta acompanhado de sua banda nestas cidades, para shows do projeto Sons e Trilhos.

Guitarrista e bandolinista consagrado, Chiquinho França apresenta um repertório versátil, passeando do rock, jazz e blues ao choro, frevo e baião, um pé na modernidade, outro na tradição, as duas mãos na música de qualidade.

Acompanhado por JBlues (teclado), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Oliveira Neto (bateria), Chiquinho França, um dos mais requisitados instrumentistas maranhenses, promete emocionar as plateias. “Na verdade, quem se emociona sou eu, ao poder oferecer ao público a música que aprendi vendo um ceguinho tocar na rodoviária de Santa Inês, minha cidade natal”, afirma o músico, lembrando as origens musicais.

Nesta segunda metade da turnê, Chiquinho França se apresenta na Praça São José (Praça do Bolo, Centro), em Bacabal, dia 15 (quarta), às 20h30; no dia seguinte (16), no mesmo horário, na Maçonaria Renascença Pedreirense (Praça do Jardim, Centro), em Pedreiras.

Sexta-feira (17) é a vez de Codó: Chiquinho França e banda se apresentam na Praça Ferreira Bayma, às 20h30. Sábado (18), no mesmo horário, é a vez de Caxias. Na terra do poeta Gonçalves Dias a apresentação acontece no Centro de Cultura (Praça do Panteon, Centro).

Todas as apresentações são gratuitas e abertas ao público. A última apresentação da turnê acontecerá em São Luís, em data, horário e local a definir. Sons e Trilhos tem realização da Zarpa Produções e patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão.

Filme baseado em tipologia de Nietzsche estreia hoje (21) em São Luís

[release]

O camelo, o leão e a criança, primeiro longa-metragem do curitibano Paulo Blitos foi rodado entre Paraná e Maranhão

Paulo Blitos em cena de "O camelo, o leão e a criança". Reprodução
Paulo Blitos em cena de “O camelo, o leão e a criança”. Reprodução

 

Como O camelo, o leão e a criança, seu primeiro longa-metragem, a trajetória do cineasta Paulo Blitos não é convencional. Engenheiro de formação, o teatro entrou em sua vida quando trabalhava em uma empresa do setor energético, em Curitiba, onde se aposentou.

“Trabalhei 30 anos, comecei como engenheiro, fui gerente, depois de cerca de 15 anos, larguei tudo [as atividades de engenharia e gerência], e fui trabalhar com treinamento, dentro da própria empresa. Larguei mão da engenharia, como eu digo “eu fui engenheiro”. Comecei a me envolver com arte, fui fazer curso de teatro para fazer treinamento. Foi através do curso de teatro, que eu fiz com um rapaz [Mauro Zanatta], que inclusive é um dos atores que está fazendo o trabalho [de O camelo, o leão e a criança] agora com a gente”, conta.

O filme é baseado na tipologia nietzschiana do capítulo Das três transformações, de Assim falava Zaratustra, conhecida obra do filósofo alemão. Blitos, que teve consultoria do psicanalista João Perci Schiavon (USP), conta que lia o bigodudo desde a adolescência. “Sempre li bastante. Eu lia Nietzsche com 17 anos. Não entendia nada. Mas eu adorava! [risos]. Muita gente passou por essa experiência. Eu sempre gostei de Filosofia, mas acabei enveredando por outro caminho. Depois eu voltei, mas queria aplicar isso, não ficar só no hobby”, revela.

“Eu peguei a tipologia e tentei observar se isso acontecia nas histórias de pessoas. O filme é baseado em histórias reais. Tem três personagens centrais. Um personagem, que é a linha mestra do filme, que é um professor [interpretado por Paulo Blitos], a história é baseada em minha história, mesclada a de meu pai”, adianta.

“A ideia do filme é a gente conseguir enxergar essa tipologia que o Nietzsche apresenta na história de três pessoas comuns e perceber as fases de camelo que nós vivemos, de leão, até a fase de criança. Nós pegamos essa tipologia específica e vamos ver como é que isso se encaixa na minha história pessoal, na história do ator e na história dessa médica”, resume.

Fora do trabalho na empresa, Blitos tem uma peça de teatro e três curtas-metragens na bagagem. O quarto [cronologicamente o primeiro realizado] não chegou a ser veiculado. “A ideia do filme foi legal, mas o filme não chegou a ser concluído. Tem baixa resolução, a gente não quis nem colocar no youtube. Está parado, não foi concluído”, revela, sem se lamentar. O mais recente, Tuareg, rodado em Barreirinhas/MA, em cinco dias, foi exibido sábado passado (16), no Cine Praia Grande, em sessão seguida de debate com o diretor/ator. O monólogo, que participou de festivais em Taguatinga/DF e Pinhais/PR, foi premiado no último.

O camelo, o leão e a criança foi rodado no Paraná (Curitiba) e Maranhão (São Luís, Morros e Santo Amaro). “Em Curitiba nós fizemos algumas cenas internas, quase não aparece a cidade, e algumas cenas no campo, área rural, não dá para saber que é Curitiba. São Luís dá para saber, as cenas externas caracterizam bem a cidade”, adianta.

O lançamento do filme acontece em sessão para convidados/as nesta quinta-feira (21), às 20h, no Cine Praia Grande. Interessados/as em geral poderão ocupar vagas de convidados/as faltantes, mediante disponibilidade. A partir dessa exibição o filme entra em cartaz na sala do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. Na mesma data o filme entra em cartaz no Cine Lume (Edifício Office Tower, Renascença), às 16h.

Sinopse

“Três transformações do espírito vos apresento: como o espírito se transforma em camelo, o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança” (Nietzsche em Assim falava Zaratustra). É com o espantoso, o estranho e o inusitado, tal como se inserem, de modo geral inadvertidos, no curso da vida cotidiana, que o filme O camelo, o leão e a criança se constrói. Um professor de filosofia da ciência, um ator e diretor de teatro, uma médica e mística vivem diferentes fases de suas vidas (baseadas em histórias reais e relacionadas à tipologia nietzschiana). Cada uma das personagens se depara, em sua linha de vida, com a dimensão do estranho, seja na experiência de discriminação e seu fundo de violência, seja na vertigem do vício e da loucura, seja, ainda, no indizível do transe místico. O encontro com o real e a comoção que o filme desencadeia exigirão novos modos de pensar, de agir, de existir.

