ligeira (nem tanto assim)

ok, passaram-se as eleições, passou o reveião. é 2007, meu povo! viva!

o negócio é o seguinte: gilberto gil permanece à frente do ministério da cultura, “fico” que merece aplausos deste blogue(iro).

sabe-se lá o porquê (ao menos é o que chegou aos ouvidos/olhos deste que vos perturba), está pedindo os cargos de márcio meira (secretário de articulação institucional do minc) e antonio grassi (presidente da funarte).

sabedores que somos da importância destes/as dois/duas homens/peças para o bom funcionamento do minc, como bem frisa a carta que segue publicada ao fim do post, engrossamos o coro dos descontentes e bradamos: gil, deixa os moços!

a carta, a propósito, é (ao que nos consta) o primeiro “pronunciamento” de joãozinho ribeiro à frente da secretaria de cultura do estado do maranhão (este blogue dá antes e gosta, alô, trip!).

*

momento coluna social (blogue de celebridades e/ou fofocas e/ou coisa que o valha) deste post desordenado: gisele brasil e marcos ramon (vulgo ramon de gisele) casam amanhã. a coluna, digo, o blogue(iro) faz votos de felicidades mil ao belo par.

e via msn este blogue de fofocas (ao menos neste brevíssimo instante) descobriu que, no rio grande do sul, jana campos lobo e alexandre vieira também oficializaram a união. para eles, idem: votos de felicidades mil. para os quatro e todos os que nos lêem, felicidades mil e um ótimo 2007!

voltemos, pois.

*

a carta:

São Luís, 3 de janeiro de 2007

Prezados camaradas da vida e da arte de todo o Brasil,

O espaço da cultura permanecerá sendo o espaço das trocas por excelência, graças as nossas diferenças e não apesar delas. Assim, a generosidade dos seres e a harmonia entre cultura e natureza neutralizarão qualquer tentativa de condução à barbárie e ao desencantamento do mundo. Não pode nem deve ser diferente para a equipe do Ministério da Cultura, que, apesar de permanecer pobre em termos de orçamento, tem enriquecido com o árduo trabalho de todos os seus integrantes – do Ministro Gilberto Gil ao mais modesto servidor – a luta dos pensadores e fazedores da Cultura deste País, que têm no MinC, e em camaradas da vida e da arte, como MÁRCIO MEIRA e ANTONIO GRASSI, verdadeiros paladinos da instituição, que hoje serve de referência e orgulho para todos nós que contribuimos com todas as nossas melhores intenções e gestos para a construção de uma Política Pública participativa, plural e descentralizada.

Em 2004, compartilhei uma mesa com o Ministro Gilberto Gil, num seminário realizado na cidade de Rio Claro/SP, onde ele transmitia a todos um ensinamento de um filósofo americano (se não me engano), que assim dizia: “O silêncio é a linguagem dos Deuses; o resto é má tradução”. Como não somos deuses, apenas homens, continuamos andando com fé, “pois a fé não costuma faiar”; traduzindo, em boas novas, palavras de solidariedade aos companheiros MEIRA e GRASSI, que tanto têm honrado a vida pública deste país com seus exemplos de cidadãos do mundo. Merecedores de um reconhecimento decente e a altura dos seus feitos, que aqui não carecem de enumeração, pois fazem parte de um trabalho de equipe, tocado pela batuta do afinado Ministro maestro.

Hoje, na condição de Secretário de Estado da Cultura do Maranhão, um dos estados mais pobres da Federação, sinto-me um verdadeiro exemplo de comunhão e tolerância, indicado por segmentos culturais das mais diversas estirpes para ocupar o cargo: hip hop, quilombolas, sem-terra, professores, estudantes, artistas, produtores culturais, sem-teto, partidos, enfim, um conjunto de sujeitos da história, com suas diferenças, que acreditam ser através da mudança da cultura política que se mudará definitivamente a política cultural deste imenso território humano chamado Brasil.

Deste território devemos extirpar os mais elementares resquícios de intolerância, e fazer com que, no segundo mandato do Presidente Lula, o Ministério da Cultura sirva de exemplo para o Brasil e o mundo do equilíbrio e da capacidade dos homens de conviverem e contribuir para a justificação de suas presenças na terra, onde a natureza para ser comandada precisa, simplesmente, ser obedecida.

Assim traduzo meu apoio ao novo mandato do Presidente Lula, do Ministro Gil e à permanência dos valorosos companheiros ANTONIO GRASSI e MÁRCIO MEIRA a frente das suas respectivas pastas no Ministério da Cultura, por tudo que já fizeram e que podem fazer muito mais.

