São Luís é uma cidade de contrastes. O singular é justamente o título da exposição das irmãs Dinalva e Denise dos Anjos, estudantes de Educação Artística (UFMA), que fotografaram as cidades nova e velha fazendo uso do pinhole, técnica artesanal de fotografia.
Contraste, a exposição, é composta de 15 fotos, oito retratando a cidade velha – o centro histórico – e sete a cidade nova – a Av. dos Holandeses, na altura da Ponta d’Areia. Há várias técnicas para captar imagens através do pinhole – também conhecido como fotografia estenopéica. As irmãs usaram caixas de fósforo e filme fotográfico.
Sob qualquer aspecto São Luís é a capital dos contrastes. As irmãs dos Anjos concentraram-se na arquitetura. “De um lado a arquitetura colonial, de outro os prédios luxuosos e a arquitetura moderna. Buscamos com isso ir além da apreciação visual, proporcionando ao espectador uma reflexão crítica sobre a cidade e nossa história”, afirma Dinalva.
A exposição integra a programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes e fica em cartaz de amanhã (29) a domingo (3/11), das 9h às 17h, com entrada gratuita, no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Rua do Giz, 221, Praia Grande).
Wilka Sales no túmulo mais antigo do Cemitério do Gavião. “Tem mais nem data, o tempo apagou”
A exposição Ex-Vivos – Série 2 também integra a programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes. O título traduz a relação entre o expressionismo alemão e os ex-votos – diversos objetos doados a divindades como forma de agradecimento por um pedido.
O número do título dá a ideia de que uma primeira série já foi exposta: está inscrita no IV Salão de Artes de São Luís, ainda não realizado este ano. “Como eu já tinha apresentado o projeto lá, coloquei esse do Sesc como sendo o segundo mesmo”, conta Wilka Sales ao blogue, justificando a inversão da ordem.
São oito fotografias, realizadas por Bigorna Trompete e Nara Oliveira, que eternizam a performance de Wilka, que utiliza o corpo como canal d/e comunicação e assina ainda direção, produção e concepção fotográfica. A locação escolhida foi o Cemitério do Gavião, na Madre Deus.
“Percebi a conexão entre elementos visuais e artísticos que pesquisei, daí relacionar os mortos, os ex-votos e o expressionismo alemão neste trabalho”, explica a autora de Ex-vivos. Ela transgrede e provoca: um corpo vivo feminino no cemitério soou mal aos olhos de uma senhora: “Como é que você tira fotos desse jeito em cima de nossos entes queridos, minha filha?”, perguntou-lhe, indignada com um top less da moça entre as lápides.
“É a leitura dela, eu não fiquei chateada, pelo contrário: adorei a reação”, revela. A estudante de artes plásticas da UFMA, envolvida em interessantes produções culturais por São Luís, está ciente de que não agradará a todos. “Acredito que alguns vão se identificar com o trabalho. Outros não. Mas um ponto fundamental é, por exemplo, perceber as particularidades artísticas e históricas do Cemitério do Gavião, com a consequente valorização desse espaço urbano, em geral visitado apenas em dias de finados ou quando alguém morre”, aponta.
Ex-vivos – Série 2 fica em cartaz de amanhã (29) até domingo (3/11), no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (Rua do Giz, 221, Praia Grande). O horário de visitação é das 9h às 17h.
Noite dedicada ao choro promoverá reedição de recital com João Pedro Borges e Célia Maria, além do encontro inédito, no mesmo palco, dos grupos Regional Tira-Teima e Instrumental Pixinguinha
Realizado há cerca de 10 anos, o Recital de Música Brasileira protagonizou o encontro de um dos mais respeitados violonistas brasileiros em todos os tempos, João Pedro Borges, também conhecido pela alcunha de Sinhô, com uma das mais belas vozes já ouvidas na música popular brasileira, Célia Maria.
Na ocasião, o palco do Teatro Arthur Azevedo foi o escolhido para o espetáculo, em que ao par somava-se ainda um regional. A apresentação deixou saudades em quem esteve na plateia e/ou viu trechos pela internet ou pelas tevês Câmara e Senado, que reprisaram-na, colaborando para a aura mítica de que hoje goza o Recital.
Ainda que em menor escala, uma reedição do show será apresentada na Noite do Choro, domingo que vem (27), às 19h, na Praça Nauro Machado (Praia Grande), dentro da programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes.