Trailer

 

Ficha Técnica

Gênero: ficção
Duração: 88 minutos
Roteiro e Direção: Paulo Blitos
Codireção: Jul Leardini
Direção de Fotografia e Câmera: Evandro Martin
Som, Edição e Montagem: Edemar Miqueta
Trilha Sonora: Joaquim Santos
Direção de Produção: Élida Aragão (Maranhão) e Suzana Aragão (Paraná)
Produção: Paulo Blitos e Sync Cultural
Direção de Arte: Dida Maranhão
Assessoria de comunicação: Zema Ribeiro

O camelo, o leão e a criança será lançado no Cine Praia Grande

[release]

Rodado no Maranhão e Paraná, longa-metragem de Paulo Blitos dialoga com a obra de Nietzsche

Cartaz. Reprodução
Cartaz. Reprodução

 

O Cine Praia Grande, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande), será palco do lançamento de O camelo, o leão e a criança, longa-metragem de Paulo Blitos, rodado no Paraná e no Maranhão. A sessão de lançamento acontece dia 21 de agosto (quinta-feira), às 18h, a partir de quando o filme entra em cartaz nos cines Praia Grande e Lume (Office Tower, Renascença).

O filme entrecruza a trajetória de três personagens centrais, identificando neles a tipologia nietzschiana do capítulo Das três transformações, de Assim falou Zaratustra, importante obra do filósofo alemão.

Cada personagem se depara com a dimensão do estranho: a experiência de discriminação e seu fundo de violência, a vertigem do vício e da loucura, e ainda o indizível do transe místico.

Assista ao trailer:

Lourival Tavares lança Enluarado no Teatro da Cidade

[release]

Divulgação

Oitavo disco da carreira do maranhense radicado em São Paulo será lançado em show intimista. Além de repertório autoral, espetáculo trará obra de grandes nomes da música brasileira

Com 29 anos da gravação de seu primeiro disco, o cantor e compositor Lourival Tavares volta a se apresentar em São Luís. O show será sexta-feira (11), às 20h, no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy). Na ocasião o músico lançará seu oitavo disco, Enluarado, mesmo título do espetáculo.

O repertório de Enluarado terá a íntegra do disco, que inclui, entre outras, Muito romântico, de Caetano Veloso (gravada por Roberto Carlos), e Pequeno concerto que virou canção, de Geraldo Vandré. No show, Lourival Tavares passeará também por músicas de outros discos seus, casos de Matadouro, parceria com o poeta Celso Borges, Velha calça de xadrez, parceria com Josias Sobrinho e Éden Bentes, além da obra de artistas que admira, como João do Vale, Luiz Gonzaga e Betto Pereira, de quem gravou Ana e a lua.

Enluarado é uma espécie de apanhado de sua trajetória. O disco, junto com o dvd O laço do olhar, aponta os destaques de sua produção e nomes que foram importantes para a sua formação musical. O dvd conta com a participação especial de Jarbas Mariz, músico da banda de Tom Zé, que já havia gravado com Lourival Tavares em seu disco ao vivo Na colheita dos versos. No palco ele será acompanhado por Marcos Lussaray (violão e guitarra).

“O roteiro do show é baseado no repertório do disco Enluarado, acrescido de músicas que gosto de cantar. Mas é claro que seu formato enxuto, somos eu e mais um músico no palco, permite certa flexibilidade. O público pode aguardar algumas surpresas”, avisa Lourival Tavares, natural de Santa Inês/MA, hoje radicado em São Paulo.

O músico voltou à São Luís para participar da temporada junina. “Fiz algumas apresentações, recarrego as baterias, as energias para viver em São Paulo e criar. Resolvi aproveitar o prolongar da passagem para lançar o disco novo em minha terra natal”, revela.

Serviço

O quê: show Enluarado
Quem: Lourival Tavares
Quando: 11 de julho (sexta-feira), às 20h
Onde: Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy)
Quanto: R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes e demais casos previstos em lei)
Maiores informações: (98) 8122 0009

Festejos na Praça inicia temporada musical de Alexandra Nicolas em 2014

[release]

Show gratuito na Praça Gonçalves Dias celebrará conquistas de 2013 e marcará início de turnê por palcos ludovicenses e em outras capitais brasileiras

POR ZEMA RIBEIRO

Vencedora do Prêmio Universidade FM 2013 na categoria Revelação, a cantora Alexandra Nicolas volta a se encontrar com seu público fiel no próximo dia 18 de janeiro (sábado), às 18h, no coreto da Praça Gonçalves Dias, também conhecida como Largo dos Amores, no centro da capital maranhense.

A artista apresentará o show Festejos na Praça, em que celebrará os bons momentos de 2013 – ano em que lançou seu disco de estreia, Festejos, inteiramente dedicado ao repertório de Paulo César Pinheiro – e dará início à temporada 2014, em que já estão previstos shows no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras.

Festejos foi todo gravado no Rio de Janeiro, com o repertório de Paulinho e direção, arranjos e execução de grandes mestres do choro. No entanto, preferimos começar por aqui, por isso o lançamento do trabalho foi realizado em São Luís. Este ano nos dedicaremos a tornar o disco mais conhecido noutras praças, literalmente”, anuncia a cantora.

Os shows de lançamento a que ela se refere aconteceram no Teatro Arthur Azevedo, em duas apresentações, 7 e 8 de março do ano passado. Para o show do dia 18, Alexandra Nicolas mesclará ao repertório do disco, músicas que gosta de cantar. “Festejos na Praça vai ser vibrante, pra cima. O repertório está bem animado, passeia por samba, xote, forró, coco”, promete. A escolha das músicas é também um experimento: ela já está selecionando material para o próximo disco, que deve lançar em 2015. Mas sobre o assunto a cantora não dá nenhuma pista. “No fundo, eu estou sempre selecionando repertório”, afirma.

Festejos, o disco, não será tocado na íntegra e a noite terá ainda Sereia de Água Doce, de Vanessa da Mata, Xirê, de Roque Ferreira, Aguadeira e Saubára, parcerias de Roque com Paulo César Pinheiro, além de Pipira, de João do Vale (parceria com José Batista), Coco sem Azeite, de Pinduca, e Homem de Saia (Marcelo Reis e Enéas de Castro), sucesso do Trio Nordestino.

Para acompanhá-la em Festejos na Praça, Alexandra Nicolas cercou-se de um competentíssimo time de músicos: Rui Mário (sanfona e direção musical), Marcus Lussaray (violão e viola), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Carlos Raqueth (contrabaixo), Fleming Bastos (bateria), Arlindo Carvalho (percussão), Marcos Alves (percussão), Josafá Alves (coro) e Teresa Rachel (coro). “São todos grandes músicos, me dão segurança, me deixam à vontade”, elogia.