Joãozinho Ribeiro
Poeta e compositor
Secretário de Estado da Cultura do Maranhão
Fundador do Partido dos Trabalhadores

ainda em ritmo de começo de ano

(à guisa de anti-propaganda ou) um estresse em três atos:

1. foto sombra do colonial shopping. eu era o terceiro numa fila para revelar fotos digitais. pen drive na mão, o papel da máquina acaba na vez do cidadão exatamente à minha frente. não reclamo, não xingo, não esbravejo. simplesmente saio (sem despedir-me das atendentes sorridentes e desculposas) e me dirijo a um

2. outro foto sombra na rua grande. uma pessoa na vez, eu seria o próximo. a sorridente atendente pede-me, terminados os trabalhos do cliente anterior, que eu ponha o pen drive na porta usb da máquina e vai atender ao telefone. fala, fala e fala. a tela da máquina me avisa que “o dispositivo não está conectado”, pedindo-me que eu tente novamente, o que ainda faço por duas vezes, até reclamar que não estava dando certo. uma outra senhorita avisa-me que “não tá prestando, o rapaz só vem amanhã consertar. mas você pode ir ao foto sombra do colonial…”. ainda respondo que “lá não tem papel” e pareço ouvir algo, já não dou tanta importância e parto sem mais.

3. o terceiro ato (estresse) é saber – ao menos até onde sei – que só o foto sombra faz este serviço na ilha. e que eu vou ter que revelar lá as tais fotografias.

um post (desnecessário, talvez) para começar o ano aqui no blogue…

Enfim, 2006 foi um ano bom. Saldo positivo, eu diria (digo, na verdade), apesar de tudo, seja lá o que tudo for. Aqui dá para usar essa metáfora, embora não possa fazê-lo com relação a bancos e similares. Prestações a vencer e um monte de coisa continua na mesma. Eu poderia fazer uma avaliação minuciosa do ano que passou, mas sem retrospectiva, por favor!: não vou torrar a paciência dos caros leitores. Melhor dizendo: não vou iniciar o ano – primeiro post – torrando a paciência dos caros leitores (nem a minha, é verdade). Mas aguardem: 2007 promete. Ao menos, esper(am)o(s).

Há planos, é claro. Alguns impublicáveis, não por serem pornográficos ou coisa parecida. Quando forem dando certo, aviso (o que for necessário) por aqui. Eu nem vou dizer que quero/vou beber menos e estudar mais (entre outras coisas): todas as vezes em que “prometi” isso, não deu certo. Mas, para não fugir à regra: eu prometo!

Provavelmente minha miopia (literalmente ou não) e meu astigmatismo aumentaram. Infelizmente, mais por uso de computadores que por excesso de leitura. Nesse aspecto – e em vários outros, é verdade –, espero que 2007 seja melhor que o ano que terminou. Não que eu use menos computadores, mas que eu leia mais, se é que vocês me entendem. E isso é apenas parte das mudanças que esper(am)o(s). 7º e 8º períodos vêm aí, eis um ano decisivo.

No mais, é aquilo que alguém já disse: depende de nós. Não adianta querer consertar o mundo se não mexermos em nós mesmos.

A verdade é que não dá para resumir num post (e eu não vou fazer um segundo sobre o assunto).

Bom, feliz 2007 pra todo mundo!

a última “primeira classe” do ano

mais uma vez, decepção com o concurso literário e artístico cidade de são luís. não que eu ache que eu devesse vencer (concorri, este ano, à categoria jornalismo, prêmio bandeira tribuzzi). mas saber que há gente boa concorrendo e as comissões dizerem que em algumas categorias trabalhos não obtiveram um mínimo de qualidade é, no mínimo, um exagero. ou falta de conhecimento, pseudoconhecimento, sabe-se lá…

abaixo, a última modesta colaboração deste blogueiro para a primeira classe, jp turismo, jornal pequeno. em 2006, é claro. quando digo, aí no texto, que o livro deveria ser lido por colunistas sociais, não enganem-se, caros leitores: o livro é bom e deve ser lido por vocês também.

antes, uma ampliação do trecho do livro que usei em meu texto. acrescente-se aos que devem ler o livro, além de colunistas sociais e seus pares, alguns membros da comissão julgadora do concurso cidade de são luís:

“A nossa era é, cada vez mais, a era do pseudoconhecimento, o modo pelo qual tentamos tolamente nos diferenciar da maioria medíocre. Sentar-se ao redor de uma garrafa de suco de uva azedo, falando de toques delicados de groselha-preta, fumaça de carvalho, trufas ou de qualquer outro absurdo refinado que a natureza teria usado para enriquecer o seu sabor é ser um cafone de primeira grandeza. Porque, se há algum toque delicado a ser percebido em qualquer vinho, é provável que seja o de pesticida e esterco. Sobre um Château Margaux 1978, um connaisseur pronuncia: “Após uma hora exposto ao ar, este vinho desabrocha, revelando aromas de cassis doce, chocolate, violetas, tabaco e doce baunilha acarvalhada. Em cerca de dez anos, este vinho pode evoluir para a clássica mistura Margaux de cassis, trufas negras, violetas e baunilha”. Como se isso não fosse absurdo o bastante, “um traço de pimentão se esconde no cassis”.