A Noite do Choro promete também ser um acontecimento inesquecível: além do Recital de Música Brasileira, o espaço destinado ao mais brasileiro dos gêneros musicais no evento promoverá o encontro inédito, no mesmo palco, tocando simultaneamente, dos mais tradicionais grupamentos de choro do Maranhão: o Regional Tira-Teima e o Instrumental Pixinguinha.
Certamente será também a noite dos encontros, dos reencontros. Nela o verso do poeta centenário ficará incompleto: só não haverá desencontros. Marque com seu amor, marque com seus amigos, e vá prestigiar este bom punhado de talentos do choro e da música brasileira produzidos no Maranhão. Como apregoa um radialista especializado no assunto: “pra gente de qualidade”.
Histórias – João Pedro Borges, também conhecido como Sinhô, é um dos mais importantes nomes do violão brasileiro. Foi professor de, entre outros, Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Guinga e Raphael Rabello. Integrou a Camerata Carioca, liderada pelo gaúcho Radamés Gnattali, grupo definitivo para a renovação do choro no Brasil, entre o final da década de 1970 e início da de 1980. Participou de discos fundamentais do gênero, como Tributo a Jacob do Bandolim [Camerata Carioca, 1979], Valsas e Choros [Turíbio Santos, 1979], Vivaldi e Pixinguinha [Camerata Carioca, 1980], Mistura e manda [Paulo Moura, 1983] e Noites Cariocas [vários, 1989]. Sua discografia inclui ainda A obra para violão de Paulinho da Viola [1985], em que executa repertório do autor de Sinal Fechado acompanhado do próprio e César Faria.
Conhecida como “a voz de ouro do Maranhão”, Célia Maria ainda é menos conhecida do que merece, seja no Maranhão ou fora dele, dado seu inegável talento. Nascida em São Luís, Cecília Bruce dos Reis, adotou o nome artístico para poder, então adolescente, cantar escondida dos pais. Sua carreira artística iniciou-se ainda na infância em concursos de calouros promovidos por emissoras de rádio em sua cidade natal. Morou no Rio de Janeiro onde respirou a efervescência cultural do famoso restaurante Zicartola, com cujos proprietários conviveu, Dona Zica e Cartola, além de nomes como Zé Keti e Nelson Cavaquinho, entre outros da fina flor do samba brasileiro. Em seu disco de estreia, de 2001, intitulado simplesmente Célia Maria, registrou obras de nomes como Chico Maranhão [Meu Samba Choro], Cesar Teixeira [Lápis de Cor], Antonio Vieira [Ingredientes do Samba], Bibi Silva [Lágrimas], João do Vale [Na asa do vento], Edu Lobo e Chico Buarque [Beatriz] e, entre outros, Joãozinho Ribeiro, que naquele ano levou o troféu do Prêmio Universidade FM de melhor compositor, por Milhões de Uns. A produção e os arranjos de Célia Maria ficaram a cargo de Ubiratan Sousa. Seu segundo disco está finalizado, tendo sido produzido e arranjado pelo violonista Luiz Jr., e deve chegar às lojas em 2014.
O Regional Tira-Teima é o mais antigo grupamento de choro em atividade no Maranhão. Suas origens remontam ao final da década de 1970, quando participaram do antológico Lances de Agora [Discos Marcus Pereira, 1978], de Chico Maranhão, gravado em quatro dias na sacristia da secular Igreja do Desterro, no bairro homônimo do centro histórico da capital maranhense. O único remanescente daquela formação é Paulo Trabulsi (cavaquinho). A atual completa-se com Francisco Solano (violão sete cordas), Zeca do Cavaco (cavaquinho), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (percussão). O Tira-Teima está em estúdio, gravando seu disco de estreia.
O Instrumental Pixinguinha foi pioneiro ao lançar, em 2005, Choros Maranhenses. O disco de estreia do grupo era o primeiro trabalho inteiramente dedicado ao choro gravado no Maranhão. E foi além: todo o repertório é de autoria de chorões locais, de membros do grupo e chorões fundamentais para a consolidação do gênero por estas plagas, a exemplo de Zé Hemetério e Nuna Gomes, entre outros. Formado nos corredores da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (EMEM), por professores da instituição, o grupo toma emprestado o apelido-nome artístico de Alfredo da Rocha Viana Filho, um dos mais importantes do choro em todos os tempos. Domingo sobem ao palco Raimundo Luiz (bandolim), Juca do Cavaco (cavaquinho), Domingos Santos (violão sete cordas), Nonato Oliveira (percussão) e Paulo Oliveira (flauta).
