Jack Kerouac canta

Para Ademir Assunção, Celso Borges, Cláudio Willer, Dyl Pires, Eduardo Júlio, Fernando Abreu, Josoaldo Rego, Mário Bortolotto, Paulo Melo Sousa, Reuben da Cunha Rocha e Ronaldo Bressane.

Via @cynaramenezes

A maior miniturnê de lançamento do mundo

O Fabreu é um cara sábio, já ouvi não sei quantas vezes o mano Reuben dizer isso, com o que concordo.

Ele tem um jeito de monge, seja pelos óculos ou pelo pouco cabelo que conserva, num corte militar, à falta de outro adjetivo, que de militar o poeta tem nada e, nunca ouvi a opinião dele, mas aposto meu reino que ele é até contra o serviço militar obrigatório (como este blogueiro também é, e a favor da desmilitarização das polícias, mas isso é outro assunto). Além do quê, tirando o deslocamento cotidiano para o trabalho, Fabreu quase nunca sai de casa, a não ser que a coisa valha muito a pena (estou devendo ajudá-lo a devorar uma peixada em seu apartamento, dívida que, não duvidem, terei o maior prazer de pagar em breve).

Como é o caso de ele lançar em Brasília seu mais recente livro, aliado involuntário, como anuncia a imagem que ilustra este post.

Fabreu, aliás, é como nós, íntimos, chamamos o jornalista e poeta Fernando Abreu, figura querida, parceiro de Zeca Baleiro em hits como Alma nova, Cachorro doido e Guru da galera. Autor de três livros de poesia, o que ele lança quarta-feira em Brasília mais O umbigo do mudo e Relatos do escambau.

À colônia maranhense em Brasília e/ou aos que gostam de poesia em geral, fica o recado. E digo mais: Fabreu tem o que dizer, um dos argumentos com que lhe convenci a abrir o blogue. E mais: acredito que um dos segredos da sabedoria do bardo Fabreu está na capacidade de zo(mb)ar de si mesmo. O título deste post, roubado daqui, prova isso.

Ora, se a gente não tira uma auto-onda, alguém vai fazê-lo, né? Como perguntaria o Tom Zé, “por que então essa mania de parecer tão sério” que acomete a tantos poetas por aí?

Semana Joãozinho Ribeiro 5

PEQUENO DANADO, SIÔ!

POR JOSIAS SOBRINHO*

Já faz um tempão que conheço o João, Batista Ribeiro Filho.

Se bem que, talvez, desde sempre…

…. me alembro bem de um dia na casa de Óder, na companhia luxuosa de Paquinha e sua viola espertíssima, num domingo de feijoada regada a garrafões de sangue de boá, como diz Bertinho, meu querido bróder, quando lhe ouvi versos inquietos querendo galgar o mundo.

E não foi de outra forma.

… ou no Corre Beirada, de tão nobre memória, onde mambembes cruzávamos
a cidade, seja lá como fosse, carregados de arte e com vontades de ver o circo
pegando fogo,

…. e, tínhamos Paulinho bicho do mato, Omar tiro de misericórdia, Zezé rabo
de vaca e tais e tantos,

…. como bendiz Mestre Vieira, que nem é rasta, mas como quem sabe arrasta:
… a pedra rolou…

Rolou pra nós nas trincheiras que ao longo dos dias fomos incrustando em
nossas carnes, cheios de esperança de ter vez e dar voz ao fado, de silenciar o
enfado.

Ora, ora…

Pois sim, pois não! Alguns companheiros de viagem vão pouco a pouco se
tornando permanentes em nossas cruzadas, como Neymar, que nem Pelé ou o
Santo Ofício, ou a Sharon Stone, pela vida se rebobinando vão. Milhões de uns
raimundosgeraldosfranciscas um dia nos chegam iluminando caminhos,
derrubando porteiras; aquém nós, nos vamos segurando, à borda, dando tempo
ao tempo de dar pé, até podermos mergulhar profundamente ao mais longínquo
profundo, por âncoras seguras, seguros de nós.