Como um nariz tão sofisticado pode não ter detectado a merda de vaca com a qual essa celebrada propriedade de Bordeaux fertiliza suas videiras? Um verdadeiro conhecedor de vinhos, se tal coisa existisse, detectaria o pesticida e o esterco antes de tudo: ele não seria um goûter de vin, e sim um goûter de merde. Mas não existe conhecimento real de vinho sem ser o daqueles que sabem que a verdadeira alma do vinho, l’âme du vin, é o vinagre. Só saboreia realmente maravilhas quem bebe, puros, aqueles raros vinagres envelhecidos, denominados da bere: a coisa pra valer, um néctar bem distante do suco glorificado dessa indústria de adjetivos e falsidade, que já foi bebida simples e nobre de camponeses simples e nobres – bem mais nobres e conhecedores que os otários endinheirados de hoje em dia, engambelados a acreditar que a degustação de vinho pede mais palavras do que “bom”, “ruim” ou “cala essa boca e bebe logo”.” (p. 13-15)

Um conhecedor da verdade

Sem escrever meramente um elogio ao ópio – ou tão somente fazer-lhe apologia – Nick Tosches alia temas como pseudoconhecimento e o vício. Com conhecimento de causa.

por Zema Ribeiro*

A alucinada – porém lúcida, diga-se – busca de um viciado por uma casa de ópio onde a droga já (quase) não existe. Eis o mote – e isso não é pouco – de “A última casa de ópio[“The last opium den”, tradução de Michele de Aguiar Vartuli, Conrad Editora, 2006, 93 páginas, R$ 25,00], de Nick Tosches, jornalista, poeta e romancista de quem este aspirante – confesso – ainda não tinha ouvido falar.

O autor está, na orelha do livro, colocado ao lado de gente grande, dos naipes de Truman Capote, Hunter Thompson e Lester Bangs. Antes de mergulhar em busca da última casa de ópio, o livro inicia-se com uma crítica ao pseudoconhecimento, tão em voga e tão celebrado hoje em dia. Tivesse este livro sido escrito no Brasil, certamente os exemplos sobre o assunto seriam outros, abundantes. Por lá, um deles é pagar-se algo como 25 ou 35 dólares por meia cebola.

Um trecho, certeiro: “A nossa era é, cada vez mais, a era do pseudoconhecimento, o modo pelo qual tentamos tolamente nos diferenciar da maioria medíocre. (…) Foda-se este mundo de otários pseudo-sofisticados, incapazes de reconhecer as melhores coisas da vida – desde uma dose daquele vinagre até os primeiros sinais do outono numa árvore –, quanto mais apreciá-las”.

O livro foi escrito em 1985 e falava de um século XXI que já chegou, infelizmente sem erros nas “previsões” do autor.

Talvez alguns preconceitos ainda não expurgados me atirem à vala comum dos pseudoconhecedores de que fala Tosches. Mas, sem dúvidas, eis um livro que deveria ser lido – urgentemente – por colunistas sociais e seus pares.

* Zema Ribeiro é correspondente para o Maranhão do site Overmundo e escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

a última "primeira classe" do ano

mais uma vez, decepção com o concurso literário e artístico cidade de são luís. não que eu ache que eu devesse vencer (concorri, este ano, à categoria jornalismo, prêmio bandeira tribuzzi). mas saber que há gente boa concorrendo e as comissões dizerem que em algumas categorias trabalhos não obtiveram um mínimo de qualidade é, no mínimo, um exagero. ou falta de conhecimento, pseudoconhecimento, sabe-se lá…

abaixo, a última modesta colaboração deste blogueiro para a primeira classe, jp turismo, jornal pequeno. em 2006, é claro. quando digo, aí no texto, que o livro deveria ser lido por colunistas sociais, não enganem-se, caros leitores: o livro é bom e deve ser lido por vocês também.

antes, uma ampliação do trecho do livro que usei em meu texto. acrescente-se aos que devem ler o livro, além de colunistas sociais e seus pares, alguns membros da comissão julgadora do concurso cidade de são luís:

“A nossa era é, cada vez mais, a era do pseudoconhecimento, o modo pelo qual tentamos tolamente nos diferenciar da maioria medíocre. Sentar-se ao redor de uma garrafa de suco de uva azedo, falando de toques delicados de groselha-preta, fumaça de carvalho, trufas ou de qualquer outro absurdo refinado que a natureza teria usado para enriquecer o seu sabor é ser um cafone de primeira grandeza. Porque, se há algum toque delicado a ser percebido em qualquer vinho, é provável que seja o de pesticida e esterco. Sobre um Château Margaux 1978, um connaisseur pronuncia: “Após uma hora exposto ao ar, este vinho desabrocha, revelando aromas de cassis doce, chocolate, violetas, tabaco e doce baunilha acarvalhada. Em cerca de dez anos, este vinho pode evoluir para a clássica mistura Margaux de cassis, trufas negras, violetas e baunilha”. Como se isso não fosse absurdo o bastante, “um traço de pimentão se esconde no cassis”.