O compositor, cujo sesquicentenário de nascimento é comemorado em 2013, será homenageado em ambos os repertórios da noite
Repertórios – Recital de Música Brasileira – Choros e Canções, o primeiro espetáculo da Noite do Choro na 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes, foi pensado para mostrar ao público um momento de formação e afirmação da música brasileira, sendo dividido em duas partes. Na primeira, João Pedro Borges executa sozinho, choros de autoria de Heitor Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, João Pernambuco e Garoto.
“Não são nomes escolhidos à toa, as peças destes compositores dialogam entre si: Villa-Lobos homenageou Nazareth, que homenageou João Pernambuco e Garoto acaba sendo meio que o resultado daquilo tudo que o choro se tornou”, explica Sinhô, também professor da EMEM.
Na segunda parte do espetáculo, Célia Maria, acompanhada pelo violão dele, desfila um repertório que vai de Azulão (parceria de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira) a Piano na Mangueira (de Chico Buarque e Tom Jobim), passando por, entre outras, canções como Senhorinha (parceria de Guinga e Paulo César Pinheiro), O Velho Francisco (Chico Buarque) e Sinhá (parceria de Chico e João Bosco), além de um tema inédito de autoria de João Pedro Borges (Porto Errante).
O segundo show, a reunião inédita de Tira-Teima e Pixinguinha no mesmo palco, fará um passeio por clássicos do gênero. Serão 10 de nossos melhores instrumentistas executando uma espécie de “o melhor do choro”, aquelas que não podem faltar em qualquer roda – e discografia – que se preze.
“Faremos um repertório conhecido e popular, pra cima”, promete Juca do Cavaco. Raimundo Luiz antecipa alguns títulos: Vibrações (Jacob do Bandolim), Brejeiro (Ernesto Nazareth), Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo), Delicado (Waldir Azevedo), Naquele Tempo (Pixinguinha) e Doce de Coco (Jacob do Bandolim). “Isso é só para terem uma ideia”, afirma, em parte agradando antecipadamente aos chorões de carteirinha, em parte deixando algum mistério no ar.
Pelos momentos mágicos que certamente proporcionará, a noite de domingo que vem já está na história.
Serviço
O quê/ quem: Noite do Choro. Dois espetáculos musicais: o primeiro, o Recital de Música Brasileira – Choros e Canções, com João Pedro Borges (violão) e Célia Maria (voz); o segundo, o encontro inédito dos grupos Regional Tira-Teima e Instrumental Pixinguinha. Quando: 27 de outubro (domingo), às 19h. Onde: Praça Nauro Machado (Praia Grande). Quanto: grátis.
Classificação livre. O espetáculo integra a programação da 8ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes.
Apresentações têm início nesta quinta-feira (5), em Imperatriz e vão até o dia 13, em São Luís. Turnê passará ainda por Brasília, Belém e Teresina
Josias Sobrinho e Chico Saldanha estão de malas prontas. Na bagagem, seus talentos. Acompanhados de Fleming Bastos (bateria), Jeca Jekovsky (percussão), Marcão (violão e guitarra), Mauro Travincas (contrabaixo), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho), Rui Mário (sanfona e direção musical), a dupla leva o Circuito Dobrado Ressonante de Música a cinco cidades: Imperatriz (quinta-feira, 5, às 21h, no Teatro Ferreira Gullar, com participações especiais de Gildomar Marinho e Zeca Tocantins), Brasília (sexta-feira, 6, às 20h, no Teatro Silvio Barbatto – Sesc, com participação especial de Nilson Lima), Belém (terça-feira, 10, às 21h, no Teatro Waldemar Henrique, com participação especial de Ronaldo Silva), Teresina (quarta-feira, 11, às 21h, no Tempero de Iracema, com participação especial de Roraima) e São Luís (sexta-feira, 13, às 21h, no Teatro Arthur Azevedo, com participação especial do duo Criolina).
Os ingressos para todas as apresentações devem ser trocados nas respectivas bilheterias por um quilo de alimento não perecível.