A cantora e a banda têm vontade de, depois da estreia no coreto da Gonçalves Dias, apresentar Festejos na Praça em outros logradouros de São Luís. “Tudo vai acontecer no momento certo. Este primeiro show aberto é fruto da vontade de fazer, de comemorar, da parceria da equipe de produção e dos músicos. A depender dos frutos que colhermos, vamos ocupar outras praças”, aposta a cantora.

Sem falsa modéstia, Robertinho Chinês acredita que este show será “o melhor entardecer musical que o Maranhão já viu e ouviu”. A abertura fica por conta do Cantinho do Choro, grupo que é o tradicional ocupante do coreto. Para este sábado (18), o grupo tem a seguinte formação: Osmar do Trombone, Nonato Oliveira (pandeiro), Márcio Guimarães (cavaquinho), Carlos Reis (violão), Osmar Junior (saxofone) e Zezá Alves (flauta).

Ficha técnicaFestejos na Praça tem direção geral de Martin Messier, direção musical de Rui Mário, produção executiva de Raydenisson Sá, projeto gráfico de Raquel Noronha, fotografia de Veruska de Oliveira e Edu Aguiar, assessoria de imprensa de Zema Ribeiro, figurino de Julienne Santos e sonorização, palco e iluminação da Master Áudio e Luz.

Serviço

O quê: show Festejos na Praça.
Quem: Alexandra Nicolas e banda. Abertura: Cantinho do Choro.
Onde: coreto da Praça Gonçalves Dias.
Quando: 18 de janeiro (sábado), às 18h.
Quanto: gratuito e aberto ao público.

Com show em clima de confraternização, Gildomar Marinho encerra temporada 2013

[release]

Show mesclará música e poesia no Bar do Ferro Velho, no Benfica, em Fortaleza/CE

O tempo das festas de fim de ano é um tempo de reciclagem. A agenda não comporta tantas confraternizações. Inspirado no período, o músico Gildomar Marinho resolveu inventar e apostar em mais uma. Ele apresenta o show O futuro tem o coração antigo no Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE) nesta quinta-feira (26), às 20h, com entrada franca.

O nome do espetáculo o músico tirou do título do livro novo de Celso Borges, recém-lançado em São Luís do Maranhão. “Celso é talvez o maior poeta em atividade em São Luís, dono de uma poesia visceral, sem nunca perder a ternura, e só faz livros bonitos. Depois da experiência de unir música e poesia em uma trilogia [A posição da poesia é oposição, composta pelos livros-cds XXI (2000), Música (2006) e Belle Epoque (2010)], este une poesia e fotografia. Tive a honra de tê-lo como parceiro em Pedra de Cantaria”, explica Gildomar Marinho, referindo-se à participação que o poeta fez em seu segundo disco, quando colocou voz no poema Vazio [de Celso Borges], incidental de Claustrofobia, faixa do cd.

O futuro tem o coração antigo é o reencontro do poeta com outra São Luís, cidade em que nasceu e da qual vivia distante”, continua Gildomar. “Usar este título para este espetáculo é uma forma de homenagear e também de mostrar minha relação com São Luís, onde vivi, onde tenho parceiros e que sempre estou visitando para me impregnar de sua cultura popular, de sua beleza arquitetônica e matar as saudades”. O resultado é ouvido em faixas como É de Reis, tambor de crioula de sua autoria, gravado em Tocantes, o terceiro disco, lançado em 2013, indicado a algumas categorias do Prêmio Universidade FM (de São Luís/MA) este ano.

Destaque – O local escolhido para a realização do show é um espetáculo à parte. “O Bar do Ferro Velho tem este nome por que é um bar à noite, mas de dia, lá funciona um ferro velho. Além desse detalhe, o destaque fica por conta do cardápio, preparado por dona Leide, esposa do Seu Paulo, o proprietário do ferro velho”, convida Gildomar. O leitor e a leitora imaginem o que é tudo isso somado à boa música dele, aos poemas de Celso Borges que serão lidos durante o espetáculo e ao que outros artistas trarão. “Neste espetáculo, eu, na verdade, serei uma espécie de anfitrião, de mestre de cerimônias. Cantarei músicas de meus três discos – incluindo Olho de Boi, o primeiro, de 2009 –, lerei poemas de Celso Borges, mas franquearei o palco a artistas e amigos que aparecerem por lá e se sentirem à vontade para participar”.

Projetos – Em 2014 Gildomar Marinho pretende fazer shows de lançamento de Tocantes em São Luís, Alcântara e Imperatriz, no Maranhão, além de entrar em estúdio para gravar seu quarto disco, cujo título provisório é Mar do Gil, um trocadilho com seu nome e uma homenagem ao Pindaré que banhou sua infância.

Livro – Interessados em adquirir O futuro tem o coração antigo, novo livro de Celso Borges, podem fazê-lo pelos sites da Editora Pitomba, do livro (onde é possível folhear virtualmente algumas páginas, além de ouvir trechos) e/ou pelo e-mail cbpoema@uol.com.br. Tocantes, novo disco de Gildomar Marinho, pode ser adquirido na ocasião.

Serviço

O quê: O futuro tem o coração antigo, show especial de fim de ano e confraternização
Quem: Gildomar Marinho, com participações especiais
Onde: Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE)
Quando: 26 de dezembro (quinta-feira), às 20h
Quanto: grátis

Alexandra Nicolas encerra Jornada de Fonoaudiologia do Uniceuma

[release]

A cantora, ex-coordenadora do curso de Fonoaudiologia da instituição, falará a estudantes e interessados sobre a profissão no encerramento da jornada

Fonoaudióloga de formação, a cantora Alexandra Nicolas falará de seus ofícios a estudantes do Uniceuma

“A voz do dono e o dono da voz”. Até a próxima sexta-feira (18), o curso de Fonoaudiologia do Uniceuma toma emprestado o título da canção de Chico Buarque – gravada por ele em Almanaque, seu disco de 1981 – para dar nome à sua XII Jornada Acadêmica de Fonoaudiologia, evento realizado anualmente pela instituição.

Diversos profissionais participarão do evento, cuja programação inclui palestras, mesas redondas, debates e minicursos. O encerramento terá a participação da cantora Alexandra Nicolas, fonoaudióloga de formação, que coordenou o curso de Fonoaudiologia do Uniceuma por quatro anos.