O João que conheço é um desses cabras danados de grandes, cheios de olhos
perscrutando tudo, que tudo que vêem, que tudo sentem. Que o absoluto
pressentem e apoderados das coisas que acreditam, dão sentido e são
significados por uns milhões de unsoutros. Das amálias aos capirotos.
Amealhando parcerias a torto e a direito, as trilhas dos poetas são cheias de
revolteios e, belas como pindobas aos ventos de maio numas manhãs quaisquer
de uns barros vermelhos de um dia, iluminando tudo em volta como se a
totalidade coubesse no pio de um coroca ou no dorso de uma égua resoluta
pastando na calmaria de um vasto campo à beira do Aquirí.

Cheio de planos, não somente urbanos, acima de tudo humanos, meu querido
little John, as coisas de Deus lhe acompanham.

No espetáculo da vida, tu e tua trupe de bardos e bardas, esse cangaço da
gente a volta da mesa reunido, rapaziando o pão, e o vinho!!! reclama, esse terreiro de ninguém onde seu Ninga vende uma erva na santa esquina da solidão da palavra passamento, enquanto um derradeiro trem matraca matreiro sobre minha cidade, cidadela sitiada, na beira duma praia absurdamente voltada pro mar.

*O compositor Josias Sobrinho participa do show Milhões de uns na noite de hoje (27). Veja abaixo a programação das duas noites de espetáculo, sempre com início às 21h, no Teatro Arthur Azevedo.

27

1. Cidade Minha (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João
2. Coisas que Acredito (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
3. Estrela (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
4. Tire as Mãos do Meu Pandeiro (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
5. Terreiro de Ninguém (Joãozinho Ribeiro) – Josias Sobrinho
6. Pegando Fogo (Joãozinho Ribeiro) – Rosa Reis
7. Amália (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
8. Te Gruda no Meu Fofão (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
9. Gaiola (Joãozinho Ribeiro / Escrete) – Lena Machado
10. Planos Urbanos (Joãozinho Ribeiro / Alê Muniz) – Alê Muniz
11. Coisa de Deus (Joãozinho Ribeiro / Beto Pereira) – Milla Camões
12. Passamento (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
13. Palavra (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
14. Derradeiro Trem (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
15. Milhões de Uns (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro e Coral São João
16. Tá Chegando a Hora (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João + Todos

28

1. Cidade Minha (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João
2. Coisas que Acredito (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
3. Tire as Mãos do Meu Pandeiro (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
4. Matraca Matreira (Joãozinho Ribeiro) – Chico Saldanha
5. Pegando Fogo (Joãozinho Ribeiro) – Rosa Reis
6. Amália (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
7. Te Gruda no Meu Fofão (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
8. Azulejo (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
9. Saiba Rapaz (Joãozinho Ribeiro) – Célia Maria
10. Rua Grande (Joãozinho Ribeiro / Zezé Alves) – Lena Machado
11. Samba do Capiroto (Joãozinho Ribeiro / Cesar Teixeira) – Cesar Teixeira e
Joãozinho Ribeiro
12. Esquina da Solidão (Joãozinho Ribeiro) – Cesar Teixeira
13. Erva Santa (Joãozinho Ribeiro) – Chico César
14. Saracuramirá (Joãozinho Ribeiro) – Chico César
15. Passamento (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro
16. Palavra (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
17. Derradeiro Trem (Joãozinho Ribeiro) – Zeca Baleiro
18. Milhões de Uns (Joãozinho Ribeiro) – Joãozinho Ribeiro e Coral São João
19. Tá Chegando a Hora (Joãozinho Ribeiro / Marco Cruz) – Coral São João +
Todos

Semana Joãozinho Ribeiro 4

Ontem postei aqui um texto de Chico Saldanha em que ele comenta a emoção de participar de Milhões de uns, show que resultará no primeiro disco de Joãozinho Ribeiro. No texto, o autor de Itamirim bem define Zeca Baleiro: “esse maqueano, “chefe de torcida” dos compositores maranhenses”, ele, o filho de seu Tonico e dona Socorro, certamente um dos maiores entusiastas das noites de hoje e amanhã e do que nelas/delas (se) vi(ve)rá.