Como um nariz tão sofisticado pode não ter detectado a merda de vaca com a qual essa celebrada propriedade de Bordeaux fertiliza suas videiras? Um verdadeiro conhecedor de vinhos, se tal coisa existisse, detectaria o pesticida e o esterco antes de tudo: ele não seria um goûter de vin, e sim um goûter de merde. Mas não existe conhecimento real de vinho sem ser o daqueles que sabem que a verdadeira alma do vinho, l’âme du vin, é o vinagre. Só saboreia realmente maravilhas quem bebe, puros, aqueles raros vinagres envelhecidos, denominados da bere: a coisa pra valer, um néctar bem distante do suco glorificado dessa indústria de adjetivos e falsidade, que já foi bebida simples e nobre de camponeses simples e nobres – bem mais nobres e conhecedores que os otários endinheirados de hoje em dia, engambelados a acreditar que a degustação de vinho pede mais palavras do que “bom”, “ruim” ou “cala essa boca e bebe logo”.” (p. 13-15)

Um conhecedor da verdade

Sem escrever meramente um elogio ao ópio – ou tão somente fazer-lhe apologia – Nick Tosches alia temas como pseudoconhecimento e o vício. Com conhecimento de causa.

por Zema Ribeiro*

A alucinada – porém lúcida, diga-se – busca de um viciado por uma casa de ópio onde a droga já (quase) não existe. Eis o mote – e isso não é pouco – de “A última casa de ópio[“The last opium den”, tradução de Michele de Aguiar Vartuli, Conrad Editora, 2006, 93 páginas, R$ 25,00], de Nick Tosches, jornalista, poeta e romancista de quem este aspirante – confesso – ainda não tinha ouvido falar.

O autor está, na orelha do livro, colocado ao lado de gente grande, dos naipes de Truman Capote, Hunter Thompson e Lester Bangs. Antes de mergulhar em busca da última casa de ópio, o livro inicia-se com uma crítica ao pseudoconhecimento, tão em voga e tão celebrado hoje em dia. Tivesse este livro sido escrito no Brasil, certamente os exemplos sobre o assunto seriam outros, abundantes. Por lá, um deles é pagar-se algo como 25 ou 35 dólares por meia cebola.

Um trecho, certeiro: “A nossa era é, cada vez mais, a era do pseudoconhecimento, o modo pelo qual tentamos tolamente nos diferenciar da maioria medíocre. (…) Foda-se este mundo de otários pseudo-sofisticados, incapazes de reconhecer as melhores coisas da vida – desde uma dose daquele vinagre até os primeiros sinais do outono numa árvore –, quanto mais apreciá-las”.

O livro foi escrito em 1985 e falava de um século XXI que já chegou, infelizmente sem erros nas “previsões” do autor.

Talvez alguns preconceitos ainda não expurgados me atirem à vala comum dos pseudoconhecedores de que fala Tosches. Mas, sem dúvidas, eis um livro que deveria ser lido – urgentemente – por colunistas sociais e seus pares.

* Zema Ribeiro é correspondente para o Maranhão do site Overmundo e escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

míope e torpe top5

um postzinho “na onda”, da hora. coisa que todo mundo faz. e confesso: ler listas é (bem) melhor que fazê-las. sempre vai ficar alguém de fora, (quase) sempre vai entrar alguém que deveria ter ficado de fora.

não listarei os melhores livros e filmes de 2006. devo confessar: li e vi pouco este ano. e a maioria das coisas que li e vi, não foram lançadas este ano.

atrevo-me pois, somente, a listar os melhores discos de 2006, obviamente entre os que ouvi. é, como sempre, uma lista apaixonada e defeituosa. aberta a contestações/indagações/etc. na caixa de comentários. em tempo e sinceramente: também ouvi pouco em 2006.


cruel, sérgio sampaio

o maranhense zeca baleiro (que este blogue bem poderia eleger “artista do ano”, dada a sua carga de trabalho) pescou 14 músicas (quase todas inéditas) deixadas em fita (voz e violão) pelo capixaba sérgio sampaio (para ficar num lugar-comum, o autor de “eu quero é botar meu bloco na rua”). o resultado é esta belíssima bolachinha, que marcou a estréia do selo saravá discos, que pôs ainda no mercado outro belo trabalho, “ode descontínua e remota para flauta e oboé – de ariana para dionísio“, com dez poemas de hilda hilst musicados por zeca baleiro e interpretados por dez vozes femininas.


música, celso borges

“música” não é um disco. é um livro. um livro-disco na verdade. celso borges, o jornalista e poeta maranhense que cometeu esta obra, confessa pensar sempre no texto em papel (livro) antes do suporte sonoro (disco). mais de 50 artistas (músicos, poetas) em 25 faixas. um passeio interessantíssimo por músicas e poemas.


transfiguração, cordel do fogo encantado

versos como “vou pregar na parede / um pedaço de céu / que você me mandou” garantem ao terceiro disco do cordel o título de disco mais lírico de sua consistente carreira. é, ao lado dos outros quatro da lista, um dos discos que mais ouvi em 2006. este e o “homem-espuma” são os dois únicos discos que não resenhei (em 2006).


tião canta joão, tião carvalho

no ano em que joão do vale completou dez anos de falecido, tião carvalho, maranhense radicado em são paulo, prestou-lhe este “tributo”, que vai além desta alcunha aspeada. fugindo de um repertório óbvio, há músicas belas e raras como “os óio de ana bela”.