“A ideia é conversar com os estudantes abordando minha carreira como fonoaudióloga e a nova carreira que abracei, de cantora”, explica Alexandra sobre sua participação na jornada. “É interessante voltar à universidade depois de cinco anos. Cinco anos após ter deixado uma carreira para investir em outra”, emociona-se.

História – Era Alexandra Nicolas quem estava à frente do curso de Fonoaudiologia do Uniceuma quando o mesmo obteve o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC), necessário ao funcionamento, o que ela revela considerar uma das grandes vitórias que teve na vida.

Ela falará aos estudantes e demais interessados dia 18 (sexta-feira), às 11h, no Auditório Expedito Bacelar, no Uniceuma Renascença. Sobre a participação, a profissional da voz – antes como fonoaudióloga, agora como cantora – imagina que será um momento de grande responsabilidade e descontração: “Será como voltar no tempo, bem emocionante”, acredita. “Embora eu não descarte o lado polêmico da participação: terei que explicar diante de todos os estudantes o porquê de ter deixado a profissão, ao mesmo tempo em que devo motivá-los a permanecer, o que farei, com uma única ressalva: que eles não estejam em conflito com a arte”, afirma, de certo modo já antecipando explicações.

Ofícios – Alexandra Nicolas trocou de profissão, mas a voz continua sendo seu principal instrumento de trabalho. Ela comenta em que medida uma ajuda a outra: “A fonoaudióloga só a ajuda a cantora, em absolutamente tudo. É um domínio geral do aparelho vocal. Você canta e consegue visualizar e entender todo o processo, excelente pra ter medidas fáceis e suporte para facilitar o canto”. Já a se todo/a fonoaudiólogo/a daria um/a bom/boa cantor/a, ela é taxativa: “Não! É preciso dom, musicalidade e principalmente ser devoto da música de verdade”.

Perguntamos-lhe ainda se havia o risco de uma canja surpresa, presente ao público presente – redundância intencional: “Tudo é possível, quem sabe”, finalizou sorrindo. (Por Zema Ribeiro)

Gildomar Marinho fará show de encerramento do Salimp

Músico fará show autoral, passeando pelo repertório de Olho de Boi, Pedra de Cantaria e Tocantes, este último a ser lançado ainda em 2013

Aquarela da capa de Tocantes. Reprodução

Bancário de profissão. Músico de corpo, alma e vocação. Esta poderia ser uma boa definição – perdão da aliteração – para Gildomar Marinho, maranhense de Santa Inês que, por conta de um dos ofícios trocou o estado natal pelo Ceará onde atualmente finaliza seu terceiro disco, Tocantes (no soundcloud já integralmente disponível para audição e download), a ser lançado ainda em 2013.

O maranhense foi escolhido para encerrar com um show a programação do 11º. Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), no próximo domingo (19). Gildomar Marinho (voz e violão) será acompanhado dos músicos Aziz (percussão) e Jr. Schubert (violino). Sua apresentação acontecerá na Arena Multicultural, às 21h, e como toda a programação do Salimp, tem entrada franca.

Gildomar Marinho fará um show autoral, mostrando músicas de seus três discos e inéditas. No repertório estarão músicas como Alegoria de saudade (de Olho de Boi, a estreia de 2009, que no disco contou com a participação da mineira Ceumar), Pedra de cantaria (faixa título do segundo disco, de 2010, parceria com o jornalista Zema Ribeiro) e Navegante (Erasmo Dibell), gravada por ele em Tocantes.

“Será uma honra voltar a cantar em Imperatriz, cidade na qual vim morar criança e onde aprendi meus primeiros acordes”, festejou o compositor, que conviveu, às margens do Rio Tocantins – homenageado por ele em música do primeiro disco –, com nomes consagrados da cena maranhense, entre os quais Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Nando Cruz, Neném Bragança e Zeca Tocantins.

Tocantes, o disco que lança em breve, tem projeto gráfico ilustrado por aquarelas assinadas pelo músico, retratando manifestações da cultura local, a exemplo do bumba meu boi e tambor de crioula. O trabalho cita autores como Pablo Neruda (em Pé na estrada) e Fernando Pessoa (em Navegante).

“Como será também um momento de rever a família e os amigos, não descarto a possibilidade de algumas participações especiais no show”, revelou o músico, cujas filhas moram em Imperatriz. O elemento surpresa certamente também será um elemento da “diversidade cultural” que tematiza o Salimp. Diversidade não falta ao repertório de Gildomar Marinho.

[release que escrevi para o show que Gildomar Marinho apresenta domingo (19) no encerramento do Salimp]

Pontos de Luz marca retorno de Lena Machado aos palcos

[release que escrevi para o show da próxima sexta, 10]

Há quase um ano e meio sem apresentar um show solo, cantora mostrará, no Barulhinho Bom, repertório com algumas experimentações

Com dois discos na bagagem, Lena Machado está há quase ano e meio sem se apresentar em shows solo. Alguns fatores contribuíram para esse exílio temporário: o trabalho além da música, a conclusão do bacharelado em Comunicação, grau obtido ano passado, e as dificuldades de captação de recursos para realizar um show com a qualidade e o capricho que o público merece.

A cantora não reclama da ausência nem dá tom resignado à própria fala. “É uma ausência aparente, por que embora eu não tenha feito shows solo, apareci, aqui e ali, em participações especiais, em apresentações de amigos, a exemplo do Regional Tira-Teima e da gravação ao vivo do primeiro disco de Joãozinho Ribeiro, momento de grande emoção e aprendizado”, conta.

Pontos de Luz foi o nome escolhido pela cantora para seu novo espetáculo. “É o título de um poema do [médico, músico e ator] Marcelo Bianchinni. Ele postou no face[book], falando das “pessoas raras que amamos, que são pontos de luz na madrugada louca em que vivemos””, revela a cantora, conectada aos tempos modernos.

Público e banda certamente serão pontos e luz a iluminar a cantora, ela ponto de luz que iluminará os presentes com seu talento e graça. No show Lena Machado será acompanhada por João Simas (violão e guitarra), Rui Mário (acordeom e teclado), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Fofo (bateria). No repertório, obras de nomes como Adriana Calcanhotto, Batatinha, Bororó, Cartola, Cesar Teixeira, Chico Saldanha, Flávia Wenceslau, Odibar, Paulo César Pinheiro, Paulo Diniz, Pedro Luís, Roque Ferreira, Suely Mesquita e Vanessa da Mata.