No repertório, além de clássicos de suas lavras, a exemplo de Engenho de Flores e Dente de Ouro, de Josias, e Itamirim e Linha Puída, de Saldanha, comparecem também temas de Cesar Teixeira (Botequim), Sérgio Habibe (Ponteira), Zeca Baleiro (Boi de Haxixe) e Chagas (Se não existisse o sol), entre outras, além de obras autorais dos convidados especiais.
Abaixo, um texto que escrevi a pedido de Josias (não sei onde foi e/ou será usado, mas partilho acá com os poucos mas fieis leitores).
DOIS BARDOS NA ESTRADA
Os lagos da Baixada se encontram com os rios do Munim e atravessam o Estreito dos Mosquitos, inundando a Ilha capital, e de lá transbordam do Maranhão para o mundo.
“Eu quero ver a serpente acordar!”, gritaria outro compositor, certamente influenciado pelo transbordar, que não assusta por se tratar de música e talento, de Josias Sobrinho e Chico Saldanha.
Os meninos de Cajari e Rosário, há muito ludovicenses, dois dos mais extraordinários compositores de nossa música popular, que ainda precisam ser mais e mais conhecidos por aqui e lá fora.
Seus talentos inundarão plateias em Imperatriz, Brasília/DF, Belém/PA, Teresina/PI e São Luís, durante a pequena e ligeira turnê de Dobrado Ressonante, espetáculo que apresentam juntos já há algum tempo. Espécie de desdobramento de São três léguas, outros bois e muito mais, mítico show em que iniciaram a parceria (no palco), há cerca de 15 anos.
As histórias são muitas e o cofo de música é fundo e pesado. A estrada é longa e os amantes da boa música devem embarcar com estes meninos, senhores artistas!
Na entrevista que deu a Los Perros Borrachos, Marcos Magah comentou sua obsessão com a letra Z, de onde tirou o Z de vingança, título de seu disco de estreia.
Qual espelho, o Z se inverte, vira S, e o homem lúcido e perigoso, personagem de que fala o disco, invade o Sistema S: é isso mesmo, caro leitor, cara leitora, Marcos Magah se apresenta neste sábado (31), na unidade centro do Sesc, isto é, o Sesc Deodoro.
O Sesc-MA já deu aos cinéfilos ilhéus este ano uma mostra dedicada ao nada menos que genial Jacques Tati em maio passado.
Agora é a vez de John Cassavetes, em mostra que tem de subtítulo “o cinema independente norte americano”.
Todas as sessões são gratuitas, devendo os interessados retirar os ingressos com meia hora de antecedência na bilheteria do Cine Praia Grande, que abrigará a mostra.
Confiram abaixo a programação completa.
28 de agosto (quarta-feira): 18h30> Abertura 19h> Palestra/Diálogo O Cinema Independente Norte Americano (mediador: Davi Coelho) 20h> Sombras (1959, 87’)
29 (quinta): 16h> Sombras 18h> Faces (1968, 130’) 20h20min> Uma mulher sob influência (1974, 146’)
30 (sexta): 16h> Uma mulher sob influência 18h30min> A morte de um bookmaker Chinês (1976, 135’) 20h50min> Noite de Estreia (1977, 144’)
31 (sábado): 16h> A morte de um bookmaker Chinês 18h30min> Noite de Estreia 21h> Faces
O nome do grupo é O Charme do Choro e quando assim se batizaram as meninas certamente estavam se referindo tanto ao gênero musical que executam quanto a si mesmas.
Sem pedantismo. As paraenses Camila Alves (violão sete cordas) Carla Cabral (cavaquinho), Dulci Cunha (flauta), Jade Guilhon (bandolim e violino), Laíla Cardoso (violão) e Rafaela Bittencourt (pandeiro) acabam de lançar seu disco de estreia, após seis anos de carreira, iniciada durante o projeto Choro do Pará, desenvolvido no estado vizinho. Os 14 choros do disco são todos assinados por compositores paraenses.
As meninas estão em São Luís e farão um show que leva o próprio nome do grupo, hoje, às 20h, no Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande), com entrada franca. A programação integra a mostra Sesc Amazônia das Artes, realizada pelo Sesc-MA.