homem-espuma, mombojó

com participações de céu (um dos muitos discos que este blogueiro (ainda) não ouviu em 2006) e tom zé (cujo disco novo também ainda não ouvi), praticamente nada de novo era apresentado no disco novo do mombojó, cuja estréia se chama nadadenovo. se “em time que está ganhando não se mexe” (termo óbvio para um ano de copa do mundo, não?), o mombojó acertou no ângulo (de novo?) ao repetir as boas fórmulas para se fazer boas músicas.

vozes da democracia

é hoje (e não amanhã, como noticiou a coluna de aquiles emir no jornal pequeno) o lançamento do livro vozes da democracia – histórias da comunicação na redemocratização do brasil, organizado pelo intervozes – coletivo brasil de comunicação social.

a noite de autógrafos acontece às 19h na livraria poeme-se (rua do sol, 451, centro, próximo ao sindicato dos bancários) e contará com bate-papo com as presenças de márcio jerry, walter rodrigues e rogério tomaz jr. (assessor de comunicação da ação brasileira pela nutrição e direitos humanos – abrandh, membro do intervozes e autor de um dos 23 textos do livro).

serviço

o quê: lançamento do livro vozes da democracia – histórias da comunicação na redemocratização do brasil (imprensa oficial de são paulo, 375 páginas)
quando: hoje (27), às 19h
onde: livraria poeme-se (rua do sol, 451, centro)
quanto: na ocasião o livro será vendido por r$ 20,00
maiores informações: http://www.intervozes.org.br

o troféu do poeta

[de release recebido por e-mail; cesar venceu o prêmio em novembro do ano passado, conforme link abaixo]

O poeta maranhense Cesar Teixeira, vencedor do 3º Prêmio Nacional de Poesia Cidade de Ipatinga (MG) com a coletânea de poemas “Hóstias de Sal e Paixão“, finalmente recebeu o seu troféu. Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o Prêmio faz parte do Circuito de Literatura do Clube dos Escritores de Ipatinga (Clesi).


Cesar Teixeira exibe seu troféu [foto: divulgação]

“É possível, através da linguagem e da bandeira que empunharmos, devolver à vida em nossa volta o que a ambição do mundo lhe retira, inclusive os sentimentos carbonizados”, disse o poeta maranhense na mensagem dirigida ao público, aos escritores e autoridades presentes à cerimônia de entrega dos prêmios em Ipatinga. Um dos poemas da coletânea (abaixo) lembra o Natal, e mostra que “a face feia/bela da vida se expõe em fé, paixão e sal”, conforme o escritor mineiro Nena de Castro no prefácio do livro Poesia de Bolso, lançado recentemente pelo Clesi,reunindo os poetas selecionados.

JINGLOBALL’S
Cesar Teixeira

Debaixo do viaduto,
feito intestino à mostra,
um presépio surpreende
a decoração de Natal
com sua estrela de lata
enferrujando a noite.

Ali nasceu um menino
(órfão de pátria)
que não está nas vitrines
entre bonecos de neve
e perus da Sadia
– nesse dia foi Jesus.

Sobre a folha de jornal
o bebê estava posto,
vestindo trapos de alma
recolhidos na sarjeta,
e, morto, sob a lamparina,
representou seu papel.

pocket beat

[uma coleção, um livro, um “causo” na primeira classe, jp turismo, jornal pequeno, hoje]

Tristessa de bolso

L&PM Pocket ultrapassa os quinhentos títulos e publica “Tristessa” de Jack Kerouac.

por Zema Ribeiro*

A coleção L&PM Pocket [L&PM Editores], com seus mais de quinhentos títulos, acaba, em parte, com uma desculpa esfarrapada dada por parte de uma parcela que não lê: a de que livros são caros. Com preços acessíveis, edições bem-acabadas e um vastíssimo repertório, é possível ler nomes como Machado de Assis, William S. Burroughs, José de Alencar, Dante Alighieri, Dalton Trevisan e Oscar Wilde, entre outros, muitos outros.

Um ótimo exemplo é “Tristessa[R$ 6,00, 100 páginas], de Jack Kerouac, publicado pela primeira vez em 1960. Um livro ligeiro, como ligeira é a prosa ligeiramente poética e apressada – sôfrega – do beat-mor. Uma história de amor, seja lá o que isso for, e desamor, dolores e (poucos) dólares. Junkies decadentes viciados em morfina na Cidade do México, a urgência do próximo pico, a urgência da pena de Kerouac, que meio que escreve ali, (parte de) sua própria biografia, tendo uma prostituta como protagonista. [A L&PM lançou recentemente os “Diários de Kerouac”, mas não em sua coleção de livros de bolso].

Estas pequenas – só no tamanho físico, diga-se – obras podem ser encontradas em qualquer banca de revistas. Um pouco de paciência para encontrá-las ajuda. Numa das bancas da Praça Deodoro, indago, após ter feito o mesmo em outras: “Tem “Tristessa”, de Jack Kerouac?”; o homem responde-me com uma indagação a outro: “Tem tristeza?”. “Não, “Tristessa”, com dois ésses”, corrijo. O segundo homem responde-nos com um “não” seco. Pergunto ao primeiro se poderia dar uma olhada e ele me abre passagem. Giro umas poucas vezes a estante e acho o livro procurado, caçando as moedas entre os trocados da carteira. Pago e saio, antes ainda ouvindo um esporro do primeiro ao segundo homem: “Tu responde logo que “não” sem nem saber. Não quer ler…”. A desculpa do preço, citada lá em cima, não pode ser.