Poucos nomes se repetem ao longo dos 14 números pensados para o show. Uma coisa que Lena Machado não deixou durante a ausência nem nunca deixa de fazer é ouvir música. “A linha do repertório que adotei pro show é toda uma experimentação; as músicas estão entre o que tenho escutado neste período, coisas que gosto e que estava buscando a oportunidade de fazer, mas ao mesmo tempo não são canções que ficam longe daquilo que tenho feito. É música popular brasileira na sua diversidade, canções que nem sempre são executadas, por isso podem até soar como inéditas para alguns. Tem um pouquinho de tudo nessa história, mas é um show com uma pegada mais intimista, de quem tá retomando a produção musical e tá continuando um caminho. Como um alongamento depois de uma noite de sono”.

Em Pontos de Luz Lena Machado contará com as participações especiais de Chico Saldanha, Dicy Rocha e Tássia Campos. Antes e depois do show haverá discotecagem com Victor Hugo, do blogue Música Maranhense. O show acontece dia 10 de maio (sexta-feira), às 21h, no Barulhinho Bom (Lagoa). Os ingressos custam R$ 15,00. A produção é assinada por Tairo Lisboa.

Pseudo-concurso público, jornalismo (?), mentira, reitoria, opinião, papado e egolatria

“Confirmado concurso público para o HU”, afirma a manchete de capa de O Estado do Maranhão de hoje (17). No interior do jornal o que se lê é um mega-release (link para assinantes do jornal, com senha), embora o texto não seja tão longo, isto é, nada que justificasse uma manchete de capa, propaganda descarada da gestão do magnífico reitor Natalino Salgado.

Se não se trata disso, o que justifica um jornal anunciar com tamanho destaque um “concurso público” cujo edital só será lançado mês que vem?

Não se iludam a população em geral e em especial os concurseiros de plantão: os aprovados no “concurso público” não serão os novos servidores públicos federais; serão terceirizados, celetistas, com contrato temporário e consequente prazo de validade pré-determinado.

O jornal pode até chamar o “processo seletivo simplificado” de “concurso público”, já que qualquer pessoa que venha a atender os requisitos especificados no edital, quando este for publicado, poderá concorrer ao mesmo; mas não devia criar a falsa ilusão de que tudo corre às mil maravilhas e os problemas que restam serão sanados com “o maior concurso público já realizado na história do Maranhão”, conforme afirmou o megalômano reitor em matéria (link para assinantes do jornal, com senha) do mesmO Estado do Maranhão em 19 de janeiro passado, sobre o mesmo assunto.

Pasmem, poucos mas fieis leitores: a seleção de 3.500 novos servidores do Hospital Universitário, cujo edital somente será lançado em março próximo, já é notícia no jornal da família Sarney há um mês.

A quem interessa toda essa propaganda enganosa? É capaz de o jornal, mês que vem, publicar outra matéria, adiando o lançamento do edital: a adesão do HUUFMA à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) é questionada pelo Ministério Público Federal; isto é, o processo seletivo simplificado pode sofrer adiamento. Ou nem acontecer. É à EBSERH que os novos servidores selecionados no “concurso” estarão vinculados. Serão terceirizados por uma empresa pública de direito privado, isto sim a realização da privatização da saúde usando recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS).

O texto não foca no processo seletivo, assunto que talvez se resolvesse num parágrafo ou nota, jamais justificando manchete de capa. Alardeia “18 obras (…) em execução no HUUFMA” entre “reformas, ampliações e construção de novas alas” e lembra estar “entre as melhores organizações de saúde do mundo que se destacam na divulgação da produção científica”, conforme ranking do Webometrics Ranking of World Hospitals. Um trecho do texto chega a informar (?) até mesmo quantos acessos teve o site do HU de agosto para cá e o número de profissionais que compõe sua assessoria de comunicação. Estes, certamente empenhados: só assim para conseguir uma dominical manchete de capa com exercícios de futurologia.

O pseudo-concurso público do Hospital Universitário é encoberto por fumaça, não a da inocente diamba desde sempre fumada pelos blocos da UFMA, mas talvez também a do conclave que escolherá o próximo papa com a renúncia de Bento XVI: longe do assunto da capa dO Estado do Maranhão, na página de Opinião do jornal, o sumo pontífice, digo, o magnífico reitor escreve sobre a renúncia papal e a igreja (que frequenta assiduamente). Sob o título Exemplo de abnegação e altruísmo (link para assinantes do jornal, com senha), o texto de Natalino Salgado, imortal da Academia Maranhense de Letras, é só elogios a Ratzinger, cuja renúncia é por ele classificada de “atitude imprevisível e, ao mesmo tempo, corajosa”.

“Estranho ato, muitos disseram, mas que se coaduna com esta época em que a velocidade é o substantivo primordial. Ou, como lembra o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, vivemos tempos líquidos, em que nada é feito para durar. Mal nos acostumamos com o teólogo Joseph Ratzinger a levar sobre si a missão petrina, deparamo-nos com seu perfil sereno a explicar que este seu radical ato é antecedido de demorada meditação e exame de consciência diante de Deus”, prossegue o reitor, parecendo esquecer-se da “solidez” de seus mandatos e dos de outro imortal, o dono do jornal em que escreve, mesmo sustentados por eleições ilegítimas. A última do reitor registrou “uma abstenção gigante, solenemente ignorada pela ASCOM, cada vez mais transformada em assessoria de comunicação do reitor e não da universidade, que alardeou uma vitória esmagadora”, conforme resgatou Flávio Reis em O dono da UFMA.

“As questões em jogo, na Itália e no mundo todo, transcendem a fé, sincera ou não. Vivemos uma época intelectualmente e moralmente pobre, instigada pelos avanços tecnológicos e arrepiada por demandas inovadoras em choque com a doutrina eclesiástica. De aborto a casamento gay. Enquanto isso, a Igreja de Pedro tenta em desespero impor seus vetos e se agarra aos dogmas, cada vez mais inviáveis à luz da razão”, bem lembra Mino Carta no editorial da CartaCapital desta semana, assuntos em que o reitor não toca em seu artigo, mantendo a média do costume bem maranhense de transformar em santo qualquer um que morra ou renuncie.

Voltando aO Estado do Maranhão: a Coluna do Sarney (link para assinantes do jornal, com senha) sobre os 43 anos da ponte do São Francisco é uma imodesta aberração em que ele se põe, por conta da efeméride, a evocar bravatas do tempo em que era governador. Mas Sarney sempre escreveu com o ego, e tão mal, que se seu artigo não fosse, cúmulo da egolatria, publicado na capa do jornal, muita gente sequer o leria ou saberia que existe.