Abaixo, palavras de Zeca Baleiro sobre Joãozinho Ribeiro e Milhões de uns. Palavra, no singular, a propósito, é uma das peças da lavra do segundo que o primeiro cantará.

JOÃOZINHO RIBEIRO – MILHÕES DE UNS

POR ZECA BALEIRO*

Joãozinho Ribeiro é um poeta e compositor maiúsculo. Mas sempre foi mais que isso. João é uma espécie de “guru da galera”, o cara que aponta caminhos, que lança luz sobre as trevas culturais da cidade de São Luís – incansável, obstinado, convicto.

Mas há uma torcida antiga (e eu estou nela) pra que João deixe de lado um pouco sua porção “agitador cultural” e nos dê de legado seu primeiro e aguardado disco autoral.

Finalmente parece que a torcida começa a dar resultado. João se prepara para, com o suporte de alguns convidados especiais, gravar cd e dvd com a sua (vasta) obra nunca dantes registrada em toda a sua magnitude e esplendor.

Serão 20 canções escolhidas de um balaio fértil de cerca de duas centenas de composições, acumuladas em mais de 30 anos de poesia, boemia e hiperatividade cultural.

Um trabalho que já nascerá clássico, assim como um disco antigo do Paulinho da Viola ou do Chico Buarque. Porque, assim como os artistas acima citados, João tem estatura de gigante, ainda que o Brasil – infelizmente – o desconheça.

Agora enfim vai conhecê-lo por meio do projeto Milhões de Uns, iniciando com a gravação de um cd e um dvd que levam o mesmo título, nos dias 27 e 28 de novembro próximo, no Teatro Arthur Azevedo. Afinal, nunca é tarde para a poesia.

Saravá, João, meu poeta!

*O cantor e compositor Zeca Baleiro participa das duas noites de Milhões de uns, hoje (27) e amanhã (28), às 21h, no Teatro Arthur Azevedo. Os ingressos custam R$ 50,00 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro.

Obituário: Retão

O Retão: saudades e lembranças, após mais de 30 anos de serviços prestados à boemia da Ilha

Localizado na Avenida Vitorino Freire (entre Camboa e Areinha), na altura da Vila Passos, o Restaurante Retão era um espaço por que tínhamos muito carinho, onde costumeiramente íamos beber, eu e minha esposa – que chegou a comemorar um aniversário no recinto –, nós e os pais dela, mamãe e alguns amigos iniciados em nosso particularíssimo roteiro de baixa gastronomia – às vezes este grupo inteiro somado, de uma vez.

“E aí, meu patrão?!”, sempre me saudava o garçom da noite, logo que eu lhes pisava a calçada, onde em geral ficávamos fugindo da parte interna, sempre mais abafadiça e barulhenta – a exceção eram as noites de chuva (o Retão sempre funcionava à noite, algo em torno de entre 18h e meia noite). Depois dos apertos de mãos e abraços, tanto faz termos ido ali ontem ou há muito sem aparecer, já devidamente instalados em uma mesa ao vento, saltava o pedido: “o de sempre!”. E cervejas começavam a ser enfileiradas enquanto o tira-gosto era preparado.

Espaço simples, mas muito agradável, sua calçada e vento era o que havia de bom na região, com sua cerveja gelada e tira-gosto de vitamina B3, os três bês de bom, bonito e barato – sempre ótimas pedidas seus pratos de alcatra, frango e carne de sol, entre outros, porções “consideradas”, sempre acompanhadas de batatas fritas, salada e farofa. As contas, trazidas por seus garçons oficiais, os dois únicos que se revezavam nas noites, sempre nos assustavam. “Só isso?”, indagávamo-nos entre os comensais, sempre esperando uma conta mais cara, diante de tantas garrafas vazias enfileiradas aos pés da mesa e um ou mais pratos já recolhidos por Humberto e George, eles, os dois garçons no revezamento noite após noite.