* Zema Ribeiro é correspondente do site Overmundo e escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com

ecos do prêmio

talvez eu devesse simplesmente ignorar, para não correr o risco de comportar-me como a remetente. mas como ela autorizou-me a publicar o e-mail (e eu o faria sem sua autorização, tal foi o tom e o grau de desrespeito e preconceito contidos em sua “carta”) numa tréplica que me foi enviada (e que eu não publico aqui para não holofotear demais a menina, se é que este humilde bloguinho holofoteia alguém).

antes, umas observações:

1) quando eu recebi o e-mail sem nem saber de quem se tratava (e até hoje não sei, já que a menina nunca se identificou), julguei que fosse uma namorada ou esposa de um dos integrantes. descobri que não, depois que

2) michael mesquita, um dos mads, mandou-me um e-mail (via orkut) comentando o comentário da pretensa “dona da verdade”. trecho do e-mail dele: “fui no seu blog e vi que era apenas uma opinião de quem curte mais um estilo que o outro. tenho o cd da ‘nego’ que o beto [ehongue, vocalista da nego ka’apor] me deu. tá tudo beleza. sou colega dele há onze anos, então tá tudo em casa. temos a consciência de que o cd deles tá “varada” e sabemos da luta deles. acho que cada coisa tem a sua vez. se for a vez deles, beleza. se for a nossa, tamos aí. é bola pra frente e cada um com seu trabalho. abraços e nosso respeito”.

3) diante da fixação da “guria” por certo tema, encaminhei, avisando-a (a guria, não a turma) simultaneamente, cópia do e-mail à turma da nego ka’apor.

4) já disse e repito: nada tenho contra a banda “the mads”, cujo disco sequer ouvi na íntegra.

abaixo, e-mail dela (vai o que ela escreveu, sem eu mexer numa vírgula, num espaço, em nada. reparem na linha “assunto”. e é claro, no conteúdo, se os caros leitores têm tempo a perder) e minha resposta. sem mais.

*

De: vaniasales <vaniasales@bol.com.br>
Para: zemaribeiro <zemaribeiro@gmail.com>
Data: 16/12/2006 16:20
Assunto: uma banda..THE MADS

ridículo o que você escreveu sobre os rapazes da the mads, que vc nem conhece mas fez questão de destratá-los em seu blog. engomadinhos, sim..foram como se deve ir a um “oscar” da música maranhense(o próprio Jair Rodrigues disse isso).. ainda bem vc é um pop-rock (acho que vc não sabe o que é isso). são queridinhos pq trabalham para isso, ao contrário dos meninos da outra banda (não sei o nome?..kapor) que foram como quem vai ali na esquina, comprar uma “chila” (um deles, aliás, estava cheio da erva e não conseguia nem coordenar uma palavra). o prêmio foi vergonhoso pq não premiou que merecia..eles foram os grandes vencedores da noite sim(quem tirou, na mão grande, os prêmios deles foi o coordenador da rádio, que tem uma banda, e é despeitado com o sucesso da the mads, que não depende de ninguém pra ser o que é)..aliás, é por isso que as pessoas estão deixando de comparecer ao prêmio, que virou nigrinhagem… no mais, prepare seus ouvidos que vc vai ouvir the mads todos os dias..ainda bem(você), “jornalista”…..

*

De: Zema Ribeiro <zemaribeiro@gmail.com>
Para: vaniasales <vaniasales@bol.com.br>
Data: 16/12/2006 17:26
Assunto: Re: uma banda..THE MADS

Vania,
boa tarde!

Eu não sou jornalista. Sou estudante de Comunicação Social (Jornalismo) ainda. Estou no sexto período da Faculdade São Luís e espero em dezembro que vem merecer o título.

Nada tenho contra os rapazes da The Mads, nem contra o prêmio Universidade. Não sou despeitado, não tenho banda (sequer toco qualquer instrumento). A propósito, por que você não colocou esta sua opinião publicamente, lá no blogue? Talvez fosse mais interessante abrir o debate sobre o que escrevi por lá.

Com relação ao fato dos Mads estarem engomadinhos, minha crítica reside unicamente no fato deles não soarem naturais, na ocasião. Os rapazes da Nego Ka’apor (é este o nome da banda, que recomendo-lhe ouvir, vale a pena, e eu sei sim o que é pop-rock) estavam, não como quem vai na esquina comprar uma chila, mas como quem vai subir ao palco para tocar: o figurino de Beto Ehongue não foi “forçado” para que eles recebam o “oscar” da música maranhense.

Se o integrante da Mr. Simple, Paulo Pellegrini rói corda por conta do sucesso da The Mads, é problema dele. O prêmio é resultado da apuração de 150 votos de jornalistas, artistas, produtores, críticos musicais etc. Eu não votei.