A menina que conquistou o coração dos mestres do choro

[Release para Festejos, estreia em disco de Alexandra Nicolas]

Festejar é o destino de Alexandra Nicolas e de seus ouvintes

Maranhense estreia em disco com repertório de Paulo César Pinheiro

Festejos sai pela Acari, maior gravadora especializada em choro do Brasil

Márcio Vasconcelos

TEXTO: ZEMA RIBEIRO

“Eu cheguei sem ninguém saber que eu vinha”. Desde antes de nascer Alexandra Nicolas já era uma surpresa. Filha de mãe solteira, foi cúmplice da genitora, que escondeu a gravidez enquanto pode. O pai, músico e boêmio, ela só viria a conhecer aos cinco anos de idade. Foi criada por três mulheres – a mãe, a tia e a avó.

Sua mãe gostava de cantar e foi em uma tertúlia que seus pais se conheceram. Desde cedo a menina pegou gosto pela coisa. “Eu cantava desde criancinha. E eu não podia sair das rodas, que eles me chamavam: “agora é a vez da menina!”. E eu me lembro, muito nova, de cantar músicas de Nelson Gonçalves, Silvio Cesar, Elizete Cardoso, Clara Nunes, Rita Lee, Novos Baianos, Genival Lacerda, Elba Ramalho”, cita entre gostos passageiros e referências que permanecem até hoje.

Acreditando nos sonhos, a adolescente Alexandra chegou a largar o curso de Pedagogia e foi ao Rio de Janeiro estudar canto, dança e teatro. Sua mãe hospedou-a num pensionato, à época inviabilizando a carreira: “Todos os lugares em que eu podia cantar eram à noite e eu tinha que voltar para casa antes da meia noite”, lembra a cinderela de então.

Do pensionato para a música? Nem pensar! Alexandra só pode mudar-se para um apartamento quando passou no vestibular para Fonoaudiologia, profissão em que se formou e exerceu por pouco mais de 10 anos – a música sempre em paralelo, nunca de menor importância, a vida entre o consultório e os palcos. Após coordenar o curso de fonoaudiologia em uma faculdade particular em São Luís, ela deixou a profissão. Da música, afastou-se apenas para dedicar-se às primeiras infâncias de seu casal de filhos, hoje com sete e seis anos. Uma parada apenas temporária, embora ela não viva, ainda hoje, exclusivamente de música.

“Tudo o que fiz até hoje foi por necessidade, por amor, por que eu não consigo fazer nada que eu não pense em fazer bem feito”, diz, talvez explicando a demora em gravar o primeiro disco, Festejos. Mas nada na vida de Alexandra acontece por acaso. “Eu já gostava muito do Paulo César Pinheiro, principalmente suas parcerias com Mauro Duarte, Sivuca, João Nogueira. Vinha de alguns shows por aqui e estava com a ideia de fazer um em homenagem a Clara Nunes. Numa viagem ao Rio, meu amigo Celson Mendes mandou um e-mail para Luciana Rabello. Segundo ele, ela poderia me dar algumas dicas. De início não acreditei muito que ela fosse responder. Ela respondeu e me convidou para ver e ouvir o bandão da Escola Portátil. Algo incrível! Todos os alunos da Escola Portátil, 40 pandeiros, 15 cavaquinhos, 10 flautas etc., juntas, sob uma árvore, tocando ao mesmo tempo com [o baterista] Bolão de maestro”. Terminada a apresentação, Luciana levou-a para tomar um chopp na Visconde de Caravelas, em Botafogo. Era a rua em que ela tinha morado, e Amélia Rabello, irmã de Luciana, morava no mesmo apartamento que Alexandra ocupou em seus dias e noites cariocas. Sem saber, a anfitriã acabou escolhendo ainda a mesma mesa em que a maranhense costumava sentar vindo da faculdade.

Nada na vida de Alexandra acontece por acaso. “Então você quer homenagear a Clara Nunes? Mas você gosta da cantora ou do compositor?”, indagou Luciana Rabello ao notar que nove das 16 músicas do roteiro eram de Paulo César Pinheiro. “Eu tenho certeza que Clara Nunes ia adorar este show se você pudesse transcender isso. Você precisa se mostrar como artista, sair de detrás dela. Eu recebo 80 e-mails por dia de gente querendo homenagear Clara”, aconselhou-a. “Paulinho [forma carinhosa como se referem ao compositor maiúsculo] tem mais de 2.000 canções. Se quiser eu te dou tudo inédito”, ofereceu.

Luciana Rabello acabou por descobrir a voz autoral de Alexandra Nicolas, mesmo esta não sendo compositora, e assumiu a função de diretora musical de Festejos. Mais que isso, se tornou amiga íntima, uma irmã querida e escolhida. “Ela foi uma bênção de Deus na minha vida”, diz a maranhense.

Tudo começou em Senhora das Candeias, show que ela apresentou duas vezes no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, e que batiza o projeto patrocinado pela Eletrobrás, através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, que permitiu a feitura de Festejos, que sai pela Acari Records, a maior gravadora de choro no Brasil. Inicialmente ela recebeu uma fita com 20 composições de Paulo César Pinheiro: era o repertório do espetáculo. Para o disco, a amostra aumentou para quase 60 músicas, das quais 13 foram escolhidas, entre inéditas – a maioria – e regravações.

“Eu quero essas mulheres da festa!”, escolheu. “Todas as que Paulinho canta, elas são fascinantes, lindas e sensuais. É um amor puro! Elas possuem uma beleza que ninguém consegue ver. Quase ninguém consegue ver a beleza de uma lavadeira. Aí eu vi a verdade. Não era fantasia. Era palpável”. Alexandra começava a eleger o repertório de seu disco. Entre idas e vindas foram quase dois anos só na seleção do repertório, mergulhada de cabeça, corpo e alma.

“Paulo César Pinheiro é a pessoa mais leve que eu já vi na vida. Não sei de onde tira tanta simplicidade. Nem parece que existe, me deu o maior presente. Ele me deu a bênção e disse: “se você tiver que gravar um disco, quero que você grave aqui [no Rio de Janeiro]. Foi a partir daí que eu descobri verdadeiramente meu caminho”.