Estão abertas até 16 de agosto, limitadas às 50 vagas oferecidas, as inscrições para o Curso de História da Arte – Da Arte Contemporânea à Moderna, realização do Itaú Cultural, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, com apoio do Sesc, que em São Luís sediará a atividade.
Gratuito, o curso será realizado no Auditório do Sesc Saúde (Rua do Sol, 616, Centro) e é dividido em três módulos, que acontecerão dias 27, 28 e 29 de agosto, das 9h ao meio dia e das 14h às 17h.
Documentos da Cultura: a Festa, a Dança, a Fé é o título da exposição de Carolina Libério, Jane Maciel e Ramúsyo Brasil, fotógrafos que integram o Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI), associado ao Instituto Federal do Maranhão (IFMA), cujo vernissage acontece nesta quinta-feira (11), às 18h30min, na Galeria de Artes do SESC Deodoro (Av. Gomes de Castro, 132, Centro). As 21 imagens que compõem a exposição foram realizadas entre 2009 e ano passado.
“Quem sabe o segredo de São Cosme é São Damião” (Baden Powell)
Os cliques do trio valorizam a importância do corpo e do movimento e não garantem distanciamento do objeto estudadobservado: câmeras em punho, olho mirando através das lentes, são também, ele & elas, partes integrantes da festa, da dança, da fé, da paisagem.
“Dança a nossa tribo/ dança o povo inteiro” (Lenine): o Bambaê de Caixa em Penalva
Movimento, vibração e pulsação são palavras fundamentais para compreender a opção estética da tríade: determinada imagem não está borrada ou tremida, mas quer eternizar em si, instantes além do clique em si (ou qualquer outra nota musical): um exercício de (quase) cinema (mudo). Engajamento é outra palavra que vale destacar: o do corpo que anda, dança, reza, corre atrás dos bombons de Cosme e Damião, e goza o divino & o mundano, o dos três fotógrafos com a cultura popular do Maranhão e com a fotografia, o do seu corpo ao ver os registros: impossível não se sentir lá (na festa, na dança, na fé clicada): engajamento é compromisso e você já tem, nesta quinta, um de primeira.
“Andar com fé eu vou” (Gilberto Gil): São Raimundo dos Mulundus
Estão registrados em Documentos da Cultura (amostras grátis as três imagens que ilustram este post) clubes de reggae, a festa de São Cosme e São Damião, a malhação de Judas, a dança do cacuriá, através de sua eterna rainha Dona Teté, a festa do Bambaê de Caixa (da comunidade do Pouso, em Penalva/MA) e a procissão e São Raimundo dos Mulundus (Vargem Grande/MA).
Hoje é o último dia da mostra Tati por inteiro, do Sesc, no Cine Praia Grande. Ingressos devem ser retirados gratuitamente na bilheteria do cinema com meia hora de antecedência às sessões. Programação abaixo.
Sinopses (do catálogo da mostra): Parada > Apesar de ter sido filmado em sua maior parte em vídeo (Tati pressentiu a transição gradual para o digital), financiado pela televisão sueca, Parada foi realizado com o objetivo de ser lançado nos cinemas, mesmo que um espetáculo circense tenha sido privilegiado neste que seria seu último filme. Interpretando o sr. Loyal, Tati garantiu a sequência dos números de sua apresentação de circo, dando vida nova às músicas de Impressions Sportives, que ele realizava no music hall. Tati: seguindo os passos do sr. Hulot > Dirigido por Sophie Tatischeff, filha de Tati, o documentário apresenta um Tati por trás das câmeras, como autor, produtor e diretor. Vários registros de seu trabalho foram feitos ao longo de suas viagens pelo mundo. Com base nesses registros, Sophie deu vida a este material, um retrato da personalidade exigente, determinada e à frente de seu tempo, características tão marcantes em Tati, que exercia sua profissão sem se deixar influenciar pelas convenções.
Ei, tu aí,
Jacques Tati!
Onde estás?
Aqui, aqui, Jacques Tati.
Eu aqui, tu aí,
Jacques Tati
Converso contigo numa noite de S. Paulo.
Os cachorros seguem tio Hulot
e lambem com carinho os farrapos de teus passos.
Pousas numa poça?
Danças numa praça?
O passarinho que olhas canta pra ti, Tati.