A música não era o seu ponto forte e o aparelho de DVD podia exalar tanto um forró de plástico da pior qualidade quanto uma coletânea “momentos de amor” anos 70-80 e até mesmo apresentações de manifestações juninas de nossa cultura popular, ao longo dos festejos de São João.

Era, às vezes, nossa esticada natural após fazer a feira semanal, nas noites de quinta. Ou a parada obrigatória na sexta, para um papo qualquer, extensão do trabalho ou apenas bobagens para descontrair e aliviar a seriedade da vida, sempre tão corrida, após mais uma semana de missão cumprida. Canto de matar o calor que castiga a Ilha cotidianamente, mesmo quando a noite já caiu.

Depois de mais de 30 anos de serviços prestados à boemia da capital maranhense, o Retão fechou as portas. Sem maiores detalhes, Humberto confidenciou-me prejuízos que sua mãe, proprietária do local, estaria tendo. O espaço está lá, fechado e bem localizado. Torço para que renasça feito Fênix pelas mãos de alguma alma bondosa que queira ver contentes alguns habitués dali. Do contrário, restarão boas lembranças e saudade – as que me ocorrem todo dia, toda vez que passo ali em frente. Como hoje, com este obituário já escrito, quando parei defronte para tirar a fotografia que o ilustra.

Viva Paulinho da Viola!

Paulinho da Viola completou 70 anos ontem. Não houve estardalhaço como para outros setentões de 2012 (ou como imagino que haverá, não imerecidamente, para Chico Buarque daqui a dois anos). Não é de hoje a diminuição quase sempre imposta a este grandessíssimo artista, em geral tido apenas como sambista (como se isso fosse coisa menor) e não como um artista da MPB (o que é MPB? Samba não é música?, não é popular?, não é brasileiríssimo?).

Paulinho da Viola é fundamental! Artista de nobre linhagem e rara elegância, merece figurar em qualquer panteão da música brasileira. Se a mídia não deu a devida atenção, mesmo que apenas por ocasião da efeméride, o artista anuncia shows (no Rio, de graça, na Madureira berço de sua Portela do coração, e no Carnegie Hall) e caixa com discos, informações que li na Folha de domingo, onde soube também que a Portela irá homenageá-lo na avenida em 2013.

O maranhense João Pedro Borges, que tocou em A obra para violão de Paulinho da Viola, dividindo o disco com o artista e o pai dele, César Faria (violonista do conjunto Época de Ouro que acompanhou Jacob do Bandolim), já afirmou que é bastante valiosa a contribuição do músico para a escola brasileira do instrumento. Esta sua faceta, de compositor de choros sofisticados, é bem menos conhecida que a de sambista, porém não menos importante. O disco citado é hoje tão desconhecido quanto raro: foi distribuído como brinde de fim de ano aos clientes de uma empresa em meados da década de 1980, nunca tendo chegado ao formato digital.

Um dos momentos de maior emoção na vida do músico aconteceu quando sua Foi um rio que passou em minha vida foi cantada no aquecimento, o “esquenta”, o samba que anima os membros da escola antes de a mesma entrar na avenida. Isso foi em 1971, o disco lançado no ano anterior, espécie de resposta que Paulinho dava a si mesmo, depois de ter escrito Sei lá, Mangueira (parceria com Hermínio Bello de Carvalho), enaltecendo a rival.

Até hoje há quem acredite que sua Sinal Fechado, regravada por, entre outros, Fagner e Chico Buarque, seja de autoria do último.