A partir de então, muitas idas e vindas na ponte aérea São Luís – Rio de Janeiro. Com ela festejam Adelson Viana (sanfona), Celsinho Silva (percussão), Dirceu Leite (flauta, picolo), Durval Pereira (percussão), João Lyra (arranjos, violão, viola), Julião Pinheiro (violão sete cordas), Luciana Rabello (cavaquinho e produção musical), Magno Júlio (percussão), Marcus Tadeu (percussão), Maurício Carrilho (arranjos, violão sete cordas), Paulino Dias (percussão), Pedro Amorim (bandolim) e Zé Leal (percussão).

Ao final de um processo de aprendizado, amadurecimento, risos, lágrimas e muita emoção, o próprio Paulo César Pinheiro definiu a ordem das músicas no disco e, acima de qualquer suspeita, escreveu sua apresentação: “acho que a maranhense conseguiu um belo disco. Abram alas pra ela que a festa começou”, para ficarmos com apenas um trecho.

Embalada pelo capricho do design de Raquel Noronha, a bolachinha é ilustrada por fotos de Márcio Vasconcelos, que captam Alexandra Nicolas, risonha e faceira, no sobrado em que nasceu o dramaturgo maranhense Arthur Azevedo, em 1855, uma segunda coincidência literária – a primeira é que Paulo César Pinheiro, apesar de nunca ter estado em São Luís do Maranhão, conhece-a bem a partir da obra de Josué Montello, e escreveu uma música que leva o nome da capital maranhense, faixa que fecha o disco.

Alexandra Nicolas sonha: “Eu quero fazer o Brasil cantar”. Nada na vida dela acontece por acaso.

FAIXA A FAIXAMárcio Vasconcelos. Festejos. Capa. Reprodução

1. Mironga (Paulo César Pinheiro): “É uma música que abrange todas elas [as mulheres], uma espécie de resumo
do disco. São os homens tocando tambor para as mulheres dançarem e festejarem. É uma música completamente
masculina, mas eu consigo ver a mulher nela, as mulheres que dançam ao som do tambor. Ele descreve, na verdade, a maneira de tocar, como se aprende a tocar um tambor. No final ele diz que tem mironga aí, ou seja, tem algo muito especial na maneira de tocar. “Tem quem bate e faz zoeira/ tem quem toca como quê/ quem comprou tambor na feira/ esse não sabe bater./ Foi no couro e na madeira/ que me disse um alabê/ tocador de capoeira/ não é de maculelê”. Então ele começa a fazer uma série de pontuações no ato de tocar tambor e as mulheres, como ele diz no texto que me apresenta, estão mirongando ao som do tambor. Mironga é uma festa!”

2. Balacoxê de Iaiá (Paulo César Pinheiro): “Na hora em que eu li o título eu fiquei imaginando um bumbum enorme de Iaiá. Na verdade, Balacoxê veio por essa sensualidade, de cortar cana, da mulher, e eu fiquei fascinada, por que a maneira como Paulo cantou essa canção, o que eu ouvi, é como se estivesse na fala dele, essa mulher, Iaiá, que corta cana, que “bota a roda pra rodar/ eu só vejo esse desenho na cintura de Iaiá”. Foi uma canção em que eu me vi. Me perguntei, meu Deus, será que eu vou cantá-la eu vendo Iaiá ou eu sendo Iaiá? Eu acho que de todas que eu cantei, eu era a Iaiá. Tava em mim, passava por mim, essa história de “como eu vejo, com o punho nas cadeiras/ Iaiá fazer”. Essa descrição pra mim, essa mulher, essa Iaiá, ela é incrível”.

3. Passista (Paulo César Pinheiro): “Foi o primeiro refrão que me chamou muito a atenção: “seu povo já foi do cativeiro/ mas hoje que o samba é uma nobreza/ é ela que reina no terreiro/ do samba outra vez virou princesa”. Achei muito forte ele ter trazido como o povo dela sofreu e como hoje ela é uma rainha, comanda o samba na escola. Isso me fascinou, saber que tem muita gente que vai pra vê-la. O samba trouxe essa majestade pra ela”.

4. Coqueiro novo (Paulo César Pinheiro): “Foi a praia daqui. Uma homenagem à minha praia, à praia em que eu cresci, em que eu brinquei na areia e, lógico, às morenas do Cabedelo, na Paraíba, às quais ele se refere, que fazem acessórios com a palha do coqueiro, vivem disso. São mulheres sofridas, mas quando escuto, eu me vejo na praia, sombra, vento nos cabelos e água fresca. Uma valorização do trabalho dessas mulheres, transformando a palha em objetos, bolsas, cintos, acessórios femininos”.

5. Presente de Iemanjá (João Lyra e Paulo César Pinheiro): “Quando Luciana me mostrou ela falou de uma pessoa que tinha que dirigir os arranjos do disco, chamada João Lyra [que assina parte dos arranjos, violões e viola do disco]. A primeira vez que o ouvi cantando, fiquei fascinada por ele, com a alegria que ele põe na canção. E eu ouvi Presente de Iemanjá com ele cantando e me remete à fartura. Quando fala de “jogar a rede pro céu/ e a rede cai no mar/ o que cai na rede é peixe/ é presente de Iemanjá”, isso me vem como abundância, as mulheres tendo o que comer, os homens saem para pescar e trazem o pão de cada dia, o peixe para fazer o almoço. Eu me vejo numa vila de pescadores. Ele trouxe um arranjo fantástico com Toré de índio pra canção, ficou muito forte. Tem o canto pra sereia, por trás de tudo isso, que é muito marcante. Eu não cantei orixás no disco, mas cantei pra Iemanjá, que pra mim sempre foi uma mulher encantadora, embora eu de início não soubesse bem o que era um orixá. Eu sabia que ela vivia no mar e eu sempre lembro da Iemanjá da Ponta D’Areia toda vez que eu canto”.

6. Lavadeira (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro): “Paulinho me mostrou essa canção, eu já fascinada pelas mulheres, e ele não me contou que ia me mostrar. Eu tava na cozinha da casa dele, comendo, e ele colocando músicas, que ele adora. Quando eu ouvi isso na cozinha eu saí correndo pra sala, “Paulinho, o que é isso?”, e ele já com o sorrisão aberto, por que sabia que eu ia me interessar pela música. Pedi pra ele botar de novo, ele botou. Eu ouvi na voz da Andréia, que é uma cantora que gravou a música. A Luciana perguntou, “mas Alexandra vai gravar? Já gravaram!” E ele disse “não importa. A Andréia sumiu. É ela [Alexandra] quem vai fazer essa música aparecer”. É a canção mais cinematográfica do disco, descreve tudo o que uma lavadeira faz. É de uma sensualidade, de uma sensibilidade tão profunda. A lavadeira passa a ser uma deusa em vez de uma simples lavadeira. Luciana faz um cavaquinho que dói na alma, Mauricio Carrilho fez o arranjo perfeito e ainda criou um canto para a lavadeira: “Lá lá lá ia lá ia/ Madalena foi lavar” e vai embora”.