Te pede a luz da janela que abres
e teus olhos acompanham esse som infinito
de Satie?
de Bach?
de Debussy?
um som que teu silêncio embrulha
como presente pra mim, Tati.
som imenso e simples
que ninguém consegue samplear.
São Paulo, 1997, depois de ver Meu Tio
&
Poema de Celso Borges que eu trago da caixa de comentários ao espaço principal do blogue. Promoção do Sesc, a mostra Tati por inteiro segue até sábado no Cine Praia Grande, de graça (ingressos devem ser retirados com meia hora de antecedência na bilheteria do cinema). Abaixo, programação d’hoje, que nunca é demais repetir, Tati, Tati, Tati…
Comédia de Jacques Tati é uma crítica ao corre-corre desenfreado da sociedade contemporânea
Carrossel da esperança [Jour de fête, 1949, 77min.] inaugurou hoje a mostra Tati por inteiro, promovida pelo Sesc, no Cine Praia Grande, que recebeu um bom público para a sessão de abertura.
No filme, o próprio Jacques Tati interpreta o carteiro François, um atrapalhado de bom coração que tem em ajudar um prazer. Na praça de um vilarejo francês – alguns moradores compõem o elenco – instala-se um carrossel, a despertar o interesse, por motivos diversos, de adultos e crianças.
Nosso adorável carteiro, entre fazer o seu e bebericar em serviço, acaba assistindo, em um cine-mambembe a um filme sobre os carteiros americanos, cujo ideal de rapidez passa a perseguir. E é a partir daí que o filme torna-se ainda mais engraçado.
Muitos comediantes sem graça de hoje em dia deveriam assistir Tati e aprender com ele: é impressionante como mais de 60 anos depois de lançado, o filme continue despertando o sorriso em adultos e crianças. Carrossel da esperança não é cinema mudo, mas a fala ali é quase detalhe, o que facilita o entendimento para crianças que por vezes não conseguirão acompanhar as legendas. Ou mesmo para os que ainda não aprenderam a ler: o cineasta é recomendável para todas as idades. Sem contraindicação, sem moderação. Aproveite a mostra Tati por inteiro por inteiro.
Outro detalhe curioso sobre o filme é que durante muito tempo conheceu-se apenas sua versão em preto e branco: o colorido era uma tecnologia experimental na época e a versão em cores só veio a público em 1995, durante o restauro da obra de Tati, coordenado por sua filha. A música de Jean Yatove mereceria um comentário à parte: impecável trilha sonora de ares circenses.
Não se enganem os que pensam que a atualidade do humor de Tati está na facilidade, no fazer rir descompromissado de tropeços e quedas típicos dos pastelões. Isso está lá também. Mas não só. No fundo, a busca de François pela velocidade dos carteiros americanos em Carrossel da esperança acaba sendo uma crítica ao nosso correr desenfreado em busca de não sei o quê – dinheiro, celular último modelo, carro zero em não sei quantas prestações, casa própria, sucesso e reconhecimento profissional. Quer algo mais atual que isso?
&
A mostra Tati por inteiro continua até sábado, programação de amanhã (22) na imagem que abre o post. Abaixo, trailer de Meu tio (Oscar de melhor filme estrangeiro de 1959, 20h); o de As férias do sr. Hulot (18h), no post anterior.
O cineasta francês Jacques Tati terá sua trajetória lembrada na mostra Tati por inteiro, que começa hoje, às 19h, no Cine Praia Grande. Abre o post trailer de As férias do sr. Hulot, filme que integra a programação. A promoção é do SESC, em parceria com a Embaixada da França e Cultures France, e as exibições têm entrada franca. Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do cinema com meia hora de antecedência a cada sessão.
O filme de hoje é Carrossel da esperança (1949). A sessão tem início às 20h.
A mostra segue até sábado e inclui ainda uma palestra/diálogo (“Jacques Tati: seguindo os passos do Sr. Hulot”, com Davi Coelho e Stella Aranha, sábado, 25, às 19h) e um workshop (“Adaptações criativas para o cinema: da literatura e HQ à linguagem cinematográfica”, ministrada por Alexandre Bruno Gouveia, de 22 a 24 de maio, das 15h às 17h30min, com inscrições pelo telefone (98) 3216-3830 e/ou e-mail galeriadeartesescma@gmail.com), também gratuitos.
O blogue voltará ao assunto ao longo da semana, divulgando a programação diária de Tati por inteiro.