Prêmios são (quase) sempre resultados de critérios subjetivos, isto é, é impossível agradar a gregos e baianos.

Saudações,
Zema Ribeiro
http://zemaribeiro.blogspot.com
http://www.overmundo.com.br
http://jornalismo2007sl.blogspot.com
http://www.diboa.com

parabéns aos amigos

ok, ontem este blogueiro completou um quarto de século e os amigos é que deviam dar os parabéns, certo? certo. isso aconteceu. gracias, senhores e senhoras.

o post aqui é para outros parabéns, merecidos.

saiu o resultado do programa bnb de cultura e entre os selecionados estão os amigos francisco colombo, beto nicácio e a turma da agência de notícias da infância matraca. para mais detalhes, vá ao site do banco.

*

às vésperas de meu aniversário, um anti-presente: reuben anuncia mais uma despedida e bate a porta da clara em nossa cara. leia seu último texto por lá. assim que eu souber onde o moço ressurgirá, aviso por aqui.

para além do natal e reveillon

(ou: que os sentimentos – bons – sejam para sempre)

por Zema Ribeiro*

O cheiro de tinta e verniz é nauseante. Os homens estão ali, enfileirados ao longo da rua, ora asfalto, ora paralelepípedos. Capim nas beiras das calçadas, outrora; morrem ao tilintar de faiscantes facões empunhados pelos homens do início. A poeira levantada pelas lixas – que são esfregadas em portões e paredes – também irrita. E fede, como as tintas e vernizes do início. Fedores e irritações necessárias para que se reforme o velho e assim se crie o novo.

Logo é Natal. Pouco depois, com ou sem recesso no trabalho, Ano Novo. Enquanto preparamos – mandamos preparar, seria mais correto dizer – as caras de nossas casas para o ano que se inicia, parecemos preparar, as nossas caras também. Todos os ódios, raivas, mágoas e sinônimos para este tríduo, parecem ir pelo ralo, indo parar no esgoto do esquecimento – ao menos temporariamente. Tudo agora é só sorriso. Já nem lembramos das punhaladas que levamos. Menos ainda das que demos. Pela frente ou pelas costas. Nada. Tudo agora é paz.

Bandeiras brancas hasteadas. Hinos de louvor e blém-bléns ad infinitum. Pisca-piscas ligados, o comércio lotado, viva o consumismo!, esqueça-se o verdadeiro motivo da festa. Já faz parte. Não que eu aceite. Não que eu ache que você deva aceitar. Mas isso não é assim, de uma hora para outra.

A festa pode não durar. Nem deve(ria) mesmo. Mas pergunto para os botões da camisa puída e cerzida que estou usando: por que diabos, meu Deus, os sentimentos não permanecem ao fim da festa e da embriaguez?

* Zema Ribeiro é Consultor de Juventude do Diboa e escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com e no Overmundo.

[meu último texto do ano para o diboa. para ler os anteriores, vai lá!]

“bicha não! uma linda quase mulher…”

o humor brasileiro tem andado bem mal-humorado, de uns tempos pra cá, quando teve que começar a se preocupar com o que é ou não “politicamente correto”. sem perder piadas que desagrada(ria)m às minorias, o elenco de “uma linda quase mulher” garante mais de duas horas de boas e prolongadas risadas.


[o elenco em clique do site kamaleão]

cíntia sapequara e cia. tiram onda de homossexuais, negros, religiões afro-descendentes e até estudantes do ceuma, que se não necessariamente representam uma minoria, eram a maioria na platéia do circo da cidade, ontem (16). a comprovação veio quando uma das personagens da peça da companhia deixa de bobagem afirmou ter “sete anos de ufma e oito greves”. a platéia também entra no jogo, quando uma reprodução de pelúcia de um vibrador em tamanho superfaturado, digamos assim, é atirado em sua direção. depois, outros sobem ao palco como jurados de um concurso.

com um vocabulário claríssimo, diretíssimo, e por que não dizer?, carregado de palavrões, ouvido em todos os lugares ali representados – um ônibus, o apartamento da patroa, um terreiro de umbanda, um concurso de beleza, a praça joão lisboa e arredores etc. – é possível ouvir “cus”, “caralhos”, “bucetas”, “bichas”, “qualiras” (e sua variante também maranhensíssima “qualhira”) etc.

a peça, em cartaz há sete anos (o tempo de ufma da personagem inteligente), modifica-se a cada apresentação, garantindo atualidade à grande piada com várias piadas dentro. críticas ao trânsito complicado na avenida beira-mar, por conta de uma interminável obra de reorganização no trânsito, pedidos ao papai noel pela proximidade do natal e, ficção, a vencedora do concurso de beleza encenado ali irá acompanhar o governador josé reinaldo na posse do eleito jackson lago, com a vaga deixada pela ex-primeira-dama alexandra (ex-)tavares. nem mesmo roseana sarney escapa das línguas finas, ferinas e afiadas da turma.

uma linda quase mulher” conta a história de júlia roberta, empregada doméstica (“secretária executiva”, ela mentia às “amigas”) que sonha com o estrelato. a personagem acaba… não, não vou contar. que tal deixar o preconceito atrás da porta e ir ver este grupo divertidíssimo?

a última sessão desta temporada é hoje (17), às 20h, no circo da cidade [clique no título do post para mais detalhes]; “a bilheteria será aberta às 16h, para evitar filas e atraso, para que não se desrespeite os que chegam cedo”, avisou um dos atores, ao fim da sessão de ontem; os ingressos custam r$ 12,00; estudantes com carteira pagam metade.

deixa de qual(h)iragem, rapá!: vai lá!