Para um amor no Recife já teve regravações de Marina Lima e Zé Ramalho, alguém aí ainda desconfia que Paulinho é só do samba (o que não seria pouco)?

Paulinho é também presença constante nos discos de Marisa Monte, seja emprestando obras primas do quilate de Para ver as meninas e Dança da solidão, seja tocando um violão aqui, um cavaquinho acolá.

Acompanhada do grupo Semente, Teresa Cristina estreou em disco há 10 anos, com um trabalho inteiramente dedicado à obra do mestre: o duplo A música de Paulinho da Viola.

Ainda há muito por dizer e muito mais com o que ilustrar este post. Paulinho da Viola tem obra vasta e bem mais merecem as celebrações e homenagens por seus 70 anos. Uma frustração? Nunca ter sido gravado por Aracy de Almeida, “uma das maiores cantoras de samba” que o Brasil já (ou)viu. Uma historinha? Já cansada de ser sempre cobrada para cantar o repertório de Noel Rosa, sua maior intérprete um dia confessou estar cansada de “carregar o peso desse morto nas costas”, disse, referindo-se, “sei lá, não sei”, ao samba de Noel ou ao próprio compositor. Caetano Veloso compôs um samba novo, A voz do morto, em que homenageia Paulinho da Viola, “viva Paulinho da Viola”, vivíssimo, atuante e elegante aos 70.

Uma passadinha rápida pra lembrar

Hoje tem Celso Borges no Sarau Cerol:

E avisar que ele estará acompanhado, além de Beto Ehongue, por Alê Muniz e Luiz Cláudio, repetindo assim a formação do espetáculo de abril passado, maiores informações sobre aquele e o de hoje nos links do post anterior.

Sarau Cerol no Odeon: poemúsica com Celso Borges e Beto Ehongue

Amanhã (30), 22h, de graça, no Odeon. Aqui o que disse do Sarau Cerol que ou/vi em abril passado no Odylo, ocasião em que Andréa Oliveira, esposa do poeta, fez o clique acima.

Livro com inéditos de Itamar Assumpção será lançado em SP

Uma coletânea de textos, letras de música e poemas inéditos de Itamar Assumpção será lançada quinta-feira (1º./11) em São Paulo. Fruto de parceria do Instituto Itaú Cultural e Editora Terceiro Nome, Itamar Assumpção – Cadernos Inéditos reúne, em 240 páginas, extratos de 60 cadernos de anotações, de entre 1986 a 2003 (ano de seu falecimento), deixados pelo compositor.

A organização ficou a cargo das filhas Anelis e Serena Assumpção, da viúva Elizena Assumpção e de Marcelo del Rio, um vizinho que acompanhou os últimos anos do autor de PretoBrás. (Com informações do Itaú Cultural)

A notícia

Eu era um molecote que sequer tinha idade para tomar cerveja e, portanto, não bebia. Mas estava no bar, o saudoso Giovani, saudoso o bar, o ex-proprietário ainda está entre nós, em Rosário/MA, acompanhado de uns tios. Fran Gomes, atração da casa entre o fim de tarde e início da noite, certamente não lembra do episódio e nem teria por que.

Ele se apresentava, voz e violão, no local. Nossa mesa era próxima do palco. Eu, regado a refrigerante e com um conhecimento razoável de música brasileira para um garoto de minha idade, 14 anos?, 15?, 16?, adivinhava compositores e intérpretes das músicas com que ele agraciava o público presente, além de pedir-lhe músicas, algumas atendidas, outras não.

Talvez já “invocado” com minha “saliência”, a certa altura Fran Gomes lançou-me uma espécie de desafio: disse que ia tocar uma música que eu não conhecia. Duvidei. Dito e feito. Cantou a música abaixo, de Celso Viáfora e Vicente Barreto, pela qual apaixonei-me à primeira audição e, à época, não sosseguei até tê-la em disco em minha modesta coleção.

Um hino em tempo em que índios já não são salvos por guardas marinhos, muito pelo contrário.