7. Roda das sete saias (Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro): “Eu ouvi cantada por Roque Ferreira, em uma das minhas viagens ao Rio, me apaixonei pela festa. Ela tem oito minutos, é um samba de roda fantástico. Fala das festas populares, tudo o que é cantado nas rodas das festas. Imagina um festejo acontecendo num terreiro, numa casa de festa… os grupos se formam a partir das afinidades: uma roda de samba aqui, uma caixeira tocando ali. Versos que surgem dessas afinidades da festa compondo um samba de roda com a música de Roque Ferreira, a letra de Paulo César Pinheiro e o arranjo de Maurício Carrilho. Eu costumo dizer que não sinto os oito minutos. Termino de cantar e pergunto: “vixe, já foi?” Ela foi uma música muito eleita aqui na minha terra. Fiz uma sessão com os compositores para ouvirmos o disco e muita gente gostou dela, por que ela é forte, ela lembra a gente, ela é muito Maranhão, é nossa…”

8. Coco da canoa (João Lyra e Paulo César Pinheiro): “Eu sou apaixonada por coco. Eu fui atrás de outro coco. Eu já tinha um coco no disco, acho um ritmo que mexe muito comigo. Quando eu era pequena, eu ia para a Rua Grande, e tinha uma cega que cantava um coco com um chocalhinho. Eu cresci com o coco muito presente na minha vida, mamãe sempre cantava em casa. Eu busquei mais um coco e como eu já tava encantada com o trabalho do João Lyra, com a alegria que ele emprega nas coisas, foi uma das canções que eu trouxe. Ela fala de um flerte na praia, de uma mulher faceira que não sabemos bem se é uma mulher ou uma sereia encantada. Gostei muito desse coco meio embolado, gostoso demais”.

9. Coco (Paulo César Pinheiro): “O coco é uma paixão. Ele é um trava-língua e a Luciana me mandou como um desafio para uma fonoaudióloga [risos]. Quando eu ouvi, pensei: “não vou conseguir cantar nunca!” É muita coisa e tudo muito rápido. Quando cantei e vi que o teatro todo cantou de novo… eu ensinei apenas uma vez e quando cantei a segunda parte todo mundo riu de tão embolado que tudo fica… e lindo… Fala de quebrar o coco, das quebradeiras de coco, a maneira como quebram o coco, que fazem a roda. Eu ia muito pra Pinheiro passar férias e comia muito coco babaçu. E pra mim não valia comer coco babaçu guardado, que mofa. Eu queria ver era ver o coco babaçu tirado por dona Mariazinha, que trabalhava na casa de meu pai, e a gente ia lá para um cantinho do quintal, debaixo duma árvore, quebrar coco”.

10. Bisavó Madalena (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro): “Foi outra pescaria. Paulinho já atrás dos seus tesouros guardados e ele tentava falar para mim como era a canção. Mas como não vou me apaixonar por uma música que fala da bisavó de Wilson das Neves? Que rodou o Brasil inteiro, que era dançarina de primeira e rodou o país dançando todos os ritmos e era boa de gogó, de samba, de bumba meu boi… quando ouvi fiquei encantada pela música. Wilson já gravou e eu não resisti, por que ela dá um resumo dessa matriarca que recebe esse festejo. E eu pretendo abrir o show com ela”.

11. Soberana (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro): “Wilson das Neves novamente. Essa música eu me lembro de Paulinho, ele não só me mostrou, mas ele dançou, me mostrando como eu devia fazer no palco com minha saia. Foi a maneira mais poética, mais romântica, mais soberana que eu vi um homem falar de uma mulher. Eu acho que qualquer mulher no mundo dava qualquer coisa para ser essa mucama à qual ele se referiu. Ela “nunca foi mucama de qualquer laia”. É a música que mais mexe comigo no disco. É a minha música! Eu sou apaixonada… As pessoas perguntam “qual é a música de trabalho?” Eu só digo Soberana. Eu sei que existe essa mulher, até por que eu sei de muitas mulheres que são soberanas. Mas você chega a duvidar, de tão incrível que ela é, você se pergunta, “é tudo isso?”, por que sempre escapa algo, ela é incrível”.

12. Ava Canindé (Paulo César Pinheiro): “Foi um Divino Espírito Santo que foi trazido para mim. Luciana mandou propositalmente, pois sabia que eu fui imperatriz na infância [em festejos do Divino, em Pinheiro, pagando promessas de sua mãe]. Eu sempre falo que vejo as mulheres indo para as festas do divino, as caixeiras, as arrumadoras da bandeira, e ela fala da simplicidade e da organização dessa festa. O dia a dia, como as pessoas se vestem, como chegam, descreve a cidade, a igrejinha. E João Lyra trouxe o que há de mais surpresa no disco, o arranjo dessa música. Para quase todos os músicos ela é a mais forte. João não conhecia a batida do Divino Espírito Santo, e no entanto ele trouxe sopros, viola. Ficou muito linda, simples, nostálgica. Para eu conseguir cantá-la do jeito que eu cantei eu me imaginava com João e Paulinho, em um morro bem alto, olhando lá de cima para esta cidade e cantando”.

13. São Luís do Maranhão (Paulo César Pinheiro): “A maneira como Paulo descreve o Maranhão, a impressão que a gente tem é a de que ele estava aqui, e de uma maneira também muito cinematográfica. Você consegue ver o boi de uma forma tão simples. Cantar minha terra foi uma honra, com a letra dele, então. E ele não conhece. Conhece através de Josué Montello e é capaz de conhecer até mais que eu, por que Paulinho quando vai em um assunto, ele vai fundo, vai além, muito além… Pra mim foi um presente, ele interferiu nesse arranjo, ele estava presente nessa gravação, acompanhou de perto [o saudoso parceiro João Nogueira era, até então, o último artista visitado por Paulo César Pinheiro em estúdio durante a gravação de um disco]. E nada como o nosso mestre Arlindo Carvalho para dirigir e dar esse toque de Boi de Pindaré. Ela fecha o disco, fecha com minha terra, fecha onde nasci, fecha com São Luís”.