"bicha não! uma linda quase mulher…"

o humor brasileiro tem andado bem mal-humorado, de uns tempos pra cá, quando teve que começar a se preocupar com o que é ou não “politicamente correto”. sem perder piadas que desagrada(ria)m às minorias, o elenco de “uma linda quase mulher” garante mais de duas horas de boas e prolongadas risadas.


[o elenco em clique do site kamaleão]

cíntia sapequara e cia. tiram onda de homossexuais, negros, religiões afro-descendentes e até estudantes do ceuma, que se não necessariamente representam uma minoria, eram a maioria na platéia do circo da cidade, ontem (16). a comprovação veio quando uma das personagens da peça da companhia deixa de bobagem afirmou ter “sete anos de ufma e oito greves”. a platéia também entra no jogo, quando uma reprodução de pelúcia de um vibrador em tamanho superfaturado, digamos assim, é atirado em sua direção. depois, outros sobem ao palco como jurados de um concurso.

com um vocabulário claríssimo, diretíssimo, e por que não dizer?, carregado de palavrões, ouvido em todos os lugares ali representados – um ônibus, o apartamento da patroa, um terreiro de umbanda, um concurso de beleza, a praça joão lisboa e arredores etc. – é possível ouvir “cus”, “caralhos”, “bucetas”, “bichas”, “qualiras” (e sua variante também maranhensíssima “qualhira”) etc.

a peça, em cartaz há sete anos (o tempo de ufma da personagem inteligente), modifica-se a cada apresentação, garantindo atualidade à grande piada com várias piadas dentro. críticas ao trânsito complicado na avenida beira-mar, por conta de uma interminável obra de reorganização no trânsito, pedidos ao papai noel pela proximidade do natal e, ficção, a vencedora do concurso de beleza encenado ali irá acompanhar o governador josé reinaldo na posse do eleito jackson lago, com a vaga deixada pela ex-primeira-dama alexandra (ex-)tavares. nem mesmo roseana sarney escapa das línguas finas, ferinas e afiadas da turma.

uma linda quase mulher” conta a história de júlia roberta, empregada doméstica (“secretária executiva”, ela mentia às “amigas”) que sonha com o estrelato. a personagem acaba… não, não vou contar. que tal deixar o preconceito atrás da porta e ir ver este grupo divertidíssimo?

a última sessão desta temporada é hoje (17), às 20h, no circo da cidade [clique no título do post para mais detalhes]; “a bilheteria será aberta às 16h, para evitar filas e atraso, para que não se desrespeite os que chegam cedo”, avisou um dos atores, ao fim da sessão de ontem; os ingressos custam r$ 12,00; estudantes com carteira pagam metade.

deixa de qual(h)iragem, rapá!: vai lá!

primeira classe

[jp turismo, jornal pequeno, ontem]

MPB sem prazo de validade

Letrista habilidoso, musicista idem, Adolar Marin lança seu segundo disco, “Atemporal”.

por Zema Ribeiro *

O batismo de um disco com tal título pode soar pretensioso, mas “Atemporal[independente, 2006, R$ 20,00], de Adolar Marin parece ter vindo para ficar. Se você não ouvi-lo nas rádios, não se culpe: problema delas. Se o pior cego, blá blá blá, o pior surdo é aquele que não quer ouvir.

Adolar é mais um – mas não apenas mais um – artista brasileiro saído da noite, leia-se: o homem tocava em barzinhos. Mas não se preocupava apenas em recolher o couvert e está tudo muito bem. Não. Foi ele um dos primeiros administradores da Rede Solidária da Música Brasileira, organização não-governamental atuante que promove, via internet, a troca de informações entre músicos. E tudo ao mesmo tempo, Adolar seguiu, sem adular ninguém, tocando em espaços culturais vários e festivais, Brasil afora. É como canta em “Sobre algumas coisas”: “eu não vim pedir a bênção, eu não vim pedir aval / eu não vim pedir licença”.

Atemporal” é um disco de emepebê – ou do que se convencionou chamar de –, e passeia pelos vários ritmos/estilos que o rótulo – limitador, como qualquer um – permite. Reggae, valsa, choro, xote, as fontes em que o compositor/cantor/instrumentista (se) (em)bebeu. Dominguinhos e Virgínia Rosa estão entre os convidados que abrilhantam este segundo disco de Adolar Marin.

Interessante letrista, o compositor – sozinho ou em parceria – assina 14 das 15 faixas do álbum. Charme na emepebê, aqui sem prazo de validade. Se a beleza é efêmera, “Atemporal” é uma exceção à regra.

* correspondente para o Maranhão do site Overmundo, escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com